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Bursite no calcâneo: dor atrás do calcanhar ou tendão de Aquiles?

Na bursite no calcâneo, a dor atrás do calcanhar piora com o sapato e ao caminhar. O exame separa a bolsa inflamada do tendão de Aquiles antes do tratamento.

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Sala de reabilitação da clínica com tablado, barras paralelas e vista para a parede de seixos
Neste artigo

Onde fica a bursite do calcanhar

A bursite do calcanhar é a inflamação de uma pequena bolsa que facilita o deslizamento dos tecidos na parte de trás do pé. Pode provocar dor ao calçar um sapato, caminhar ou movimentar o tornozelo. O tratamento costuma começar com redução da pressão do calçado e adaptação das atividades. Quando o incômodo persiste, o exame precisa esclarecer se a dor vem da bolsa, do tendão de Aquiles ou de ambos antes de escolher exercícios ou uma infiltração.[1] [2]

A bolsa retrocalcaneal fica profundamente, entre o tendão de Aquiles e a parte superior do osso do calcanhar. Outra bolsa pode se formar superficialmente, entre a pele e o tendão, em resposta ao atrito repetido. A inflamação profunda tende a causar dor ao redor da inserção do tendão; a superficial costuma incomodar especialmente onde o sapato encosta. Essa diferença ajuda a escolher o apoio e a proteção mais adequados.[3] [11]

Bursite e tendinopatia do Aquiles são problemas próximos, mas envolvem estruturas diferentes. Na tendinopatia, o próprio tendão apresenta alterações e dor relacionada à carga. As duas condições podem coexistir, inclusive quando uma proeminência do calcâneo, conhecida como deformidade de Haglund, comprime os tecidos. Quando essa saliência aparece em uma radiografia, a indicação de operá-la depende do local dos sintomas e da limitação.[7] [6]

Causas e sintomas

Um aumento rápido da distância de caminhada, da corrida ou dos saltos pode preceder a dor. Sapatos com a parte posterior rígida ou apertada acrescentam pressão sobre a região. Algumas pessoas percebem o problema depois de mudar o tipo de calçado. A consulta investiga essas mudanças para identificar o que pode ser ajustado no dia a dia.[1] [2]

A região pode ficar inchada, sensível à pressão e dolorosa ao subir na ponta do pé. Na bursite profunda, o inchaço pode aparecer dos dois lados do Aquiles. Doenças inflamatórias, como artrite reumatoide, espondiloartrites e gota, também podem envolver essa área. Episódios em outros locais, rigidez prolongada e crises anteriores ajudam a direcionar a investigação. Nesses casos, reduzir o atrito do sapato pode aliviar parte do incômodo, mas o tratamento também precisa abordar a doença de origem.[6]

Mãos do médico no joelho e no tornozelo de uma pessoa deitada na maca, durante o exame físico
Exame físico do joelho e do tornozelo.

A localização orienta o diagnóstico diferencial. Dor principalmente na planta do calcanhar, nos primeiros passos depois de repousar, é mais característica de fasciopatia plantar. Dor que aumenta progressivamente após uma mudança de treino pode exigir investigação de lesão por estresse do osso. Queimação e formigamento sugerem considerar também nervos. O exame diferencia essas possibilidades, que não respondem necessariamente ao mesmo exercício, apoio ou procedimento.[7]

Exame físico, ultrassom e outros exames

O médico examina o ponto doloroso, a pele, o tendão, os movimentos do tornozelo e a capacidade de apoiar o pé. A história de um estalo ou perda súbita de força muda a prioridade da avaliação. O diagnóstico de bursite costuma ser clínico; a imagem responde a uma dúvida concreta, como verificar se há alteração do Aquiles junto à bolsa. Um episódio recente e típico pode dispensar a ressonância.[1] [4]

O ultrassom pode mostrar líquido e espessamento da bolsa e examinar o tendão vizinho. A radiografia ajuda a avaliar a anatomia óssea e outras causas de dor. A ressonância é reservada a situações em que permanece dúvida, há suspeita de lesão tendínea ou óssea, ou é necessário planejar um tratamento mais complexo. A escolha depende do exame inicial, e um achado de imagem precisa corresponder à região dos sintomas.[2] [6]

Tratamento sem cirurgia

Tratamento conforme a estrutura dolorosa
Local O que o exame procura Como isso orienta o cuidado
Entre pele e Aquiles Inflamação superficial no contato com o sapato Retirar pressão e ajustar a proteção
Entre Aquiles e calcâneo Bolsa retrocalcaneal inflamada Reduzir compressão; avaliar infiltração apenas em casos selecionados
No próprio Aquiles Tendinopatia associada ou outra lesão Adaptar exercícios e avaliar a integridade do tendão

[3][7][8]

Calçados e proteção contra o atrito

A primeira mudança costuma ser retirar a pressão direta sobre a parte dolorosa. Um calçado com a região posterior mais macia ou temporariamente aberta pode ajudar, desde que seja estável e adequado para caminhar. Uma proteção de gel, feltro ou espuma pode distribuir o contato ao redor da área sensível. O ajuste deve ser testado com o pé dentro do sapato: um protetor volumoso em um calçado já apertado pode aumentar o aperto.[3]

Uma pequena elevação do calcanhar pode ser considerada para modificar a posição do tornozelo e reduzir a tensão ou a compressão posterior. A altura é ajustada ao calçado e testada ao caminhar. Ela pode trazer alívio, mas não remove a proeminência óssea nem dispensa o exame do tendão. O benefício é acompanhado pela tolerância para caminhar e calçar o sapato, além da dor; se criar um novo ponto de pressão, o apoio precisa ser revisto.[1] [3]

Ajuste da caminhada, corrida e saltos

Na fase dolorosa, reduza as atividades que reproduzem claramente o incômodo, principalmente impactos e esforços repetidos. Isso pode significar encurtar a caminhada ou suspender temporariamente a corrida, mantendo movimentos e tarefas toleráveis. Quando apoiar o pé é muito doloroso, o profissional pode indicar um auxílio temporário para caminhar. A necessidade desse apoio e sua retirada dependem do diagnóstico e da evolução, especialmente se houver suspeita de lesão do Aquiles.[4] [1]

Gelo e medicamentos para aliviar a dor

Uma compressa fria envolvida em tecido pode ser usada por cerca de dez minutos de cada vez, observando a pele. Ela oferece alívio de sintomas, sem corrigir sozinha o atrito ou a sobrecarga. Analgésicos e anti-inflamatórios também podem ajudar em uma fase dolorosa. A escolha considera doenças renais, problemas digestivos, outros medicamentos e contraindicações; se o remédio passa a ser necessário com frequência, o plano precisa ser revisto.[5] [4] [12]

Fisioterapia e exercícios quando o Aquiles também dói

A fisioterapia pode trabalhar movimento, força e retorno às atividades conforme a estrutura envolvida. Quando existe tendinopatia na inserção do Aquiles, o exercício costuma precisar de uma amplitude que controle a compressão do tendão contra o osso. Descer o calcanhar muito abaixo de um degrau ou alongar intensamente a panturrilha pode ser inadequado nessa apresentação. O fisioterapeuta pode começar com movimentos em superfície plana e progredir a carga conforme a resposta.[8]

Em um estudo com pessoas ativas e tendinopatia insercional crônica, um programa que limita a compressão, evita alongar a panturrilha e usa elevação do calcanhar trouxe mais melhora ao longo de semanas e meses. Ele foi pensado para o tendão doente. Na bursite isolada, com o tendão preservado, esse programa e a elevação podem não ser necessários.[8]

Ondas de choque

As ondas de choque aplicam pulsos mecânicos por um aparelho sobre a região tratada. Na bursite retrocalcaneal, podem ser acrescentadas ao ajuste do calçado e da carga quando a dor persiste, com alguma melhora relatada. Os dados ainda são poucos e de curto prazo.[9]

Infiltração guiada na bolsa retrocalcaneal

Quando considerar a aplicação

Uma infiltração com corticoide pode ser discutida quando a bolsa permanece dolorosa apesar dos ajustes iniciais e o exame confirma que ela é um alvo relevante. O medicamento busca reduzir a inflamação local. Antes de indicar a aplicação, examino a integridade do Aquiles, a pele e a possibilidade de infecção. O alívio esperado deve ser comparado com a capacidade de retomar as atividades e com o risco específico de uma aplicação tão próxima do tendão.[6] [10]

Risco para o tendão de Aquiles

A agulha precisa atingir a bolsa, evitando o interior do Aquiles. O ultrassom permite acompanhar as estruturas e a posição da agulha, mas não elimina todos os riscos. A bolsa se comunica com tecidos do tendão, e o líquido injetado pode chegar até eles mesmo com orientação por imagem. É por isso que uso o corticoide com cautela nessa região, embora não seja possível prever o risco de ruptura em cada pessoa.[11]

Mãos do médico, de jaleco, folheando um livro sobre a mesa do consultório
Leitura na mesa do consultório.

Em uma série de infiltrações guiadas por imagem, parte dos pacientes melhorou bastante no curto prazo. Algumas rupturas do Aquiles ocorreram nas semanas seguintes, após lesão aguda relatada; não se sabe quanto do alívio ou do risco vem da própria injeção. Por isso, escolho com cuidado quem recebe a aplicação e acompanho a recuperação.[10]

Cuidados depois da infiltração

O plano após a aplicação deve definir como reduzir temporariamente o esforço e quando retomar a carga. Mesmo com menos dor, o tendão pode ainda não estar pronto para correr ou saltar. O retorno considera o exame, as atividades pretendidas e eventuais alterações do Aquiles. Uma nova aplicação só é discutida depois de avaliar quanto durou o benefício e como estão a bolsa e o tendão naquele momento.[3] [10]

Aspiração e tratamento de outras causas

Quando existe suspeita de infecção ou de doença por cristais, retirar uma amostra do líquido pode ajudar a identificar a causa. O material pode ser enviado para análise e cultura. Na bursite mecânica comum, causada por atrito ou sobrecarga, a aspiração não é feita de rotina. Se houver infecção, o tratamento inclui antibiótico e, conforme a situação, drenagem. Uma bolsa infectada não deve receber corticoide.[5] [4]

Cirurgia e reavaliação

A cirurgia é considerada para dor e limitação persistentes quando o tratamento conservador não foi suficiente e o diagnóstico está bem definido. Pode envolver a retirada da bolsa inflamada e de uma proeminência óssea que contribui para a compressão. Se o tendão também precisar ser tratado, isso muda a recuperação. A escolha da técnica e do período de proteção depende dessas estruturas; a presença de Haglund na imagem, sem sintomas correspondentes, não determina a indicação.[6] [2]

Se o quadro não estiver melhorando após uma ou duas semanas de cuidados iniciais, ou estiver piorando, vale antecipar a avaliação. Ao acompanhar a evolução, observe se consegue caminhar mais confortavelmente, usar o calçado sem pressão dolorosa e recuperar as tarefas habituais. A persistência de um pequeno volume local não é a única medida de resultado. O retorno permite conferir o diagnóstico, ajustar o apoio e decidir se são necessários imagem, fisioterapia ou outro tratamento.[5] [4]

Quando procurar atendimento rapidamente

Procure atendimento rápido se houver vermelhidão que aumenta, calor importante, ferida ou saída de secreção, especialmente com febre ou mal-estar. Dor muito intensa e incapacidade de apoiar o pé também precisam de avaliação. Um estalo atrás do tornozelo acompanhado de perda súbita de força pode indicar ruptura do Aquiles e exige atendimento no mesmo dia. Até ser examinado, interrompa o exercício e evite testar repetidamente a força do tendão.[5] [13]

Referências

  1. MedlinePlus. Bursitis of heel (2024) (abre em nova aba)
  2. Cleveland Clinic. Heel Bursitis (2025) (abre em nova aba)
  3. Merck Manual Consumer. Achilles Tendon Bursitis (2025) (abre em nova aba)
  4. Mayo Clinic. Bursitis: diagnosis and treatment (2026) (abre em nova aba)
  5. NHS. Bursitis (2023) (abre em nova aba)
Ver todas as 13 referências
  1. Merck Manual Professional. Anterior Achilles Tendon Bursitis (2025) (abre em nova aba)
  2. Tu P. Heel Pain: Diagnosis and Management. American Family Physician (2018) (abre em nova aba)
  3. Pringels L et al. Reducing tendon compression in insertional Achilles tendinopathy (2025) (abre em nova aba)
  4. Chahar S, Sharma M. Shockwave therapy in retrocalcaneal bursitis (2019) (abre em nova aba)
  5. Boone SL et al. Safety and efficacy of image-guided retrocalcaneal bursa corticosteroid injection (2021) (abre em nova aba)
  6. Pękala PA et al. Achilles tendon and retrocalcaneal bursa: anatomical and radiological study (2017; funding correction 2019) (abre em nova aba)
  7. NHS. Ibuprofen for adults: precautions and interactions (2025) (abre em nova aba)
  8. NHS. Heel pain: urgent assessment (2025) (abre em nova aba)

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