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Infiltração guiada por ultrassom

Na infiltração guiada por ultrassom, a imagem acompanha a agulha até o alvo. Diagnóstico, substância, dose e reavaliação definem benefício e segurança.

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Espelho d'água com carpas ao lado de uma parede de seixos, na clínica
Neste artigo
Procedimentos musculoesqueléticos
O ultrassom acompanha a agulha e mostra tecidos, vasos e o alvo em tempo real. Diagnóstico, finalidade, substância, dose e plano de reavaliação determinam o benefício e a segurança.

O procedimento

Na infiltração guiada por ultrassom, eu acompanho a agulha na tela até o alvo: uma articulação, uma bursa (pequena bolsa que reduz atrito), a bainha que envolve um tendão, a fáscia ao redor de músculos, um nervo periférico ou uma coleção de líquido.[11] Antes de avançar, a varredura mede a profundidade, escolhe o trajeto e identifica os vasos no caminho; o Doppler, recurso que mostra o fluxo de sangue, ajuda a localizá-los.[1]

Ardor na pele e sensação de pressão são comuns durante a punção; o contato da agulha com o periósteo, a camada sensível que recobre o osso, costuma doer mais.[1] O anestésico local reduz a dor da punção.[24]

A infiltração pode ter quatro finalidades: testar se uma estrutura participa da dor, tratar um alvo com indicação definida, retirar líquido para aliviar pressão ou para análise, e bloquear um nervo. Uma situação muda a urgência: quando existe suspeita de artrite séptica, uma infecção dentro da articulação, o líquido é colhido, o encaminhamento é urgente e o corticosteroide fica fora do procedimento.[28]

Na consulta, sigo uma ordem: reconheço o padrão da dor, comparo as estruturas que podem produzi-la, defino o alvo e a finalidade e só então escolho a imagem capaz de mostrar o que importa naquele trajeto.[11]

O ultrassom aumenta a chance de a substância chegar ao compartimento planejado em vários alvos musculoesqueléticos. O alívio que você sente depende também do diagnóstico correto, do medicamento, da dose, da doença, da reabilitação e do tempo de acompanhamento; colocar a agulha no lugar certo é uma parte do resultado.[3]

O que o ultrassom mostra

O ultrassom mostra tendões, músculos, bursas, nervos periféricos, vasos, fáscias, líquido articular e a superfície do osso. Como a imagem é dinâmica, posso comprimir uma veia, mover um tendão e observar o deslizamento de um nervo durante o exame. Essa combinação é útil em estruturas superficiais e em trajetos que mudam com a posição ou o movimento.[1]

O osso bloqueia a passagem do feixe e o ar distorce a imagem.[33] Estruturas muito profundas, o interior do canal vertebral, cicatrizes, calcificações e ângulos desfavoráveis da agulha reduzem a visibilidade. Se não consigo acompanhar a ponta, o alvo e as estruturas vulneráveis, escolho outro trajeto ou outro método de imagem.[32]

Tendinose é a alteração degenerativa da organização do tendão; derrame é o acúmulo de líquido dentro da articulação. Esses achados descrevem a forma dos tecidos. Para atribuir a dor a eles, preciso que o local, o movimento que provoca a dor e o exame físico concordem, com outras imagens quando elas mudam a decisão.[32][11]

Ao final, registro o lado, a estrutura, o caminho da agulha, onde a ponta ficou, a substância, a dose e o volume, com as imagens salvas. Se a resposta vier fraca, esse registro permite separar três situações na reavaliação: a agulha fora do lugar, um efeito curto do medicamento ou um diagnóstico incompleto.[1][32]

Diagnóstico e escolha do alvo

Na história, pergunto como a dor começou, onde fica, para onde irradia, qual movimento a reproduz, se há rigidez, perda de força, trauma, febre ou cirurgia prévia e como responderam os procedimentos anteriores. No exame, procuro um padrão que se repete e testo as estruturas que competem pela explicação. É esse conjunto que decide qual alteração visível na imagem merece tratamento.[9]

Na dor no ombro, a origem pode estar na articulação glenoumeral, na articulação acromioclavicular, na bursa subacromial-subdeltoidea ou no manguito rotador, o grupo de tendões que estabiliza o ombro, e cada uma dessas estruturas pede um alvo diferente. Na dor lateral do quadril, comparo a articulação, os tendões glúteos, a bursa trocantérica, a coluna lombar e os nervos antes de escolher onde a agulha vai.[9]

Cada exame responde a uma pergunta diferente. A radiografia avalia alinhamento, artrose, calcificação, fratura e deformidade do osso. A ressonância alcança a medula óssea, a cartilagem, o labrum (anel de fibrocartilagem da articulação) e os músculos profundos. A eletroneuromiografia mede a função de nervos e músculos em situações selecionadas.[39][32]

Antes da punção, defino um objetivo que possa ser medido: saber se a articulação do quadril explica a dor na virilha, reduzir a sinovite (inflamação do revestimento da articulação) para recuperar a extensão do joelho, analisar um derrame ou permitir a progressão de carga depois de tratar uma bainha inflamada. A mesma tarefa funcional é registrada antes e depois.[11]

No quadril, se a dor habitual melhora enquanto o anestésico age, aumenta a probabilidade de a origem estar dentro da articulação. Na interpretação entram o volume, o espalhamento do líquido, a tarefa escolhida e a concordância com história, exame e imagem.[22]

Finalidades da infiltração

Finalidade, tempo e próxima decisão
Tipo Objetivo e substância O que observar
Diagnóstico Pequeno volume de anestésico Repetir o movimento que dói enquanto o anestésico age; o espalhamento do líquido pode confundir a leitura[19][11]
Terapêutico Substância escolhida pelo diagnóstico Função e duração; benefício curto leva à reavaliação[11]
Aspiração Retirada de líquido Alívio de pressão ou análise para cristais e infecção[28][11]
Ao redor do nervo Bloqueio ou hidrodissecção Separar o efeito do anestésico do efeito mecânico[16]

Bloqueio diagnóstico

O bloqueio diagnóstico usa pequeno volume de anestésico e uma tarefa escolhida antes para testar se um alvo participa da dor. O protocolo, o tempo de observação e o limiar de resposta mudam conforme a estrutura. Sedação, volume alto e corticosteroide na mistura podem espalhar o efeito e tornar o teste menos específico.[19]

Registro a dor habitual e a tarefa que a provoca antes da punção e repito a medida enquanto o anestésico age. Espalhamento do líquido, repouso, expectativa e variação espontânea da dor também podem alterar o resultado, e a leitura considera tudo isso.[22]

Injeção terapêutica

A injeção terapêutica busca alívio por semanas ou meses em um alvo com indicação definida. O corticosteroide trata inflamação em diagnósticos selecionados, e sua dose e seu risco variam entre articulação, bursa e o plano ao redor do tendão.

O anestésico da mistura pode aliviar por horas; o corticosteroide começa a agir depois, e uma piora inflamatória breve pode vir antes do benefício, que costuma durar de algumas semanas a poucos meses. Por isso avalio o efeito tardio separado do alívio imediato: função, duração, reações e necessidade de novo tratamento, no prazo esperado para aquele diagnóstico e aquele alvo.[9]

Aspiração

A aspiração terapêutica retira líquido para reduzir a pressão, e o alívio pode ser imediato. A aspiração diagnóstica envia o líquido sinovial, o fluido da articulação, para contagem de células, pesquisa de cristais e cultura. Os cristais ajudam a identificar artrite por deposição; a contagem de células, a coloração de Gram (exame que mostra bactérias ao microscópio) e a cultura investigam infecção. Enquanto a artrite séptica continuar possível, a urgência e o encaminhamento mudam.[28]

Bloqueio de nervo e hidrodissecção

O bloqueio perineural deposita anestésico ao redor do nervo. A hidrodissecção usa líquido para criar espaço entre o nervo e os tecidos vizinhos. Salina, dextrose, anestésico e corticosteroide têm efeitos diferentes, e por isso anoto o mecanismo buscado, o volume e o produto: na reavaliação, preciso separar o efeito anestésico do efeito mecânico.[16]

Quando e como medir o resultado
DiagnósticoMinutos a horasRepetir o movimento que dói; conferir volume, sedação e espalhamento do líquido.[19][11]
TerapêuticoDias a mesesMedir função, duração, reação e necessidade de novo cuidado.[11][9]
AspiraçãoImediato e laboratórioSeparar alívio de pressão de cristais, células e cultura.[28][11]
FalhaReavaliar antes de repetirRever técnica, alvo, diagnóstico, substância e carga.[11]

Escolha da imagem

Em alvos superficiais, com marcos que se palpam e baixo risco, as referências anatômicas podem bastar. O ultrassom acrescenta a visão da ponta, dos vasos, dos nervos, do líquido e das variações de cada pessoa. Essa vantagem de precisão pesa mais em articulações profundas, compartimentos estreitos, anatomia alterada e quando tentativas anteriores foram difíceis.[3]

Na articulação glenoumeral do ombro, o ultrassom e a fluoroscopia (raio X em tempo real) têm alta precisão, e nenhum dos dois se mostrou simplesmente superior. A diferença está no que cada um mostra: o ultrassom vê tendões, bursa e vasos sem radiação; a fluoroscopia vê o osso e o contraste se espalhando dentro da articulação.[20]

No quadril, articulação profunda e próxima do feixe femoral (nervo, artéria e veia), o ultrassom é mais preciso que as referências anatômicas para chegar dentro da articulação.[5] A comparação direta com a fluoroscopia ainda é limitada, e a escolha considera profundidade, necessidade de contraste, radiação, anatomia, experiência de quem faz e finalidade diagnóstica.[21]

Métodos de imagem e quando usar
Método Capacidade Quando usar
Referência anatômica Marcos palpáveis Alvo superficial, anatomia previsível e baixo risco[32]
Ultrassom Tecidos moles, vasos, nervos e agulha Alvo visível sem barreira de osso, ar ou profundidade[32][33]
Fluoroscopia Osso, agulha e fluxo de contraste Articulação profunda e procedimentos de coluna específicos[32][18]
Tomografia Anatomia óssea profunda em cortes Acesso complexo quando a radiação se justifica[32]

Medicamentos injetáveis

Anestésico local

O anestésico local pode criar uma janela diagnóstica de minutos a horas. Concentração e volume são escolhidos pelo alvo e pela finalidade.[24] Aspirar antes de injetar, injetar em frações e observar reduzem o risco, mas a dose total e a prontidão para tratar toxicidade continuam centrais.[31]

Calculo a dose pela substância, pela concentração, pelo volume total, pelo peso e pelas condições que aumentam a toxicidade. Doses potencialmente tóxicas exigem observação próxima por pelo menos 30 minutos, porque a toxicidade sistêmica pode começar tarde, e o ambiente precisa estar pronto para reconhecer os sintomas e agir de imediato.[24]

Corticosteroide

No ombro, tanto na articulação quanto na bursa, 20 mg de triamcinolona tiveram eficácia semelhante à de 40 mg; no joelho, 40 mg foram tão eficazes quanto 80 mg. No quadril, a dose mais usada dentro da articulação é 40 mg de triamcinolona ou metilprednisolona. As preparações disponíveis não mostraram superioridade consistente entre si, embora possam diferir em duração e absorção.

Como referência de segurança, a soma recomendada é de até 200 mg de triamcinolona, ou equivalente, por ano e, em mulheres após a menopausa, de 400 mg em três anos. O risco individual e o corticosteroide recebido por outras vias entram nessa conta, e a menor dose eficaz continua sendo o objetivo.[9]

Dr. Marcus Yu Bin Pai à mesa do consultório, olhando um modelo anatômico em 3D no monitor, com modelos de coluna e de acupuntura sobre a mesa
Modelo anatômico em 3D no monitor do consultório.

Entre duas injeções, o intervalo mínimo sugerido vai de duas a três semanas e pode chegar a três meses, conforme o medicamento, o risco e a resposta; muitos cirurgiões usam pelo menos três meses na mesma articulação. Considero uma nova injeção quando a dor volta e depois de avaliar o benefício da anterior. Alívio muito curto, platô ou eventos adversos pesam contra a repetição.[9]

No local, podem ocorrer piora inflamatória breve, atrofia da gordura sob a pele, alteração de pigmento, infecção e lesão de tendão em alvos suscetíveis; o rubor facial também pode aparecer. No corpo, o corticosteroide pode elevar a glicose, suprimir a glândula adrenal e talvez afetar a densidade mineral dos ossos. Séries programadas de injeções aumentam a exposição sem testar se cada dose era necessária.[9]

Outros injetáveis

Ácido hialurônico, plasma rico em plaquetas, dextrose e outros produtos dependem de diagnóstico e evidência próprios, e a preparação, a dose e a comparação variam entre os estudos. Nas infiltrações para dor, cada produto é avaliado separadamente para a doença em questão: a imagem responde onde a substância foi colocada, e a evidência clínica responde em qual doença ela ajuda.[9]

Efeito sobre a cartilagem

Em laboratório, as substâncias injetadas afetam os condrócitos, as células da cartilagem, de forma que depende da substância e da concentração. Ainda não se sabe quanto isso pesa em uma injeção clínica isolada. Por isso mantenho volume, concentração e repetições no mínimo necessário para a finalidade diagnóstica ou terapêutica.[12]

Resultados por região

Ombro

A bursa subacromial-subdeltoidea fica entre o manguito rotador e o arco ósseo acima dele; a articulação glenoumeral une o úmero à escápula. Nesses alvos, guiar a agulha pelo ultrassom trouxe pequenas vantagens de curto prazo em alguns resultados; o ganho variou com o diagnóstico e a técnica.[4]

Na cabeça longa do bíceps, o ultrassom melhora a precisão e os resultados em comparação com a referência anatômica, e a ponta fica ao redor do tendão ou em sua bainha. Ruptura, instabilidade e lesão estrutural mudam o prognóstico, e como o corticosteroide ao redor desse tendão é controverso, a decisão é tomada com você depois de explicado o risco.[9]

Capsulite adesiva

A capsulite adesiva é dor com perda progressiva do movimento ativo e passivo, causada pela rigidez da cápsula glenoumeral. A hidrodilatação usa um volume maior de líquido para distender essa cápsula. Em comparação com o corticosteroide isolado, a hidrodilatação trouxe melhora passageira da incapacidade e da rotação externa; ainda não está claro quanto essa diferença pesa no dia a dia nem qual é o melhor protocolo.[23]

Tendinopatia glútea

A tendinopatia glútea produz dor na lateral do quadril, muitas vezes pior ao deitar sobre o lado ou ao subir escadas. Educação para reduzir a compressão do tendão somada a exercícios específicos trouxe melhora global maior que a injeção de corticosteroide, tanto em oito semanas quanto em um ano. A progressão de carga trabalha os abdutores do quadril e reduz a compressão lateral; esse programa foi testado para a dor glútea, e outras regiões seguem critérios próprios de progressão.[13]

Articulação do quadril

No quadril, o medicamento e o prognóstico dependem do diagnóstico específico. Antes de corticosteroide dentro da articulação, a radiografia ajuda a identificar osteonecrose, fratura subcondral (logo abaixo da cartilagem) ou destruição articular rápida. Esses achados mudam o equilíbrio entre alívio temporário, risco estrutural e encaminhamento, e doses altas ou injeções múltiplas no quadril pedem cautela.[9]

Joelho

No joelho, o ultrassom localiza o derrame, orienta o acesso e acompanha a aspiração ou a injeção. As técnicas guiadas foram mais precisas e mostraram sinais de melhor resultado em alguns desfechos; ainda não se sabe quais pacientes ganham mais com isso.[6]

Na artrose do joelho, o corticosteroide dentro da articulação oferece alívio predominantemente curto, e a dose inicial máxima recomendada é 40 mg de triamcinolona ou equivalente. Repetições frequentes e exposição prolongada se associam a pequena perda de volume da cartilagem, e o benefício funcional da injeção anterior orienta qualquer nova decisão.[9]

Cisto de Baker

O cisto de Baker é a distensão de uma bursa na parte de trás do joelho que se comunica com a articulação. Com a imagem, é possível aspirar o cisto, fenestrar sua parede (abrir pequenos orifícios) e injetar. Os sintomas melhoraram nos pacientes tratados assim, e uma minoria precisou de nova aspiração porque o cisto voltou.[14]

Fascite plantar

A fascite plantar, também chamada fasciopatia plantar, é a dor na origem da fáscia do pé, perto do calcanhar. Nos estudos, a orientação por ultrassom trouxe algumas diferenças de espessura e sensibilidade, sem vantagem consistente em todas as medidas de dor.[15]

Na dor plantar que não é inflamatória, o benefício do corticosteroide não superou o de uma injeção sem medicamento ativo, e existe risco de ruptura da fáscia e de atrofia do coxim gorduroso, a camada que amortece o calcanhar. A injeção pode ser considerada na dor plantar de doença reumatológica inflamatória que resiste ao cuidado conservador.[9]

Tendões e bainhas

Na injeção peritendínea, a substância fica no tecido ao redor do tendão; na intratendínea, dentro das fibras. Corticosteroide dentro do tendão aumenta a preocupação com ruptura, e a imagem ajuda a manter a ponta no compartimento planejado. A indicação muda entre tendinopatia degenerativa, tenossinovite da bainha, bursite e entesite inflamatória, a inflamação no ponto em que o tendão se prende ao osso.[9]

Na tenossinovite de De Quervain, o alvo é a bainha do primeiro compartimento extensor do punho, e septos podem dividir os tendões em subcompartimentos. Corticosteroide associado a imobilização curta do polegar teve o resultado mais favorável, e as técnicas guiadas ficaram entre as opções com melhor resultado para a dor.[17]

Nervos periféricos

Em nervos periféricos, o ultrassom mostra o contorno, os fascículos (pequenos feixes de fibras), os vasos e a dispersão do líquido. Na síndrome do túnel do carpo, a hidrodissecção trouxe melhora com produtos e volumes diferentes, e por isso não existe um injetável padrão nem como prever a liberação definitiva do nervo.[16]

Durante o avanço ou a injeção, dor elétrica intensa, pressão elevada ou alteração neurológica inesperada me fazem parar e reavaliar a posição da ponta. O ultrassom ajuda a reconhecer a proximidade entre agulha e nervo, mas a lesão de um nervo pode envolver trauma, falta de irrigação, inflamação ou toxicidade, e um déficit que persiste precisa de exame dirigido.[26]

Alvos próximos da coluna

Perto da coluna, o ultrassom alcança os nervos occipitais, na parte de trás da cabeça, músculos e planos de fáscia, além de algumas articulações posteriores.[40][41][32] A superfície do osso serve de referência, mas o canal vertebral, a raiz nervosa inteira e os vasos profundos podem ficar ocultos. Se a imagem não mostra todas as estruturas vulneráveis, o ultrassom não basta para aquele alvo.[33]

Na articulação sacroilíaca, o ultrassom pode orientar abordagens por fora da articulação e algumas tentativas dentro dela. Quando o bloqueio serve para diagnóstico, a fluoroscopia ou a tomografia com contraste documentam a entrada do líquido e qualquer vazamento. O volume total é pequeno porque o espalhamento para estruturas vizinhas aumenta o resultado falso positivo, e corticosteroide ou volume excessivo podem prolongar ou espalhar o efeito e dificultar a interpretação.[19]

Epidurais, injeções nas facetas (pequenas articulações posteriores da coluna), bloqueio do ramo medial, procedimentos sacroilíacos e bloqueio paravertebral têm riscos e padrões de imagem próprios, e o acesso epidural segue protocolo específico. Nas epidurais, a fluoroscopia com contraste documenta a posição, mostra a distribuição do líquido e detecta posições perigosas, como dentro de um vaso ou por dentro das membranas que envolvem a medula, antes de injetar substâncias que podem causar lesão. Equipamento de monitorização, oxigênio e medicamentos de ressuscitação ficam disponíveis.[18]

Preparo

Infecção ativa no corpo ou pele infectada no trajeto adiam uma punção eletiva. Imunossupressão, prótese articular, antibiótico em uso e infecção recente mudam o risco do procedimento e podem exigir avaliação adicional.[10]

Anticoagulantes reduzem a formação de coágulos; antiagregantes, como aspirina e clopidogrel, reduzem a função das plaquetas. Nas articulações periféricas, o risco de sangramento costuma ser baixo.[2] Em quem usa varfarina, punções e aspirações articulares tiveram poucos sangramentos, mas esse dado não se aplica a um efeito da varfarina muito acima da faixa desejada, a combinações de antitrombóticos nem a alvos profundos.[8]

Em alvos superficiais e compressíveis, a pressão externa permite controlar um sangramento. Com os anticoagulantes orais diretos, como apixabana, rivaroxabana e dabigatrana, o intervalo entre a última dose e o procedimento depende da dose, da função dos rins e da profundidade do alvo.

Bloqueios profundos que não podem ser comprimidos, como o do plexo lombar e o paravertebral, seguem regras semelhantes às dos procedimentos próximos da medula. A decisão considera o medicamento, a última dose, a função renal, distúrbios de coagulação, o risco de trombose ao interromper e a gravidade de um hematoma, e a equipe que prescreve o antitrombótico participa do plano.[7]

Térreo do átrio da clínica com escada, ripas de madeira, portas dos consultórios e estante chinesa de madeira
Térreo do átrio da clínica.

Em quem tem diabetes, o corticosteroide pode elevar a glicose. A recomendação é medir com atenção por pelo menos 48 horas e até a glicose normalizar, o que pode levar sete dias.[9] Antes da injeção, combinamos a frequência das medidas e quem deve ser contatado; ajustes de insulina ou de comprimidos ficam com a equipe que acompanha o diabetes.[29]

Se a cirurgia de prótese do quadril ou do joelho já está marcada, corticosteroide dentro dessa articulação nos três meses anteriores à cirurgia aumenta a preocupação com infecção pós-operatória, sobretudo quando a injeção é feita no mês que antecede a cirurgia. Evito esse intervalo e discuto risco e benefício com o cirurgião responsável.[9]

A técnica asséptica inclui higiene das mãos, preparo da pele com clorexidina alcoólica quando apropriado, campo, luvas estéreis, máscara e material estéril. A sonda do ultrassom é desinfetada e recebe cobertura estéril e gel estéril, ambos de uso único.[10]

Riscos e condutas no preparo
InfecçãoAdiar o procedimento eletivo; aspirar e encaminhar se houver possibilidade de artrite séptica.[28][11]
Anticoagulante ou antiagreganteConsiderar profundidade do alvo, possibilidade de compressão, função dos rins e risco de suspender o remédio.[7][2]
DiabetesCombinar antes o plano de medidas de glicose.[9]
Prótese planejadaEvitar corticosteroide na mesma articulação nos três meses anteriores.[9]
AlergiaRevisar anestésico, corticosteroide, contraste, antisséptico e látex.[34][35][36][37][38]
CampoPele preparada, cobertura e gel estéreis de uso único.[10]

Durante a infiltração

Você fica em uma posição que expõe o alvo e permite ficar imóvel com conforto. Confirmo na tela a anatomia, a profundidade e o trajeto, faço a antissepsia e avanço a agulha acompanhando a ponta de forma contínua ou com confirmações repetidas em passos curtos, porque ver apenas um trecho da haste pode levar a uma localização errada.

Às vezes a agulha aparece como uma linha inteira, quando está alinhada ao feixe; em outras, aparece como um ponto, e pequenos movimentos confirmam onde está a ponta. Escolho o ângulo que dá melhor visibilidade, mantém distância de vasos e nervos e permite acesso estável ao compartimento.[1]

Quando existe líquido, a aspiração pode vir antes de qualquer injeção. Líquido purulento, turvo ou com sangue muda a sequência, e a aparência sozinha não exclui infecção. As amostras seguem identificadas para contagem de células, pesquisa de cristais e exames para bactérias, de acordo com a suspeita clínica.[28]

Depois da infiltração

Depois do corticosteroide, podem ocorrer dor local, aumento passageiro do desconforto e rubor facial. Você sai com um plano escrito sobre atividade, curativo, uso de gelo ou do analgésico já autorizado e o momento de reavaliar. A restrição de carga depende do alvo e da fraqueza ou dormência produzida pelo anestésico.[9]

Antes da saída, explico se dormência ou fraqueza são esperadas e por quanto tempo, aproximadamente. Enquanto a força, a sensibilidade ou o controle da articulação estiverem reduzidos, dirigir, operar máquinas ou apoiar peso sobre um membro instável pode ser inseguro. Quando o volume ou a dose de anestésico aumentam o risco sistêmico, o acompanhamento se prolonga.[24]

No diabetes, as medidas de glicose registradas depois da injeção mostram como o corpo respondeu ao corticosteroide e orientam a reavaliação.[9] Valores muito acima do plano individual ou sintomas de glicose alta levam ao contato já combinado com a equipe que acompanha o diabetes, que continua responsável pelos ajustes.[29][30]

Falha e reavaliação

Quando a infiltração não traz a resposta esperada, separo três perguntas. A ponta e a distribuição do líquido foram adequadas? O alvo explicava a tarefa limitada? A substância tinha o efeito esperado para aquela doença? A resposta decide entre reabilitar, repetir um exame, mudar a hipótese, discutir cirurgia ou encerrar as infiltrações.[11]

A falha imediata leva a revisar a ponta, o compartimento, o volume, a dispersão e a tarefa testada. No bloqueio diagnóstico, anestésico insuficiente, difusão para estruturas vizinhas ou tarefa inadequada reduzem o valor do teste. Na injeção terapêutica, o alívio curto das primeiras horas vem do anestésico e ainda não diz nada sobre o corticosteroide.[11]

A falha tardia aparece quando a indicação não tinha inflamação dominante, quando a dose já era adequada e o benefício foi mínimo, na doença estrutural avançada, com carga mantida e com reabilitação incompleta. Alívio útil por semanas ou meses pode sustentar uma repetição selecionada; efeito de poucos dias, reações relevantes ou intervalos cada vez menores favorecem outra estratégia.[9]

Se a imagem confirmou a ponta no lugar planejado e a resposta foi fraca, a agulha fora do alvo fica menos provável, e a reavaliação se concentra no diagnóstico, no efeito da substância e em outras fontes de dor. Trocar automaticamente de imagem ou de injetável acrescentaria uma variável sem esclarecer a anterior.[3]

No seguimento, anoto a porcentagem e a duração do alívio, as tarefas recuperadas, os efeitos adversos, a glicose quando for o caso e o avanço na reabilitação. Esses dados orientam a continuidade do exercício, uma nova imagem, a mudança de alvo, a consulta cirúrgica ou o fim das infiltrações, e a decisão de repetir é tomada em conjunto com você.[2]

Sinais de alerta

Emergência alérgica: falta de ar, chiado, aperto na garganta, inchaço de língua ou face, desmaio ou colapso após a injeção exigem ligar imediatamente para o SAMU 192. A anafilaxia, reação alérgica grave, pode ocorrer sem lesões na pele.[27]

Emergência após anestésico: gosto metálico, zumbido, confusão, convulsão, arritmia ou colapso podem indicar toxicidade sistêmica do anestésico local. Se esses sintomas surgirem depois da saída, a pessoa ou o acompanhante deve ligar imediatamente para o SAMU 192.[31] Durante o procedimento, a equipe interrompe a injeção e inicia o suporte adequado.[25]

Avaliação no mesmo dia: febre, mal-estar, vermelhidão, calor, dor ou inchaço progressivos ao redor do local ou da articulação pedem avaliação assim que aparecem. Se não conseguir falar com a equipe, procure uma unidade de pronto atendimento (UPA) ou um pronto-socorro.[10]

Avaliação urgente: aumento rápido de volume, hematoma que cresce, palidez, dor desproporcional, fraqueza ou dormência novas depois de um alvo profundo exigem ida ao pronto-socorro.[7]

Déficit neurológico: dormência ou fraqueza dentro da duração informada do bloqueio pode ser esperada. Persistência além desse período, piora, perda de controle do membro ou alteração de bexiga e intestino exigem ida imediata ao pronto-socorro ou chamada ao SAMU 192; avise a equipe ao mesmo tempo.[26]

Efeitos breves: dor localizada, pequena mancha roxa, rubor facial e piora inflamatória passageira podem ocorrer. Se piorarem ou vierem com sintomas no corpo todo, a avaliação ganha prioridade.[9]

Referências

  1. AIUM Practice Parameter for the Performance of a Musculoskeletal Ultrasound Examination. 2017. (abre em nova aba)
  2. EULAR recommendations for intra-articular therapies. 2021. (abre em nova aba)
  3. Ultrasound-guided versus landmark-guided injections for musculoskeletal pain. 2024. (abre em nova aba)
  4. Ultrasound-guided versus landmark corticosteroid injection for shoulder pain. 2022. (abre em nova aba)
  5. Ultrasound-guided hip joint injections versus landmark-guided injections. 2016. (abre em nova aba)
Ver todas as 41 referências
  1. Accuracy and efficacy of knee injections and aspirations under ultrasound guidance. 2025. (abre em nova aba)
  2. Regional anesthesia in the patient receiving antithrombotic therapy, fifth edition. 2025. (abre em nova aba)
  3. Bleeding complications with warfarin during joint injection or aspiration. 2022. (abre em nova aba)
  4. Use and safety of corticosteroid injections in joints and musculoskeletal soft tissue. 2025. (abre em nova aba)
  5. ASRA Pain Medicine consensus practice infection control guidelines. 2025. (abre em nova aba)
  6. Joint and soft tissue injections. 2023. (abre em nova aba)
  7. Chondrotoxicity of intra-articular injection treatment. 2024. (abre em nova aba)
  8. Education plus exercise versus corticosteroid injection for gluteal tendinopathy. 2018. (abre em nova aba)
  9. Ultrasound-guided aspiration, fenestration and injection of Baker cysts. 2015. (abre em nova aba)
  10. Ultrasound-guided versus blind corticosteroid injections in plantar fasciitis. 2025. (abre em nova aba)
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  12. Management of de Quervain tenosynovitis. 2023. (abre em nova aba)
  13. Safety practices for interventional pain procedures: epidural and sacroiliac interventions. 2025. (abre em nova aba)
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