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AVALIAÇÃO

Termografia na avaliação da dor

Mapa de temperatura da pele feito na clínica, como parte da avaliação, para comparar os dois lados e acompanhar a região ao longo do tratamento.

Exame complementar na avaliação da dor

Mapa de temperatura da pele para comparar os lados e acompanhar a região

A termografia é feita na clínica, como parte da avaliação da dor, com uma câmera infravermelha que registra a temperatura da pele sem contato e sem emitir radiação. O mapa compara os dois lados do corpo, mostra onde a temperatura está alterada e deixa a região documentada para acompanhar ao longo do tratamento. A imagem é lida junto com a história e o exame físico.

Fisiatria USPDor AMBAcupuntura médicaExame complementarSem contato e sem radiação ionizante

Dr. Marcus Pai em aula, ao lado de slide com imagem de termometria por infravermelho das costas
Aula na Associação Paulista de Medicina, 2019

Base técnica

Termografia infravermelha: o que a câmera registra e o que o mapa mostra.

A câmera capta o calor que a pele emite naturalmente e o transforma em um mapa de temperatura. A imagem mostra função: a circulação superficial e o controle autonômico da pele. Com ela, é possível comparar os dois lados, delimitar a área alterada e repetir o registro para acompanhar a região.

O que é

Imagem do calor emitido pela pele

A pele emite radiação infravermelha o tempo todo. A câmera registra essa emissão à distância e gera um mapa em que cada cor corresponde a uma faixa de temperatura. O exame é feito sem contato, sem radiação ionizante, sem contraste e sem agulha.

Ressonância, ultrassom e radiografia mostram estrutura. A termografia acrescenta outra informação: a temperatura da superfície da pele no momento do registro.

O que mostra

Diferença de temperatura entre os dois lados

A temperatura da pele depende principalmente do fluxo de sangue nos vasos superficiais, regulado pelo sistema nervoso simpático. Em pessoas sem doença, regiões correspondentes dos dois lados ficam com temperaturas próximas.

A leitura compara áreas iguais à direita e à esquerda. O achado que interessa é a assimetria entre os lados e a relação dela com a região dolorosa.

Interpretação

O que muda a temperatura da pele

Inflamação, alteração vascular, lesão de nervo e desuso do membro mudam a temperatura da pele. Curativo, creme, exercício recente e calor ou frio aplicados na região também. A imagem mostra onde está a diferença; a história e o exame físico indicam a causa.

O mapa informa sobre a superfície: circulação e controle autonômico da pele. Quando a pergunta é sobre disco, menisco, tendão profundo ou raiz nervosa, entram ressonância, ultrassom ou radiografia.

Uso clínico

Documentar, delimitar e acompanhar

A termografia é usada para registrar a assimetria vasomotora na síndrome dolorosa regional complexa (SDRC), delimitar a área de pele com temperatura alterada em dor neuropática ou referida e comparar a mesma região antes e depois de um tratamento.

Em dor lombar e cervical, o uso principal é acompanhar a mesma região ao longo do tempo. A imagem também pode ser mostrada ao paciente, o que ajuda a explicar o achado do exame físico.

Na avaliação

Feita na clínica, como parte da avaliação, com câmera infravermelha.

Depois da história e do exame físico, a câmera registra a região dolorosa e o lado oposto. O mapa responde a perguntas práticas: se os dois lados estão diferentes, até onde vai a área alterada e se a região mudou desde o último registro.

As imagens são feitas com a pele em repouso, antes de qualquer nova palpação da região. O preparo é simples: pele sem cremes e sem exercício intenso antes.

  • UsaCâmera infravermelha, sem contato, sem radiação ionizante e sem contraste.
  • ComparaÁreas iguais dos dois lados e a mesma região em datas diferentes.
  • DocumentaA assimetria de temperatura em imagem, para mostrar ao paciente e comparar nos retornos.

Quando entra na avaliação

Quando a termografia é usada na avaliação da dor

O exame ajuda quando há uma assimetria a documentar, uma área a delimitar ou uma região a acompanhar ao longo do tratamento.

SDRC

Síndrome dolorosa regional complexa

Registra a diferença de temperatura entre os membros, um dos sinais vasomotores considerados no diagnóstico clínico.

Nervo

Dor neuropática com sinais autonômicos

Ajuda a documentar a área de pele mais fria ou mais quente quando há mudança de cor, suor ou temperatura no território doloroso.

Músculo

Dor miofascial e dor referida

Pode registrar uma área de temperatura alterada na região do músculo doloroso, que serve de registro inicial. O ponto-gatilho é localizado pela palpação.

Seguimento

Antes e depois do tratamento

Compara a mesma região em datas diferentes, com o mesmo preparo e a mesma sala, para acompanhar a evolução.

Leitura do exame

Como a imagem é lida junto com o exame físico

A termografia é um exame complementar, lido junto com a história e o exame físico. Cada parte da avaliação contribui com um tipo de informação.

01

História

Onde dói, desde quando e o que piora. Indica a região a registrar e a pergunta que o mapa vai responder: comparar os lados, delimitar uma área ou acompanhar a evolução.

02

Exame físico

Sensibilidade, força, movimento e palpação localizam a dor e os pontos-gatilho. A assimetria de temperatura é comparada com esses achados.

03

Termografia

Registra em imagem a temperatura da pele dos dois lados, que reflete a circulação superficial e o controle autonômico. Mostra se há diferença entre os lados e a extensão da área alterada.

04

Ressonância, ultrassom e radiografia

Avaliam estrutura: disco, raiz nervosa, tendão e articulação, quando o exame físico indica. A informação se soma à do mapa de temperatura.

Passo a passo

Como é feito o exame de termografia

O exame é feito na clínica, com a câmera infravermelha, e o registro é rápido e indolor. O preparo e as condições da sala se repetem a cada exame, para que as imagens possam ser comparadas.

  1. 01

    Preparo no dia

    Pele limpa, sem cremes, pomadas ou adesivos na região. Exercício intenso, banho muito quente, bolsa térmica e sol direto antes do exame alteram a leitura.

  2. 02

    Adaptação à sala

    A região fica descoberta por alguns minutos em sala com temperatura estável e sem corrente de ar.

  3. 03

    Registro das imagens

    A câmera fotografa a região e o lado oposto, nas mesmas posições e distâncias. Não há contato nem qualquer sensação durante o registro.

  4. 04

    Leitura com o exame físico

    As áreas são comparadas lado a lado e interpretadas junto com a história. Se a região for palpada ou testada de novo, isso acontece depois das imagens.

Como se encaixa no plano

Termografia ao longo do tratamento

O primeiro mapa serve de base. Os registros seguintes mostram como a região mudou e entram no plano ao lado dos outros exames.

Início

Registro antes do tratamento

O primeiro mapa documenta a região dolorosa e o lado oposto e serve de comparação para os registros seguintes.

Nervo

Eletroneuromiografia

Avalia a condução dos nervos e a resposta do músculo. A termografia acrescenta a temperatura da pele no mesmo território.

Bloqueio

Bloqueio simpático

Quando um bloqueio simpático é realizado, o aquecimento do membro sugere efeito sobre a cadeia simpática. O alívio da dor é avaliado à parte, pelo relato do paciente.

Tratamento

Reabilitação e procedimentos

Registros repetidos podem documentar a mesma região durante reabilitação, bloqueios ou eletroacupuntura. A evolução é acompanhada junto com dor, movimento e função.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre termografia

Onde a termografia é feita?

Na própria clínica, como parte da avaliação da dor, com uma câmera infravermelha. A imagem é lida junto com a história e o exame físico.

Termografia dói ou tem radiação?

O exame é indolor. A câmera apenas capta o calor que a pele emite, sem emitir radiação. É feito sem contato, sem contraste e sem agulha.

Termografia substitui ressonância ou ultrassom?

A termografia mostra a temperatura da pele; ressonância e ultrassom mostram estrutura. Os exames se complementam, e cada um é pedido conforme o que o exame físico indica.

Um termograma alterado confirma o diagnóstico?

O diagnóstico vem do conjunto: história, exame físico e, quando indicados, outros exames. A assimetria de temperatura é um dos achados desse conjunto. Na síndrome dolorosa regional complexa, por exemplo, a diferença de temperatura entre os membros é um dos sinais dos critérios clínicos, e a termografia documenta esse sinal em imagem.

Se o termograma vier normal, a dor deixa de ser investigada?

A investigação continua pela história, pelo exame físico e pelos exames indicados para cada hipótese. Um mapa simétrico é uma informação a mais: mostra que a temperatura da pele estava parecida dos dois lados no momento do registro.

Serve para hérnia de disco ou dor ciática?

Na dor lombar que irradia para a perna, o exame neurológico e, quando indicada, a ressonância orientam a conduta, porque avaliam a raiz nervosa e o disco. A termografia entra como registro complementar, para comparar a temperatura da pele dos dois lados e acompanhar a mesma região ao longo do tratamento.

Tem contraindicação ou preparo?

A termografia é um registro passivo e não invasivo, sem contraindicação conhecida: a câmera não emite radiação, e não há contraste, agulha nem corrente elétrica. O preparo é pele limpa, sem cremes, e sem exercício intenso ou calor local antes do exame. Febre, feridas, curativos, queimadura de sol e procedimentos recentes na região alteram o mapa e podem levar a adiar o registro.

Referências selecionadas

Avaliação médica

Termografia feita na clínica, como parte da avaliação

A avaliação começa pela história e pelo exame físico. Quando o mapa de temperatura ajuda, o registro é feito na própria clínica e a imagem é lida junto com o exame físico.

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Aplicação clínica

Termografia na SDRC, na dor miofascial e na dor na coluna

Em cada quadro, o mapa de temperatura responde a uma pergunta prática: comparar os dois lados, delimitar a área alterada ou acompanhar a mesma região ao longo do tratamento.

Na síndrome dolorosa regional complexa, a assimetria de temperatura entre os membros faz parte dos sinais vasomotores usados nos critérios clínicos de diagnóstico. A termografia registra essa diferença em imagem e permite compará-la ao longo do tratamento. O diagnóstico é clínico e reúne dor desproporcional, alterações de sensibilidade, suor, inchaço e movimento, além da exclusão de outras causas. A diferença de temperatura varia de paciente para paciente e pode ser pequena no momento do registro, por isso a imagem é lida junto com os outros sinais.

Em dor neuropática e em dor miofascial, o mapa pode delimitar a área de pele com temperatura alterada e servir de registro inicial. Os pontos-gatilho são localizados pela palpação, e a termografia registra a região ao redor do músculo doloroso. A palpação, o exame neurológico e os exames de estrutura orientam o diagnóstico; o mapa documenta o achado.

Em dor na coluna, a termografia é usada principalmente para acompanhamento: o registro da mesma região é repetido, com o mesmo preparo e a mesma sala, para comparar antes e depois. Perda de força progressiva, alteração do controle da urina ou das fezes, febre, trauma recente ou história de câncer pedem avaliação médica rápida e exame de estrutura.

O que define um registro útil

  1. 01
    Pergunta clínica

    O exame é feito para comparar lados, delimitar uma área ou acompanhar uma região. A pergunta define o que registrar.

  2. 02
    Condições iguais

    Sala, tempo de adaptação, posição e distância se repetem a cada registro, para que a diferença observada seja a do paciente.

  3. 03
    Comparação lado a lado

    A leitura usa áreas correspondentes dos dois lados e o registro anterior da mesma região.

  4. 04
    Leitura com o exame físico

    A assimetria ganha significado quando coincide com a história, a palpação e os testes do exame. Quando aparece em outra região, fica registrada e é observada nos retornos.

SDRC

Assimetria vasomotora documentada

A diferença de temperatura entre os membros é registrada em imagem e comparada ao longo do tratamento, como um dos sinais considerados no diagnóstico clínico.

Bloqueio simpático

Aquecimento do membro depois do bloqueio

O membro costuma aquecer depois do bloqueio da cadeia simpática, o que sugere efeito do bloqueio. A leitura do resultado segue o raciocínio do bloqueio diagnóstico: aquecimento e alívio da dor são avaliados separadamente.

Miofascial

Registro da região do músculo doloroso

O mapa pode mostrar uma região de temperatura alterada ao redor de músculos dolorosos. O ponto-gatilho é localizado pela palpação, e a imagem ajuda a mostrar a região ao paciente.

Segurança

Contraindicações e o que altera o mapa

A termografia é um registro passivo e não invasivo, sem contraindicação conhecida: a câmera não emite radiação, e o exame não usa contraste ou agulha. Febre, queimadura de sol, feridas, curativos, cremes, exercício, bolsa térmica e procedimentos recentes na região mudam a temperatura da pele e podem levar a adiar o registro.

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