Neste artigo
A localização da dor
Quando a dor no calcanhar não se comporta como fascite plantar, a pergunta útil passa a ser qual outra estrutura está recebendo a carga: o coxim adiposo sob o osso, o próprio calcâneo, um nervo, o tendão de Aquiles ou uma bursa. Na avaliação, eu localizo o ponto de maior dor, reproduzo o sintoma com testes dirigidos e só peço imagem quando o resultado muda o tratamento.[1] Causas sérias como infecção óssea e tumor são raras; estalo súbito atrás do tornozelo, não conseguir apoiar o pé, febre ou ferida mudam a urgência.
O ponto de maior dor já reduz as hipóteses. Dor na parte interna da planta, perto da origem da fáscia, favorece a fascite plantar. Dor no centro da planta, com sensação de contusão, favorece o coxim adiposo. Dor atrás do calcanhar aponta para o Aquiles, uma bursa ou uma saliência do osso. Queimação e formigamento sugerem nervo, e dor profunda que cresce com o impacto levanta a hipótese de lesão por estresse no calcâneo.[1]
O comportamento ao longo do dia acrescenta informação. A fascite plantar costuma doer nos primeiros passos; o coxim piora em piso duro; a lesão óssea progride com o impacto; o Aquiles dói ao impulsionar o passo; a bursa posterior reage ao contraforte, a parte de trás do calçado que envolve o calcanhar. Nenhum desses padrões prova sozinho a causa, mas juntos ajudam a identificar qual estrutura recebe a carga.[1]
Quando parece fascite
A fáscia plantar é uma faixa de tecido que sustenta o arco do pé e se origina na parte interna do calcâneo, o osso do calcanhar. O padrão típico da fascite plantar inclui dor nessa origem, pior nos primeiros passos da manhã ou depois de ficar sentado, sensibilidade num ponto e dor ao elevar os dedos ou carregar o arco. Em muitos quadros crônicos prefiro o termo fasciopatia a “inflamação”, porque degeneração e adaptação à carga participam do processo.[2]
O diagnóstico é clínico quando localização e comportamento convergem. Esporão no raio X não confirma a causa: ele aparece em pessoas sem dor e pode coexistir com outras doenças. Espessamento da fáscia no ultrassom também precisa coincidir com o sintoma. Se a dor está no centro do calcanhar ou atrás do tendão, vem com dormência ou piora sem relação com os primeiros passos, eu reviso a hipótese.[1]
Quando o tratamento da fascite falha, primeiro verifico se o exercício de fato carregou a fáscia, se a dose era executável e se o diagnóstico continua compatível. Dor noturna, perda de sensibilidade, dor à compressão lateral do calcâneo ou inchaço atrás do calcanhar deslocam a investigação para outra estrutura.[2]
Coxim adiposo
O coxim adiposo é o tecido espesso sob o calcâneo que distribui o impacto. Na síndrome do coxim, a dor fica no centro da planta e lembra uma contusão profunda. Andar descalço, piso rígido, ficar muito tempo em pé e impacto repetido pioram. Pressionar diretamente o centro do calcanhar reproduz o sintoma, o que separa esse quadro da dor na parte interna, nos primeiros passos, típica da fáscia.[4]
Atrofia significa redução da espessura ou da organização do coxim. Na imagem, a espessura pode ser comparada com e sem carga, e a compressibilidade mostra quanto o coxim se achata sob o peso; essas medidas variam com idade, peso e técnica do exame. A imagem pode mostrar fibrose, edema ou defeitos dos septos, as paredes que dividem a gordura em compartimentos, mas não existe um critério diagnóstico universal. Corticosteroide repetido e trauma são fatores possíveis. Um coxim fino na imagem tem valor quando a compressão reproduz a dor central.[3]
Lesão por estresse
A lesão por estresse do calcâneo acontece quando a carga repetida sobre o osso supera a capacidade de recuperação. Pode começar como reação de estresse e avançar para fratura. A dor costuma surgir depois de aumento de corrida, caminhada, salto ou treino em superfície dura e piora enquanto a atividade continua. Baixa disponibilidade de energia na alimentação, osteoporose, menopausa, uso de corticoide e aumento abrupto de treino reduzem a capacidade do osso.[9]
Dor ao comprimir o calcâneo pelos lados, inchaço, andar mancando e dor profunda aumentam a suspeita, mas nenhum sinal isolado confirma. No exame, comparo fáscia, coxim, Aquiles e nervo. Dor nos dois calcanhares, ou que volta, pede revisão de treino, alimentação, ciclo menstrual, densidade óssea e medicamentos. O objetivo é identificar a lesão atual e também o motivo de a carga ter superado a recuperação.[9]
Dor do nervo
O túnel do tarso é a passagem do nervo tibial atrás do maléolo medial, o osso saliente na parte interna do tornozelo. A compressão nesse ponto pode causar queimação, choque, formigamento ou dormência na planta e no calcanhar, pior em pé ou caminhando; é o padrão da dor neuropática. Percutir o túnel pode irradiar o sintoma (sinal de Tinel), mas o teste não é definitivo. Cisto, varizes, deformidade, trauma e doença sistêmica podem estreitar o espaço.[8]
O nervo calcâneo inferior, conhecido como nervo de Baxter, é um ramo que pode ser comprimido perto da parte interna do calcanhar. A dor pode imitar a fasciopatia e tornar-se mais constante. A alteração de sensibilidade é menos evidente porque o ramo é principalmente motor. O diagnóstico usa a localização, a exclusão de outras causas e, em casos selecionados, imagem da musculatura do pé ou um bloqueio diagnóstico cuidadoso, em que um anestésico aplicado junto ao nervo mostra se a dor vem dele.[1]
A compressão da raiz nervosa S1, na base da coluna lombar (radiculopatia), e a polineuropatia diabética também podem produzir sintomas no pé. Dor que começa na lombar ou na nádega, fraqueza para ficar na ponta do pé e reflexo do tornozelo (aquileu) reduzido favorecem a raiz. Dormência simétrica nos dois pés favorece polineuropatia. Nesses casos, tratar apenas o calcanhar falha, porque o problema está mais acima ou espalhado.[8]

O nervo também pode ser comprimido mais adiante, nos ramos plantar medial e lateral, ou irritado por cicatriz e massa. Sintoma provocado por calçado estreito, calcanhar desviado para fora (valgo do retropé) ou tempo em pé orienta o local. Desenho a área de dormência e comparo com o território de cada ramo. Quando a distribuição muda a cada exame ou abrange várias regiões, polineuropatia e sensibilização (quando o sistema nervoso amplifica a dor) entram na avaliação, sem descartar uma compressão focal.[8]
Aquiles e bursas
A tendinopatia insercional do Aquiles dói onde o tendão se fixa no calcâneo. Subir escada, correr, saltar e calçado rígido pioram, e a dor pode vir com espessamento e uma saliência no local. A tendinopatia do corpo médio fica alguns centímetros acima e responde a outro padrão de compressão. A distinção muda o exercício: levar o pé para cima ao máximo (dorsiflexão profunda) comprime a inserção contra o osso e pode irritá-la numa fase inicial.[6]
A bursa retrocalcaneana fica entre o Aquiles e o calcâneo; a bursa superficial, entre a pele e o tendão. Inchaço, calor e dor com o contraforte do sapato favorecem bursite. A deformidade de Haglund é uma saliência óssea na parte superior e posterior do calcâneo que aumenta a compressão, mas a aparência no raio X não prova que seja a única causa. Tendão, bursa e osso podem doer juntos.[1]
A ruptura do Aquiles costuma causar estalo, sensação de chute na panturrilha e incapacidade de impulsionar o passo. No teste de Thompson, eu comprimo a panturrilha: se o pé não se move para baixo, a suspeita de ruptura sobe. A ruptura parcial pode ser menos evidente. Esse quadro agudo precisa de avaliação antes de qualquer alongamento ou exercício de carga.[1]
Doenças sistêmicas
As espondiloartrites, doenças inflamatórias que atingem coluna e articulações, podem inflamar a inserção do Aquiles e da fáscia, quadro chamado entesite. Dor nos dois calcanhares, rigidez matinal prolongada, dor lombar de padrão inflamatório, psoríase, uveíte (inflamação dentro do olho) ou doença inflamatória intestinal aumentam a suspeita. A gota pode atingir tendão, bursa ou articulação e causar crise vermelha e abrupta. Nesses casos, o tratamento da estrutura local anda junto com o controle da doença inflamatória.[1]
O diabetes aumenta o risco de neuropatia, infecção e úlcera. A perda de sensibilidade muda a escolha do calçado, a inspeção da pele e a progressão de carga. A doença vascular causa ferida que cicatriza mal, pé frio e pulsos reduzidos.[1]
Dor referida da coluna, do quadril ou do joelho pode alterar a marcha e sobrecarregar o calcanhar. Por isso, quando os sintomas sugerem, examino a mobilidade do tornozelo, o arco, a força da panturrilha, o controle do quadril e a parte neurológica.[1]
Exame físico
Na avaliação, o exame começa pela inspeção do pé em repouso e em apoio. A palpação percorre saliências ósseas, inserções de tendões, articulações e o ponto de maior dor, registrando inchaço, falha palpável no tendão e diferenças entre os lados. Testo primeiro o movimento ativo do pé e do tornozelo; quando ele está limitado, o movimento passivo ajuda a separar restrição articular, dor e proteção muscular.[1]
As manobras são escolhidas pela hipótese. Dor à pressão na parte interna da sola do calcanhar e ao levar pé e dedos para cima favorece a fáscia plantar. Compressão dolorosa do calcâneo pelos dois lados aumenta a suspeita de lesão por estresse. Palpação e dorsiflexão passiva, em que o examinador leva o pé para cima, examinam o Aquiles. O sinal de Tinel e a manobra de dorsiflexão com eversão, que leva o pé para cima e para fora, podem reproduzir os sintomas do túnel do tarso. Interpreto cada resposta junto com o padrão clínico completo.[1]
A ordem do exame também muda com a gravidade. Se a pessoa não consegue apoiar o pé ou há suspeita de ruptura, fratura ou infecção, testes provocativos adicionais deixam de ser a prioridade.[1]
Exames de imagem
A radiografia mostra fratura evidente, alinhamento, artrose, saliência posterior e calcificações. Esporão plantar ou a deformidade de Haglund podem ser achados sem relação com a dor. O ultrassom avalia fáscia, Aquiles, bursas e alguns nervos em movimento, e guia procedimentos; sua qualidade depende da técnica e da pergunta feita. Ele não é o exame principal para afastar reação de estresse dentro do osso.[1]
Na suspeita de lesão por estresse do calcâneo, a radiografia é o exame inicial, mas pode ser normal no começo. Se vier normal ou duvidosa e a suspeita continuar, a ressonância magnética sem contraste costuma ser o exame apropriado e pode mostrar edema no osso antes de uma linha de fratura visível. A tomografia detalha a cortical, a camada externa do osso, em situações selecionadas. Se a ressonância mostrar alterações em tendão ou fáscia, elas só contam quando combinam com o exame.[7]

No túnel do tarso, a eletroneuromiografia, exame que avalia a condução elétrica dos nervos e a atividade dos músculos, pode demonstrar comprometimento do nervo tibial ou de seus ramos e procurar uma causa mais acima no trajeto do nervo. O exame tem limites: pode vir normal apesar de compressão real, e uma alteração isolada pode não explicar a dor. O resultado precisa concordar com o trajeto dos sintomas, com o exame e com a busca de uma causa compressiva.[8]
Tratamento do coxim adiposo
Amortecimento e calçado
No coxim, o alvo é reduzir a pressão no centro do calcanhar e distribuir melhor a carga. Taça de calcanhar (peça que envolve o calcanhar e mantém o coxim reunido sob o osso), calçado com sola intermediária estável e acolchoada, palmilha com recorte sob o ponto doloroso ou bandagem funcional (taping) que reúne o coxim são testados na marcha e no tempo em pé.
Uma palmilha rígida que concentra carga no centro pode piorar. O recurso precisa ficar estável dentro do calçado sem elevar demais o calcanhar. Os estudos são poucos, então o benefício é o que aparece no retorno: mais minutos em pé e marcha mais tolerável.[3]
Alongamento e injeção
Alongar a panturrilha pode tratar uma rigidez associada, mas não reconstrói o coxim. A injeção de corticosteroide perto do coxim pode agravar a atrofia e concentrar ainda mais a pressão; por isso evito aplicar ao centro do calcanhar a infiltração usada na fáscia. Antes de qualquer procedimento no coxim, examino espessura, compressibilidade, calçado e resposta ao amortecimento.[3]
Tratamento da lesão por estresse
Proteção de carga
A proteção começa pela probabilidade clínica, sem esperar que uma radiografia inicial normal libere o impacto. Continuar correndo ou saltando com dor crescente pode atrasar a cicatrização e ampliar a lesão. O grau de proteção depende da dor ao caminhar e da extensão vista na imagem: bota ou muletas entram quando o apoio normal dói. O condicionamento pode ser mantido com atividade sem impacto que não carregue o calcâneo.[9]
Saúde do osso
A investigação de nutrição, disponibilidade de energia, vitamina D e saúde do osso segue o risco de cada pessoa. Quando a lesão é bilateral ou recorrente, o que for encontrado entra no plano junto com a proteção de carga.[9]
Retorno ao impacto
O retorno ao impacto começa quando a marcha e a palpação melhoram e, conforme o caso, quando a cicatrização foi documentada. O volume sobe em etapas, e observo a resposta no mesmo dia e no dia seguinte. Se a dor volta cedo, reduzo a última variável aumentada e reviso os fatores ósseos. Menos dor, sozinha, não libera o impacto.[9]
Tratamento do Aquiles e da bursa
Carga progressiva na inserção
Na tendinopatia insercional, o exercício com carga progressiva da panturrilha é o tratamento central. Começo numa amplitude que limite a compressão contra o calcâneo, muitas vezes com o calcanhar no nível do chão. A progressão passa por contrações isométricas (o músculo trabalha sem movimento), elevação do calcanhar com os dois pés, com um pé só e com carga adicional, conforme o tendão tolera. Descer o calcanhar abaixo do degrau não é obrigatório e só entra quando a inserção aceita mais dorsiflexão. No retorno, a resposta é medida pelo impulso, pela marcha, pela escada e pela tolerância ao calçado.[6]
Carga no corpo médio do tendão
Na tendinopatia do corpo médio, o exercício de carga também é o tratamento central, e repouso completo não é recomendado quando existe atividade tolerável. Antes de escolher a progressão, defino onde está a dor, qual amplitude o tendão tolera e como ele responde à carga, porque a inserção e as bursas sofrem compressões diferentes. No retorno, acompanho a tarefa que provocava dor e a elevação do calcanhar com um pé só.[5]
Bursite posterior
Na bursite retrocalcaneana ou superficial, o primeiro passo é reduzir a compressão do calçado, examinar calor e pele e separar infecção, gota e doença inflamatória. A progressão de exercícios do corpo médio do Aquiles não se aplica à bursa. Quando tendão, bursa e saliência do calcâneo coexistem, acompanho qual estrutura responde a cada mudança de calçado, de carga e de tratamento.[1]
Ondas de choque
As ondas de choque têm estudos na tendinopatia insercional do Aquiles e podem ser discutidas quando o quadro crônico persiste depois de reabilitação com carga bem executada. Antes de começar, explico os parâmetros e a incerteza do resultado; a decisão de continuar usa as mesmas medidas do exercício.[6]
Injeções perto do tendão
Os estudos sobre injeções ao redor da inserção do Aquiles são pequenos, usam técnicas diferentes e ainda não mostram com clareza qual delas ajuda mais. Corticoide dentro ou junto do tendão de Aquiles é evitado pelo risco ao próprio tendão.[6]
Tratamento do nervo
Causa da compressão
O tratamento do túnel do tarso começa pela causa. Cisto, variz, deformidade, inchaço ou doença inflamatória pedem abordagem específica.[8]
Calçado, órtese e mobilização neural
Calçado e órtese podem reduzir a tração ou a compressão sobre o nervo em alguns pés; em outros, a borda de uma palmilha sobre o túnel piora. A mobilização neural, exercício que movimenta o nervo ao longo do seu trajeto, é usada em dose baixa quando o movimento reproduz o trajeto do sintoma sem aumentar a dormência. O exercício escolhido muda conforme o local da compressão.[8]
Medicamentos para dor do nervo
Quando queimação e choque persistem, um tratamento medicamentoso pode ser considerado, escolhido a partir do diagnóstico neural confirmado, das contraindicações e dos outros remédios em uso. O ganho esperado é alívio de sintoma: o remédio não remove cisto, variz, deformidade ou outra causa compressiva. Sono, marcha, sensibilidade e função mostram no retorno se o plano merece continuidade.[8]
Cirurgia de descompressão
A cirurgia de descompressão é considerada quando há causa identificável e sintomas persistentes, especialmente se já existe déficit do nervo. Os resultados são menos previsíveis quando não há local ou mecanismo claro. Dor plantar crônica sem sinais neurais não é motivo para liberar o nervo por exclusão.[8]
Remédios e injeções
Analgésicos e anti-inflamatórios
Analgésico ou anti-inflamatório pode reduzir uma fase dolorosa, mas não identifica qual estrutura produz a dor. Na compressão do nervo, a causa pode continuar lá; numa bursa quente, infecção precisa ser excluída antes. A escolha do remédio depende do diagnóstico, da via, das contraindicações e dos outros tratamentos em uso.[1]
Injeções no calcanhar
Na fasciopatia plantar, as injeções e outros procedimentos têm benefícios e riscos próprios da fáscia. No coxim, no nervo, no osso, na bursa ou no Aquiles, plasma rico em plaquetas (PRP), ácido hialurônico, proloterapia e corticoide são avaliados à parte. Cada procedimento exige um alvo anatômico confirmado e evidência aplicável àquela estrutura e àquele tipo de paciente.[2]
Acompanhamento
No retorno, repito a palpação do mesmo ponto, a tarefa que provocava dor e uma medida concreta: dor nos primeiros passos, minutos em pé, elevação do calcanhar com um pé só, distância de caminhada ou impacto. A melhora precisa ocorrer no padrão previsto para a estrutura suspeita: uma taça que aumenta o tempo em pé reforça o papel do coxim; carga que aumenta a força do Aquiles sem dor posterior persistente reforça o tendão; proteção que reduz a dor óssea permite avançar com segurança.[1]
Se o plano não funciona, a primeira pergunta é se a dor continua no mesmo lugar e com o mesmo comportamento. Mudança para queimação, dor noturna, inchaço posterior ou dor difusa muda o diagnóstico. Em seguida reviso a dose e a execução. Só depois chamo o quadro de refratário e considero nova imagem ou procedimento.[2]
O retorno ao esporte ou ao trabalho depende da estrutura. Fáscia e tendão precisam tolerar carga progressiva; o osso precisa cicatrizar; o coxim precisa distribuir a pressão; o nervo precisa manter sensibilidade e força. A progressão usa a resposta clínica, a exigência da tarefa e, quando necessário, imagem.[1]
Sinais de alerta
Estalo súbito atrás do tornozelo, sensação de golpe na panturrilha, perda de impulso ao caminhar ou incapacidade de ficar na ponta do pé levantam suspeita de ruptura do Aquiles e pedem avaliação aguda, em pronto-socorro ou unidade de pronto atendimento (UPA). A dor pode diminuir depois do evento sem que o tendão tenha recuperado a continuidade, por isso a lesão não deve ser testada com saltos ou alongamento do tornozelo em casa.[10]
Dor óssea localizada que progride com a carga, reduz a função e passa a aparecer ao caminhar ou em repouso exige interromper o impacto e avaliar lesão por estresse. A radiografia inicial pode ser normal; quando a decisão é urgente ou a suspeita continua, a ressonância é mais informativa. Manter a corrida só porque o analgésico reduziu a dor permite a progressão para fratura completa.[9]
Dor progressiva à noite, febre, perda de peso, ferida no pé ou imunossupressão junto com a dor no calcanhar exigem investigação rápida, porque apontam para as causas raras e sérias: infecção óssea e tumor.[1]
Referências
- Heel Pain: Diagnosis and Management. 2018. https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2018/0115/p86.html (abre em nova aba)
- Heel Pain – Plantar Fasciitis: Revision 2023 Clinical Practice Guideline. 2023. https://www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2023.0303 (abre em nova aba)
- What Do We Actually Know About Heel Fat Pad Syndrome? A Scoping Review. 2022. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9380282/ (abre em nova aba)
- Heel Fat Pad Syndrome. 2022. https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/23275-heel-fat-pad-syndrome (abre em nova aba)
- Achilles Pain, Stiffness, and Muscle Power Deficits: Midportion Achilles Tendinopathy Revision 2024. 2024. https://www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2024.0302 (abre em nova aba)
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- Nonsurgical Treatment Options for Insertional Achilles Tendinopathy. 2021. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8008511/ (abre em nova aba)
- ACR Appropriateness Criteria Stress Fractures. 2024. https://acsearch.acr.org/docs/69435/Narrative/ (abre em nova aba)
- Tarsal Tunnel Syndrome: Current Rationale, Indications and Results. 2021. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8693231/ (abre em nova aba)
- Bone stress injuries: diagnosis and management. 2024. https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2024/1200/bone-stress-injuries.html (abre em nova aba)
- Achilles tendon rupture: management and rehabilitation. 2026. https://www.cuh.nhs.uk/patient-information/achilles-tendon-rupture-management-and-rehabilitation/ (abre em nova aba)
