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Bursite olecraniana: dor e inchaço ao apoiar o cotovelo

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Dr. Marcus Yu Bin Pai de jaleco ao computador na mesa do consultório, com modelos de coluna e de ombro sobre a mesa
Neste artigo

O que é bursite olecraniana

A bursa olecraniana é uma bolsa fina entre a pele e o olécrano, a ponta óssea posterior do cotovelo. Ela permite que a pele deslize sobre o osso. Quando irritada, produz líquido e aumenta de volume. A bursite costuma parecer uma bola mole sobre a ponta do cotovelo. O inchaço pode ser grande com pouca dor porque a pele da região é frouxa.[1]

Pressão repetida sobre mesa, braço de cadeira, veículo, ferramenta ou posição de prancha pode irritar a bursa gradualmente. Pancada direta pode causar sangramento e aumento rápido. Ferida, picada ou punção permite entrada de bactéria. Gota, artrite reumatoide e outras doenças inflamatórias também afetam a bursa. Identificar a causa define se o tratamento é proteção, coleta de líquido, antibiótico ou controle da doença de base.[1]

Bursite não é o mesmo que artrite do cotovelo. A bursa fica fora da articulação. Em muitos casos, a pessoa consegue flexionar e estender apesar do inchaço, embora a pele esticada doa no final da flexão. Dor profunda com grande limitação do movimento levanta artrite séptica, fratura ou outro problema articular e exige avaliação mais rápida.[2]

O que fica na ponta do cotovelo
BursaBolsa superficial; inchaço visível e dor à pressão direta.
ArticulaçãoDor profunda, derrame e limitação importante do movimento.
TrícepsDor na inserção e fraqueza para estender o cotovelo.
Nervo ulnarFormigamento no dedo mínimo e anelar, sem bolsa posterior.

Bursite sem infecção

Na bursite asséptica, sem infecção, o inchaço costuma ser o primeiro achado. A pele mantém cor normal ou fica apenas discretamente rosada pela distensão. Dor piora ao apoiar e ao dobrar completamente. Após pancada, o líquido pode conter sangue e aparecer rápido. Pressão repetida produz aumento mais lento e recorrente se a superfície de contato não muda.[2]

Movimento ativo permanece quase completo, e a pessoa consegue estender o cotovelo contra resistência quando o tríceps está íntegro. Um esporão no olécrano pode irritar a bursa, mas também pode ser incidental. Nódulo firme, crescimento irregular ou massa que não se comporta como líquido exige outra investigação. A localização superficial facilita o diagnóstico clínico na maioria dos casos.[1]

Gota pode produzir bursite sem bactéria, porém a crise pode ser muito vermelha e dolorosa. Cristais de urato só são confirmados no líquido ou por contexto clínico robusto; ácido úrico sanguíneo normal durante a crise não exclui. Artrite reumatoide pode causar nódulos e bursite bilateral. A recorrência sem pressão clara pede revisão desses fatores.[6]

O tamanho pode oscilar com uso e compressão. Uma bolsa que diminui durante dias sem apoio e volta após turno de trabalho reforça microtrauma. Uma bolsa que cresce apesar de proteção, torna-se mais firme ou muda a pele exige novo exame. Fotografias no mesmo ângulo ajudam a ver a tendência; calor, dor profunda e estado geral só se avaliam no exame.[2]

Sinais de infecção

Bursite séptica é infecção da bursa. Vermelhidão, calor, dor crescente, pele ferida, secreção e febre aumentam a probabilidade. Diabetes, imunossupressão, doença renal, alcoolismo e infecção de pele elevam risco. Febre pode faltar, portanto ausência dela não descarta. Vermelhidão que se espalha pelo braço sugere celulite associada.[7]

A bactéria mais frequente é Staphylococcus aureus, seguida por estreptococos. O diagnóstico combina aparência, risco e, quando necessário, líquido da bursa para contagem celular, Gram, cultura e cristais. Antibiótico tomado antes da coleta pode reduzir rendimento da cultura, mas tratamento não deve ser atrasado em doença importante.[7]

Artrite séptica causa dor mais profunda e movimento passivo muito doloroso; é uma emergência articular. A bursite superficial pode permitir movimento relativamente preservado. As duas podem coexistir ou ser confundidas. Pessoa muito doente, com queda de pressão, confusão, febre alta ou progressão rápida precisa de atendimento hospitalar, onde drenar a bolsa é só uma parte do cuidado.[2]

Sala de reabilitação da clínica com maca, janela redonda e barras paralelas
Sala de reabilitação com janela redonda.

A pele é a principal barreira dessa bursa superficial. Psoríase, dermatite, escoriação e hábito de manipular o cotovelo aumentam portas de entrada. Profissões com ferimentos pequenos e atletas de contato também acumulam risco. Perguntar por antibiótico recente e episódios prévios orienta cultura e resistência. Cobrir a ferida e tirar a pressão ajudam, mas infecção já estabelecida precisa de antibiótico.[7]

Asséptica ou infecciosa
Pressão repetidaBolsa gradual, dor ao apoiar, pele sem calor importante.
TraumaAumento rápido após pancada; pode conter sangue.
InfecçãoCalor, vermelhidão, ferida, secreção, febre ou celulite.
GotaCrise abrupta e inflamatória; cristais podem ser necessários para confirmar.

Exame e imagem

O exame mede temperatura, extensão da vermelhidão, consistência do líquido, feridas e movimento. Palpa tríceps, epicôndilos e nervo ulnar. Extensão resistida fraca ou dolorosa após trauma levanta lesão do tríceps. Dor óssea focal pede radiografia. Comparar os dois cotovelos evita confundir tecido normal ou um pequeno esporão com a causa principal.[1]

Radiografia não mostra a infecção diretamente, mas identifica fratura, corpo estranho, calcificação, artrose e esporão. Ultrassom confirma coleção superficial, diferencia massa sólida e orienta aspiração quando necessário. Ressonância fica reservada para diagnóstico incerto, lesão profunda, osteomielite, tumor ou planejamento cirúrgico. Com ou sem imagem, pele e sinais de infecção são avaliados no exame.[2]

Exames de sangue, como hemograma e marcadores inflamatórios, apoiam avaliação quando há febre, celulite ou doença sistêmica, mas podem estar normais em infecção localizada. Glicemia, função renal e outros testes influenciam antibiótico e risco. A decisão de coletar líquido depende da probabilidade de infecção, gota, diagnóstico alternativo e gravidade.[7]

Ultrassom Doppler pode mostrar hiperemia, isto é, aumento de fluxo, ao redor da bursa. Esse achado apoia inflamação, mas não separa sozinho bactéria de gota. Septos e material espesso podem dificultar drenagem. Quando o líquido parece complexo e o paciente não melhora, a imagem orienta coleta ou cirurgia, mas cultura e evolução clínica continuam determinantes.[6]

Proteção e compressão

Cotoveleira acolchoada e apoio

Na bursite asséptica por pressão, o tratamento remove contato direto da bolsa. Cotoveleira acolchoada, apoio mais largo e mudança da altura da mesa podem redistribuir carga. A solução precisa cobrir a atividade real e permitir movimento quando articulação e tríceps estão íntegros. Compressão deve ser confortável e interrompida se causar dormência, mudança de cor ou aumento de dor.[2]

Compressão na bursite sem infecção

Na bursite sem infecção, compressão com anti-inflamatório, aspiração e aspiração com corticoide levam a resolução semelhante em quatro semanas. O corticoide antecipa a melhora, mas o risco de complicações raras ainda é pouco conhecido. Para uma bolsa por pressão repetida, começo por proteção e compressão.[5]

Ajuste da proteção

A proteção é reavaliada pela dor ao apoiar, integridade da pele, movimento e tendência do volume no exame. O formato da cotoveleira é testado porque bordas, recortes e deslizamento podem concentrar contato. Crescimento rápido, calor, ferida ou vermelhidão mudam a hipótese para infecção, cristal, sangramento ou outro diagnóstico.[2]

Tratamento da bursite asséptica
Retirar pressãoModificar o apoio e acolchoar a tarefa provocadora.
Comprimir com segurançaInterromper se houver dormência, cor alterada ou mais dor.
ReavaliarComparar pele, movimento, dor ao apoiar e tendência do volume.
Mudar a hipóteseCalor, ferida ou crescimento rápido sugerem infecção, cristal ou sangramento.

Medicamentos

Medicamentos para dor

Analgésicos e anti-inflamatórios podem ajudar a controlar a dor da bursite sem infecção enquanto o cotovelo fica protegido. A escolha leva em conta os remédios que você já usa e suas condições de saúde, e a medicação é revista se não aliviar ou causar efeito indesejado. Dor que aumenta apesar da proteção pede reavaliação da causa, especialmente se acompanhada de calor ou vermelhidão.[2]

Corticosteroide em situações selecionadas

Corticosteroide injetado pode antecipar a resolução em alguns casos, mas traz mais complicações, como atrofia da pele, despigmentação e infecção. Por isso não entra como etapa rotineira de uma bolsa simples. Se a bolsa persiste, confirmo o diagnóstico e excluo infecção ou cristais antes de discutir punção ou injeção.[3]

Na gota e na artrite reumatoide, o controle da doença de base reduz a atividade inflamatória que favorece a bursite. Depois de uma pancada, pode haver sangue dentro da bolsa; na infecção, são necessários antibióticos e, em alguns casos, drenagem. Identificar esses cenários permite combinar tratamento específico e proteção contra novos traumas.[2]

Aspiração

Aspiração para análise do líquido

Aspiração retira líquido com agulha. Ela é indicada quando a análise pode distinguir infecção, gota ou sangramento, e pode aliviar uma bolsa muito tensa. O procedimento usa técnica estéril e evita atravessar pele infectada quando existe rota alternativa. O líquido é enviado para cultura, Gram, contagem e cristais conforme a pergunta.[2]

Punção da bolsa muito tensa

Na bursite asséptica claramente causada por microtrauma, aspiração rotineira pode introduzir infecção e o líquido pode voltar. Ela também não resolve mais que compressão e anti-inflamatório. Por isso, tamanho isolado não obriga punção. Dor intensa por tensão, diagnóstico incerto ou necessidade de excluir infecção são razões para puncionar.[5]

Em suspeita de infecção, o habitual é colher o líquido antes do antibiótico. Em pessoas estáveis, de baixo risco e com retorno garantido, o antibiótico sem aspiração costuma resolver. A coleta continua necessária em doença grave, gota possível, imunossupressão, falha terapêutica ou dúvida diagnóstica.[4]

Proteção após a aspiração

Depois da aspiração, proteção contra apoio e compressão orientada ajudam no cuidado da bolsa. A consulta de retorno compara dor, movimento e reacúmulo. O líquido pode voltar se pressão repetida ou inflamação persistirem. Dor crescente, calor novo, febre ou secreção exigem avaliação antecipada de possível infecção.[2]

Aspiração: quando considerar
Infecção incertaCultura e Gram podem orientar antibiótico.
Gota possívelPesquisa de cristais separa uma crise por urato.
Bolsa muito tensaRetirada pode aliviar, mas recorrência é possível.
Microtrauma típicoProteção e compressão costumam preceder punção rotineira.

Antibióticos

Quando iniciar tratamento da infecção

A suspeita de bursite séptica exige avaliação clínica e tratamento antibiótico dirigido às bactérias mais prováveis. Quando a coleta é indicada, o líquido ajuda a ajustar o medicamento pela cultura. Extensão da vermelhidão, estado geral, imunossupressão e possibilidade de retorno orientam a escolha entre acompanhamento ambulatorial e hospitalar.[7]

Escolha e ajuste do antibiótico

O antibiótico, a via e a duração são escolhidos conforme alergias, função renal, cultura, gravidade e resistência bacteriana local. O esquema pode ser ajustado no retorno com o resultado da coleta. A melhora esperada inclui redução da dor, da vermelhidão e dos sinais gerais; piora desses sinais exige antecipar a avaliação.[8]

Quando é necessária drenagem

Aspiração repetida, incisão, drenagem ou bursectomia entram quando há coleção organizada, corpo estranho, drenagem persistente, recorrência ou falta de resposta. Antibiótico não corrige esporão irritativo, gota ou pressão repetida. Da mesma forma, cirurgia sem tratar contato e doença sistêmica deixa fatores de recorrência ativos. A necessidade de procedimento é reavaliada junto da evolução infecciosa.[1]

Retorno para verificar a resposta

No retorno, a equipe verifica febre, extensão da vermelhidão, dor, pele e movimento. Ausência de melhora, secreção persistente ou limitação articular nova pode exigir investigar abscesso, infecção profunda ou artrite séptica. A cultura ajuda a selecionar o antibiótico, mas um resultado negativo após tratamento prévio precisa ser interpretado junto da evolução clínica.[7]

Cirurgia

Bursectomia remove a bursa. É reservada para bursite persistente e limitante apesar de tratamento adequado, recidiva frequente, fístula ou infecção que não responde a antibiótico e drenagem. Em bursite séptica grave, o momento depende do controle da infecção e dos tecidos. A bursa pode se formar novamente, e a pele superficial exige cuidado para cicatrizar.[1]

A operação pode ser aberta ou, em alguns centros, endoscópica. Ferida, necrose de pele, infecção, lesão neural, rigidez e recorrência são riscos. Retirar um esporão pode ser associado quando ele participa de episódios repetidos. Cirurgia não é indicada apenas porque a bolsa parece grande.[3]

Após cirurgia, proteção da ferida e movimento são equilibrados. Apoio direto retorna apenas após cicatrização e orientação da equipe. Trabalho manual exige recuperação de extensão e força do tríceps. Vermelhidão crescente, secreção, abertura da ferida ou febre exige contato imediato com o serviço operatório.[1]

Casos recorrentes são discutidos quando a bursa não está em fase aguda, permitindo distinguir tecido cronicamente espessado de infecção ativa. A cirurgia planeja posição da cicatriz e proteção porque a ponta do cotovelo recebe contato frequente. Retirar líquido e retirar a bursa são intervenções diferentes, com recuperação e riscos muito distintos.[3]

Acompanhamento

Acompanhamento registra tamanho, calor, cor, dor ao apoiar, movimento e condição da pele. Redução pode levar semanas, mesmo quando a causa foi controlada. A melhora esperada da forma asséptica é menor sensibilidade e volume progressivamente menor. Na forma séptica, a prioridade é interromper expansão da vermelhidão e sintomas sistêmicos.[6]

Recorrência exige descobrir se o cotovelo voltou ao mesmo apoio, se há esporão, gota, nódulo reumatoide, anticoagulação ou infecção incompletamente tratada. Repetir aspiração sem revisar o mecanismo favorece novo acúmulo. Uma massa firme, irregular ou que cresce fora do padrão de líquido precisa de imagem e, conforme o caso, investigação de tumor.[2]

O retorno à atividade usa proteção e exposição gradual ao apoio. Cotoveleira funciona apenas se cobre a região e permanece no lugar. Quando a pessoa precisa ajoelhar ou apoiar para trabalhar, superfície e técnica são ajustadas. Movimento do cotovelo é mantido quando seguro; perda progressiva de extensão ou fraqueza muda o diagnóstico para articulação ou tríceps.[1]

Escada do átrio da clínica junto à parede de tijolos vazados, sob a claraboia
Escada e tijolos vazados do átrio da clínica.

Quando o volume desaparece, a proteção é reduzida em etapas. Primeiro se testa movimento sem apoio, depois contato curto sobre superfície acolchoada e, por fim, a exposição exigida no trabalho ou esporte. Reaparecimento pequeno após uma etapa indica que a bursa ainda não tolera aquela dose. Crescimento rápido, calor ou mudança da pele levam a novo exame.[1]

Sinais de alerta

Procure atendimento no mesmo dia diante de bursa progressivamente quente, vermelha e dolorosa, febre, calafrios, secreção, ferida sobre o cotovelo ou vermelhidão que se espalha. Diabetes, imunossupressão ou doença renal reduzem o limiar para avaliação. Instabilidade sistêmica, confusão, respiração rápida ou queda de pressão exige atendimento hospitalar imediato.[7]

Evite perfurar ou espremer a bolsa, pois isso pode introduzir bactérias. Após aspiração, calor novo, dor crescente, febre ou secreção exigem reavaliação rápida. Dor forte depois de trauma, fraqueza para estender o cotovelo ou alteração de cor e sensibilidade na mão também precisam de avaliação específica.[2]

Referências

  1. Elbow Olecranon Bursitis. 2024. https://www.orthoinfo.org/en/diseases–conditions/elbow-olecranon-bursitis (abre em nova aba)
  2. Common Superficial Bursitis. 2017. https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2017/0215/p224.html (abre em nova aba)
  3. Treatment of Olecranon Bursitis: A Systematic Review. 2014. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25234151/ (abre em nova aba)
  4. Empiric Antibiotic Management of Septic Olecranon Bursitis Without Bursal Aspiration. 2022. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8766900/ (abre em nova aba)
  5. A Randomized Trial Comparing Compression Plus NSAIDs, Aspiration, and Aspiration With Steroid for Nonseptic Olecranon Bursitis. 2016. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4746156/ (abre em nova aba)
Ver todas as 8 referências
  1. Olecranon Bursitis. 2025. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470291/ (abre em nova aba)
  2. Septic Bursitis. 2023. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470331/ (abre em nova aba)
  3. Diretriz Nacional para Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos em Serviços de Saúde. 2023. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/DiretrizGerenciamentoAntimicrobianosANVISA2023FINAL.pdf (abre em nova aba)

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