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Dor lombar ao levantar da cama: causas e tratamento

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Mãos do médico segurando um modelo anatômico da coluna vertebral ao lado de um abajur
Neste artigo
Dor lombar
O tempo de rigidez, a resposta aos primeiros movimentos e os sintomas associados separam rigidez mecânica, inflamação, fratura, dor vertebral e causas fora da coluna.

Padrão matinal

Dor lombar ao levantar da cama descreve um padrão de horário. A causa fica mais clara quando se mede quanto tempo a lombar permanece rígida, quais movimentos agravam ou aliviam, onde a dor se concentra e quais tarefas ficam limitadas. Uma transição dolorosa que melhora em poucos minutos tem interpretação diferente de uma rigidez que persiste ou volta depois de todo período de repouso.[1]

O horário matinal, sozinho, não define urgência. Ela depende dos sinais reunidos na seção Sinais de alerta, mais adiante.[15]

Na avaliação eu anoto quantos minutos a dor leva para diminuir e comparo cama, cadeira, carro e caminhada. Dor que começou antes dos 45 anos, dura mais de três meses, piora no repouso, acorda a pessoa na segunda metade da noite e vem com dor glútea levanta a hipótese de espondiloartrite axial, uma artrite inflamatória que atinge principalmente as articulações sacroilíacas e a coluna.[2]

Duração e próxima pergunta
Alguns minutosA dor diminui após virar, sentar e caminhar.Testar direção e carga da transição
Após todo repousoO padrão reaparece depois de cama, cadeira ou carro.Comparar coluna, quadril e sacroilíaca
Grande parte da manhãRigidez prolongada acompanha noite ou dor glútea.Investigar padrão inflamatório
Progressão em diasA dor fica focal, contínua ou funcionalmente incapacitante.Reavaliar causa estrutural ou sistêmica

Primeiros movimentos

Durante a noite, sem carga, o disco intervertebral recupera parte da água perdida ao longo do dia. A ressonância mostra essa variação diurna também em pessoas sem dor. Pela manhã, a primeira flexão e a primeira carga modificam a pressão dentro do disco. Esse mecanismo torna a dor matinal plausível, mas o horário, sozinho, não identifica um disco doloroso.[3]

As facetas, pequenas articulações localizadas atrás das vértebras, entram no raciocínio quando estender e girar o tronco reproduz uma dor posterior localizada. Palpação e movimento, isolados, não confirmam dor facetária. Em contextos selecionados, alguns bloqueios e testes de imagem funcional informam mais do que os sinais do exame.[4]

Quando a dor é breve e mecânica, peço à pessoa que role, sente e fique em pé na minha frente, e depois testo uma modificação desse movimento. A fisioterapia parte daí: escolhe a direção que reduz o sintoma, treina a transição e acrescenta força de tronco, quadril e pernas. O progresso é medido na tarefa real: levantar com menos dor, vestir-se e começar a caminhar com menor limitação.[5]

Fontes mecânicas

O disco ganha peso no raciocínio quando movimentos repetidos fazem a dor da perna recuar em direção à lombar, fenômeno chamado centralização. Fissura do anel, degeneração discal e zona de alta intensidade na ressonância também mudam a probabilidade, mas nenhum desses achados encerra o caso. Por isso cruzo o comportamento no exame com a imagem.[4]

Dor que percorre a perna, formigamento, reflexo reduzido ou fraqueza sugerem radiculopatia, isto é, irritação ou lesão de uma raiz nervosa na saída da coluna. O mapa do sintoma, a força e os reflexos precisam corresponder ao lado e ao nível da alteração vista na imagem. Estenose, o estreitamento do canal ou da saída do nervo, costuma se comportar de outro modo, especialmente com postura e caminhada.[6]

As placas terminais são as superfícies de osso entre cada corpo vertebral e o disco. Alterações nessa região podem sensibilizar o nervo basivertebral, que corre dentro da vértebra, e produzir dor axial profunda (concentrada na coluna, sem descer para a perna), geralmente central, que piora ao sentar, ao flexionar e ao passar de sentado para em pé. Esse padrão se chama dor vertebrogênica e é diferente da dor de raiz nervosa.[9]

As alterações Modic tipos 1 e 2 são mudanças do osso junto às placas terminais, vistas na ressonância. Quando o padrão clínico concorda, elas aumentam a probabilidade de uma origem discal ou vertebral. Como deixam de aparecer em parte dos casos em que essa origem existe, a ausência delas não exclui a causa. A ressonância também não decide sozinha qual estrutura deve receber um procedimento.[4]

Dr. Marcus Yu Bin Pai palpa a região da escápula de uma pessoa vista de costas, que leva a mão ao ombro oposto
Palpação da região da escápula.

A dor facetária continua provável quando estender, girar e ficar em pé reproduzem dor na parte de trás da lombar. Artrose facetária aparece na imagem também em pessoas sem esse padrão, e por isso o laudo sozinho não sustenta o diagnóstico.[4]

Artrose do quadril costuma acrescentar dor na virilha ou na parte anterior da coxa, dificuldade para calçar meia, entrar no carro e girar a perna. A história aumenta ou reduz a suspeita; no exame, confiro se a rotação limitada do quadril reproduz a dor habitual. Dor localizada apenas na lombar, com quadril livre, enfraquece essa hipótese.[7]

A articulação sacroilíaca fica abaixo da cintura, perto da covinha na parte de trás da pelve, e pode doer ao rolar na cama ou ao apoiar o peso em uma perna. Um conjunto positivo de testes provocativos ainda confirma poucos casos; um conjunto totalmente negativo é mais útil para afastar essa origem. Por isso interpreto os testes em conjunto, porque um teste isolado decide pouco.[8]

Pistas favoráveis e contrárias
DiscoFavorece: centralização e flexão provocadora.Contraria: dor sem relação com movimento
Placa terminalFavorece: dor axial profunda e Modic concordante.Contraria: trajeto neural dominante
FacetaFavorece: dor atrás ao estender e girar o tronco.Contraria: artrose apenas no laudo
QuadrilFavorece: virilha e rotação limitada.Contraria: quadril livre e indolor
SacroilíacaFavorece: dor baixa e testes agrupados.Contraria: conjunto provocativo negativo
InflamaçãoFavorece: noite, repouso e rigidez prolongada.Contraria: episódio breve só na transição

Padrão inflamatório

A dor inflamatória da coluna costuma começar antes dos 45 anos, evoluir por meses, piorar no repouso, acordar a pessoa na segunda metade da noite e melhorar com atividade. Dor que alterna entre as nádegas e entesite, inflamação no ponto em que tendão ou ligamento se prende ao osso, reforçam a hipótese. Esses achados indicam investigação, mas sozinhos não confirmam a doença.[10]

Proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação, exames de sangue que medem inflamação, podem estar normais. HLA-B27 é uma característica genética associada à doença e, isolado, não confirma o diagnóstico. Sacroiliíte é a inflamação das articulações entre o sacro e a pelve. A investigação combina história, exame, marcadores e imagem dedicada das sacroilíacas; uma ressonância lombar comum não substitui esse protocolo.[11]

Fratura e dor referida

Penso em fratura vertebral por fragilidade quando a dor começa de modo súbito e localizado em pessoa com osteoporose, fratura anterior, uso prolongado de corticoide ou trauma. Ela pode surgir depois de um esforço pequeno. Idade, trauma, corticoide e fragilidade óssea pesam mais em combinação do que cada sinal sozinho.[12]

Dor de origem renal, vascular, abdominal ou pélvica tende a ter relação menos consistente com flexão, extensão e rotação. Sintomas urinários, abdominais, digestivos ou gerais levam o exame para além da coluna, com história completa, exame neurológico e investigação dirigida ao sistema suspeito.[25]

Sinais de alerta

Emergência agora: dor lombar com nova dificuldade para urinar, perda de urina ou fezes, dormência na região genital ou fraqueza progressiva nas duas pernas exige pronto-socorro imediato por suspeita de síndrome da cauda equina, compressão grave dos nervos na parte inferior do canal vertebral.[6]

Emergência agora: dor abdominal ou lombar nova acompanhada de desmaio, colapso circulatório ou perda de consciência exige atendimento de emergência e avaliação imediata da aorta. Quem não consegue chegar com segurança a um pronto-socorro pode acionar o SAMU (192).[14]

Avaliação prioritária: febre com imunossupressão, dor localizada após trauma ou em osso frágil, histórico de câncer com dor progressiva, ou perda de peso sem explicação justificam avaliação médica breve e imagem dirigida conforme a hipótese.[15]

Exame físico

No exame, reproduzo a queixa: rolar, sentar, levantar, inclinar, estender e caminhar. Depois comparo mobilidade da lombar e do quadril, força, sensibilidade, reflexos e tensão dos nervos. Movimentos repetidos ajudam quando mostram centralização, e os testes sacroilíacos valem como conjunto. Cada achado aumenta ou reduz a probabilidade de uma das origens possíveis.[4]

Quando suspeito de inflamação, examino a mobilidade da coluna, a expansão do tórax, as articulações periféricas, a pele, as unhas e os pontos de entesite. Pergunto por uveíte, uma inflamação da parte anterior do olho com dor e vermelhidão, por psoríase, doença inflamatória intestinal, familiares afetados e resposta anterior a anti-inflamatórios.[2]

Na suspeita de fratura, procuro dor localizada sobre a vértebra, deformidade nova, perda de altura e fatores de fragilidade. Dor à percussão apoia a hipótese, mas não serve como prova isolada. O exame neurológico verifica se a fratura ou outra lesão comprometeu raiz, canal ou medula.[13]

Sintomas urinários, abdominais, febre ou mal-estar pedem sinais vitais e exame do sistema suspeito. Sigo investigando coluna, quadril ou pelve enquanto movimento, carga e exame continuam coerentes com essas estruturas; achados sistêmicos passam a ter prioridade.[25]

Imagem e exames

Lombalgia aguda sem déficit neurológico progressivo nem suspeita de doença específica não exige imagem de rotina. A ressonância ganha valor quando o resultado pode mudar o tratamento: déficit neurológico, suspeita de infecção ou câncer, persistência após cuidado adequado ou planejamento de um procedimento. A radiografia responde melhor a perguntas sobre fratura, alinhamento e deformidade.[15]

Quando a radiografia mostra uma fratura vertebral, a ressonância sem contraste costuma ser o próximo exame, para definir atividade, edema, extensão e possível causa. A tomografia detalha a arquitetura do osso. Contraste, exames de medicina nuclear, como a tomografia por emissão de pósitrons (PET), ou outros testes entram quando existe suspeita de tumor, infecção ou outra condição definida.[24]

Na possível espondiloartrite axial, a imagem começa pelas articulações sacroilíacas. A radiografia pode mostrar doença estrutural mais avançada. A ressonância dedicada detecta inflamação ativa antes dessas alterações em parte dos pacientes. Leio o exame junto com idade de início, comportamento da dor, manifestações associadas e marcadores.[11]

Escada do átrio da clínica junto à parede de tijolos vazados, sob a claraboia
Escada e tijolos vazados do átrio da clínica.

Proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação ajudam a medir inflamação, porém resultados normais não afastam espondiloartrite. HLA-B27 altera a probabilidade quando o quadro clínico é compatível. O resultado orienta encaminhamento e leitura da imagem, e não serve para rastrear toda dor matinal.[2]

Hemograma, marcadores inflamatórios, função renal, cálcio e outros testes entram conforme a suspeita: infecção ou câncer pedem um conjunto, fragilidade óssea e causa secundária de osteoporose pedem outro. Peço um exame de sangue quando o resultado pode mudar a imagem, o encaminhamento, a segurança de um medicamento ou o tratamento da doença de base.[16]

Exame indicado para cada suspeita
Sem sinal específicoDor aguda, exame neurológico estável.Sem imagem inicial
Raiz nervosaDéficit ou dor persistente com decisão invasiva.Ressonância lombar
FraturaDor focal e fragilidade óssea.Radiografia; ressonância define atividade
InflamaçãoInício jovem, noite, rigidez e manifestações.Sacroilíacas, marcadores inflamatórios, HLA-B27
Placa terminalDor axial crônica e padrão concordante.Ressonância avalia Modic, sem decidir sozinha
Causa sistêmicaFebre, câncer, sintomas urinários ou abdominais.Teste dirigido ao sistema suspeito

Reabilitação

Dor mecânica e transição

Na dor mecânica, a fisioterapia usa o comportamento observado no exame. Uma direção de movimento que reduz a dor é repetida em dose curta; rigidez do quadril ou da coluna torácica recebe mobilidade dirigida; dificuldade para rolar e levantar recebe treino da própria transição. Resistência de tronco, glúteos e pernas entra conforme a tolerância. A terapia manual pode dar alívio curto e ajudar na volta ao movimento ativo.[5]

Dor que desce para a perna

Centralizar significa a dor sair da perna e se aproximar da lombar durante movimentos repetidos. Essa resposta sustenta continuar na direção testada. Dor que avança para o pé, fraqueza nova ou perda de função indicam interromper a progressão e revisar a raiz nervosa.[5]

Exercício por diagnóstico
MecânicaServe: direção e transição testadas.Reavaliar: piora mantida no dia seguinte
RadiculopatiaServe: dor recua e força permanece estável.Reavaliar: dor avança ou surge fraqueza
InflamatóriaServe: mobilidade axial e condicionamento.Reavaliar: atividade persiste apesar do plano
FraturaServe: extensão tolerada, pernas e equilíbrio.Reavaliar: dor focal aumenta com carga

Medicamentos

Anti-inflamatórios

Anti-inflamatórios não esteroides podem ser usados por período definido na lombalgia aguda ou crônica quando o benefício provável supera os riscos. Na dor mecânica, o objetivo é reduzir a dor o suficiente para recuperar movimento e função. Pressão arterial, função renal, risco para o estômago e o intestino, doença cardiovascular, uso de anticoagulantes e gestação modificam a escolha.[1]

Adultos mais velhos

Em adultos mais velhos, anti-inflamatórios aumentam o risco de sangramento digestivo, lesão renal e elevação da pressão. Relaxantes musculares aumentam sedação, confusão e quedas. Antes de repetir uma receita antiga, reviso a lista completa de medicamentos e doenças: a mesma receita pode ter hoje um risco bem diferente.[19]

Duloxetina

A duloxetina é uma opção em parte dos casos de lombalgia crônica. Ela não traz alívio imediato na primeira manhã. Náusea, pressão arterial, função do fígado, outros remédios que agem na serotonina, como alguns antidepressivos, e retirada gradual entram no plano.[1]

Paracetamol, corticoide e opioides

Paracetamol isolado tem benefício limitado na lombalgia inespecífica e exige atenção à dose total e à doença do fígado. Corticoide sistêmico não é indicado para a dor axial mecânica habitual. Opioides ficam fora do tratamento de rotina; uso excepcional exige objetivo funcional, prazo e monitoramento documentados. Se a dor persiste apesar dessas escolhas, reviso o diagnóstico, a função e o tratamento ativo antes de acrescentar outra classe.[1]

Procedimentos

A injeção epidural é considerada na dor de raiz nervosa e em alguns casos de estenose concordante; o bloqueio facetário, na dor facetária provável depois de tratamento bem conduzido; a ablação do nervo basivertebral, na dor axial crônica selecionada com alterações Modic concordantes.

Acupuntura médica

A acupuntura médica pode integrar o cuidado de adultos com lombalgia crônica primária, nome dado à dor crônica sem uma causa estrutural ou sistêmica específica que a explique. Ela entra como complemento de um plano ativo, e na reavaliação confiro o ganho em dor ou em função. Dor de raiz nervosa, fratura e doença inflamatória não entram automaticamente nessa indicação.[17]

Bloqueio de ramo medial e radiofrequência

Quando a dor facetária continua provável e um tratamento bem conduzido falhou, alguns serviços usam um bloqueio dos ramos mediais, pequenos nervos que conduzem a dor da faceta, antes de considerar radiofrequência. Um bloqueio sem resposta coerente com a hipótese leva a reavaliar o diagnóstico.[4] Na dor crônica axial ou radicular, fora de dor aguda, câncer e doença inflamatória, várias injeções e a radiofrequência usadas de rotina têm benefício pequeno ou incerto, e por isso a indicação depende de uma hipótese específica e bem sustentada.[21]

Ablação do nervo basivertebral

Diretrizes de sociedades de dor incluem a ablação do nervo basivertebral para lombalgia axial crônica selecionada, com padrão clínico de dor vertebrogênica e alterações Modic tipos 1 ou 2. Antes, excluo dor de raiz dominante, estenose com sintomas, fratura, tumor, infecção e outra origem mais provável. Uma ressonância com Modic, sem o padrão clínico, não seleciona o procedimento.[9]

Injeção epidural

A injeção epidural é considerada para dor radicular, que segue o trajeto de uma raiz nervosa, e para alguns casos de estenose com correlação entre exame e imagem. O benefício é limitado e principalmente de curto prazo. Rigidez lombar isolada ao levantar da cama fica fora dessa indicação.[20]

Cirurgia

A descompressão cirúrgica entra no tratamento da ciática quando o cuidado não cirúrgico não melhora dor ou função e a imagem corresponde aos sintomas. A fusão da coluna não é indicada de rotina para lombalgia inespecífica. Instabilidade, deformidade, tumor, infecção e fratura seguem caminhos próprios, com cirurgia ou encaminhamento especializado.[22]

Procedimentos: indicação e limite
EpiduralEncaixa: raiz ou estenose concordante.Não encaixa: rigidez axial breve
FacetaEncaixa: dor facetária provável após tratamento bem conduzido.Reavaliar: bloqueio sem resposta coerente
Placa terminalEncaixa: dor axial crônica e Modic concordante.Não encaixa: ressonância isolada ou ciática dominante
CirurgiaEncaixa: compressão ou lesão estrutural tratável.Reavaliar: imagem sem correspondência clínica

Tratamento da espondiloartrite

Na espondiloartrite axial confirmada, exercício e fisioterapia ativa formam a base do tratamento. O programa enfatiza mobilidade da coluna, extensão torácica, postura, expansão do tórax, força e condicionamento aeróbico, com dose ajustada à atividade inflamatória, à rigidez e à função. Fisioterapia passiva isolada não controla a doença, e o exercício continua mesmo quando os medicamentos reduzem a inflamação.[11]

Anti-inflamatórios também integram o controle inicial da doença, depois da análise do risco digestivo, renal e cardiovascular. Se a atividade persiste, a reumatologia escolhe entre medicamentos biológicos e inibidores de Janus quinase (JAK), comprimidos que bloqueiam vias da inflamação dentro das células e exigem rastreamento de infecção e monitoramento específico.

A escolha leva em conta manifestações, outras doenças, risco de infecção e resposta anterior. Rigidez matinal isolada não indica biológico nem inibidor de JAK, e corticoide sistêmico de uso crônico não é tratamento de rotina da doença axial. A resposta é medida por dor, rigidez, função, manifestações fora da coluna, marcadores quando alterados e segurança do medicamento.[11]

Fratura vertebral

Tratamento inicial

Fratura por compressão sem déficit neurológico costuma começar com analgesia cautelosa, mobilização protegida e reabilitação progressiva. A analgesia serve para permitir respirar, fazer transferências e se mobilizar com proteção, e a escolha considera idade, rins, quedas, constipação e interações entre medicamentos.

Calcitonina pode ser considerada por curto período em dor aguda selecionada. O colete é decidido caso a caso, porque o uso prolongado pode reduzir força e mobilidade. Avaliação e tratamento da osteoporose começam em paralelo, porque uma fratura recente aumenta o risco de outra em curto prazo.[18]

Reabilitação após a fratura

A reabilitação começa em posições toleradas e progride para os extensores da coluna, força das pernas, equilíbrio e prevenção de quedas. Flexão com carga e manipulação ficam fora da fase inicial até a integridade da vértebra estar definida. O objetivo inclui mobilidade segura e menor risco de uma nova fratura.[18]

Aumento vertebral com cimento

A vertebroplastia injeta cimento na vértebra; a cifoplastia cria uma cavidade antes da injeção. Nenhuma das duas trata a fragilidade óssea que produziu a fratura, e o benefício consistente sobre o tratamento conservador não está estabelecido, por isso não são tratamento de rotina.[18] O procedimento pode ser discutido em pacientes selecionados, com fratura aguda confirmada e dor incapacitante que persiste. Pesam o tempo desde a fratura, o edema na ressonância, a localização da dor e a falha do tratamento conservador.[23]

Os riscos incluem vazamento de cimento, sangramento, infecção, reação à anestesia e nova fratura; déficit neurológico, deformidade ou instabilidade levam à discussão de cirurgia. Comparo benefício e risco com a evolução esperada da fratura e com a capacidade funcional da pessoa, sem um prazo fixo que substitua essa análise.[24]

Reavaliação

Acompanho a resposta pelos minutos até a lombar soltar, pela dor na primeira transição, pela capacidade de vestir-se, caminhar e trabalhar, pela extensão do sintoma para a perna e pela necessidade de analgésico. Melhora parcial mostra resposta ao plano, mas não confirma sozinha a origem da dor. Falha depois de dose e adesão adequadas reabre o diagnóstico, a técnica e as hipóteses concorrentes.[1]

Na rigidez mecânica, acompanho transição, carga e função. Na radiculopatia, força, reflexos e extensão da dor orientam a continuidade. Na doença inflamatória, atividade e manifestações associadas guiam a reumatologia. Na fratura, dor localizada, mobilidade e proteção óssea definem o progresso. Uma evolução diferente da prevista pede nova avaliação da causa.[5]

Referências

  1. VA/DoD. Clinical Practice Guideline for Low Back Pain. 2022. (abre em nova aba)
  2. NICE NG65. Spondyloarthritis in over 16s. (abre em nova aba)
  3. Ludescher et al. Diurnal variation of lumbar disc water content. 2015. (abre em nova aba)
  4. Han et al. Diagnostic accuracy for disc, SI joint and facet sources. 2023. (abre em nova aba)
  5. George et al. JOSPT low back pain interventions guideline. 2021. (abre em nova aba)
Ver todas as 25 referências
  1. NICE NG127. Suspected neurological conditions. Updated 2023. (abre em nova aba)
  2. Metcalfe et al. History items associated with hip osteoarthritis. 2021. (abre em nova aba)
  3. Saueressig et al. Sacroiliac provocation test clusters. 2021. (abre em nova aba)
  4. Sayed et al. ASPN guideline for vertebrogenic pain. 2022. (abre em nova aba)
  5. Poddubnyy et al. Diagnostic accuracy of inflammatory back pain. 2018. (abre em nova aba)
  6. ACR. Guideline for axial spondyloarthritis. 2026. (abre em nova aba)
  7. Williams et al. Red flags for vertebral fracture. Cochrane, 2023. (abre em nova aba)
  8. Creech-Organ and Organ. Vertebral Compression Fractures. 2026. (abre em nova aba)
  9. NICE NG156. Abdominal aortic aneurysm. 2020. (abre em nova aba)
  10. ACR Appropriateness Criteria: Low Back Pain. 2021. (abre em nova aba)
  11. AAFP. Chronic Low Back Pain in Adults. 2024. (abre em nova aba)
  12. WHO. Guideline for chronic primary low back pain. 2023. (abre em nova aba)
  13. NOGG. Symptomatic osteoporotic vertebral fractures. 2024. (abre em nova aba)
  14. American Geriatrics Society. Beers Criteria. 2023. (abre em nova aba)
  15. AAN. Epidural steroids for radicular pain and stenosis. 2025. (abre em nova aba)
  16. Busse et al. Interventional procedures for chronic spine pain. BMJ, 2025. (abre em nova aba)
  17. NICE NG59. Low back pain and sciatica. Updated 2020. (abre em nova aba)
  18. NASS. Osteoporotic vertebral compression fractures guideline. 2025. (abre em nova aba)
  19. ACR. Management of Vertebral Compression Fractures. 2022. (abre em nova aba)
  20. WFNS Spine Committee. Acute back pain diagnosis recommendations. 2024. (abre em nova aba)

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