Neste artigo
O que protrusão, extrusão e sequestro significam, quando a hérnia explica a dor e como reabilitação, medicamentos, epidural e cirurgia são escolhidos.
A hérnia pode regredir
A hérnia de disco pode diminuir de volume e deixar de irritar a raiz nervosa sem cirurgia. Mesmo assim, o disco pode continuar diferente do que era antes. Na prática, “cura” pode descrever três resultados diferentes: redução da dor irradiada, recuperação da função e redução do fragmento na ressonância. Esses resultados se relacionam, mas não precisam acontecer ao mesmo tempo.[5]
O diagnóstico vem da concordância entre dor que desce pela perna, alteração de força, sensibilidade ou reflexo e imagem que mostra compressão da raiz correspondente. O tamanho descrito no laudo é avaliado dentro desse conjunto clínico.[2]
Déficit neurológico grave ou progressivo, com perda objetiva de força, sensibilidade ou reflexo, antecipa a avaliação cirúrgica. Dor intensa sem perda neurológica e com função em recuperação permite acompanhar a evolução e seguir o tratamento não cirúrgico.[22]
O tratamento sem cirurgia é apropriado quando não há síndrome da cauda equina nem perda neurológica grave ou progressiva. A cirurgia entra cedo nas urgências e, nos demais casos, quando a dor radicular incapacitante ou a perda funcional persiste apesar de tratamento bem executado e a imagem confirma um alvo compatível.[12]
O que é hérnia
O disco intervertebral fica entre duas vértebras. Sua parte externa, o ânulo fibroso, é formada por camadas resistentes; a parte central, o núcleo pulposo, contém mais água e distribui carga. Hérnia ocorre quando material do disco se desloca de forma localizada além do limite normal do espaço discal.[1]
Abaulamento e hérnia focal são achados diferentes. Alterações degenerativas e abaulamentos aparecem com frequência crescente em ressonâncias de pessoas sem dor. O achado descreve anatomia e ganha valor clínico quando o nível, o lado e a raiz envolvidos combinam com os sintomas e o exame.[16]
Protrusão, extrusão, migração e sequestro descrevem a forma e a posição do material discal. Uma extrusão pode reabsorver e melhorar sem cirurgia; uma protrusão menor pode ser relevante se comprimir a raiz em um espaço estreito e produzir perda de força.[1]
O laudo também deve indicar nível, lado e relação com a raiz. Recesso lateral é a região ao lado do canal por onde a raiz percorre antes de sair; forame é a abertura entre as vértebras por onde ela deixa a coluna. Essa localização permite comparar a imagem com o trajeto da dor e o mapa neurológico.[1]
A hérnia pode gerar sintomas por pressão mecânica e por inflamação química ao redor da raiz. Por isso, a intensidade da dor não depende apenas do tamanho medido em milímetros. Localização, espaço disponível, inflamação, sensibilidade da raiz e velocidade de instalação modificam a apresentação.[2]
Evolução natural
A dor radicular, aquela que segue o trajeto de uma raiz nervosa, pode diminuir antes de uma mudança visível na ressonância. A inflamação ao redor da raiz pode ceder, o fragmento pode desidratar e a raiz pode recuperar mobilidade dentro do canal. A melhora clínica precoce não exige o desaparecimento do material herniado.[5]
A reabsorção ocorre quando o organismo reconhece o fragmento exposto como tecido fora do compartimento habitual. Vasos e células inflamatórias alcançam o material, participam de sua degradação e removem parte do volume. Esse processo é mais provável quando o fragmento está mais exposto ao espaço epidural.[5]
Extrusões e sequestros apresentam maior probabilidade de redução espontânea do que protrusões contidas. Essa associação não transforma uma extrusão grande em diagnóstico benigno. A mesma anatomia que favorece contato com o sistema de reabsorção pode produzir compressão intensa e déficit neurológico, que têm prioridade sobre a expectativa de regressão.[6]

O tempo de reabsorção varia entre estudos e pacientes. Ressonâncias seriadas mostram redução ao longo de meses, mas não existe calendário que permita prever quando uma imagem ficará menor. Repetir o exame apenas para confirmar regressão raramente é necessário quando sintomas, força e função evoluem de forma favorável.[5]
A ausência de reabsorção completa não equivale a falha do tratamento. Um fragmento residual pode permanecer assintomático. No sentido inverso, a imagem pode melhorar enquanto dormência, fraqueza ou dor persistem por lesão neural, outra fonte de dor ou sensibilização, isto é, amplificação do processamento doloroso além do estímulo inicial.[5]
Sintomas
A apresentação mais típica na lombar é a radiculopatia, alteração de uma raiz nervosa com dor, formigamento, dormência ou fraqueza no seu território. O termo ciática é usado quando o trajeto envolve raízes que formam o nervo ciático. A dor costuma sair da nádega e seguir pela perna, com caráter elétrico, em queimação ou pontada.[15]
Tossir, espirrar ou fazer força pode aumentar a dor porque eleva transitoriamente a pressão ao redor das estruturas neurais. Sentar, inclinar o tronco ou estender o joelho também pode reproduzir o trajeto em alguns pacientes. Nenhum desses gatilhos confirma a hérnia isoladamente; seu valor aparece quando o trajeto e o exame apontam para a mesma raiz.[2]
Dormência e formigamento mostram alteração sensitiva. Fraqueza indica comprometimento motor e exige comparação objetiva: subir degraus, estender o joelho, elevar o pé, caminhar nos calcanhares ou ficar na ponta dos pés. A sensação de perna cansada por dor não é igual à perda de força demonstrada no exame.[2]
Dor lombar isolada, sem trajeto radicular ou déficit, tem muitas causas possíveis. Mesmo com protrusão ou extrusão na ressonância, quadril, articulação sacroilíaca, tendões glúteos e nervos periféricos podem explicar melhor o padrão. A hipótese discal fica mais forte quando lado, nível e território neurológico coincidem.[17]
Exame neurológico
A consulta registra início, lado, trajeto abaixo ou acima do joelho, posições provocadoras, distância de marcha e tarefas perdidas. Também procura mudança recente de força, dormência em sela, alteração urinária, febre, trauma, câncer e uso de imunossupressores. A cronologia separa uma radiculopatia estável de um déficit em progressão.[2]
O teste de elevação da perna estendida tensiona as raízes lombossacras. Ele tem maior valor quando reproduz a dor habitual que desce pela perna, e não apenas alongamento atrás da coxa ou dor lombar. O teste cruzado, no qual elevar a perna sem dor provoca sintomas no lado afetado, é menos sensível e mais específico.[2]
Força, reflexos, sensibilidade e marcha são examinados em conjunto porque os territórios das raízes se sobrepõem. Um ponto isolado de dormência não localiza o problema com precisão. O valor está no padrão repetível e na comparação seriada: força estável, em recuperação ou em queda.[2]
A eletroneuromiografia é reservada para dúvidas que mudam a decisão. Ela pode separar radiculopatia de neuropatia fibular, lesão do nervo que eleva o pé; polineuropatia, comprometimento de vários nervos; ou plexopatia, lesão da rede nervosa da pelve. O exame avalia função neural e muscular; não mostra o fragmento discal.[17]
Ressonância
Ressonância imediata não é rotina em dor lombar aguda ou radiculopatia sem sinais de alerta. Nas primeiras semanas, muitos quadros melhoram e a imagem pode revelar alterações que não explicam os sintomas. O exame ganha valor quando existe déficit neurológico, suspeita de doença grave, evolução desfavorável ou planejamento de infiltração ou cirurgia.[3]
Quando a radiculopatia persiste ou progride apesar do manejo inicial e um procedimento está sendo considerado, a ressonância sem contraste geralmente é o exame principal. Contraste fica para situações específicas, como cirurgia prévia, suspeita de infecção, tumor ou inflamação. A escolha do protocolo depende da pergunta clínica.[3]
Protrusões, abaulamentos e degeneração também aparecem em pessoas sem dor. Cada achado é interpretado junto com sintomas e exame. Uma hérnia à esquerda que toca S1 não explica bem fraqueza isolada para elevar o pé direito.[16]
O laudo útil descreve morfologia, nível, lado, migração e relação com a raiz. Termos como “volumosa” ou “importante” não substituem as imagens axiais e sagitais. Antes de um procedimento, o médico confere se o fragmento ocupa o recesso lateral ou o forame correspondente ao trajeto clínico.[1]
Nova ressonância é indicada quando ocorre mudança clínica que pode alterar a conduta, como déficit novo, sintomas de cauda equina, piora persistente antes de um procedimento ou dúvida após cirurgia. Repetir por calendário, sem mudança de sintomas, força ou função, raramente acrescenta uma decisão.[3]
Sinais de alerta
Dor lombar intensa que desce pela perna junto com retenção urinária nova, dificuldade para iniciar a micção, perda de controle intestinal, alteração sexual ou dormência entre as pernas exige encaminhamento imediato para avaliação de síndrome da cauda equina. No fluxo brasileiro, o destino inicial é o pronto-socorro.[18]
Quando há uma emergência e o transporte próprio não é seguro, ligue 192 para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O número é gratuito e funciona 24 horas.[19]
No pronto-socorro, suspeita de síndrome da cauda equina torna a ressonância lombar um exame de emergência apropriado. A imagem procura compressão das raízes e define se a equipe de coluna precisa indicar descompressão; o diagnóstico não é feito apenas pela intensidade da dor.[3]
Pé caído recente, perda objetiva de força que aumenta em horas ou dias, incapacidade nova de caminhar nos calcanhares ou na ponta dos pés e quedas por falha motora exigem avaliação antecipada da coluna. A velocidade da perda, o grau de força e a imagem concordante orientam a urgência; fraqueza leve, antiga e estável segue outro fluxo.[22]
Febre associada a dor lombar e radicular, imunossupressão, infecção recente, câncer conhecido, perda de peso inexplicada ou trauma relevante mudam a investigação. Esses contextos ampliam o diagnóstico para infecção, tumor ou fratura e podem exigir imagem e exames laboratoriais fora do caminho habitual da hérnia degenerativa.[3]
Reabilitação
A fisioterapia começa com uma linha de base funcional e neurológica. São registrados trajeto da dor, tolerância para sentar e caminhar, força segmentar, reflexos, sensibilidade, controle de tronco e tarefas prioritárias. O objetivo inicial é reduzir irritação suficiente para recuperar movimento e função sem ignorar uma perda de força em evolução.[7]
Nas fases mais dolorosas, posições e movimentos podem ser testados para identificar preferência direcional. Centralização significa que a dor recua da perna em direção à lombar durante ou após movimentos repetidos. Quando esse padrão é reproduzível, ele ajuda a escolher a direção inicial do exercício e a dose que será testada.[20]
O programa ativo combina o déficit encontrado com a tarefa perdida. Controle lombo-pélvico, força de quadril e pernas, resistência do tronco, condicionamento e treino funcional são escolhidos conforme a resposta. Perda de tolerância para sentar exige progressão diferente de limitação para caminhar, subir escadas ou levantar carga.[20]
Mobilização neural usa movimentos combinados de quadril, joelho e tornozelo para produzir deslizamento controlado da raiz e do nervo. Em parte dos pacientes com radiculopatia, ela pode reduzir dor e incapacidade. Entra como complemento, ao lado do fortalecimento, do condicionamento e do acompanhamento neurológico.[8]

A progressão aproxima o exercício da tarefa perdida. Repetições, resistência, amplitude, tempo e velocidade são ajustados conforme o objetivo, sem alterar todas as variáveis ao mesmo tempo. Essa organização permite atribuir a resposta à carga testada e decidir a etapa seguinte com base em função e exame.[20]
Retorno ao trabalho e ao exercício é construído pelas demandas reais. Levantar uma caixa envolve peso, altura, distância do corpo, repetição e rotação; correr envolve impacto, velocidade e volume. A capacidade é testada em etapas. A ressonância, isoladamente, não cria uma proibição permanente de movimento.[4]
Terapia manual pode integrar um programa que inclui exercício, mas não recoloca o fragmento dentro do disco. Tração não entra no plano para lombalgia ou ciática. Modalidades passivas permanecem quando ajudam uma meta funcional mensurável, como ganho de marcha, força ou tarefa.[4]
Medicamentos
Medicamentos tratam sintomas; não empurram a hérnia para dentro nem aceleram a reabsorção. A escolha deve separar dor radicular aguda de dor lombar isolada e considerar comorbidades e outros fármacos. O efeito é reavaliado pela dor na perna, marcha, sono, participação na reabilitação e eventos adversos.[4]
Anti-inflamatórios não esteroides podem ser considerados por curto período em pacientes selecionados, na menor dose eficaz, depois de avaliar risco renal, gastrointestinal e cardiovascular. O benefício específico para ciática é limitado e não justifica uso prolongado automático. Falta de ganho funcional ou efeitos adversos encerram a tentativa.[4]
Gabapentina, pregabalina, outros antiepilépticos, corticoide oral e benzodiazepínicos não entram de rotina no tratamento da ciática, porque o benefício global não supera os danos. Sedação, tontura, edema, quedas, dependência e sintomas de retirada pesam na decisão.[4]
Opioides não são recomendados para ciática crônica. O uso repetido pode manter sedação, constipação, náusea e dependência sem recuperar força ou descomprimir a raiz. A indicação precisa ser revista quando a função não melhora.[4]
Infiltração epidural
A infiltração epidural coloca medicamento no espaço epidural próximo à raiz inflamada. Seu alvo é a dor radicular. A revisão da Academia Americana de Neurologia encontrou benefício médio modesto, principalmente para dor e incapacidade no curto prazo, sem evidência suficiente de redução duradoura da dor.[9]
Em ciática aguda e intensa, pode-se considerar anestésico local com corticoide. O exame precisa mostrar um trajeto radicular coerente; quando um procedimento é planejado, a ressonância identifica o nível e a via. Dor difusa, imagem discordante ou déficit progressivo deslocam a prioridade para revisão diagnóstica ou cirúrgica.[4]
A resposta é medida por redução da dor na perna e ganho de uma tarefa definida nas semanas seguintes. Repetição só é discutida quando a primeira aplicação produziu benefício curto, claro e funcional e outras opções não se ajustam ao momento. Sem benefício, o alvo é revisto.[9]
Antes da aplicação, são revistos indicação, exame de imagem, infecção ativa, alergias, gestação, diabetes e medicamentos que alteram coagulação. Anticoagulantes e antiagregantes, fármacos que reduzem a formação do coágulo, não são suspensos por conta própria; o plano depende do medicamento, risco trombótico e procedimento.[21]
A prática atual recomenda orientação por imagem, técnica compatível com a anatomia e consentimento sobre sangramento, infecção, piora transitória da dor e punção dural, quando a agulha atravessa a membrana que contém o líquido ao redor dos nervos. Complicações neurológicas graves são raras, mas fazem parte da seleção e do consentimento.[21]
Cirurgia
Cirurgia urgente
Síndrome da cauda equina confirmada por avaliação clínica e imagem exige avaliação cirúrgica emergencial. O objetivo é descomprimir as raízes responsáveis por bexiga, intestino, sensibilidade perineal e força. O tempo é definido pela equipe hospitalar a partir da apresentação e da disponibilidade de descompressão.[22]
Déficit motor grave ou progressivo também antecipa a avaliação cirúrgica. A decisão considera qual músculo perdeu força, velocidade da piora, tempo de compressão, imagem concordante e impacto na marcha. A diretriz associa cirurgia mais precoce a recuperação motora mais rápida, mas não define um relógio universal para todos os déficits.[22]
Cirurgia eletiva
Na situação eletiva, a descompressão é considerada quando o tratamento não cirúrgico não recuperou dor ou função e a ressonância mostra uma hérnia compatível com os sintomas. Conta como tratamento prévio o cuidado que foi executado, acompanhado e medido.[4]
Resultados
Quando a ciática dura de seis a doze semanas, operar cedo alivia a dor mais rápido, mas os resultados se aproximam ao longo do primeiro ano, e quase metade de quem opta por esperar acaba operada. Por isso, a escolha depende de quanto a dor incapacita e de quanto o paciente tolera aguardar.[10]
Quando a ciática persiste por quatro a doze meses, a microdiscectomia reduz mais a dor na perna aos seis meses do que o tratamento não cirúrgico padronizado. Isso vale para sintomas prolongados com hérnia em L4-L5 ou L5-S1; não se aplica a dor lombar isolada nem a um episódio recente que já está melhorando.[11]
A discectomia alivia mais a dor na perna no curto prazo, e a diferença diminui com o tempo; não garante recuperação completa. Isso vale para quem tem sintomas e imagem compatíveis com hérnia lombar.[12]
O SPORT acompanhou pacientes selecionados por oito anos e encontrou melhora sustentada nos grupos cirúrgico e não cirúrgico, com vantagem em análises por tratamento recebido. Muitos pacientes trocaram de grupo durante o estudo, o que limita a comparação. Ambos os caminhos podem evoluir bem quando indicação, execução e acompanhamento são coerentes.[13]
Técnica e riscos
A operação habitual para hérnia lombar com radiculopatia é a discectomia ou microdiscectomia, que remove o fragmento que comprime a raiz. Infecção, lesão da membrana dural, lesão neural, trombose, persistência de sintomas e recorrência fazem parte do consentimento e do acompanhamento pós-operatório.[22]
Fusão, cirurgia que une duas ou mais vértebras, não acompanha automaticamente uma primeira hérnia. Ela aumenta a extensão do procedimento e fica reservada a situações adicionais, como instabilidade demonstrada, deformidade ou dor lombar axial crônica selecionada. Hérnia radicular isolada não é indicação rotineira de fusão.[22]
Nova hérnia
Hérnia recorrente é um novo fragmento no mesmo nível e lado depois de uma discectomia bem-sucedida. Acontece em cerca de 5 em cada 100 operados. Dor após cirurgia também pode vir de cicatriz, estreitamento, outro nível e causas não espinhais.[23]
Dor na perna que retorna depois de melhora exige novo exame neurológico e imagem dirigida. Em coluna já operada, ressonância sem e com contraste é usada para distinguir novo fragmento de tecido cicatricial e avaliar outro nível. O achado precisa voltar a coincidir com lado, trajeto, força, reflexos e sensibilidade.[3]
Quando a recorrência é confirmada e mantém radiculopatia incapacitante sem instabilidade ou deformidade, a nova discectomia preserva uma operação de menor porte. Fusão não é acrescentada de rotina. Ela é considerada quando há instabilidade, deformidade ou dor axial associada relevante; o medo de outra recorrência, isoladamente, não define a técnica.[23]
Ainda se sabe pouco sobre como prevenir a recorrência. Tabagismo, obesidade, diabetes e características do disco aparecem como fatores associados, mas estudos não demonstram que uma restrição rígida de atividade, um exercício específico ou retirar maior quantidade de disco impeça nova hérnia. A reabilitação pós-operatória progride por cicatrização, exame e demanda funcional.[23]
Recuperação neurológica
Dor costuma melhorar antes de dormência e força. Fibras sensitivas podem permanecer alteradas por meses, e a recuperação motora depende da intensidade e duração da lesão. Formigamento residual com força crescente e função em expansão tem significado diferente de fraqueza que continua piorando.[2]
Depois de tratamento conservador, infiltração ou cirurgia, o acompanhamento repete o mesmo mapa neurológico. Dorsiflexão, elevar o pé; extensão do hálux, levantar o dedão; e flexão plantar, empurrar o pé para baixo ou ficar na ponta dos pés, são comparadas com a linha de base junto com reflexos e sensibilidade.[2]
A medida funcional acompanha marcha, escadas, tempo sentado e a tarefa de trabalho ou esporte escolhida pelo paciente. Escalas podem complementar a comparação direta entre tarefa inicial e tarefa recuperada.[20]
Uma ressonância menor não prova recuperação neural completa, e uma imagem ainda alterada não anula melhora clínica consistente. Nova imagem é priorizada quando a evolução contradiz o esperado, surge déficit, há recaída intensa depois de melhora ou o resultado mudará a escolha entre novo tratamento, infiltração e cirurgia.[5]
Retorno ao trabalho não precisa esperar desaparecimento total da imagem. A progressão considera exigência física, controle da dor, força, tolerância a posições e capacidade de executar movimentos específicos. A revisão de 2026 não encontrou evidência de maior risco de nova hérnia apenas por retorno precoce; a carga continua sendo individualizada.[14]
Reavaliação
O plano continua quando a dor na perna recua, a distância de marcha aumenta, a força permanece estável ou cresce e as tarefas avançam. A reavaliação usa as mesmas medidas registradas no início para separar melhora sintomática de recuperação funcional e neurológica.[7]
O plano muda quando não existe ganho funcional, os efeitos dos medicamentos superam o benefício, a infiltração não gera uma janela útil ou sintomas e imagem deixam de concordar. Nessa revisão entram diagnóstico alternativo, eletroneuromiografia, nova imagem e opinião cirúrgica conforme a dúvida clínica.[4]
A discussão cirúrgica eletiva usa quatro elementos documentados: dor radicular incapacitante persistente, tarefa funcional perdida, déficit ou sinais clínicos coerentes e hérnia no nível e lado correspondentes. A preferência do paciente completa a decisão depois de comparar velocidade de alívio, riscos e possibilidade de melhora sem cirurgia.[22]
Referências
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Ver todas as 23 referências
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