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Ondas de choque para tendinopatia calcária

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Dr. Marcus Yu Bin Pai aplica ondas de choque focal no ombro de uma pessoa vista de costas
Neste artigo
Tendinopatia calcária do ombro
Cálcio no tendão do ombro pode existir sem causar dor. Antes de indicar ondas de choque, confirmo se o depósito corresponde aos sintomas, em que fase a doença está e como reabilitação, lavagem percutânea (com ou sem infiltração de corticosteroide) e cirurgia se comparam no seu caso.

Cálcio no tendão

Tendinopatia calcária é o acúmulo de cristais de cálcio, geralmente hidroxiapatita (um fosfato de cálcio), dentro de um tendão do manguito rotador, o grupo de tendões que estabiliza e move o ombro. O supraespinal, tendão que passa pela parte de cima do ombro, é o mais afetado. Alguns depósitos aparecem em radiografias de pessoas sem dor; outros desencadeiam limitação intensa.

Por isso, uma mancha branca na radiografia não fecha o diagnóstico. Na consulta, a localização do depósito, o padrão da dor, a força, a mobilidade e a exclusão de outras causas precisam contar a mesma história. O que muda a urgência são sinais como febre com ombro quente e inchado ou incapacidade súbita de elevar o braço depois de uma queda.1

A doença costuma evoluir por fases. Na formação, o depósito pode ser denso e relativamente silencioso. Na reabsorção, uma resposta inflamatória pode causar dor abrupta, inclusive em repouso, e perda acentuada de movimento. Depois, o tendão pode remodelar. Essas fases não seguem um calendário previsível, e a fase muda a decisão. Um ombro muito doloroso há poucos dias, com depósito fragmentado ao ultrassom, pede controle da crise e preservação do movimento. Dor mecânica há meses, com calcificação densa e função parcialmente preservada, abre outra conversa, que pode incluir ondas de choque.2

Prioridade em cada fase
FormaçãoCaracterizar depósito e função
Depósito estávelNão tratar imagem assintomática
ReabsorçãoControlar crise e preservar movimento
RemodelaçãoProgredir força e tarefa

Origem da dor

Na consulta, separo a dor do manguito de outras causas de dor no ombro: capsulite adesiva, artrose, lesão traumática, radiculopatia cervical (irritação de uma raiz nervosa no pescoço) e dor referida, aquela sentida no ombro mas originada em outra região. A tendinopatia do manguito costuma doer ao elevar ou sustentar o braço, ao deitar sobre o lado e na rotação contra resistência.

Na capsulite adesiva, o movimento passivo também fica reduzido, sobretudo a rotação externa: quando eu giro o braço e ele trava mesmo sem esforço do paciente, a suspeita recai sobre a capsulite. Se essa rigidez acompanha a calcificação, ela precisa ser tratada junto com o tendão. Fraqueza verdadeira após trauma levanta suspeita de ruptura. Dor que passa do cotovelo com formigamento, ou que muda com o movimento do pescoço, desloca parte da investigação para a coluna cervical.3

Os exames têm funções diferentes. A radiografia mostra tamanho, densidade e posição aproximada da calcificação. O ultrassom confirma qual tendão está envolvido, avalia a textura do depósito e a sombra acústica, a faixa escura que o cálcio projeta na imagem, procura bursite e pode guiar procedimentos.

A ressonância magnética não é necessária para todo depósito; passa a ser útil quando há dúvida sobre ruptura relevante, outra lesão ou falta de progresso apesar de manejo adequado. As classificações radiográficas e ultrassonográficas descrevem o depósito, mas sozinhas não dizem qual tratamento vai funcionar para uma pessoa específica.2

Reabilitação

A maioria das pessoas começa com orientação sobre carga, analgesia compatível com suas condições clínicas e reabilitação. Repouso prolongado favorece rigidez e não acelera a retirada do depósito.2

Fase dolorosa

Na fase muito irritável, como na crise de reabsorção, o objetivo é preservar movimento tolerável e sono, sem insistir em exercícios que elevem a dor por horas. Para quem perdeu o sono, o programa começa com posições e volumes que não prolonguem a crise noturna. Uma crise aguda em reabsorção pode melhorar espontaneamente.2

Fase de carga

Conforme a irritabilidade diminui, o programa progride para rotação externa, elevação, controle escapular e força do manguito rotador. A dose parte da capacidade observada e avança por repetições, resistência e amplitude. O programa também reflete a tarefa limitada: para quem trabalha com os braços acima da cabeça, inclui tolerância sustentada em elevação; para o esporte, incorpora velocidade, desaceleração e o gesto específico.

Dor leve durante o exercício pode ser aceitável quando volta ao nível habitual até o dia seguinte. Piora crescente, perda de amplitude ou queda de força me levam a revisar a dose, a fase da calcificação e o próprio diagnóstico antes de simplesmente trocar os exercícios.2

Ondas de choque

A terapia extracorpórea por ondas de choque aplica pulsos acústicos pela pele. Equipamentos focais concentram energia em uma profundidade definida; dispositivos radiais distribuem pressão de forma mais superficial. Protocolos variam em energia, número de pulsos, sessões, intervalo, localização por imagem e uso de anestésico. A hipótese é combinar estímulo mecânico, modulação da dor e facilitação da fragmentação ou reabsorção do depósito. Um cálcio menor na radiografia, porém, não garante melhora de dor e função.4

As ondas de choque mostraram alguns sinais de melhora de dor e função em 24 semanas, com resultados que variaram entre os estudos.10

Indicação

Considero ondas de choque quando há depósito confirmado e compatível com o exame, sintomas persistentes, função limitada e tentativa adequada de manejo não operatório. Tamanho, consistência e fase do depósito podem pesar na decisão. Depósito incidental, dor predominantemente cervical, capsulite importante ou ruptura extensa enfraquecem a lógica de direcionar energia à calcificação. As recomendações clínicas atuais admitem considerar o método com cautela quando há cálcio.2 Algumas pessoas não respondem, e outras melhoram com tempo e exercício.2

A sessão

Durante a sessão, o aplicador é posicionado sobre o alvo e a energia segue o protocolo do equipamento e a sua tolerância. Mais energia pode aumentar o desconforto, e suportar mais dor não indica mais eficácia. Dor local, vermelhidão, hematoma e piora transitória são efeitos descritos.

Antes de começar, a triagem de segurança verifica uso de anticoagulante ou distúrbio de coagulação, infecção ou ferida no local, gestação, tumor na área e estruturas vulneráveis no campo de aplicação. As contraindicações são conferidas no manual de cada equipamento e pelo profissional responsável, e a literatura não traz uma regra única para anestésico ou anti-inflamatório em torno da sessão.6

Mão do médico segurando o aplicador de ondas de choque radial
Aplicador de ondas de choque radial.

Alta energia pareceu superar baixa energia em algumas comparações, e ondas focais e radiais não mostraram diferença estável, mas nenhuma dose foi estabelecida como superior. Antes do início, o plano define qual tecnologia será usada, focal ou radial, com que energia, quantos pulsos e sessões, como o depósito será localizado, o que vamos medir e em que ponto o tratamento será interrompido se o ombro não melhorar.10 Em cada retorno, a resposta à sessão anterior decide se vale continuar. Depois da aplicação, o movimento leve costuma ser mantido e a carga intensa pode ser reduzida por curto período, conforme a reação.6

A decisão de tentar é compartilhada, e antes de começar deixamos registrados o diagnóstico, as alternativas, a incerteza, o custo, a meta funcional e o critério de interrupção.2

Tempo de resposta

Remodelação do tendão e recuperação de força levam semanas a meses. Uma piora curta depois da sessão pode ocorrer, mas perda de função que se mantém não deve ser tratada como normal. A decisão de continuar depende de uma tendência mensurável de melhora e da tolerância.2

A proposta das ondas de choque é modular a dor e facilitar a reabsorção do depósito; força e coordenação do manguito ficam a cargo da reabilitação. Por isso, a reabilitação continua entre as sessões com uma dose que não prolongue a irritação. Se a dor cai, a carga progride para transformar alívio em capacidade de elevar, empurrar, puxar e sustentar o braço. Se a dor sobe, reduzo temporariamente amplitude ou resistência sem abandonar o movimento. A evolução funcional ajuda a mostrar se o procedimento acrescentou algo ao tratamento ativo.2

O exame mostrou calcificação no ombro? A consulta em São Paulo pode verificar se o depósito corresponde à dor e comparar reabilitação, ondas de choque e alternativas antes de indicar um procedimento.

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Lavagem percutânea

Na lavagem percutânea, também chamada barbotagem, agulhas guiadas por ultrassom fragmentam e aspiram o material calcário, por vezes com infiltração de corticosteroide na bursa, a bolsa de deslizamento que fica sobre o tendão. Por ser um procedimento com agulhas dentro do depósito, é mais invasiva do que as ondas de choque. Em um ensaio com adultos com sintomas há pelo menos três meses, a lavagem com corticosteroide não foi melhor do que procedimentos simulados nos desfechos principais em quatro meses, nem teve diferença relevante em dois anos; não houve complicações graves.7

Frente às ondas de choque, a lavagem guiada por ultrassom aliviou mais a dor antes de 24 semanas e entre 24 e 48 semanas, mas essa vantagem continua muito incerta. A escolha entre as duas considera se o depósito é acessível à agulha, a invasividade, o protocolo, a reabilitação associada, o custo e o que fazer se a meta funcional não for atingida.10

Cirurgia

A cirurgia artroscópica fica reservada para dor e incapacidade persistentes depois de tratamento não operatório consistente, com correlação entre depósito e sintomas. O procedimento pode remover parte ou todo o cálcio, tratar lesões associadas e reparar o tendão quando o defeito é relevante. Remover todo o cálcio não é obrigatoriamente melhor se isso criar um dano maior ao tendão. A recuperação depende da necessidade de reparo: uma retirada simples e um manguito suturado têm restrições e prazos muito diferentes.9

Antes de discutir cirurgia, reviso com o paciente o que foi tentado, por quanto tempo, qual ganho ocorreu e qual tarefa continua bloqueada. Se nenhuma intervenção dirigida ao depósito trouxe qualquer resposta, o diagnóstico precisa ser revisto. Quando há indicação, o planejamento inclui tempo de afastamento, imobilização se houver reparo, progressão de amplitude e fortalecimento. A cirurgia é uma decisão própria, baseada em persistência, estrutura, função e preferência informada.9

Reavaliação

Antes do primeiro procedimento, registro dor noturna, amplitude, força, uma escala funcional e uma tarefa prioritária, como trabalhar com o braço elevado ou dormir sobre o lado.2 No retorno, comparo esses mesmos marcadores no prazo combinado. Melhora funcional com cálcio ainda visível pode ser relevante.4

Critérios para continuar
Diagnóstico coerenteDefinir meta
Ganho progressivoCompletar plano
Sem ganhoInterromper e revisar

Quando o ganho não aparece, reexamino diagnóstico, adesão e dose da reabilitação antes de discutir outra opção. Amplitude passiva muito limitada pede tratamento da rigidez junto com o tendão. Fraqueza desproporcional pede reavaliação de ruptura ou de inibição pela dor. Alteração cervical ou neural muda exercícios e expectativa. Mesmo quando o depósito diminui, medo de usar o braço e perda de condicionamento podem manter a incapacidade; esses componentes respondem a exposição gradual e treino.2

Já fez ondas de choque e o ombro continua limitado? A reavaliação compara resposta funcional, fase da calcificação e alternativas.

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Evolução e recorrência

O depósito pode regredir sozinho, sobretudo na reabsorção. Em quadros toleráveis, observação ativa com reabilitação e reavaliação marcada é uma opção. Dor incapacitante, duração prolongada e perda de função justificam acelerar a discussão.1

Tamanho menor na imagem pode acompanhar a melhora. Um depósito residual pode continuar sem sintomas, e a dor pode persistir depois que o cálcio some, por rigidez, tendinopatia ou outra causa. Por isso, a radiografia de controle não é obrigatória em toda resposta favorável. Ela ganha utilidade quando a persistência do cálcio vai mudar a escolha entre repetir um procedimento, fazer lavagem ou discutir cirurgia, ou quando os sintomas mudam de forma incompatível com a evolução esperada.2

Escada do átrio da clínica entre a parede de tijolos vazados e as ripas de madeira, com luminárias de papel e luz natural
Escada do átrio da clínica.

Quando a dor volta, confirmo se é o mesmo depósito, uma nova calcificação, rigidez ou doença do manguito. Repetir a intervenção que funcionou antes pode ser razoável em um quadro semelhante. Número de exposições anteriores, integridade do tendão, tempo desde o tratamento e recuperação funcional entram na decisão. A indicação de ondas de choque ou lavagem é reavaliada a cada episódio, sem uso preventivo periódico.9

Referências

  1. Cleveland Clinic. Calcific tendonitis. Fonte (abre em nova aba).
  2. Desmeules F et al. Rotator cuff tendinopathy clinical practice guideline. Fonte (abre em nova aba).
  3. Johns Hopkins Medicine. Shoulder tendonitis. Fonte (abre em nova aba).
  4. NICE. Extracorporeal shockwave therapy for calcific tendinopathy in the shoulder. Fonte (abre em nova aba).
  5. Gerdesmeyer L et al. Extracorporeal shock wave therapy for chronic calcifying tendinitis of the rotator cuff. Fonte (abre em nova aba).
Ver todas as 10 referências
  1. Homerton Healthcare NHS Foundation Trust. Shockwave therapy. Fonte (abre em nova aba).
  2. Moosmayer S et al. Ultrasound guided lavage with corticosteroid injection versus sham. Fonte (abre em nova aba).
  3. Forogh B et al. ESWT versus ultrasound-guided lavage in calcific tendinopathy. Fonte (abre em nova aba).
  4. Surgical approaches of shoulder calcific tendonitis: a systematic review. Fonte (abre em nova aba).
  5. Brindisino F, et al. Extracorporeal shockwave therapy versus other interventions for calcific tendinopathy of the shoulder: a systematic review and meta-analysis. Physiother Res Int. 2024. Fonte (abre em nova aba).

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