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Artrose do quadril: diagnóstico e tratamento sem cirurgia

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Escada do átrio da clínica junto à parede de tijolos vazados, sob a claraboia
Neste artigo

Artrose do quadril e tratamento

Artrose do quadril é uma doença de toda a articulação: cartilagem, osso e outros tecidos se alteram e podem produzir dor, rigidez e perda de função. A dor na virilha, na frente da coxa ou até no joelho pode vir do quadril, mas o local sozinho não confirma a origem. O diagnóstico fica mais consistente quando quatro peças apontam para a mesma articulação: dor provocada por caminhar ou girar o quadril, perda de tarefas específicas, reprodução da dor no exame físico e, quando necessária, uma radiografia compatível.10

O tratamento é escolhido pela dor, pela mobilidade e pelas atividades que ficaram difíceis. Exercícios, apoio para caminhar, medicamentos e infiltração podem reduzir sintomas e preservar autonomia. A avaliação para prótese ganha espaço quando essas medidas são insuficientes e a limitação continua importante. A radiografia documenta a articulação, mas pessoas com alterações parecidas podem ter capacidades bem diferentes.3

Alguns quadros fogem da oscilação comum da artrose e pedem atendimento imediato: queda seguida de incapacidade de apoiar a perna, dor intensa no quadril com febre, e fraqueza nova nas pernas ou dormência na região entre as pernas. O que fazer em cada caso está em Sinais de alerta.

Alterações na articulação

A cabeça do fêmur se encaixa no acetábulo, a concavidade da pelve que recebe esse osso. A cartilagem facilita o deslizamento, e a sinóvia é a membrana que reveste o interior da articulação. Na artrose, esses tecidos e o osso logo abaixo deles se modificam, o espaço articular pode diminuir e podem aparecer osteófitos, que são saliências ósseas. A cápsula, envelope fibroso ao redor da articulação, e os músculos também passam a receber cargas diferentes durante a marcha.10

Imagem e sintomas não avançam juntos. Há pessoas com estreitamento evidente que preservam boa função e outras com dor relevante e alterações menos marcantes. Sensibilidade dos tecidos, força, sono, outras fontes de dor e a demanda do dia a dia interferem no quadro. Por isso, o grau radiográfico descreve a articulação, mas sozinho não calcula a intensidade da dor, a velocidade de progressão nem o benefício provável de cada tratamento.

Padrão da dor

A pista mais típica é dor profunda na virilha. Ela pode descer pela frente ou pela parte interna da coxa e chegar ao joelho; essa distribuição se chama dor referida. Em algumas pessoas a queixa principal fica no joelho, embora o exame do joelho não explique a limitação. A localização me diz quais regiões examinar, mas não identifica sozinha a articulação de origem.9

O padrão ganha força quando andar, subir degraus, levantar de uma cadeira baixa, entrar no carro, calçar meia ou girar sobre a perna reproduzem a dor. Rigidez depois de ficar sentado, redução da rotação e passos mais curtos também combinam com perda de mobilidade do quadril. A dor ligada à carga costuma aparecer primeiro; em fases sintomáticas mais avançadas, cargas menores, o repouso ou o sono também podem ser afetados.6

Um registro curto deixa a consulta mais produtiva: onde a dor começa, para onde vai, qual tarefa a desencadeia, quanto tempo leva para ceder e se há formigamento ou fraqueza. Com essas respostas eu separo os padrões. Dor anterior profunda com limitação de rotação aponta mais para a articulação; dor estritamente lateral, ou acompanhada de sintomas neurológicos, desloca a investigação para outros tecidos.9

Mapa de pistas da dor
Virilha
Pista mais típica da articulação
Coxa anterior
Trajeto referido frequente
Joelho
Pode receber dor do quadril
Lateral
Rever tendões glúteos
Posterior
Comparar coluna e sacroilíaca

O mapa orienta quais regiões examinar.

Outras causas

Doença da coluna lombar costuma produzir dor nas costas, na nádega ou na face posterior da perna. Queimação, choque, dormência, alteração de reflexo ou fraqueza tornam mais provável o envolvimento de uma raiz nervosa. A posição da coluna pode modificar os sintomas de modo mais claro que o movimento do quadril. Ver artrose na radiografia não elimina a coluna como origem: as duas podem coexistir e contribuir em proporções diferentes.6

A tendinopatia glútea tende a doer na lateral, sobre o grande trocânter, a saliência óssea que se percebe ao lado do fêmur. Deitar sobre o lado afetado, ficar apoiado em uma perna, subir escadas ou resistir à abdução, o movimento de afastar a perna para o lado, pode reproduzir uma dor localizada. A sensibilidade ao apertar a região lateral contrasta com a dor profunda de virilha, mais característica da articulação. Artrose e tendinopatia podem aparecer juntas, principalmente quando a marcha mudou por muito tempo.

A dor sacroilíaca é mais posterior, próxima à depressão ao lado do sacro. Ela pode surgir ao mudar de posição, caminhar com assimetria ou sustentar carga em uma perna só. Palpação local e um conjunto de testes provocativos coerentes pesam mais que um teste isolado. Dor acima da parte mais baixa da coluna lombar, irradiação pelo trajeto de um nervo ou exame neurológico alterado levam a atenção de volta para a coluna.6

Dr. Marcus Yu Bin Pai examina a mobilidade do quadril e do joelho de uma pessoa deitada na maca
Exame da mobilidade do quadril e do joelho.

Fratura, por trauma ou por insuficiência do osso, e osteonecrose da cabeça do fêmur, quando parte do osso perde vitalidade por redução do fluxo de sangue, exigem outra velocidade de investigação. Queda, aumento súbito da dor, incapacidade de apoiar, uso prolongado de corticosteroide sistêmico, como em comprimidos, consumo elevado de álcool e doenças do sangue aumentam a suspeita. A radiografia inicial pode não mostrar uma fratura oculta ou uma osteonecrose precoce; nessa pergunta específica, a ressonância tem um papel que não teria na artrose de rotina.

Doença inflamatória entra na lista quando a rigidez matinal é prolongada, várias articulações incham ou há manifestações na pele, nos olhos ou no intestino. Febre, calafrios, mal-estar e uma articulação muito dolorosa a qualquer pequeno movimento levantam preocupação com infecção. Crises abruptas com acúmulo de líquido na articulação também podem exigir investigação de cristais. Esses padrões não combinam com a oscilação mecânica comum da artrose.10

Como a dor no quadril tem várias origens possíveis, na prática é a combinação de sintomas que decide quais regiões examinar. Dor no joelho com rotação do quadril limitada pede exame do quadril; dormência ou fraqueza pede também exame neurológico; dor lateral bem localizada pede avaliação dos tendões glúteos. Início abrupto, febre ou perda rápida da capacidade de apoiar aceleram a investigação de causas ósseas ou infecciosas.6

Exame físico

O exame começa antes da maca. Comprimento do passo, inclinação do tronco, tempo de apoio em cada perna e uso dos braços mostram como a pessoa protege o quadril. Depois comparo flexão e rotações entre os dois lados. Na artrose, a rotação interna costuma ficar limitada e pode reproduzir a dor profunda; flexão, rotação externa e extensão também revelam rigidez e compensações.6

Em seguida procuro concorrentes. Palpação e teste de carga dos tendões glúteos avaliam a dor lateral. Mobilidade lombar, força, sensibilidade e reflexos rastreiam uma origem neural. Examino o joelho quando ele recebe a queixa e a região sacroilíaca quando a dor é posterior. Essa comparação evita atribuir toda a dor a uma alteração radiográfica comum.

O diagnóstico de artrose se apoia no conjunto: a tarefa relatada provoca o padrão esperado, o movimento do quadril reproduz a dor que a pessoa conhece, a limitação é coerente e o exame das regiões vizinhas não explica melhor o quadro. Quando história e exame divergem, o próximo teste é escolhido para resolver essa divergência específica.6

Radiografia e outros exames

Em uma apresentação típica, com idade a partir de 45 anos, dor ligada à atividade e rigidez matinal ausente ou de até cerca de meia hora, o diagnóstico pode ser clínico. A idade não funciona como prova e o exame físico continua necessário. O que muda é que a imagem de rotina não acrescenta valor quando o padrão é claro, não há sinal atípico e o resultado não mudaria a conduta inicial.3

Quando é preciso documentar a estrutura, esclarecer uma dor crônica ou planejar um procedimento, a radiografia costuma ser o primeiro exame. Ela mostra estreitamento do espaço articular, saliências ósseas, áreas de osso mais denso e deformidade, além de revelar algumas outras causas. Depois confiro se a distribuição da dor e a perda de movimento combinam com o lado e o padrão vistos na imagem.4

A ressonância não serve para detalhar uma artrose já explicada. Ela entra quando existe uma hipótese que muda o plano: fratura oculta, osteonecrose inicial, tumor, infecção, lesão do anel de tecido que contorna o encaixe do quadril ou ruptura dos tendões glúteos. Também entra quando a radiografia é normal ou inconclusiva, mas história e exame mantêm a suspeita de doença estrutural relevante.

Exames de sangue não medem o grau da artrose. Eles entram quando rigidez prolongada, várias articulações acometidas, febre ou outros sinais levantam suspeita inflamatória ou infecciosa. A aspiração retira líquido da articulação para investigar infecção ou cristais quando há derrame, o acúmulo de líquido dentro da articulação, e um contexto compatível. Sem uma dessas suspeitas, esses testes não esclarecem a origem mecânica da dor.10

Quando quadril, coluna e joelho têm alterações ao mesmo tempo, uma infiltração guiada com anestésico dentro do quadril pode funcionar como teste do gerador da dor. Alívio nítido durante as tarefas que antes reproduziam a dor aumenta a participação provável da articulação. Se não houver resposta, reviso a precisão da aplicação, a hipótese e as outras fontes de dor. Leio esse resultado junto com a história e o exame.4

Qual pergunta cada exame responde
Teste Entra quando
Radiografia É preciso confirmar estrutura
Ressonância Há suspeita de lesão oculta
Sangue Inflamação ou infecção é possível
Aspiração Líquido precisa ser analisado
Infiltração diagnóstica Existem geradores concorrentes

Fisioterapia

A fisioterapia trabalha mobilidade, força e tarefas como caminhar, subir escadas, levantar e calçar. A escolha dos exercícios considera a intensidade dos sintomas, as fontes de dor associadas e o que a pessoa consegue fazer no início. Distância de caminhada e facilidade para entrar no carro ou levantar de uma cadeira ajudam a acompanhar o resultado ao longo das semanas.9

Mobilidade na fase dolorosa

A primeira fase reduz as barreiras ao movimento. A mobilidade é treinada dentro de uma amplitude tolerável, sem forçar repetidamente o final doloroso. Contrações leves e movimentos curtos começam a fortalecer o quadril para levantar a coxa, afastar a perna e girá-la com controle. Sentar e levantar de uma altura adequada, transferir o peso e caminhar em blocos curtos permitem observar técnica e recuperação. Cada exercício escolhido responde a um déficit encontrado no exame.1

Fortalecimento progressivo

Quando esse começo está estável, a progressão aumenta uma variável por vez: resistência, amplitude, repetições, tempo sob carga ou complexidade. Um apoio com as duas pernas pode virar apoio alternado, uma cadeira alta pode baixar, e a caminhada no plano ganha distância antes de velocidade ou inclinação. Nenhuma modalidade se mostrou superior para todos. Exercício em solo, bicicleta ou água são meios diferentes de produzir dose de movimento e força.9

Ajuste pela resposta após o exercício

Além da resposta durante o exercício, contam a recuperação nas horas seguintes, a manhã seguinte e a função acumulada ao longo da semana. Desconforto leve que volta ao padrão habitual e acompanha melhora da tarefa pode ser tolerado. Dor cada vez maior, perda de distância, mancar de forma mais evidente ou piora que não retorna ao basal indicam reduzir a carga, mudar o exercício ou reexaminar a hipótese.

Treino de caminhada e escadas

A fase seguinte aproxima o treino da vida real. A força do quadril e do tronco passa a controlar o degrau, a mudança de direção e o apoio em uma perna com ajuda. A capacidade aeróbica cresce pela duração tolerada. Se o objetivo é caminhar até o transporte, o programa inclui distância, terreno, ritmo e pausas que reproduzam essa tarefa. Acompanho se o ganho de amplitude aparece nessa tarefa.1

Quando o ganho é insuficiente, a reavaliação confere resistência, amplitude e regularidade dos exercícios, além da recuperação após as sessões. Dor que impede progredir pode levar a ajuste de medicamento ou à discussão de infiltração. Piora da marcha ou mudança no padrão da dor exige novo exame antes de aumentar a carga.9

Terapia manual

A terapia manual pode ajudar a trabalhar uma limitação de movimento durante a reabilitação. Somada ao exercício, porém, acrescenta pouco aos sintomas e tem benefício adicional incerto, por isso não a associo de rotina. Quando uso para uma necessidade individual, meço a resposta pela amplitude e pela execução da atividade trabalhada.2

Progressão guiada por capacidade
  1. 1
    Medir
    Marcha, rotação e tarefa prioritária
  2. 2
    Recuperar movimento
    Amplitude tolerável e força inicial
  3. 3
    Aumentar carga
    Uma variável por vez
  4. 4
    Transferir
    Escada, distância e mudança de direção
Avançar
Função sobe e recuperação permanece estável
Rever
Piora acumulada ou padrão novo

Bengala e adaptações

Bengala e outros apoios

A bengala entra quando dor, instabilidade ou baixa tolerância à marcha justificam um auxílio. O lado de uso, a altura e o treino são definidos na avaliação, porque equilíbrio, força das mãos, padrão da marcha e outras limitações mudam a forma mais segura de usar o dispositivo. A meta é melhorar uma tarefa observável, e o uso não precisa ser permanente.2

O teste é funcional: a pessoa caminha mais longe, com menos inclinação do tronco e mais segurança? Se sim, o auxílio mantém a exposição à marcha enquanto força e capacidade são treinadas. Se surgir dor na mão, no ombro ou no lado oposto, o ajuste e o tipo de dispositivo precisam ser revistos. Muleta, andador e corrimão atendem demandas diferentes.3

Adaptações para sentar e calçar

Cada adaptação útil resolve uma tarefa identificada. Assento um pouco mais alto reduz a flexão exigida; apoio firme facilita levantar; calçador longo evita uma rotação dolorosa; corrimão melhora o controle no degrau. A utilidade se confirma pelo desempenho e pela segurança na tarefa. O dispositivo pode ser temporário, reservado a certas situações ou contínuo, conforme a função observada.

Medicamentos

Anti-inflamatório oral

Entre os medicamentos, os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) por via oral têm o resultado mais consistente para reduzir dor e melhorar função no quadril, quando não há contraindicação. Eles controlam sintomas e não recompõem cartilagem. A pergunta prática é se o alívio permite caminhar, dormir ou fazer a reabilitação com ganho suficiente para justificar o risco.1

Histórico de úlcera ou sangramento, função dos rins, doença do fígado, pressão, insuficiência cardíaca, risco cardiovascular, gestação, idade, anticoagulantes, corticosteroides sistêmicos e outros remédios mudam a escolha e o acompanhamento. Usar a menor exposição necessária e revisar benefício, efeitos adversos e exames, quando indicados, reduz a chance de manter um tratamento sem retorno funcional.3

Produtos tópicos

Géis e cremes expõem menos o organismo ao remédio e funcionam em algumas articulações superficiais, mas o quadril fica profundo, sob músculos e tecido subcutâneo, e não há base para tratar essa articulação com anti-inflamatório tópico. Um produto local ainda pode ter indicação em um tecido superficial, como na dor lateral, desde que esse seja o diagnóstico; isso é diferente de tratar a artrose dentro da articulação.2

Paracetamol

O paracetamol oferece benefício médio pequeno e, para muitas pessoas, não produz melhora relevante sozinho. Pode ter um papel ocasional quando os anti-inflamatórios não são adequados, desde que doença do fígado, consumo de álcool e duplicidade em produtos combinados sejam revisados. Com uso frequente sem ganho funcional mensurável, reviso a indicação.

Duloxetina

A duloxetina entra apenas em casos selecionados, depois de avaliação individual. Na artrose, ela foi estudada principalmente no joelho, e a tolerabilidade e os efeitos adversos podem limitar o uso.2 Por isso, não afirmo um benefício específico para o quadril. Quando decidimos tentar, o plano define antes um alvo funcional e uma revisão de benefício e efeitos adversos.9

Opioides

Opioides, incluindo o tramadol, não devem ser iniciados como rotina no tratamento sem cirurgia. O ganho médio é modesto, e sedação, constipação, quedas, dependência e tolerância podem reduzir justamente a função que se tenta preservar. Quem já usa por tempo prolongado precisa de revisão individual, e a interrupção abrupta não é apropriada.9

Em cada revisão de medicamento eu anoto quanto ele ajudou a caminhar, dormir ou participar da fisioterapia, por quanto tempo e com quais efeitos adversos. Uso frequente com pouco alívio, ou intolerância, leva à mudança de estratégia. A persistência de limitação importante também pode justificar avaliação para prótese enquanto a reabilitação continua.3

Acupuntura médica

Papel no tratamento

A acupuntura médica pode entrar como tentativa complementar para aliviar a dor, depois que a avaliação definiu de onde ela vem. Há recomendação condicional para o seu uso também na artrose do quadril, mas os estudos se concentram no joelho e deixam mais incerteza para esta articulação.14 A decisão é individual e tomada em conjunto com o paciente.

Acompanhamento e segurança

Quando escolhida, acompanho o resultado pela dor ao caminhar, pelo sono e pela tolerância aos exercícios da reabilitação. Se não houver ganho útil nessas atividades, revejo a estratégia. Agulhas estéreis e aplicação por profissional habilitado reduzem os riscos técnicos; infecção e lesão de estruturas profundas são possíveis quando o procedimento é feito de forma inadequada.15

Infiltrações

Corticosteroide guiado por imagem

O corticosteroide intra-articular, isto é, aplicado dentro da articulação, tem papel de curto prazo: quando a dor persiste apesar de medidas adequadas ou quando uma janela de alívio permite avançar a reabilitação. Como o quadril é profundo e fica perto de nervos e vasos sanguíneos, a aplicação é guiada por ultrassom ou por fluoroscopia, uma radiografia em tempo real. Defino o objetivo antes: retomar a marcha, tolerar os exercícios ou esclarecer quanto a articulação participa da dor.9

O benefício esperado dura de semanas a poucos meses, com variação individual: a melhora da dor aparece em seguimentos de até oito semanas, e a da função, entre um e quatro meses.1

Riscos e planejamento da aplicação

A triagem antes do procedimento revisa a radiografia de base, a possibilidade de osteonecrose ou de fratura subcondral, uma lesão do osso logo abaixo da cartilagem, além de diabetes, infecção ativa, uso de anticoagulantes, alergias e planejamento de prótese. Entre os riscos estão elevação transitória da glicose, infecção, reação local e, raramente, perda óssea subcondral, osteonecrose ou destruição articular rápida. Repetições e maior exposição exigem cautela. Dose, intervalo e eventual repetição são decididos caso a caso, revistos pelo benefício da aplicação anterior e pelo risco atual.7

Ácido hialurônico

Não indico ácido hialurônico na artrose do quadril. Nesta articulação, essa infiltração não trouxe melhora de dor ou de função maior que a de uma injeção sem medicamento ativo.1 Resultados e práticas do joelho não devem ser transferidos para o quadril, que tem outra anatomia e outra base de estudos.

Plasma rico em plaquetas

Na artrose do quadril, ainda não se sabe se o plasma rico em plaquetas (PRP) ajuda. Os estudos sugerem no máximo uma possibilidade incerta de melhora funcional de curto prazo, contrabalançada pela dor após a injeção. Não há protocolo estabelecido nem prazo de benefício em que se possa confiar. A decisão é tomada em conjunto e segue a preferência do paciente, pesando o custo, a dor pós-injeção e a incerteza.9

Nos estudos pequenos disponíveis, não foram relatados eventos graves, mas ocorreram dor ou desconforto local transitório, calor, rigidez e reação dolorosa maior após a injeção. A segurança a longo prazo ainda não está estabelecida.8

Tratamentos por decisão clínica
Opção
Papel
Na prática
Fisioterapia
Recuperar capacidade
Indicada
Anti-inflamatório oral
Alívio com triagem
Benefício provável
Corticosteroide
Janela de curto prazo
Uso selecionado
Ácido hialurônico
Sem melhora de dor ou função no quadril
Não recomendado
Plasma rico em plaquetas
Sem protocolo estabelecido
Benefício incerto

Avaliação cirúrgica

O encaminhamento para avaliação de prótese é proporcional quando dor, rigidez e perda de função afetam substancialmente a qualidade de vida e o tratamento sem cirurgia foi ineficaz ou inadequado. Isso inclui quem já não caminha a distância de que precisa, perde sono, não consegue fazer tarefas básicas ou acumula efeitos adversos dos tratamentos. Ser encaminhado abre uma avaliação; na consulta são discutidos benefício esperado, riscos, preparo e recuperação, e a decisão de operar é compartilhada.3

Idade, sexo ou gênero, tabagismo, outras doenças, sobrepeso ou obesidade não deveriam, sozinhos, excluir alguém do encaminhamento. Esses fatores modificam o risco e o preparo e entram na avaliação individual. Se um serviço adota limite de peso, trata-se de uma política daquele serviço.3

Enquanto a avaliação cirúrgica é organizada, exercícios toleráveis, auxílio de marcha e controle da dor ajudam a preservar a capacidade. Quando a indicação de prótese já está confirmada e a pessoa decidiu operar, em geral não é preciso adiar a cirurgia só para cumprir outra rodada de fisioterapia, anti-inflamatório, bengala ou infiltração. Essa orientação vale para quem tem artrose moderada a grave na radiografia, sintomas relevantes e uma tentativa de tratamento sem cirurgia já feita; ela não é uma regra fixa, porque os estudos que a sustentam ainda dão pouca certeza.5

Reavaliação

A reavaliação começa pelas mesmas tarefas medidas no início. Distância de caminhada, degraus, levantar, entrar no carro, calçar, sono e recuperação depois da carga mostram se houve ganho real. Também entram a adesão possível, o uso da bengala, a necessidade de medicamento e os efeitos adversos. Uma nota de dor isolada não mostra se a pessoa recuperou autonomia ou apenas reduziu a atividade.

O intervalo de revisão acompanha a necessidade clínica. Mudança recente de medicamento, início de fisioterapia ou um procedimento pedem retorno suficiente para verificar tolerância e trajetória. Um quadro estável, com plano que a pessoa conduz sozinha, permite intervalos maiores. A cada revisão, a decisão é explícita: manter, progredir, reduzir, trocar, investigar outra causa ou encaminhar.3

Sala de reabilitação da clínica com barras paralelas diante de uma parede de seixos e de uma janela redonda
Barras paralelas na sala de reabilitação.

Radiografia ou ressonância não precisam ser repetidas para provar que o exercício funcionou; o acompanhamento é clínico. Nova imagem entra se a trajetória muda: dor abrupta, piora rápida, incapacidade desproporcional, suspeita de lesão óssea ou sinais que apontam para outro diagnóstico. Também entra quando o resultado é necessário para planejar uma decisão concreta, como procedimento ou cirurgia.

Se uma infiltração dentro do quadril não muda a dor que deveria vir dele, se a fisioterapia piora um padrão neural ou se o joelho continua limitante apesar da melhora da rotação do quadril, reabro o diagnóstico. Nessa revisão, verifico se há dose inadequada, outra fonte de dor concorrente ou indicação cirúrgica já madura.3

Sinais de alerta

Referências

  1. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Osteoarthritis of the Hip. 2023. (abre em nova aba)
  2. Kolasinski SL, et al. 2019 ACR and Arthritis Foundation Guideline for Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. 2020. (abre em nova aba)
  3. National Institute for Health and Care Excellence. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management. NG226. 2022. (abre em nova aba)
  4. American College of Radiology. ACR Appropriateness Criteria Chronic Hip Pain. 2022 update. (abre em nova aba)
  5. American College of Rheumatology and American Association of Hip and Knee Surgeons. Optimal Timing of Elective Total Joint Arthroplasty. 2023. (abre em nova aba)
Ver todas as 15 referências
  1. Chamberlain R. Hip Pain in Adults: Evaluation and Differential Diagnosis. American Family Physician. 2021. (abre em nova aba)
  2. Benzon HT, et al. Use and safety of corticosteroid injections in joints and musculoskeletal soft tissue. 2025. (abre em nova aba)
  3. Almutairi AN, Alazzeh MS. PRP Intra-articular Injections in Hip Osteoarthritis: A Systematic Review. 2024. (abre em nova aba)
  4. Department of Veterans Affairs and Department of Defense. Non-Surgical Management of Hip and Knee Osteoarthritis. 2026. (abre em nova aba)
  5. Katz JN, Arant KR, Loeser RF. Diagnosis and Treatment of Hip and Knee Osteoarthritis: A Review. JAMA. 2021. (abre em nova aba)
  6. Ministério da Saúde; Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Protocolos de Encaminhamento da Atenção Básica para a Atenção Especializada: Ortopedia Adulto. 2022. (abre em nova aba)
  7. Secretaria da Saúde do Espírito Santo. Protocolo de Ortopedia Adulto. 2022. (abre em nova aba)
  8. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado da Dor Lombar: avaliação e conduta na urgência. (abre em nova aba)
  9. Kolasinski et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis & Rheumatology (2020). (abre em nova aba)
  10. Acupuncture: Effectiveness and Safety (nccih.nih.gov). (abre em nova aba)

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