Pular para o conteúdo principal
Artigos

Síndrome dolorosa regional complexa: diagnóstico e tratamento

A síndrome dolorosa regional complexa causa dor desproporcional em braço ou perna após trauma ou cirurgia. O tratamento começa pela recuperação funcional.

Atualizado
Publicado em
Leitura
31 min
Mãos do médico aplicando o martelo de reflexos no joelho de uma pessoa deitada na maca
Neste artigo

Dor regional depois de lesão ou cirurgia

O diagnóstico depende dos critérios de Budapeste no exame e da exclusão de causas que mudam a urgência. O tratamento começa pela recuperação funcional dosada; medicamentos e procedimentos entram para remover barreiras específicas.

O que é a síndrome

Síndrome dolorosa regional complexa, ou SDRC, é uma dor contínua que ocupa uma região, geralmente parte de um braço ou de uma perna, e fica desproporcional ao curso esperado da lesão que a precedeu. A dor vem acompanhada por alguma combinação de sensibilidade alterada, mudança de temperatura ou cor, inchaço ou suor, limitação de movimento e alterações de pele, unhas ou pelos. Regional quer dizer que o conjunto costuma ultrapassar o território estreito de um único nervo.1

O começo típico ocorre depois de trauma, fratura, imobilização ou cirurgia. Uma lesão aparentemente pequena pode anteceder um quadro intenso, por isso eu não calculo a gravidade pelo tamanho da cicatriz ou pela imagem inicial. O que pesa é a evolução: dor que continua fora de proporção, sensibilidade que se espalha, diferença entre os lados e dificuldade crescente de usar o membro.2

Alguns sinais, reunidos na tabela de urgência mais abaixo, pedem atendimento urgente, em geral no pronto-socorro, qualquer que seja o diagnóstico anterior. Fora dessas situações, a primeira consulta resolve duas questões ao mesmo tempo. A primeira é excluir infecção, problema vascular, complicação óssea, lesão nervosa e outras causas que têm tratamento próprio.

A segunda é medir o que ainda é possível mover, tocar, apoiar e fazer, para começar a restauração funcional em dose tolerável. Esperar que todos os sintomas desapareçam antes de voltar a usar o membro costuma prolongar a imobilidade, e avançar sem rever um diagnóstico concorrente pode atrasar a conduta correta.2

Tipos I e II

Na SDRC tipo I não se demonstra uma lesão definida de um grande nervo periférico que explique o quadro. Na tipo II existe dano nervoso definido, historicamente chamado de causalgia, documentado pela história operatória, pelo exame, pela eletroneuromiografia (exame que mede a condução elétrica dos nervos e a resposta dos músculos) ou por outra evidência anatômica coerente. A classificação registra esse dado e nada diz sobre intensidade ou prognóstico individual.3

Os sintomas se sobrepõem. Alodinia, inchaço, mudança de cor, tremor ou rigidez não separam um tipo do outro. Mesmo na tipo II, os achados precisam ir além do território do nervo lesionado para sustentar o diagnóstico. Por isso, a distinção entre os tipos raramente muda a primeira etapa da reabilitação.3

Nenhum exame de sangue, ressonância, cintilografia, termografia ou bloqueio confirma a síndrome sozinho. O diagnóstico é clínico: história compatível, dor regional desproporcional, combinação mínima de sintomas e sinais pelos critérios de Budapeste e ausência de uma explicação melhor. Os exames respondem a perguntas específicas e documentam doenças associadas.4

Critérios de Budapeste

O primeiro critério é dor contínua e desproporcional ao evento que a desencadeou. Contínua significa que o problema persiste, mesmo oscilando ao longo do dia. Desproporcional descreve a diferença entre o curso que observo e o que seria esperado para aquela fratura, operação ou lesão naquele momento; nada tem a ver com dor imaginada ou inexplicável.4

Depois vêm os sintomas, aquilo que a pessoa relata ter sentido. É preciso pelo menos um sintoma em três das quatro categorias. Um diário ou fotografias ajudam a mostrar mudanças intermitentes que não aparecem na consulta, desde que o relato seja concreto: lado, local, situação que provoca, duração e variação ao longo do dia.4

Em seguida vêm os sinais, aquilo que eu encontro no exame daquele dia. Deve existir pelo menos um sinal em duas ou mais categorias, o que impede fechar o diagnóstico apenas com uma lista antiga de queixas. Temperatura, cor, volume, suor, amplitude, força, tremor, distonia, pele e resposta ao toque são comparados de modo padronizado com o outro lado, em condições ambientais razoáveis.4

O quarto critério é não haver outro diagnóstico que explique melhor o conjunto, e ele pesa tanto quanto os outros três. Uma pessoa pode preencher várias categorias e ainda ter infecção, trombose, falha de consolidação, artrite inflamatória ou lesão focal de nervo como explicação dominante. Quando a alternativa muda a conduta, ela é resolvida primeiro.4

Dr. Marcus Yu Bin Pai, de jaleco, trabalha ao computador na mesa do consultório, visto de perfil, com modelos de coluna vertebral em primeiro plano
Mesa do consultório, com modelos de coluna vertebral.

Na categoria sensorial, hiperalgesia é uma resposta exagerada a algo que já deveria doer, testada por exemplo com um estímulo pontual. Alodinia é dor diante de algo que normalmente não dói, como toque leve, pressão profunda ou movimento da articulação. No relato pode aparecer também hiperestesia, uma sensibilidade excessiva. Os três termos têm significados diferentes e orientam formas diferentes de contato e dessensibilização na reabilitação.1

A categoria vasomotora, ligada à circulação da pele, reúne diferença de temperatura e mudança ou diferença de cor. A categoria de suor e inchaço, chamada sudomotora ou de edema, reúne inchaço e alteração ou assimetria do suor. A categoria motora ou trófica, ligada ao movimento e à nutrição de pele, unhas e pelos, inclui redução de amplitude, fraqueza, tremor ou distonia, que é uma contração involuntária que prende o membro em uma postura, além de mudanças em pelos, unhas ou pele. Para sintomas, vale o que a pessoa percebeu; para sinais, a alteração precisa estar presente no exame.1

Critérios de Budapeste no exame clínico
01 Dor regional persistente: além do esperado para a lesão e seu tempo de evolução.
02 Relato: marcar pelo menos três categorias (sensação · cor ou calor · suor ou volume · movimento ou tecido).
03 Consulta: encontrar alterações em pelo menos duas categorias, com achado presente hoje e comparação com o outro lado.
04 Outra causa explica melhor? Comparar o conjunto antes de concluir. Sim: tratar a causa. Não: critérios compatíveis.

Sinais para atendimento urgente

Ter o diagnóstico de SDRC não protege contra uma nova urgência. Infecção da ferida, trombose ou embolia, isquemia arterial (falta de sangue no membro) e síndrome compartimental (pressão que sobe dentro de um compartimento fechado de músculos) podem produzir dor, inchaço, cor alterada ou perda de função, assim como uma falha estrutural do osso ou do material.5,6,7,8 Em casa não é possível separar essas causas, por isso o destino é decidido pelo sinal presente, qualquer que seja o rótulo anterior.2

Sinais que exigem atendimento urgente
Sinal, tempo, ação e destino
Sinal Tempo Ação Destino
Febre ou mal-estar com vermelhidão em expansão ou secreção purulenta na cicatriz Agora Tratar como possível infecção com repercussão sistêmica Pronto-socorro
Placa, parafuso ou prótese visível, ou abertura nova da ferida cirúrgica sem febre ou mal-estar Mesmo dia Proteger a área sem manipular e avaliar comunicação com o implante Equipe cirúrgica responsável; se indisponível no mesmo dia, pronto-socorro ortopédico
Inchaço súbito de todo o membro ou panturrilha dolorosa; dor no peito ou falta de ar Agora Tratar como suspeita de trombose ou embolia Pronto-socorro; ligue 192 (SAMU) se houver falta de ar ou dor no peito
Extremidade fria, pálida ou azulada, pulso mais fraco ou dor nova em repouso Agora Preservar o membro e investigar fluxo arterial Pronto-socorro com avaliação vascular
Dor crescente com região tensa, dor ao mover passivamente, dormência ou fraqueza após trauma ou gesso Imediato Excluir síndrome compartimental Pronto-socorro ortopédico
Nova deformidade ou perda súbita de apoio ou função após novo trauma, estalo ou falha do material Agora Evitar nova carga ou uso e excluir falha estrutural Pronto-socorro ortopédico

Diagnósticos que mudam a conduta

No exame, eu separo processos infecciosos e inflamatórios pela distribuição e pelo contexto. Predomínio em uma articulação, relação de tempo com cirurgia ou implante e alteração óssea focal redirecionam a hipótese para artrite, infecção, osteomielite, que é a infecção do osso, ou complicação do material, e a investigação passa a mirar esse foco.2

Trombose venosa, doença arterial e linfedema, o inchaço causado por acúmulo de linfa nos tecidos, alteram volume, conforto e uso do membro, mas seguem distribuições e evoluções diferentes. O exame vascular, a extensão do inchaço, a textura do tecido e a relação com cirurgia ou imobilização indicam qual hipótese merece exame. Esse inchaço linfático pode dominar o volume sem explicar sozinho a alodinia e a hiperalgesia regionais, e as duas condições podem coexistir.2

Fratura ainda instável, atraso de consolidação, pseudoartrose (osso que não consolida), colapso articular ou problema de placa, parafuso e prótese costumam deixar um padrão mecânico focal. Quando a dor se reproduz com carga, com movimento e no local do material, peço radiografia ou tomografia e comparo com os exames anteriores. A síndrome e o problema estrutural podem coexistir, e o diagnóstico de SDRC não dispensa conferir osso, articulação e implante.2

Lesão de nervo periférico, radiculopatia, que é o sofrimento de uma raiz nervosa junto à coluna, e compressão de nervo seguem uma anatomia mais definida. Fraqueza em músculos específicos, reflexo alterado, dor ligada à coluna ou perda de sensibilidade no território de um nervo mudam o exame e podem mudar o tratamento. Na tipo II pode haver lesão nervosa junto com fenômenos regionais; na compressão focal isolada, os achados tendem a ficar no território comprometido.2

Apresentações funcionais também são identificadas por sinais positivos no exame. Uma inconsistência reprodutível com as regras neurológicas conhecidas pode indicar transtorno neurológico funcional, um problema no funcionamento do sistema nervoso sem lesão estrutural que o explique, que não é fingimento nem transforma a dor em invenção. Ele pode coexistir com a SDRC, com lesão nervosa ou com doença musculoesquelética. Reconhecê-lo muda a reabilitação e a conversa, sem apagar achados autonômicos (mudança de cor, temperatura ou suor), inflamatórios ou estruturais presentes.9

Exames

Antes de pedir um exame, eu defino a pergunta que o resultado deve responder e qual decisão ele muda. Peço o exame quando a resposta pode alterar urgência, diagnóstico concorrente, segurança ou tratamento. O exame físico continua central porque documenta as categorias de Budapeste, a distribuição regional e os déficits que apontam para outro caminho.1

Hemograma e marcadores inflamatórios, exames de sangue que se alteram quando há inflamação, ajudam quando a história e o exame sustentam uma hipótese infecciosa ou inflamatória. Outros exames de sangue entram quando existe uma pergunta metabólica, reumatológica ou ligada a medicamento. Um painel normal não exclui a síndrome, e uma alteração inespecífica não a confirma.10

Radiografia e tomografia avaliam fratura, alinhamento, consolidação e material de síntese, como placas e parafusos. O ultrassom venoso responde à suspeita de trombose, e a avaliação arterial com imagem vascular entra quando a circulação parece comprometida. Cada exame resolve uma pergunta diferente, e a escolha depende do local, do tempo desde a lesão e do achado que pode mudar a conduta.10,5

Fachada e entrada da clínica na Alameda Jaú, 687, vistas da calçada
Fachada da clínica, Alameda Jaú, 687.

A eletroneuromiografia com estudo de condução localiza lesão focal de nervo, radiculopatia ou polineuropatia, que atinge vários nervos ao mesmo tempo, e ajuda a documentar o tipo II quando existe um dano nervoso coerente. O exame pode ser desconfortável, e sua utilidade depende da hipótese e do momento. Resultado normal não apaga os critérios clínicos, e resultado alterado não transforma toda a dor regional em efeito daquele nervo.3

Ressonância, cintilografia e termografia

A ressonância pode mostrar edema, alteração de tecidos, articulação ou osso e uma causa concorrente, mas não confirma a SDRC. Eu a peço para responder a uma pergunta anatômica.11

A cintilografia óssea em três fases, exame que usa um marcador injetado na veia para mostrar como o osso o capta, pode mostrar alteração de captação. Um resultado normal não exclui a síndrome, porque quase metade das pessoas que preenchem os critérios clínicos pode ter esse exame negativo. Entre as pessoas sem a síndrome, o exame foi negativo em 93,5%, a chamada especificidade, mas os estudos variaram muito em método, duração da doença e qualidade. Um resultado positivo pode aumentar a suspeita em contexto selecionado, sem confirmar sozinho nem tornar o exame obrigatório.12

Termografia, testes de suor e outras medidas autonômicas documentam diferenças entre os lados em serviço especializado. Nenhum resultado isolado confirma a síndrome ou substitui os sinais do exame e a exclusão de outra explicação, por isso só indico esses testes quando a resposta pode mudar o diagnóstico concorrente ou o acompanhamento.1

O que cada exame responde
Pergunta clínica e resultado
Pergunta Ferramenta Resultado útil
Há foco inflamatório ou infeccioso? Exame e laboratório dirigido Muda investigação do foco
Osso ou implante está íntegro? Radiografia ou tomografia Mostra alinhamento e consolidação
Existe obstrução vascular? Ultrassom ou imagem arterial Redireciona urgência vascular
Há nervo focal ou raiz comprometida? Exame neurológico e eletrodiagnóstico Localiza dano associado
Há alteração de tecido ou osso? Ressonância ou cintilografia Encontra pista ou alternativa
O diagnóstico ainda não fecha
Quando critérios de Budapeste, exame e imagens apontam em direções diferentes, organize a avaliação antes de escalar o tratamento.
Conversar sobre a avaliação da síndrome dolorosa regional complexa (WhatsApp, abre em nova aba)

Restauração funcional

A restauração funcional é o eixo do tratamento e começa cedo. O alvo inclui contato, amplitude, apoio, destreza e tarefas que importam para a pessoa, junto com a redução da dor. Analgesia, controle do inchaço e suporte emocional servem para tornar essa participação possível. O ponto de partida é o que a pessoa consegue fazer de modo reproduzível hoje, sem exigir que o membro já pareça normal.1

Exposição graduada

Na exposição graduada, uma tarefa difícil é dividida em partes que possam ser repetidas: tocar a pele, movimentar a articulação, apoiar o membro e depois usar força. Uso essa abordagem quando o medo de tocar ou mover o membro trava a reabilitação. A dose começa dentro do que a pessoa tolera hoje, e o terapeuta ajusta duração, repetições e carga pela resposta durante a sessão e nas horas seguintes. Uma piora breve pode ser tolerável quando a função continua avançando; dor ou inchaço que se acumulam entre sessões pedem reduzir a dose e reavaliar.13

Protocolos de exposição mais vigorosa, que pedem movimento apesar da dor, não servem como regra para todos. Comparada ao tratamento convencional, a fisioterapia por exposição à dor não mostrou vantagem clara no resultado principal, embora alguns componentes tenham mudado. O que decide o caminho é a seleção, a supervisão e a resposta funcional de cada pessoa.16

Inchaço, contato e mobilidade

O inchaço é tratado com posicionamento, compressão quando indicada, movimento ativo e uso muscular. A dessensibilização começa por textura, pressão, temperatura e duração que caibam na tolerância atual. A amplitude passa de movimento assistido para ativo; a carga começa leve e avança para apoio, resistência e velocidade. A ordem muda conforme a barreira dominante e a meta da pessoa.1

A dose está certa quando produz prática suficiente e recuperação previsível. No retorno, comparo amplitude, diferença de volume, área de alodinia, tempo de apoio, número de repetições e uma tarefa real. Um aumento breve e controlado da dor pode ocorrer sem significar dano; piora progressiva entre sessões, perda de função ou um sinal novo mudam a direção. Esse registro orienta o próximo incremento e evita tanto o abandono quanto o excesso.2

Recuperação gradual do movimento e das atividades
A Reduzir o inchaço e facilitar o contato: volume, contato e posicionamento tolerável. Avança após completar o contato e o movimento combinados.
B Ampliar o movimento: movimento ativo em faixa escolhida. Avança ao repetir a amplitude combinada sem perda posterior.
C Introduzir força: apoio ou resistência de baixa exigência. Avança sem perda acumulada de função.
D Combinar habilidade: alcance, precisão, marcha ou manipulação. Avança quando a tarefa fica repetível.
E Transferir para a vida: autocuidado, casa, deslocamento e trabalho. Ajusta pela meta real da semana.

Terapia ocupacional e imagem motora

A terapia ocupacional transforma ganhos de movimento em uso cotidiano. Mão e braço treinam vestir, higiene, escrita, teclado, preparo de comida e uso de ferramentas; no membro inferior entram calçado, transferências, escadas, deslocamento e retorno ao trabalho. Adaptações temporárias reduzem a barreira e têm critério para retirada conforme a capacidade cresce.1

Imagem motora e terapia do espelho

O treino de lateralidade pede reconhecer direita e esquerda sem mover o membro. A imagem motora acrescenta a simulação mental do movimento, e o espelho mostra ao cérebro a imagem de um movimento sem exigir a mesma carga do lado afetado. Essa sequência pode ser útil quando imaginar ou executar o gesto já provoca ameaça intensa, mas só tem valor funcional quando chega a movimento e tarefa reais.14

Os estudos com essas técnicas são pequenos e usam protocolos diferentes, e o benefício médio permanece incerto. Por isso proponho um teste de algumas semanas com saída clara: continuar se a técnica amplia movimento, contato ou tarefa; modificar ou retirar se só consome tempo, aumenta a ameaça ou não transfere resultado.15

Suporte psicológico

Medo de toque, antecipação de piora, crises de ansiedade, humor deprimido e perda de papel social podem impedir a presença na terapia ou a progressão das tarefas. O suporte psicológico trabalha essas barreiras com educação em dor, regulação da sensação de ameaça, planejamento da exposição, manejo do sofrimento e retomada da participação. A indicação depende de uma barreira identificada.1

Melhorar com uma intervenção psicológica não prova que a dor era psicológica. Dor, inchaço, alodinia e limitação motora continuam sendo examinados e tratados. O objetivo é dar recursos para enfrentar uma condição física complexa sem transformar medo ou sofrimento em culpa. Se o apoio não melhora adesão, autonomia ou tolerância às tarefas combinadas, formato e indicação são revistos.2

Medicamentos

Na SDRC, uso medicamento para remover uma barreira definida: dor ao toque que impede vestir roupa, dor espontânea que interrompe a terapia ou inflamação precoce selecionada. Antes de começar, registro uma tarefa que deve melhorar e um efeito adverso relevante a vigiar. Sem ganho funcional no prazo combinado, a opção é reduzida, trocada ou encerrada, com dose e combinação definidas em consulta.1

Esse método evita somar remédios sem saber qual funciona e separa alívio de sedação. Sonolência durante o dia ou tontura podem baixar a percepção momentânea de dor e, ao mesmo tempo, piorar marcha, terapia e trabalho. Por isso acompanho função, alerta, pressão, humor, rim, fígado, interações e risco de queda conforme a classe.1

Corticoide

O corticoide sistêmico, que age no corpo todo, pode ser discutido em quadro precoce e inflamatório, com inchaço, calor e limitação que travam a reabilitação. Os estudos usaram esquemas muito diferentes, e o resultado foi mais favorável quando a síndrome tinha menos de três meses. Isso sustenta um curso curto em candidato adequado e desaconselha tratamento prolongado ou repetição automática. Um dos estudos, com prednisolona, foi feito em pessoas que tiveram a síndrome depois de acidente vascular cerebral, um grupo que não representa a SDRC que surge depois de fratura ou cirurgia.17,18

Antes de prescrever, avalio risco de infecção, controle de glicemia e pressão, humor, saúde óssea e uso prévio de corticoide. A meta é reduzir a barreira inflamatória e liberar uma função durante o curso curto. A suspensão segue o plano do prescritor: um curso breve pode terminar sem redução gradual, enquanto o uso prolongado ou repetido pode exigir retirada gradual e monitoramento. Se não houver ganho funcional ou surgir efeito adverso relevante, a pessoa não interrompe o corticoide por conta própria: eu revejo o curso e a próxima opção.19

Bisfosfonato

Os bisfosfonatos não têm benefício previsível na SDRC: no conjunto dos estudos, trouxeram pouca ou nenhuma diferença, no máximo um alívio pequeno e incerto no curto prazo, e mais efeitos adversos. Nenhum achado clínico, exame de imagem ou fase da síndrome indica quem responderá, e os estudos antigos com resultado favorável não resolvem essa incerteza. Por isso, quando a única indicação é o diagnóstico de SDRC, eu não inicio nem troco medicamentos dessa classe, e o plano volta ao diagnóstico, à reabilitação e à barreira que impede a função.20,21

Gabapentina

A gabapentina pode ser testada quando uma dor espontânea em queimação ou choque impede uma tarefa definida. Em um estudo pequeno feito na síndrome, o efeito sobre a dor não foi convincente, embora uma medida sensorial tenha mudado, e a segurança do remédio foi estudada em outras condições. Os efeitos que pesam na decisão são tontura, sonolência, edema periférico, que é o inchaço nas extremidades, e piora do alerta ou do equilíbrio, com risco de queda.

A função renal é verificada antes e durante o uso porque pode exigir ajuste da dose, e essa checagem não significa que o remédio lesione o rim. Dor, tarefa, equilíbrio, alerta, inchaço e quedas são revistos em prazo curto, e sem ganho funcional maior que os efeitos adversos eu reduzo gradualmente e encerro ou troco a opção. A pessoa não altera a dose nem interrompe a gabapentina por conta própria.22,23

Produtos aplicados na pele

Nenhuma preparação tópica padrão tem benefício previsível na síndrome, e as formulações diferem demais para serem trocadas pelo nome. Um produto aplicado na pele só entra por uma hipótese superficial e localizada, com área, integridade da pele, forma de uso e uma tarefa registradas, como tolerar roupa, banho ou órtese. Reação na pele ou ausência de ganho no prazo combinado encerra o produto e leva à revisão da hipótese.24

Cetamina intravenosa

A cetamina na veia fica reservada para dor refratária selecionada, aquela que não respondeu ao que já foi tentado, depois de reconfirmar o diagnóstico e o objetivo funcional. A infusão acontece em ambiente capaz de monitorar pressão, frequência cardíaca, oxigenação, sedação e reações psíquicas. Doença cardiovascular descontrolada, risco psiquiátrico relevante, doença do fígado ou outras contraindicações podem afastar a opção, e nenhum esquema padrão dispensa essa seleção.25

Em pessoas com a forma grave e de longa duração, uma infusão monitorada de alguns dias reduziu a dor nas semanas seguintes, sem melhorar a função, e ao fim de 12 semanas a vantagem já não era clara. É um alívio temporário, que não equivale a recuperação, por isso uma nova infusão só se justifica quando o alívio abre atividade.26

Dissociação (sensação de estar desligado do corpo ou do ambiente), alucinação, sedação, náusea e alterações cardiovasculares são riscos imediatos; a exposição repetida exige atenção ao fígado e às vias urinárias. Antes da infusão, defino qual atividade deve melhorar e por quanto tempo, para justificar o custo e o risco. Se o alívio não abre participação ou dura menos que o mínimo combinado, a infusão não é repetida e o plano é reorganizado.25

Bloqueio simpático

Bloqueio cervical ou lombar

O bloqueio simpático aplica anestésico perto da cadeia simpática, um conjunto de gânglios nervosos ao lado da coluna, na região cervical para dor no membro superior ou na lombar para o membro inferior. Pode ser considerado quando a dor impede etapas importantes da reabilitação, e o alívio, quando ocorre, é aproveitado para recuperar movimento ou apoio. Os estudos são pequenos e não mostram benefício duradouro nem justificam uso de rotina em toda SDRC. O alívio depois da injeção também não confirma a síndrome, e por isso não uso o bloqueio simpático como bloqueio diagnóstico.27

Seleção e segurança do bloqueio

O candidato tem dor e alterações autonômicas, como mudança de cor, temperatura ou suor, que impedem uma etapa da reabilitação apesar de um plano coerente. O bloqueio é feito por especialista, com imagem quando indicada, monitoramento e riscos explicados: sangramento, infecção, lesão de estrutura vizinha, queda de pressão e efeitos próprios da região. A agenda de terapia precisa aproveitar a janela de alívio para uma tarefa definida.1

Reavaliação após o bloqueio

Antes do procedimento, registro amplitude, apoio, uso da mão, distância de marcha ou outra função. Depois, meço quanto mudou, por quanto tempo e se o ganho continuou quando o anestésico passou. Sem melhora funcional relevante, com duração curta demais ou com dano maior que o benefício, o bloqueio não é repetido. Alívio que se repete e traz função nova pode justificar nova discussão.28

Estimulação da medula e do gânglio

Quem é candidato

A neuromodulação usa eletrodos implantados para modular os sinais de dor. Ela entra para dor e incapacidade persistentes depois de diagnóstico revisto, reabilitação bem conduzida e tratamentos menos invasivos que falharam ou não puderam ser usados. O sistema modula a percepção da dor, e os objetivos continuam sendo participação, redução de remédios quando possível e função mensurável.1

Fase de teste

Antes do implante definitivo existe uma fase de teste com critérios combinados: cobertura da área dolorosa, redução mínima relevante da dor, atividade que deve melhorar, tolerância ao estímulo e ausência de complicação. Depressão descontrolada, expectativa incompatível, incapacidade de operar o sistema, infecção ou risco cirúrgico podem adiar ou contraindicar o implante. A avaliação psicossocial estima barreiras ao resultado e em nada decide se a dor é real.29

Estimulação da medula espinhal

Na estimulação medular convencional, eletrodos colocados no espaço epidural, junto à medula, modulam as vias da dor. A evidência principal vem de pessoas com o tipo I havia pelo menos seis meses, em que a estimulação foi somada à fisioterapia. O estudo sorteou 54 adultos entre estimulação com fisioterapia e fisioterapia isolada, e 24 receberam o implante depois da fase de teste.

Ela melhorou dor e qualidade de vida em seis meses, sem recuperar claramente a função, e eu coloco esse limite na conversa antes do teste.30 Em cinco anos, a diferença em relação a quem fez só fisioterapia já não era clara, embora algumas pessoas implantadas continuassem satisfeitas. Por isso, perda gradual de efeito leva a checar o sistema e o diagnóstico antes de simplesmente aumentar o estímulo.33

Estimulação do gânglio da raiz dorsal

A estimulação do gânglio da raiz dorsal, um agrupamento de neurônios sensitivos junto à coluna, mira um nível mais focal e pode cobrir pé, tornozelo, joelho ou virilha com menos espalhamento. Em pessoas com a síndrome no membro inferior, tipos I e II, o critério de sucesso do estudo, uma medida que reunia mais de um resultado, foi atingido por mais pacientes com esse método do que com a estimulação medular convencional, em três e em 12 meses. O estudo foi patrocinado pela indústria e não demonstra vantagem no membro superior, em outras regiões ou por prazo maior.31

Seguimento e complicações

Os dois sistemas exigem acompanhamento de ferida, programação, bateria, posição e integridade dos eletrodos. Deslocamento ou fratura do eletrodo, infecção, dor no local do gerador, perda de cobertura, revisão e retirada do sistema fazem parte do consentimento. As taxas publicadas misturam sistemas e indicações e não preveem o caso individual. Complicações infecciosas, neurológicas ou mecânicas seguem o plano de contingência da equipe que implantou o sistema, sem ajuste do estímulo por conta própria.32,34

Como avaliar o benefício dos procedimentos
1 Barreira definida: dor, inchaço, medo, movimento ou tarefa. Sem alvo: não iniciar.
2 A tarefa melhora com reabilitação? Movimento com recurso de apoio selecionado. Sem participação: revisar o obstáculo.
3 Bloqueio ou infusão libera função? Procedimento em candidato restrito. Sem função nova: não repetir.
4 Teste de estimulação: meta prévia, cobertura útil e tolerância. Falha no teste: não implantar.
5 Seguimento do sistema: programação, ferida, eletrodo e efeito. Perda de benefício: reavaliar ou retirar.

Baclofeno intratecal

Distonia grave e fixa

O baclofeno intratecal, entregue por uma bomba no líquido que envolve a medula, é uma rota rara para distonia grave e fixa ligada à síndrome e não se aplica ao quadro comum. Em um estudo, 42 pessoas iniciaram o teste e 36 receberam a bomba. Nelas, distonia, dor, incapacidade e qualidade de vida melhoraram em 12 meses, mas a resposta no teste não previu bem o resultado depois do implante.

Houve 89 eventos adversos em 26 participantes, e seis sistemas precisaram ser retirados. Falha no teste encerra essa rota sem implante, e perda de benefício leva a conferir programação, bomba, cateter e outra causa antes de decidir se vale manter o sistema.35

Cuidados com a bomba

Quando a opção é mantida, a bomba programável entrega o medicamento continuamente. Programação, ajustes e reabastecimento pertencem a uma equipe treinada, porque um erro de acesso ou de infusão pode causar depressão grave do sistema nervoso, da respiração ou da circulação. A pessoa e o cuidador saem de cada visita com a próxima data de reabastecimento, o significado dos alarmes, os contatos do centro e o plano de checagem do reservatório, da bateria, da bomba e do cateter.36

Sinais de retirada

O baclofeno intratecal nunca é pausado, reduzido ou retirado por decisão própria, nem interrompido de forma abrupta. Rigidez ou espasmos habituais que voltam rápido, coceira sem explicação, formigamento ou queda de pressão podem ser os primeiros sinais de retirada. Febre alta, confusão e rigidez intensa indicam progressão, que pode causar destruição do músculo (rabdomiólise), falência de órgãos e morte.

Qualquer desses sinais, alarme da bomba, atraso no reabastecimento ou suspeita de falha do sistema exige contato imediato com o centro implantador e avaliação no pronto-socorro; se o centro não responder de imediato, a pessoa segue direto para o pronto-socorro. Diante de uma complicação, a pessoa também não pausa o medicamento por conta própria: a equipe decide entre corrigir, manter a entrega durante o reparo ou retirar o sistema de forma planejada, com cobertura médica.36

Prognóstico

O curso varia. Algumas pessoas melhoram de modo importante nos primeiros meses; outras mantêm dor, rigidez, fraqueza ou dificuldade para trabalhar depois de um ano. Os estudos encontram persistência relevante de sintomas, mas medem recuperação de formas muito diferentes. Tempo de doença, distribuição, função inicial, barreiras e acesso ao tratamento modificam a trajetória.37

Por isso a reavaliação usa mais de uma régua: área dolorosa, categorias de sinais, amplitude, inchaço, força, apoio, destreza, atividade, participação e efeitos adversos. Dor residual com função crescente pode indicar avanço. Dor estável com perda progressiva, novos déficits ou nenhum ganho apesar de uma intervenção coerente me faz reabrir os diagnósticos alternativos e verificar se a barreira tratada era mesmo a dominante.37

Primeira consulta

Na primeira avaliação, confirmo quais critérios de Budapeste estão presentes hoje, registro o que não se encaixa, peço exames apenas para hipóteses concorrentes e defino uma tarefa funcional inicial. Para cada tratamento, combino quem é candidato, o motivo para evitá-lo, como será feito, em quanto tempo espero resposta, que dano vigiar e quando parar. O retorno compara o resultado com essa linha de base e decide entre progredir, trocar, interromper ou aprofundar o diagnóstico.2

Traga a cronologia do trauma ou da cirurgia, relatórios operatórios, imagens, lista de medicamentos e fotografias de mudanças de cor ou inchaço. Anote também uma atividade que perdeu e o que já foi tentado, com benefício e efeito adverso. Com esses dados, separo confirmação diagnóstica, urgência, reabilitação e escalada do tratamento, sem repetir opções que falharam pelo mesmo motivo.2

Avaliação da SDRC
Envie a cronologia, os exames e a principal perda funcional para organizar diagnóstico, reabilitação e eventual escalada.
Agendar avaliação da síndrome dolorosa regional complexa (WhatsApp, abre em nova aba)

Referências

  1. 1. Harden RN et al. Complex Regional Pain Syndrome: Practical Diagnostic and Treatment Guidelines, 5th Edition. Pain Med. 2022;23 Suppl 1:S1-S53. DOI 10.1093/pm/pnac046. (abre em nova aba) 2022-06-10. Locator: Table 2 diagnostic criteria; Functional Restoration; Pharmacotherapy; Interventional Therapies
  2. 2. Goebel A et al. Standards for the diagnosis and management of complex regional pain syndrome. Eur J Pain. 2019;23:641-651. DOI 10.1002/ejp.1362. (abre em nova aba) 2019-04-01. Locator: Box 1 differential diagnoses; Figure 1 Budapest criteria; Standards 10-17
  3. 3. Goebel A et al. Valencia consensus-based adaptation of IASP CRPS criteria. Pain. 2021;162:2346-2348. DOI 10.1097/j.pain.0000000000002245. (abre em nova aba) 2021-09-01. Locator: Taxonomy discussion; Table 1; notes on CRPS II and nerve territory
  4. 4. Harden NR et al. Validation of proposed diagnostic criteria for CRPS. Pain. 2010;150:268-274. DOI 10.1016/j.pain.2010.04.030. (abre em nova aba) 2010-08-01. Locator: Methods participant groups; Table 3; Results diagnostic efficiency
  5. 5. NICE NG158. Venous thromboembolic diseases: diagnosis, management and thrombophilia testing. (abre em nova aba) 2023-08-02. Locator: Recommendations 1.1.1-1.1.18 on suspected DVT and PE
Ver todas as 37 referências
  1. 6. NICE NG125. Surgical site infections: prevention and treatment. (abre em nova aba) 2019-04-11. Locator: Definitions of surgical site infection; treatment recommendations
  2. 7. Björck M et al. ESVS 2020 guideline on acute limb ischaemia. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2020;59:173-218. DOI 10.1016/j.ejvs.2019.09.006. (abre em nova aba) 2020-02-01. Locator: Clinical presentation, urgency classification, and initial management
  3. 8. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Acute Compartment Syndrome Evidence-Based Clinical Practice Guideline. Rapid Update 2025. (abre em nova aba) 2025-11-18. Locator: Cover: Published 11/18/2025 and adopted November 18, 2025; diagnosis and management recommendations for traumatized extremities
  4. 9. Popkirov S et al. CRPS and functional neurological disorders – time for reconciliation. JNNP. 2019;90:608-614. DOI 10.1136/jnnp-2018-318298. (abre em nova aba) 2019-05-01. Locator: Abstract and sections on diagnostic overlap and positive FND signs
  5. 10. Lloyd ECO et al. Complex Regional Pain Syndrome. Am Fam Physician. 2021;104:49-55. (abre em nova aba) 2021-07-01. Locator: Diagnostic testing and Table 3 differential diagnosis
  6. 11. Henzi A et al. MRI has limited accuracy in diagnosing CRPS Type 1. Eur J Radiol. 2026;194:112511. DOI 10.1016/j.ejrad.2025.112511. (abre em nova aba) 2026-01-01. Locator: Abstract Methods and Results
  7. 12. Wertli MM et al. Usefulness of bone scintigraphy for CRPS-I. PLoS One. 2017;12:e0173688. DOI 10.1371/journal.pone.0173688. (abre em nova aba) 2017-03-16. Locator: Results sensitivity analyses using Budapest criteria; Discussion and Conclusions
  8. 13. den Hollander M et al. Exposure in vivo in CRPS-I. Pain. 2016;157:2318-2329. DOI 10.1097/j.pain.0000000000000651. (abre em nova aba) 2016-10-01. Locator: Abstract Methods and Results
  9. 14. Moseley GL. Graded motor imagery is effective for long-standing CRPS-I. Pain. 2004;108:192-198. DOI 10.1016/j.pain.2004.01.006. (abre em nova aba) 2004-03-01. Locator: Abstract Methods and Results
  10. 15. Shafiee E et al. Rehabilitation interventions for CRPS. Clin J Pain. 2023;39:91-105. DOI 10.1097/AJP.0000000000001089. (abre em nova aba) 2023-02-01. Locator: Abstract Methods and Results; risk-of-bias summary
  11. 16. Barnhoorn KJ et al. Pain exposure physical therapy versus conventional treatment in CRPS-I. BMJ Open. 2015;5:e008283. DOI 10.1136/bmjopen-2015-008283. (abre em nova aba) 2015-12-01. Locator: Methods primary outcome; Results at 3, 6, and 9 months
  12. 17. van den Berg C et al. Glucocorticoid treatment in CRPS: systematic review. Eur J Pain. 2023;27:176-194. DOI 10.1002/ejp.2025. (abre em nova aba) 2023-02-01. Locator: Results across 41 studies; subgroup by duration; Discussion
  13. 18. Kalita J et al. Prednisolone in post-stroke CRPS-I. QJM. 2006;99:89-95. DOI 10.1093/qjmed/hcl004. (abre em nova aba) 2006-02-01. Locator: Abstract Methods and Results
  14. 19. Beuschlein F et al. European Society of Endocrinology and Endocrine Society Joint Clinical Guideline: Diagnosis and Therapy of Glucocorticoid-Induced Adrenal Insufficiency. J Clin Endocrinol Metab. 2024;109:1657-1683. DOI 10.1210/clinem/dgae250. (abre em nova aba) 2024-05-13. Locator: Essential Points; recommendations R2.1-R2.3 and R2.6 on prescriber-directed stopping, tapering, withdrawal, and monitoring
  15. 20. Ferraro MC et al. Efficacy and Safety of Bisphosphonates for CRPS. Ann Intern Med. 2026;179:256-269. DOI 10.7326/ANNALS-25-03693. (abre em nova aba) 2026-02-01. Locator: Abstract Study Selection and Data Synthesis
  16. 21. Varenna M et al. Neridronate in CRPS-I: randomized trial. Rheumatology. 2013;52:534-542. DOI 10.1093/rheumatology/kes312. (abre em nova aba) 2013-03-01. Locator: Abstract Methods and Results
  17. 22. van de Vusse AC et al. Gabapentin in CRPS-I. BMC Neurol. 2004;4:13. DOI 10.1186/1471-2377-4-13. (abre em nova aba) 2004-09-29. Locator: Methods crossover periods; Results pain and sensory deficit
  18. 23. DailyMed. GABAPENTIN tablet, coated. Official drug label, set ID ec1a01fe-5531-21df-e053-2a95a90a0561. (abre em nova aba) 2024-12-31. Locator: Indications and Usage 1; Dosage and Administration 2.3 and 2.5; Warnings and Precautions 5.3-5.4; Adverse Reactions 6.1; Use in Specific Populations 8.6
  19. 24. Ferraro MC et al. Interventions for treating pain and disability in adults with CRPS. Cochrane Database Syst Rev. 2023;6:CD009416. DOI 10.1002/14651858.CD009416.pub3. (abre em nova aba) 2023-06-12. Locator: Main Results; Authors’ conclusions; Implications for practice
  20. 25. Cohen SP et al. Consensus Guidelines on Intravenous Ketamine Infusions for Chronic Pain. Reg Anesth Pain Med. 2018;43:521-546. DOI 10.1097/AAP.0000000000000808. (abre em nova aba) 2018-07-01. Locator: Patient selection; contraindications; monitoring; adverse events; positive response
  21. 26. Sigtermans MJ et al. Ketamine in chronic CRPS-I. Pain. 2009;145:304-311. DOI 10.1016/j.pain.2009.06.023. (abre em nova aba) 2009-10-01. Locator: Abstract Methods and Results
  22. 27. O’Connell NE et al. Local anaesthetic sympathetic blockade for CRPS. Cochrane Database Syst Rev. 2016;7:CD004598. DOI 10.1002/14651858.CD004598.pub4. (abre em nova aba) 2016-07-28. Locator: Main Results and Authors’ conclusions
  23. 28. Purohit G et al. Stellate ganglion interventions for upper-limb CRPS. Indian J Anaesth. 2023;67:675-684. DOI 10.4103/ija.ija_204_23. (abre em nova aba) 2023-08-01. Locator: Results and heterogeneity analysis
  24. 29. Shanthanna H et al. Patient selection and trial stimulation for SCS. Reg Anesth Pain Med. 2023;48:273-287. DOI 10.1136/rapm-2022-104097. (abre em nova aba) 2023-06-01. Locator: Recommendations on psychosocial screening, trial conduct, and success criteria
  25. 30. Kemler MA et al. Spinal cord stimulation in chronic CRPS-I. N Engl J Med. 2000;343:618-624. DOI 10.1056/NEJM200008313430904. (abre em nova aba) 2000-08-31. Locator: Abstract Methods and Results
  26. 31. Deer TR et al. DRG stimulation versus SCS in CRPS and causalgia. Pain. 2017;158:669-681. DOI 10.1097/j.pain.0000000000000814. (abre em nova aba) 2017-04-01. Locator: Methods primary composite; Results at 3 and 12 months; adverse events
  27. 32. Vanloon M et al. Noninfectious complications of DRG stimulation. Neuromodulation. 2025;28:234-248. DOI 10.1016/j.neurom.2024.10.010. (abre em nova aba) 2025-02-01. Locator: Abstract Results
  28. 33. Kemler MA et al. Five-year final follow-up of SCS for CRPS-I. J Neurosurg. 2008;108:292-298. DOI 10.3171/JNS/2008/108/2/0292. (abre em nova aba) 2008-02-01. Locator: Abstract Results at five years
  29. 34. Raccagni NG et al. Complication Rates of Spinal Cord Stimulation. Neuromodulation. 2026. DOI 10.1016/j.neurom.2026.05.005. (abre em nova aba) 2026-05-28. Locator: Abstract Methods and Results
  30. 35. van Rijn MA et al. Intrathecal baclofen for CRPS dystonia. Pain. 2009;143:41-47. DOI 10.1016/j.pain.2009.01.014. (abre em nova aba) 2009-05-01. Locator: Abstract dose-escalation response; 12-month dystonia, pain, disability, quality-of-life, prediction, adverse-event, and explant results
  31. 36. DailyMed. GABLOFEN (baclofen injection), for intrathecal use. Official prescribing information, revised 07/2025. (abre em nova aba) 2025-07. Locator: Boxed Warning; Dosage and Administration 2.1 and 2.5-2.6; Warnings and Precautions 5.1, 5.3, and 5.5
  32. 37. Johnson S et al. CRPS outcome at 12 months and beyond. Eur J Pain. 2022;26:1203-1220. DOI 10.1002/ejp.1953. (abre em nova aba) 2022-07-01. Locator: Results across 22 studies; Discussion on pain, motor dysfunction, work, and heterogeneity

Agendar avaliação

Consultas particulares para dor, fisiatria e acupuntura médica.

Alameda Jaú, 687, Jardim Paulista, São Paulo

WhatsApp 11 99160-4480