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Ondas de choque para dor trocantérica no quadril

As ondas de choque podem ser consideradas na dor trocantérica persistente do quadril, como complemento da reabilitação e após o exame confirmar o padrão.

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Aplicador de ondas de choque focal na mão do médico, ao lado do console do aparelho
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Dor lateral do quadril e ondas de choque

A dor na lateral do quadril que piora ao deitar sobre o lado, subir escadas ou cruzar as pernas é o padrão típico da síndrome dolorosa do grande trocânter. Esse nome é mais preciso do que bursite trocantérica, porque muitos quadros envolvem os tendões glúteos, a compressão local e a bursa em combinações diferentes. As ondas de choque extracorpóreas podem ser consideradas quando essa dor persiste, desde que o exame confirme o padrão lateral e afaste a articulação do quadril, a coluna lombar, o trauma e a doença sistêmica.[10]

Nos estudos, as ondas de choque reduziram a dor em parte dos pacientes, com protocolos e resultados variáveis.[1] Diante disso, uso as ondas de choque como complemento da reabilitação de carga. Antes de começar, identifico um alvo compatível, reviso o que a pessoa já tentou e combino qual mudança na função vai justificar continuar. Quando a dor vem com sinais de infecção, de trauma ou de compressão de nervo, a prioridade muda, como explico em Sinais de alerta.

Alvo anatômico

Os músculos glúteo médio e glúteo mínimo se inserem em facetas do grande trocânter, a saliência óssea na lateral do quadril, e estabilizam a pelve quando o peso fica em uma perna só. Bursas reduzem o atrito entre esses tendões, o osso e o trato iliotibial, a faixa fibrosa que desce pela lateral da coxa.

Duas exposições pesam aqui. A adução sustentada do quadril, como cruzar as pernas, deixar o joelho cair para dentro ou dormir de lado sem apoio entre os joelhos, aumenta a compressão lateral. Caminhada longa, escadas e corrida acrescentam carga de tração sobre os tendões. O tratamento equilibra essas duas cargas.[10]

O lugar onde dói decide por onde começo a investigar. Dor na virilha com rigidez aponta mais para a articulação do quadril. Dor lombar com choque, dormência ou sintomas abaixo do joelho abre a hipótese de uma raiz nervosa. Dor depois de queda, com incapacidade de apoiar o peso, exige excluir fratura.

Também podem confundir a tendinopatia proximal dos isquiotibiais (músculos da parte de trás da coxa), a meralgia parestésica (compressão do nervo sensitivo da face lateral da coxa) e a dor sacroilíaca. A dor ao apertar o trocânter é frequente, e pressionar um ponto superficial pode doer em várias condições.[10]

Mesmo uma dor muito bem localizada não mostra qual faceta de inserção ou qual bursa domina o quadro. Por isso, antes do procedimento, defino qual estrutura será tratada, para comparar a resposta nas consultas seguintes.[10]

Exame e testes

O padrão típico é dor ao apertar a face lateral do grande trocânter, pior ao deitar sobre o lado, subir escadas, caminhar em subida, ficar apoiado em uma perna ou cruzar as pernas. A dor pode descer pela lateral da coxa, mas em geral não segue até o pé com choque ou dormência; quando segue, a hipótese de raiz nervosa ganha peso. A palpação dolorosa localiza o problema.[10]

Na avaliação presencial, observo a marcha e o apoio em uma perna, testo a força e provoco a dor dos abdutores do quadril, os músculos que afastam a coxa do corpo, meço a amplitude da articulação e faço manobras que comprimem tendões e bursa. Dor na virilha e rotação limitada deslocam a atenção para a articulação. Dor lombar com sintomas neurológicos leva ao exame da coluna. Fraqueza marcada, queda da pelve durante o apoio em uma perna e dor à carga aumentam a suspeita de comprometimento relevante dos tendões glúteos.[10]

O diagnóstico clínico se apoia na concordância entre a dor no endereço lateral, as tarefas que a provocam, o exame de força e a ausência de uma explicação melhor. Quando esses elementos não combinam, a investigação segue.[10]

Exames de imagem

A radiografia ajuda quando trauma, artrose ou alteração óssea competem com o diagnóstico lateral. O ultrassom mostra tendões e bursas em movimento e pode guiar um procedimento; a ressonância magnética detalha a extensão da tendinopatia glútea e das rupturas. Nenhum desses achados dispensa o exame, porque líquido na bursa e alterações nos tendões glúteos podem existir em pessoas sem dor. Peço imagem quando a resposta pode revelar outro gerador de dor, uma ruptura relevante ou um alvo incerto que mudaria a reabilitação, a infiltração ou as ondas de choque.[10]

Na apresentação típica, sem trauma, sem déficit e sem falha de tratamento, a imagem imediata não é necessária. Ela sobe de prioridade com incapacidade de apoiar o peso, fraqueza objetiva, dor dominante na virilha, piora contínua ou ausência de progresso depois de um tratamento bem dosado. Repetir o exame só para medir a bursa não mostra se o tratamento funcionou. Comparo o laudo com o ponto doloroso e com a função: uma alteração distante do local da dor, ou que o exame não provoca, fica como possível achado secundário.[10]

Mão do médico segurando o aplicador de ondas de choque radial
Aplicador de ondas de choque radial.

A imagem também procura diagnósticos que mudam o tratamento, como artrose importante, fratura, ruptura de tendão ou massa. Em quem tem padrão típico e evolui bem, o resultado pode não alterar a conduta. Na dor resistente, com fraqueza relevante ou exame discordante, localizar tendão, bursa e articulação ajuda a decidir se o próximo passo ainda é reabilitação ou se existe um alvo plausível para procedimento.[10]

Tratamento

Separo duas metas. A primeira é aliviar a dor o bastante para dormir e se movimentar; a segunda é devolver ao tendão a tolerância à carga. A educação sobre compressão lateral e o exercício progressivo continuam centrais, antes e depois de qualquer procedimento.[4]

Educação e ajuste de carga

O primeiro passo é reconhecer as posições que comprimem o lado do quadril: deitar diretamente sobre ele, ficar com o peso apoiado em uma perna só e cruzar as pernas. Na prática, oriento evitar deitar sobre o lado doloroso e, ao deitar sobre o outro, manter um travesseiro entre os joelhos para que a coxa de cima não caia para dentro. Ajustar essas posições por um período reduz os picos de dor sem exigir repouso total. A pessoa aprende a distribuir a carga no sono, no trabalho, na caminhada e nas escadas, mantendo a atividade que tolera.[4]

Exercício progressivo

O exercício é escolhido pela força medida no exame e pela tarefa que a pessoa quer recuperar: controle da pelve, fortalecimento dos abdutores e retorno gradual a caminhar, correr ou subir degraus. Resistência, amplitude, frequência e supervisão são ajustadas à irritabilidade do quadro e à capacidade medida. A mesma série não se transfere automaticamente para ruptura de tendão, artrose, radiculopatia, que é o comprometimento de uma raiz nervosa, ou dor aguda depois de trauma.[4]

Acompanho a tendência da dor e da função entre uma sessão de carga e outra. Quando a carga acumula piora, reduzo o componente que foi aumentado e reviso a técnica; quando a tarefa fica estável, avanço uma variável de cada vez. Falta de melhora apesar de execução consistente me leva a reexaminar o diagnóstico, a aderência, o sono, a demanda do dia a dia e a eventual necessidade de imagem ou procedimento.[4]

Medicamentos

Analgésicos e anti-inflamatórios entram como apoio temporário para o sono e o movimento. Não existe classe, dose ou duração definida como ideal para essa síndrome. Doença renal, gastrointestinal ou cardiovascular, uso de anticoagulante, alergias, gestação e outros remédios em uso mudam a escolha.[10]

Na gestação, anti-inflamatórios a partir da vigésima semana podem prejudicar a função renal do feto e reduzir o líquido amniótico. Por isso, se forem indispensáveis antes da trigésima semana, entram na menor dose e pelo menor tempo, e o uso por mais de dois dias pode exigir controle do líquido amniótico por ultrassom. Depois da trigésima semana, o risco de fechamento precoce de um vaso da circulação do feto, o canal arterial, reforça a recomendação de evitá-los.[9]

Infiltração com corticoide

Em um ensaio, a infiltração com corticoide aliviou mais cedo do que apenas esperar, mas a educação com exercício teve resultado global superior em oito semanas e manteve vantagem na avaliação global depois de um ano. O programa de educação e exercício teve 14 sessões individuais ao longo de oito semanas. A comparação ajuda a escolher pelo horizonte e pelo objetivo de cada pessoa.[4]

Os estudos sobre infiltração nessa síndrome ainda divergem.[12] Por isso, alívio breve, reabilitação que não funcionou ou líquido na bursa no exame de imagem não bastam, sozinhos, para indicar a injeção. Antes, defino o alvo, se a finalidade é diagnóstica ou terapêutica, os riscos do corticoide e do produto escolhido e como vamos medir a resposta. Quando a dúvida é o alvo, o ultrassom permite ver o tendão e a bursa durante o procedimento.

Ondas de choque

Como é a aplicação

Um aplicador apoiado na pele transmite ondas acústicas até a região-alvo. Energia, frequência e número de sessões variam entre os protocolos.[11]

Existem ondas de choque focadas e radiais, e as duas foram estudadas nessa síndrome. Na análise conjunta dos estudos, a modalidade focada teve resultado melhor para dor. Por isso, informo antes qual tecnologia e qual aparelho serão usados.[1]

Entre os protocolos publicados, alguns tratam a inserção dos tendões glúteos, outros a área mais dolorosa, e alguns associam exercício. A dose aplicada depende do número de disparos e do equipamento.[6] Um dos estudos que comparou ondas de choque com infiltração usou três sessões, uma por semana.[8]

Benefício esperado

As ondas de choque reduziram a dor no curto prazo em comparação com outros tratamentos.[1] Outra revisão mostrou resultados favoráveis também na função, com diferenças entre ondas focadas e radiais e conforme o tratamento comparado.[2] A incerteza do benefício é explicada antes da primeira sessão.[5] Por isso, combino com o paciente a possibilidade de melhora, medida por uma tarefa escolhida antes do início.

Quando as ondas de choque são feitas junto com exercício, o que se mede é o efeito do conjunto.[2]

Riscos

Dor durante ou depois da aplicação, irritação da pele e hematoma foram descritos. Ruptura de tendão e lesão de nervo aparecem como riscos teóricos ou em relatos.[11] Depois de cada sessão, pergunto sobre a intensidade e a duração do desconforto e o efeito na marcha, para separar o incômodo esperado de uma piora que interrompe o plano.

Indicação das ondas de choque

Considero ondas de choque quando o padrão da síndrome dolorosa do grande trocânter está consistente, a limitação persiste e a educação com reabilitação de carga foi feita e revista. Antes de indicar, verifico se existe uma explicação que muda todo o caminho, como trauma agudo, artrose predominante, radiculopatia, infecção ou suspeita de ruptura importante. O procedimento é feito por profissional treinado, seguindo as instruções do fabricante do aparelho.[5]

Antes da primeira sessão, o plano define o alvo anatômico, a tecnologia, os parâmetros, o tratamento associado e a tarefa que vai medir a resposta.

A preferência da pessoa pesa na escolha. Há quem aceite o desconforto e o custo das sessões para evitar uma injeção, e há quem prefira continuar a reabilitação ou discutir outra intervenção. Combinamos antes que pode não haver melhora, que a dor pode piorar temporariamente e que o programa de carga continua. Ao fim da série, só discuto um novo ciclo se a função mudou.[5]

Sinais de alerta

Procure atendimento no mesmo dia, em pronto-socorro ou unidade de pronto atendimento (UPA), se a dor intensa no quadril começou sem trauma e a região está quente ou inchada, a pele mudou de cor, ou há febre, calafrios e mal-estar. Depois de queda ou acidente, dor intensa, incapacidade de caminhar ou de apoiar o peso e perda de sensibilidade na perna exigem atendimento imediato; se não for possível se deslocar com segurança, ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo 192.[15]

Dor lombar intensa que irradia para a perna, com alteração nova para urinar, evacuar ou na função sexual, ou dormência no períneo, a região entre as pernas, exige avaliação imediata no pronto-socorro por possível síndrome da cauda equina, a compressão das raízes nervosas no final da coluna.[14]

Depois de uma sessão de ondas de choque, dor que preocupa deve ser comunicada ao serviço que fez o procedimento; se a situação parecer urgente, procure o pronto-socorro. Dor de início súbito na área tratada ou perda de função exige pronto atendimento.[16]

Reavaliação

Antes do tratamento, escolhemos juntos uma tarefa mensurável, como o tempo tolerado deitado sobre o lado, a caminhada, as escadas ou o apoio em uma perna. Na reavaliação, comparo essa função, a dor no ponto lateral, a força e a carga semanal.

Se há ganho consistente, o foco passa a ampliar a capacidade e reduzir a dependência do procedimento. Se não há, revejo se o alvo era mesmo lateral, se a dose aplicada é conhecida, se o programa de carga foi de fato adaptado e se a articulação ou a coluna foram subestimadas. As comparações entre tratamentos conservadores mostram benefício de várias opções.[3]

Dr. Marcus Yu Bin Pai, de jaleco, trabalha ao computador na mesa do consultório, visto de perfil, com modelos de coluna vertebral em primeiro plano
Mesa do consultório, com modelos de coluna vertebral.

O encaminhamento ganha valor diante de fraqueza relevante, suspeita de ruptura de tendão, diagnóstico conflitante ou limitação que persiste apesar de um plano bem executado. Nessa fase, imagem e procedimento servem para responder à dúvida que sobrou. O objetivo é recuperar função com uma explicação clínica coerente para a dor.[10]

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