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Dor cervical irradiando para o braço: radiculopatia cervical, exames e tratamento

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Mãos do médico manipulando um modelo anatômico de vértebras lombares sobre a mesa do consultório
Neste artigo

Radiculopatia cervical

Dor que sai do pescoço e percorre um braço, principalmente com formigamento, dormência, perda de força ou mudança de reflexo, pode representar radiculopatia cervical: uma raiz nervosa irritada ou comprimida no ponto em que sai da coluna.[3] Hérnia de disco e estreitamento do forame, a abertura lateral por onde a raiz passa, estão entre as causas frequentes. Um osteófito, saliência óssea produzida pelo desgaste, também pode reduzir esse espaço.[2]

Em um quadro focal e neurologicamente estável, muitos casos melhoram sem cirurgia, e o tratamento costuma começar de forma conservadora, com acompanhamento. Perda motora em progressão ou sinais de comprometimento da medula mudam a prioridade. Fora dessas situações, o exame define se a localização clínica basta ou se um teste complementar vai responder uma dúvida capaz de mudar o plano.[3]

Pressão mecânica e inflamação podem ocorrer juntas. A raiz afetada deixa de conduzir normalmente parte da sensibilidade e do comando motor destinados ao membro superior, e por isso dor, formigamento e fraqueza podem aparecer combinados.[3]

Uma alteração vista na ressonância só explica o quadro de forma convincente quando lado, nível, trajeto sensitivo, movimento fraco e reflexo concordam. Uma protrusão no laudo pode não causar sintoma, enquanto uma alteração descrita como discreta pode coincidir com um déficit relevante (perda de força, sensibilidade ou reflexo). Na consulta, é esse cruzamento entre imagem e exame físico que decide quando uma hérnia vista na ressonância muda a conduta.[2]

Padrão dos sintomas

A dor costuma ser de um lado só e pode atravessar ombro, braço, antebraço e mão como queimação, choque ou pontada. Formigamento e dormência ocupam parte desse percurso, mas nem sempre chegam aos dedos.[3] A dor no braço pode dominar o quadro mesmo quando o pescoço dói pouco.[2]

Distribuição sensitiva

Dermátomo é a área da pele ligada principalmente a uma raiz. Esses territórios se sobrepõem, variam entre pessoas e raramente formam limites perfeitos na mão. Por isso, no exame, uso o mapa sensitivo para levantar a hipótese e a força e os reflexos para testá-la.[3] As raízes do pescoço são chamadas de cervicais e numeradas de cima para baixo; o quadro abaixo mostra as raízes C5 a C8.

Raízes C5 a C8

C5

Sensibilidade Lado de fora do braço

Força Elevação do braço pelo ombro

Reflexo Bíceps

C6

Sensibilidade Lado do antebraço que fica junto ao polegar, e o polegar

Força Flexão do cotovelo e extensão do punho

Reflexo Bíceps e reflexo do antebraço

C7

Sensibilidade Parte de trás do braço e dedo médio

Força Extensão do cotovelo

Reflexo Tríceps

C8

Sensibilidade Lado do antebraço junto ao dedo mínimo, o dedo mínimo e a metade vizinha do anelar

Força Flexão dos dedos e preensão

Reflexo Sem reflexo isolado confiável

A distribuição é aproximada e precisa concordar com o exame de força e reflexos.[3]

Certos movimentos do pescoço reproduzem a irradiação porque reduzem o espaço de saída da raiz no lado sintomático, e algumas pessoas sentem alívio ao apoiar a mão sobre a cabeça. As duas respostas variam de pessoa para pessoa. Uma mudança consistente no braço tem mais valor para o diagnóstico do que a rigidez isolada na nuca.[3]

Força e função

Peço que a fraqueza seja descrita por movimento: levantar uma panela, estender o punho, empurrar uma porta ou manter um objeto preso na mão revelam perdas diferentes. Como a dor também inibe o esforço, comparo os lados, repito a tarefa e procuro um déficit que permaneça coerente com a raiz suspeita.[3]

Sono, tempo ao computador, direção, vestir-se e trabalho com o braço acima da cabeça mostram o impacto real. Esses marcadores também separam alívio da dor de recuperação neurológica: menos dor com força ainda em queda pede uma decisão diferente de menos dor com função crescente.[3][2]

Sinais de alerta

A intensidade da dor, sozinha, não define a urgência. Para conduzir o quadro como radiculopatia isolada, sintomas, exame e contexto precisam formar um padrão focal e neurologicamente estável.[3][12]

Quando procurar atendimento

Acione o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro agora

  • Dificuldade nova ou rápida para andar, manter equilíbrio ou coordenar as mãos, principalmente com sintomas em vários membros ou alteração urinária ou intestinal.[12]
  • Pressão ou desconforto súbito no peito irradiado para braço ou pescoço, com falta de ar, suor, náusea ou desmaio.[14]
  • Trauma cervical importante seguido por dormência, fraqueza ou outra alteração neurológica nova: acione o SAMU 192 ou vá a um pronto-socorro de referência em trauma.[13]
  • Febre com déficit neurológico ou imunossupressão: vá ao pronto-socorro para investigação imediata de infecção.[2]

Obtenha avaliação médica imediata

  • Histórico de câncer com dor nova, noturna ou progressiva e perda de peso: se não houver acesso médico imediato, vá ao pronto-socorro.[2]

Antecipe o retorno com o médico responsável

Força ou função piorando, área de dormência crescendo, dor avançando no braço de forma sustentada ou ausência de recuperação funcional no acompanhamento.[2][3]

Cada item descreve uma combinação de achados, e é a combinação que define o nível de urgência.

Quando esse padrão focal permanece estável e a história não aponta outra causa urgente, o caminho é avaliação programada, tratamento e reexame com data marcada.[2][13]

Diagnóstico clínico

Sem sinais que exijam investigação urgente, o diagnóstico inicial é clínico. Na história, registro início, lado, percurso da dor, dormência, tarefas perdidas e posições que provocam o sintoma. No exame, comparo sensibilidade, força e reflexos entre os lados e relaciono cada achado a uma raiz provável.[2]

Graduo a força em movimentos que dependem de raízes diferentes e ligo o resultado a tarefas reais. Um reflexo reduzido reforça a localização quando acompanha o padrão motor; reflexos muito vivos ou alterações mais amplas me fazem procurar outra hipótese. Esses dados formam a linha de base para a consulta seguinte.[3]

No teste de Spurling, a extensão e a inclinação do pescoço estreitam o forame do lado examinado. Se a manobra reproduz a dor habitual no braço, a probabilidade de radiculopatia aumenta; se provoca apenas dor local na nuca, ajuda pouco. Um resultado negativo, isoladamente, também não encerra a investigação.[2]

O teste de tensão neural muda a posição do braço, do punho e do pescoço para avaliar como as estruturas nervosas respondem. O que pesa é a diferença entre os lados e a reprodução reconhecível do sintoma distal, sentido longe do pescoço, no antebraço ou na mão. Alcançar uma amplitude predeterminada importa menos.[2]

Nenhuma manobra confirma o quadro sozinha. A hipótese fica sólida quando trajeto compatível, déficit motor repetível, reflexo diferente e teste provocativo coerente aparecem juntos.[2] O registro seriado mostra se a função está voltando ou se surgiu progressão objetiva.[3]

Diagnósticos parecidos

Lesões do ombro podem irradiar pelo braço, sobretudo ao elevar ou girar o membro. Nesse caso, os testes do próprio ombro reproduzem a queixa, e o conjunto de sensibilidade, força e reflexos não aponta para uma raiz única. Quando o movimento do ombro provoca a dor sem mudança cervical coerente no braço, examino os dois locais, porque tendinopatia (lesão do tendão do ombro) e radiculopatia também podem coexistir.[3]

No túnel do carpo, o formigamento costuma favorecer polegar, indicador e dedo médio, frequentemente à noite e com provocação no punho. A neuropatia ulnar, compressão ou lesão do nervo ulnar, favorece o dedo mínimo e parte do anelar e pode piorar com o cotovelo dobrado. Um território restrito a um nervo periférico, sem padrão cervical coerente, desloca a investigação para o punho ou o cotovelo.[3]

A dor cervical sem padrão radicular pode alcançar a escápula ou a parte alta do braço. A dor miofascial, originada nos músculos e nos tecidos que os envolvem, não costuma explicar perda objetiva de reflexo nem fraqueza organizada por raiz. Quando esses déficits existem, tratar somente os músculos deixa a alteração neurológica sem acompanhamento.[3]

Dr. Marcus Yu Bin Pai, de jaleco, explica a coluna com um modelo de vértebras sobre a mesa para uma pessoa sentada à sua frente, vista de costas
Explicação com um modelo de vértebras na consulta.

Lesão do plexo braquial (a rede nervosa entre pescoço e braço), polineuropatia (alteração simultânea de vários nervos) e lesões de nervos específicos podem produzir uma distribuição que não cabe em uma raiz. O modo de início, os grupos musculares afetados e a eletroneuromiografia, exame da função de músculos e nervos, refinam a localização. Diabetes, cirurgia prévia ou uma lesão antiga do membro aumentam a possibilidade de mais de um mecanismo ao mesmo tempo.[3]

A mielopatia cervical compromete a medula, enquanto a radiculopatia isolada compromete uma raiz. O padrão medular alcança funções e regiões que uma raiz do membro superior não explica e recebe outra prioridade de investigação.[3]

Exames complementares

Peço um exame complementar quando o resultado pode mudar observação, reabilitação, encaminhamento ou procedimento. Sintomas recentes e estáveis podem começar com diagnóstico clínico; a imagem precoce não é obrigatória em todos os casos.[1]

Escolha do exame

Exame clínico seriado

Pergunta Há uma raiz provável e o déficit está mudando?

Decisão Manter, progredir ou antecipar a investigação.

Ressonância

Pergunta Existe compressão no lado e no nível coerentes?

Decisão Definir a anatomia antes de encaminhamento ou intervenção.

Radiografia ou tomografia

Pergunta Osso, alinhamento ou detalhe do forame são a dúvida principal?

Decisão Investigar trauma, estrutura óssea ou alternativa à ressonância.

Eletroneuromiografia

Pergunta A lesão está na raiz, no plexo ou em um nervo periférico?

Decisão Localizar quando clínica e imagem divergem.

Cada exame responde a uma pergunta diferente.[1],[2]

Imagem da coluna

A ressonância sem contraste mostra discos, forames, canal, raízes e medula. Ela ganha prioridade quando os sintomas persistem ou progridem, ou quando a anatomia vai orientar uma intervenção. Achados sem relação com os sintomas são comuns: antes de usar uma alteração como alvo, confiro lado, nível e localização com o trajeto sensitivo, o déficit motor e o reflexo.[1]

A radiografia avalia alinhamento e alterações ósseas, mas não mostra bem a raiz. A tomografia oferece mais detalhe do osso e do forame e pode ser considerada quando a ressonância não pode ser feita ou quando a dúvida é sobretudo óssea. Contraste e combinações de exames ficam reservados a perguntas específicas.[1]

Eletroneuromiografia

A eletroneuromiografia não costuma ser necessária quando história, exame e imagem já apontam para a mesma raiz. Ela ajuda diante de dormência sem localização clara, suspeita de túnel do carpo ou de neuropatia ulnar, fraqueza em vários territórios ou discordância entre sintomas e ressonância. Quando peço o exame, informo a raiz suspeita e a hipótese periférica a comparar, porque o estudo escolhe músculos e nervos de acordo com essa dúvida.[2]

A desnervação, sinal de perda do comando nervoso no músculo, pode não aparecer logo no início. A condução sensitiva também pode continuar normal quando a lesão está antes do gânglio da raiz, um pequeno agrupamento de células sensitivas junto à coluna. Assim, um resultado normal não exclui todo quadro recente ou predominantemente sensitivo.[2]

Se a dúvida é uma compressão estrutural antes de um procedimento, a ressonância costuma trazer a informação central;[1] se a dúvida é raiz ou nervo periférico, a eletroneuromiografia acrescenta a localização funcional.[2] Peço os dois quando as duas dúvidas estão presentes.[1]

Tratamento inicial

Sem déficit progressivo nem comprometimento da medula, a maioria dos casos começa com cuidado conservador. O objetivo inicial é preservar a atividade tolerável enquanto a irritação da raiz diminui.[2] Repouso prolongado e imobilização de rotina não formam a base do tratamento: a carga é ajustada por um período e retomada conforme a resposta.[4]

O ponto de partida depende de quanto os movimentos do pescoço provocam o sintoma no braço. Se estender e girar o pescoço para o lado doloroso leva o sintoma até a mão, reduzo a exposição prolongada a essa combinação e mantenho os movimentos que não levam o sintoma mais longe no braço. Isso não exige travar o pescoço nem manter uma postura rígida o dia inteiro.

No computador, a adaptação pode encurtar o tempo contínuo na posição que provoca o braço e alternar tarefas antes que a irradiação avance. Ao dirigir, apoio para o braço e pausas são testados pelo mesmo critério. O trabalho acima da cabeça volta primeiro com menor alcance e menos carga, desde que sensibilidade e força permaneçam estáveis.[4]

Combinamos uma meta observável: dormir sem acordar pela dor no braço, sustentar uma tarefa manual, dirigir um percurso habitual ou recuperar tempo útil ao computador. A resposta é favorável quando a dor recua da mão para o antebraço ou o braço, a área de dormência diminui e as tarefas ficam mais fáceis, com o exame motor estável. Irradiação que avança de modo sustentado, perda funcional nova ou força menor no reexame pedem ajuste da carga e nova avaliação antes de repetir o mesmo estímulo.[2]

Fisioterapia e exercício

A fisioterapia parte do déficit medido e da tarefa perdida. A cada reexame, os componentes do programa são revistos e a pergunta é se a função melhora sem piora neurológica. A supervisão corrige a execução, e o trabalho em casa mantém a continuidade.[2]

Em sintomas com menos de um mês, um regime já testado é um programa de 12 sessões de fisioterapia, duas por semana, com exercícios em casa durante seis semanas.[11] A dose de cada pessoa segue a resposta do braço, pelos critérios do quadro abaixo.

Exercícios e resposta dos sintomas

Movimento cervical

Séries curtas em amplitude confortável; manter somente se a dor recuar no braço sem perda de força.

Deslizamento neural

Movimento suave, sem tensão sustentada; reduzir se o formigamento permanecer depois da prática.

Resistência e tarefa

Carga baixa no movimento fraco; avançar se função e força permanecerem estáveis no dia seguinte.

Avançar Menor irradiação, função melhor e força estável. Reduzir Sintoma mais distante no braço ou novo déficit.

Os componentes são ajustados pelo exame e pela resposta.[2],[3]

Exercícios conforme força e movimento

A mobilidade da coluna torácica entra quando uma limitação ali restringe o movimento; o controle da escápula e a resistência do pescoço são escolhidos quando ajudam a tarefa afetada. O movimento objetivamente fraco recebe treino específico, com carga baixa no início e progressão conforme a resposta.[2]

Tração cervical

A tração mecânica intermitente, feita com um aparelho que puxa o pescoço suavemente em ciclos, pode ser testada dentro de um cuidado que combina exercício e outras intervenções, na dor irradiada persistente e em pacientes selecionados.[4] Somar a tração ao exercício pode trazer um ganho de função que aparece mais tarde no seguimento.[5] Na prática, a tração entra como teste terapêutico e é mantida quando há resposta funcional durante o teste.

Retorno ao trabalho

Tempo tolerado ao computador, alcance acima da cabeça, carga transportada e precisão da mão são registrados como alvos e comparados a cada reexame.[2] A volta começa com tarefas próximas ao corpo, antebraços apoiados e alternância de posições, reduzindo o tempo sustentado na posição que reproduz a irradiação. Depois, o treino recupera alcance, resistência e as exigências específicas do trabalho.

Quem já sente menos dor pode ainda não ter resistência suficiente para carregar peso ou trabalhar acima da cabeça. Comparo então essas tarefas com a força e a sensibilidade nos mesmos territórios examinados na primeira consulta, e a progressão segue o déficit encontrado.[3]

Acupuntura médica

A acupuntura médica pode entrar como complemento na radiculopatia cervical estável, quando a dor atrapalha o sono ou a participação nos exercícios. As agulhas procuram reduzir a dor. Proponho uma tentativa acompanhada, sem previsão fixa de quanto a dor no braço vai melhorar.[6]

Na reavaliação, comparo dor irradiada, sono, uso do braço e capacidade de cumprir o programa de reabilitação, e repito o exame neurológico. Se o pescoço alivia e a limitação do braço continua, a resposta pode ter sido apenas do componente muscular. Dor no local da agulha, pequeno sangramento e hematoma são possíveis; técnica adequada e agulhas estéreis são requisitos de segurança.

Componente muscular

Os músculos do pescoço e da região da escápula podem ficar dolorosos junto com a irritação da raiz. No exame, separo essa sensibilidade muscular da fraqueza causada por comprometimento neurológico. Para o componente muscular, a fisioterapia combina movimento confortável e resistência gradual, com uma tarefa concreta como meta: sustentar a cabeça durante o trabalho ou usar o braço sem contrair demais o ombro.

Infiltração de ponto-gatilho

Quando uma faixa muscular tensa reproduz claramente a dor e continua limitando depois do tratamento menos invasivo, a infiltração de ponto-gatilho pode ser considerada. Ela mira a dor miofascial associada e não age sobre a compressão da raiz. Nenhum medicamento injetado se mostrou superior.

No pescoço e perto do tórax há relatos raros de lesão de nervo ou da medula e de pneumotórax, entrada de ar ao redor do pulmão por perfuração; por isso a escolha do ponto, da profundidade e da técnica leva esses riscos em conta. Na reavaliação, olho a tarefa que a dor muscular limitava e confirmo que o exame neurológico segue estável.

Medicamentos

Uso medicamento como apoio de curto prazo quando a dor impede o sono, o movimento ou a participação na reabilitação. Antes de prescrever, definimos a função que deve melhorar, porque é por ela que o efeito será medido, junto com a tolerância e a necessidade de continuar.[3]

Analgésicos e anti-inflamatórios

Analgésicos e anti-inflamatórios são prescritos nas fases mais dolorosas. Os estudos em radiculopatia cervical não definem um remédio de escolha. A decisão sobre produto e duração passa por contraindicações, interações e doenças associadas, como problemas de rim, estômago, pressão, glicemia e uso de anticoagulante. O objetivo é recuperar uma capacidade concreta sem mascarar piora motora.[2]

Corticoide oral

Em um estudo pequeno com pacientes sem complicações, o corticoide oral melhorou dor e incapacidade no curto prazo. Duração ideal, benefício prolongado e segurança em perfis diferentes continuam sem resposta. A indicação passa por uma avaliação individual de risco e não se estende a quem tem perda de força em progressão.[7]

Revisão do esquema

Antes de manter ou trocar o esquema, reviso sono, tarefa-alvo, efeitos adversos e capacidade de cumprir o programa ativo.[3]

Se a mão perde destreza ou o movimento testado fica mais fraco, reviso o exame neurológico e a necessidade de imagem ou encaminhamento. Quando a função melhora, o plano já prevê o momento de reavaliar a redução ou a suspensão do remédio.

Injeção e cirurgia

Etapas do tratamento

  1. Déficit estávelPrograma ativo e meta funcional.
  2. Resposta insuficienteNovo exame; imagem somente se mudar a decisão.
  3. Dor incapacitanteInjeção epidural de corticoide em casos selecionados, com objetivo e riscos definidos.
  4. Fraqueza progressivaAvaliação cirúrgica antecipada.

A piora neurológica antecipa a investigação.[2],[3]

Injeção epidural de corticoide

A injeção epidural deposita corticoide no espaço ao redor das raízes cervicais para tentar reduzir a inflamação associada à dor radicular, com a agulha guiada por fluoroscopia, uma radiografia em tempo real.[3] Ela pode ser discutida quando os sintomas persistem apesar do tratamento conservador e a ressonância mostra uma alteração compatível com o alvo do procedimento.[2] Os achados de imagem definem a via de acesso e o nível; antes e depois, registro uma tarefa limitada pelo braço, para medir a resposta pela função além da nota de dor.[3]

Fachada e entrada da clínica na Alameda Jaú, 687, vistas da calçada
Fachada da clínica, Alameda Jaú, 687.

O benefício esperado é limitado e concentrado principalmente no curto prazo.[8] Por isso, trato a injeção como um recurso de alívio de curto prazo; os dados não sustentam esperar alívio duradouro nem que ela evite a cirurgia.

Punção dural, perfuração involuntária da membrana que envolve o sistema nervoso, meningite, abscesso epidural e lesão da raiz são complicações possíveis.[2] Há registros de eventos neurológicos raros e graves após corticoide epidural.[9] Esses eventos pesam na seleção do paciente, no consentimento e na técnica de segurança do procedimento.

Indicação cirúrgica

Fraqueza objetiva progressiva, ou um déficit que já pesa na função, antecipa a avaliação cirúrgica. Com força estável, a discussão depende de incapacidade persistente apesar do tratamento conservador e de compressão que concorda com o exame; o tamanho da hérnia, sozinho, não indica cirurgia.[3]

Um estudo comparou a cirurgia com o tratamento sem cirurgia e separou a hérnia de disco da espondilose, o desgaste cervical com alterações de disco e osso. Na hérnia, em 12 meses, a cirurgia reduziu a incapacidade mais do que o tratamento sem cirurgia, mas, em média, menos do que o próprio estudo considerava uma melhora importante. Na espondilose, o estudo não mostrou diferença confiável entre os dois caminhos.[10]

Técnicas cirúrgicas e riscos

Na discectomia cervical anterior com fusão, o disco é removido pela frente do pescoço e o nível operado é fundido. A artroplastia também remove o disco pela frente, mas usa uma prótese para preservar o movimento. A foraminotomia posterior amplia por trás a saída da raiz e evita a fusão em compressões laterais selecionadas. Local da compressão, número de níveis, alinhamento e necessidade de preservar movimento orientam a escolha.[15]

Na abordagem anterior, os riscos descritos incluem disfagia (dificuldade para engolir) e rouquidão. Também podem ocorrer falha na consolidação da fusão e degeneração em nível adjacente (desgaste do disco acima ou abaixo do segmento operado). Após a foraminotomia posterior podem ocorrer recorrência, progressão degenerativa e lesão da raiz.[15] O risco individual depende da operação proposta, e a indicação depende da causa, do déficit, da exigência funcional e dos riscos da técnica escolhida.[3]

Prognóstico e reavaliação

Muitos casos melhoram sem cirurgia, e o tempo de recuperação varia com a causa, a intensidade do déficit, a duração e a exigência funcional. Dor e sono podem melhorar antes da dormência. Dormência residual com força e função crescentes pode ser acompanhada no exame seriado, enquanto menos dor sem recuperação do movimento fraco não comprova melhora da raiz.[2]

Marco a primeira reavaliação conforme a facilidade com que o sintoma é provocado, o déficit, a estabilidade do quadro e o acesso ao atendimento: quanto maior a perda funcional ou a dúvida sobre progressão, menor o intervalo. Piora objetiva em qualquer momento antecipa novo exame e costuma levar à ressonância e à avaliação de coluna.

No retorno, comparo até onde a dor chega, o tamanho da área dormente, o sono, o uso de remédio e uma tarefa com limite mensurável, e repito força, sensibilidade e reflexos do exame inicial. Melhorar em vários desses pontos sustenta a progressão do programa mesmo que reste algum desconforto.[2]

Depois da fase em que o sintoma é provocado com mais facilidade, a resistência do pescoço e da escápula, a tolerância do braço e a exposição à tarefa habitual são reconstruídas aos poucos. O retorno funcional não exige que toda sensação desapareça; exige exame estável e capacidade crescente para a demanda real. Se a resposta não combina com a hipótese, se a função trava ou se há piora objetiva, reviso diagnóstico, dose e necessidade de imagem ou intervenção.[2]

Referências

  1. American College of Radiology. ACR Appropriateness Criteria: Cervical Pain or Cervical Radiculopathy. 2024. (abre em nova aba)
  2. Childress MA, Becker BA. Nonoperative Management of Cervical Radiculopathy. American Family Physician. 2016. (abre em nova aba)
  3. Meron A, Wakim A, Nikolis L. Cervical Radiculopathy. PM&R KnowledgeNow. Atualizado em 2024. (abre em nova aba)
  4. Blanpied PR et al. Neck Pain: Revision 2017 Clinical Practice Guidelines. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 2017. (abre em nova aba)
  5. Fritz JM et al. Exercise Only, Exercise With Mechanical Traction, or Exercise With Over-Door Traction for Patients With Cervical Radiculopathy. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 2014. (abre em nova aba)
Ver todas as 15 referências
  1. Systematic review of conservative management of cervical radiculopathy. Clinical Rehabilitation. 2023. (abre em nova aba)
  2. Ghasemi M et al. Oral Prednisolone in the Treatment of Cervical Radiculopathy: A Randomized Placebo Controlled Trial. 2013. (abre em nova aba)
  3. American Academy of Neurology. Epidural Steroids for Cervical and Lumbar Radicular Pain and Spinal Stenosis: Systematic Review Summary for Clinicians. 2025. (abre em nova aba)
  4. U.S. Food and Drug Administration. Drug Safety Communication for Epidural Corticosteroid Injections. 2014. (abre em nova aba)
  5. Surgical versus Nonsurgical Treatment for Cervical Radiculopathy. NEJM Evidence. 2025. (abre em nova aba)
  6. Kuijper B et al. Cervical Collar or Physiotherapy versus Wait and See Policy for Recent Onset Cervical Radiculopathy. BMJ. 2009. (abre em nova aba)
  7. Milligan J et al. Degenerative Cervical Myelopathy: Diagnosis and Management in Primary Care. Canadian Family Physician. 2019. (abre em nova aba)
  8. National Institute for Health and Care Excellence. Spinal Injury: Assessment and Initial Management. NG41. (abre em nova aba)
  9. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado da Dor Torácica: sinais de alerta e SAMU 192. (abre em nova aba)
  10. Kang KC et al. Cervical Radiculopathy Focus on Characteristics and Differential Diagnosis. Asian Spine Journal. 2020. (abre em nova aba)

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