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Síndrome do túnel cubital: formi­ga­mento na mão e tratamento

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Entrada da clínica na Alameda Jaú, 687, com portas de vidro
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Formigamento no dedo mínimo, às vezes acompanhado da metade do anelar, pode vir do nervo ulnar irritado no cotovelo. Esse é o padrão da síndrome do túnel cubital, sobretudo quando a sensação aparece ao dormir com o braço dobrado, falar ao telefone, dirigir ou apoiar o cotovelo. Mas o mesmo território também pode ser afetado no punho, no pescoço ou por uma neuropatia mais ampla. Por isso, a avaliação localiza onde o nervo está sofrendo e verifica se a mão já perdeu função.

O primeiro passo é localizar. Quando a alteração é intermitente, ligada à flexão do cotovelo e limitada ao lado do mínimo, a hipótese no cotovelo ganha força. Quando há dor no pescoço que irradia, mudança de sintomas ao mexer o pescoço, dormência fora desse território ou formigamento no polegar e indicador, a investigação é ampliada. Uma tala, um exercício ou uma infiltração são escolhidos depois dessa localização.

Por que o nervo sofre no cotovelo

O nervo ulnar sai do pescoço, desce pelo braço e passa atrás da saliência óssea da face interna do cotovelo. Nesse ponto, atravessa um corredor estreito chamado túnel cubital. Ao dobrar o cotovelo, o nervo precisa acompanhar a curva do osso: ele pode ficar mais estirado, receber mais pressão e ter menos espaço para deslizar. É por isso que um longo trajeto com o telefone na orelha ou o hábito de dormir com o braço muito fechado pode revelar sintomas que durante o dia quase não aparecem.

Apoiar repetidamente a região em superfície dura, inchaço articular, artrose, osteófitos, sequela de fratura ou luxação e um nervo que salta para frente do epicôndilo ao dobrar o braço também podem contribuir. Em outras pessoas não se identifica uma única causa. Reduzir a posição provocadora é importante, mas não corrige automaticamente uma alteração estrutural ou uma instabilidade.

Mapa de localizaçãoOnde o sintoma aparece e o que examinar
Mínimo e lado do anelarPadrão compatível com o nervo ulnar.Examinar cotovelo e punho.
Cotovelo dobrado ou apoiadoA flexão e a pressão local aumentam a suspeita no túnel cubital.Examinar cotovelo e estabilidade do nervo.
Pressão na base da mãoGuidão, ferramenta ou lesão local podem apontar para o punho.Examinar o punho.
Dor que parte do pescoçoIrradiação ou alteração fora do território ulnar amplia o diferencial.Examinar raiz cervical e plexo.

O desenho de sintomas orienta o exame.

Como localizar a compressão do nervo ulnar

A compressão no punho, dentro do canal de Guyon, também pode afetar o nervo ulnar, mas a história costuma ser diferente: pode haver relação com pressão na base da mão, guidão, ferramentas ou lesão local. O médico observa se a sensibilidade no dorso ulnar da mão está preservada, examina a força dos músculos da mão e procura massas, trauma ou atividade que comprima o punho. É uma distinção relevante porque uma órtese de cotovelo não resolve um problema localizado no punho.

A raiz C8-T1 no pescoço e, menos frequentemente, o plexo braquial podem produzir parestesia semelhante. Dor que começa no pescoço, piora com certos movimentos cervicais, irradia pelo braço ou vem acompanhada de alteração fora do mínimo e anelar pede esse olhar. O túnel do carpo tende a afetar polegar, indicador, médio e a metade do anelar voltada para o médio; não é o diagnóstico típico quando o mínimo é o principal dedo dormente. Diabetes, doenças da tireoide, uso de álcool e outras neuropatias podem tornar o padrão menos nítido e exigem avaliação dirigida.

Dr. Marcus Yu Bin Pai, de jaleco, trabalha ao computador na mesa do consultório, visto de perfil, com modelos de coluna vertebral em primeiro plano
Mesa do consultório, com modelos de coluna vertebral.

No exame, o profissional compara tato e sensibilidade, mede força de pinça e abertura dos dedos, observa coordenação fina e procura atrofia entre o polegar e o indicador ou no lado do mínimo. Avalia ainda pescoço, ombro, cotovelo, punho e se o nervo muda de posição quando o cotovelo dobra. O sinal de Tinel, quando reproduz formigamento, é só uma peça: pessoas sem neuropatia também podem senti-lo.

Comparação clínicaQual estrutura precisa entrar no exame
CotoveloFormigamento no mínimo e anelar, principalmente com flexão sustentada ou apoio na face interna.Examinar túnel cubital e mobilidade do nervo.
PunhoPressão na base da mão, trauma local, guidão ou ferramenta como gatilho.Pesquisar canal de Guyon e causa local.
Pescoço ou plexoDor cervical irradiada, mudança ao mexer o pescoço ou sensibilidade fora do padrão ulnar.Ampliar a investigação proximal.

A mesma dormência pode ter pontos de origem diferentes; a escolha da órtese, do exame e do tratamento depende dessa diferença.

Eletroneuromiografia, ultrassom e outros exames

A eletroneuromiografia, que inclui estudo de condução nervosa e eletromiografia, é útil quando a localização não está clara, quando há fraqueza, quando se precisa graduar dano ou quando uma operação está em discussão. Ela mede como o sinal atravessa o cotovelo e examina músculos controlados pelo nervo. Um exame alterado pode reforçar o nível da lesão e sua gravidade; quando o resultado não combina com o exame clínico, a investigação continua.

O ultrassom neuromuscular permite ver o nervo, medir seu calibre e observar seu comportamento durante flexão e extensão. Ajuda a confirmar e localizar a compressão do nervo ulnar quando sintomas e exame já sugerem o diagnóstico, e é especialmente útil quando se suspeita de nervo instável, cisto, músculo acessório ou outro detalhe anatômico que a eletroneuromiografia não mostra diretamente.

Radiografia entra quando existe história de trauma, deformidade, dor articular, artrose ou suspeita de osteófito. Ressonância fica para uma hipótese estrutural específica, uma massa ou outra causa que o exame físico e os outros exames não explicaram.

Escolha de exameQual exame responde a cada pergunta
Onde e quanto o nervo está comprometido?Eletroneuromiografia e estudo de condução analisam sinal e músculos envolvidos.Úteis quando há dúvida, fraqueza ou discussão de cirurgia.
O nervo é espesso, instável ou comprimido por algo local?Ultrassom mostra calibre, anatomia e movimento.Acrescenta informação dinâmica ao exame.
Há trauma, artrose ou alteração óssea?Radiografia responde à hipótese estrutural óssea.Não é exame obrigatório para todo formigamento.
Há massa ou causa não explicada?Ressonância é escolhida para uma dúvida anatômica específica.Não confirma o diagnóstico de rotina.

A escolha do exame complementar depende da dúvida que o exame físico deixou.

Plano de tratamento por gravidade

O tratamento conserva dois objetivos: reduzir a irritação mecânica do nervo e acompanhar se a mão mantém ou recupera função. Em parestesia leve ou moderada, sem fraqueza progressiva ou atrofia, costuma fazer sentido começar pelo que mantém o cotovelo mais protegido no cotidiano. O trabalho e o exercício podem continuar: o plano identifica a dose de flexão e apoio que dispara sintomas e a modifica de modo específico.

Ajustes durante o dia

Vale tirar o cotovelo da borda da mesa, do apoio rígido da cadeira e da janela do carro; usar uma superfície macia quando apoio é inevitável; alternar a posição em chamadas longas; e revisar a altura do teclado, do braço da cadeira e das ferramentas. Para quem trabalha com o cotovelo dobrado, a mudança precisa caber na tarefa: pausar, alternar o braço, aproximar o objeto e evitar sustentar peso com o cotovelo muito fechado. A melhora é avaliada pela redução de despertares, menos formigamento nas posições antes provocadoras e preservação da destreza.

Como usar a proteção noturna

A proteção noturna procura reduzir o tempo em que o cotovelo permanece muito dobrado durante o sono. Uma órtese ajustada ou uma toalha posicionada ao redor do cotovelo pode ajudar a limitar essa flexão, sem comprimir a parte interna do braço. A escolha depende de conforto, pele e capacidade de manter o uso. Compare despertares, dormência ao acordar e duração do formigamento ao longo da tentativa; ajuste o dispositivo (abre em nova aba) se houver pontos de pressão ou piora.

Quando a órtese noturna é testada, o período tem meta prática: menos sintomas noturnos, menos parestesia ao acordar e nenhuma perda nova de força. Se a órtese dói, comprime o cotovelo, interrompe o sono ou não muda o padrão funcional, o uso é ajustado ou suspenso após reavaliação.

Teste conservadorO que observar durante a proteção noturna
Ao dormirA proteção deve limitar flexão sustentada sem pressionar a face interna do cotovelo.Conforto é parte do teste.
Ao acordarRegistrar despertares e formigamento matinal nas posições que antes provocavam sintomas.Comparar com o padrão inicial.
Durante o diaObservar destreza, pinça, objetos que caem e tarefas de mão.A evolução da função é acompanhada junto dos sintomas.
RevisarDor da órtese, compressão, piora de força ou ausência de ganho funcional pedem ajuste do plano.Rever o ajuste e a necessidade de continuar.

A proteção vale pelo que muda no sono, na dormência ao acordar e na função da mão.

Terapia e exercícios

Adaptação das tarefas e recuperação do movimento

A terapia ocupacional ou fisioterapia pode ajustar a estação de trabalho, o apoio do antebraço e tarefas com flexão sustentada do cotovelo. O treino de movimento busca manter mobilidade sem prolongar o formigamento; força e destreza são acompanhadas para identificar perda funcional. As orientações devem caber nas atividades habituais, como telefonar, dirigir ou trabalhar no computador, porque a exposição diária influencia a resposta ao tratamento (abre em nova aba).

Deslizamento do nervo ulnar

Exercícios de mobilização neural, chamados de deslizamento do nervo, podem ser ensinados para alguns pacientes. O movimento é suave, sem provocar dormência, choque ou dor. Formigamento que surge e desaparece logo pode orientar ajuste de amplitude; sensação que aumenta, permanece depois do exercício ou se espalha é motivo para parar e discutir a técnica. O efeito isolado desses exercícios é pouco comprovado, por isso eles entram como parte de um plano que também localiza a compressão e inclui descompressão quando ela é necessária.

Medicamentos e infiltração

Analgésicos para dor associada

Dor no cotovelo pode coexistir com a parestesia, e analgésico pode ser considerado por curto prazo em situações selecionadas. Isso pode tornar o sono ou a atividade mais toleráveis, mas não desfaz uma pressão mecânica sobre o nervo. Se a opção for um anti-inflamatório não esteroide por via oral, histórico de gastrite ou sangramento, doença renal, pressão arterial, anticoagulantes, gestação e outras medicações entram na avaliação de risco antes da prescrição. Outros analgésicos têm riscos próprios, que também são revistos antes do uso.

Infiltração perto do nervo ulnar

Infiltração de corticoide que faz sentido em outras regiões não é rotina no túnel cubital. O nervo fica muito próximo e há risco de lesão se a injeção for mal indicada ou mal posicionada. Se a dor medial do cotovelo tiver outra origem, como tendão, bursa ou articulação, o alvo e a discussão podem ser diferentes. Antes de indicar infiltração, a estrutura tratada precisa estar definida e explicar o sintoma.

Quando considerar cirurgia

A cirurgia passa a ser considerada quando a tentativa não operatória bem executada não melhora sintomas que atrapalham a função, quando os exames e o exame físico mostram compressão importante, ou quando surgem fraqueza, atrofia e perda de controle dos dedos. Nesses cenários, esperar indefinidamente pode reduzir a chance de recuperação completa. A decisão é baseada no conjunto: duração, evolução, ocupação, destreza, força, localização e anatomia do nervo.

Na descompressão in situ, o cirurgião amplia o espaço do túnel para tirar pressão do nervo onde ele está. Na transposição anterior, o nervo é levado para uma posição à frente do epicôndilo, opção que pode ser considerada quando ele é instável, fica tensionado ou há características locais que tornam essa rota mais adequada. Em muitos casos primários, a descompressão in situ é a primeira escolha, porque tende a ter menos complicações do que a transposição.

Átrio da clínica visto de cima, com a escada, os tijolos vazados e o ripado de madeira; Dr. Marcus Yu Bin Pai aparece pequeno, de pé no piso de pedrisco
Átrio da clínica visto do andar de cima.

Após a cirurgia, a pele pode cicatrizar antes que o nervo mostre sua recuperação real. A orientação sobre movimento, proteção da cicatriz, carga e retorno ao trabalho depende da técnica. Dormência antiga e atrofia não somem necessariamente logo depois de liberar o nervo, e em compressão prolongada podem não voltar completamente. A meta inicial é evitar nova agressão, recuperar movimento seguro e acompanhar força e sensação.

Decisão cirúrgicaAs duas técnicas e o que se analisa antes da escolha
Descompressão in situAmplia o espaço do túnel onde o nervo passa.Usada em muitos casos primários.
Transposição anteriorLeva o nervo para a frente do epicôndilo.Entra quando instabilidade, tensão ou anatomia favorecem essa rota.
Antes da escolhaForça, atrofia, destreza, duração dos sintomas, exames e estabilidade são analisados em conjunto.A técnica é escolhida a partir dessa análise.

A comparação explica o objetivo de cada rota; a indicação depende da localização e do comprometimento funcional.

Acompanhamento da força e da destreza da mão

A reavaliação compara a função da mão, além da intensidade da dor. Anote se você acorda com a mão dormente, quanto tempo o sintoma dura após dobrar o cotovelo, se objetos caem, se digitar ou abotoar ficou pior e se a pinça entre polegar e indicador mudou. Melhora consistente permite avançar gradualmente nas atividades. Persistência sem ganho funcional, retorno imediato em posições menos provocadoras, piora da destreza ou fraqueza muda a etapa: conferir diagnóstico, adesão e ajuste da órtese, pedir ou revisar exames e discutir encaminhamento apropriado.

Sinais de alerta

Antecipe a avaliação se a mão começou a falhar para abrir os dedos, segurar objetos ou fazer movimentos finos; se há redução visível de musculatura; se a dormência ficou constante; ou se a fraqueza está progredindo. Formigamento que aparece após trauma importante, vem com sintomas neurológicos amplos, como perda de força de todo o braço, alteração de fala, rosto ou marcha, não deve ser atribuído automaticamente ao túnel cubital e requer atendimento imediato conforme o quadro.

Referências

  1. Johns Hopkins Medicine. Cubital Tunnel Syndrome. Abrir fonte (abre em nova aba).
  2. Cleveland Clinic. Cubital Tunnel Syndrome: Causes, Symptoms & Treatment. Abrir fonte (abre em nova aba).
  3. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Cubital Tunnel Syndrome. Abrir fonte (abre em nova aba).
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  5. Kooner S et al. Conservative treatment of cubital tunnel syndrome: A systematic review. Abrir PubMed (abre em nova aba).
Ver todas as 9 referências
  1. Shah CM et al. Outcomes of Rigid Night Splinting and Activity Modification in the Treatment of Cubital Tunnel Syndrome. Abrir artigo (abre em nova aba).
  2. Hughes et al. Effectiveness of night splints for cubital tunnel syndrome: A systematic review. Abrir artigo (abre em nova aba).
  3. Wade RG et al. Safety and Outcomes of Different Surgical Techniques for Cubital Tunnel Decompression. Abrir PubMed (abre em nova aba).
  4. DailyMed. Ibuprofen tablets, USP: professional drug label. Abrir fonte (abre em nova aba).

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