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Quando o bloqueio genicular pode ajudar
O bloqueio dos nervos geniculares pode aliviar temporariamente a dor de um joelho com artrose quando a avaliação mostra que a articulação é uma fonte importante do sintoma. Seu papel é modular parte da informação dolorosa que sai do joelho. Isso pode ser útil como teste antes de uma radiofrequência (procedimento que usa calor para interromper por mais tempo a condução desses nervos) ou como intervenção analgésica de duração limitada. O bloqueio não recompõe cartilagem nem corrige o eixo da perna, e não impede a progressão estrutural da artrose.[1]
O bloqueio pode ser prognóstico ou terapêutico. No bloqueio prognóstico, usa-se anestésico local e observa-se o que acontece enquanto ele deveria estar ativo. No bloqueio terapêutico, o plano pode incluir outro medicamento e a resposta pode surgir em outra cronologia. As duas finalidades são lidas de modo diferente: uma melhora tardia não testa apenas o anestésico, e uma melhora de poucas horas não significa fracasso quando o objetivo era justamente obter uma janela curta de informação.[7]
O que o bloqueio atinge
Os nervos geniculares são pequenos ramos sensitivos que chegam de nervos maiores e formam uma rede ao redor da articulação. O procedimento coloca pequeno volume de anestésico perto de alvos selecionados para interromper por um período parte dos sinais de dor. A escolha dos pontos muda conforme a técnica, a região dolorosa e cirurgias anteriores; por isso, o número de pontos é definido para cada joelho.[6]
O alvo planejado é sensitivo, não o nervo motor que movimenta o pé ou o joelho. Mesmo assim, anestésico pode se espalhar e estruturas maiores ficam próximas de alguns trajetos. Dormência ou fraqueza transitória pode ocorrer; déficit novo que progride ou não melhora pede avaliação. Durante as horas sem dor, força, equilíbrio, mobilidade e tolerância de carga continuam dependendo de músculo, articulação e treinamento.[6]
Quem pode ser avaliado
A radiografia ajuda a demonstrar artrose. Há pessoas com alterações importantes e pouca dor, assim como há joelhos muito sintomáticos sem destruição radiográfica avançada. A indicação fica mais coerente quando localização, rigidez, piora com carga, limitação para tarefas e exame do joelho combinam com a imagem. Também é definida uma atividade mensurável, como caminhar uma distância habitual, levantar da cadeira ou subir degraus, porque ela será usada para comparar a resposta.[2]
A dor em um joelho com artrose pode ter outra origem. Calor intenso, febre ou derrame de início rápido levantam suspeita de infecção ou crise inflamatória. Trauma recente, travamento verdadeiro, instabilidade, fratura por insuficiência e lesão de menisco com indicação própria mudam a rota. Dor irradiada da coluna ou do quadril, neuropatia e dor predominantemente cutânea não são respondidas por uma radiografia do joelho. Em quem já tem prótese, infecção, soltura, instabilidade e causas periarticulares precisam ser investigadas antes do bloqueio.[1]

O bloqueio costuma ser discutido quando um plano não cirúrgico bem conduzido não entregou função suficiente ou quando medicamentos e cirurgia têm limitações relevantes. Esse plano inclui exercício terapêutico para força e capacidade, ajuste de carga, bengala ou órtese quando indicadas e redução de peso apenas quando excesso de peso participa da sobrecarga. Anti-inflamatório tópico ou oral, analgésicos selecionados e infiltração intra-articular têm benefícios e riscos diferentes; função renal, pressão, estômago, coração, outras medicações e resposta anterior mudam a escolha.[2]
Um teste positivo pode abrir a discussão sobre radiofrequência, mas não cria obrigação de fazê-la. A radiofrequência do joelho é uma opção a ponderar caso a caso. Se a pessoa ainda não teve diagnóstico bem definido, se a dor é leve ou se a principal limitação é fraqueza sem dor provocada, o bloqueio não resolve a decisão central. Se há deformidade grave e perda funcional apesar de tratamento adequado, a artroplastia também entra na discussão.[2]
- Confirmar dor compatível com o joelho
- Excluir outra rota diagnóstica
- Revisar tratamento já realizado
- Definir a decisão que o bloqueio responderá
Como o teste é interpretado
Antes do bloqueio prognóstico, registre a dor em duas ou três tarefas que realmente provocam o sintoma. A comparação feita apenas deitado na sala mede pouco. Depois da injeção, repita com segurança a mesma caminhada, o mesmo movimento de sentar e levantar ou o mesmo lance curto de escadas, dentro da janela informada para o anestésico. Anote intensidade, distância, qualidade do movimento e confiança. Além da nota de dor, a pergunta é “consegui fazer melhor aquilo que o joelho impedia?”.[7]
Uma resposta clara reforça que os ramos anestesiados participam da dor, mas não prova que são sua única origem. Expectativa, repouso no dia do procedimento, anestesia da pele, espalhamento do medicamento e mudança espontânea do sintoma podem aumentar a resposta. O oposto também acontece: técnica, alvo incompleto, dor pouco provocada naquele dia ou uma mistura de mecanismos pode reduzir o efeito. Por isso, o resultado é lido junto com o procedimento, a atividade testada e o padrão clínico.[1]
Quando o injetável contém corticoide, a interpretação muda. O anestésico pode produzir alívio rápido e o corticoide, se funcionar, tem efeito posterior. Esse desenho pode ser adequado para uma tentativa terapêutica, porém perde pureza como teste curto antes da radiofrequência. O consentimento informa qual medicamento será usado, qual efeito pertence a cada fase e em qual momento a equipe tomará a próxima decisão. Assim, o paciente sabe em que momento avaliar o resultado.[3]
| Tarefa | Antes | Durante a janela | O que mudou |
|---|---|---|---|
| Caminhar | Dor e distância habitual | Mesma rota segura | Dor, distância e apoio |
| Sentar e levantar | Dificuldade habitual | Mesmo assento | Velocidade e compensação |
| Degraus | Dor e corrimão | Mesmo trecho curto | Controle e confiança |
Como o procedimento é feito
O bloqueio costuma ser ambulatorial. Com o paciente deitado, a pele é limpa, recebe anestesia local e a agulha é conduzida por ultrassom ou fluoroscopia até os alvos planejados. A imagem ajuda a localizar referências ósseas, vasos e o trajeto da agulha. Depois de confirmar posição conforme a técnica, injeta-se pequeno volume. O número de punções e os alvos mudam de um joelho para outro, sobretudo após cirurgia que alterou a anatomia.[6]
A preparação começa pela lista completa de medicamentos e doenças. Infecção de pele ou sistêmica, alergia, possibilidade de gravidez, diabetes e uso de anticoagulante ou antiagregante plaquetário precisam ser comunicados. Não suspenda por conta própria um remédio que evita trombose: o risco de sangrar deve ser equilibrado com o risco de interromper a proteção, em plano conjunto com quem prescreve e quem fará o bloqueio. Jejum e acompanhante dependem do uso de sedação e das regras do serviço; siga a instrução recebida para aquele procedimento.[7]
Após o teste, a equipe observa a resposta inicial e libera as atividades permitidas. Evite correr, agachar profundamente ou aumentar carga para “provar” que funcionou. Repita tarefas familiares e seguras, registre o que mudou e perceba dormência ou fraqueza. Se o anestésico deixa a perna instável, adie o teste funcional e avise a equipe. A informação vem de repetir as mesmas tarefas feitas antes do bloqueio.[7]
Benefício esperado
Em pessoas selecionadas com artrose do joelho, o bloqueio com anestésico e corticoide pode trazer melhora de dor de curto prazo, com efeito que vai além da própria punção. Esse alívio não acontece em todos; ele vale para dor que vem da articulação e para aquela combinação de medicamentos.[3]
O bloqueio também pode reduzir a dor e melhorar a função, mas alvos, medicamentos e duração do efeito variam. Por isso, combinamos uma tentativa com meta e prazo definidos. O resultado relevante pode ser caminhar mais, dormir melhor ou tolerar reabilitação.[4]
Quando a finalidade é selecionar radiofrequência, o bloqueio é uma parte da decisão. A ablação por radiofrequência pode reduzir a dor em adultos selecionados com artrose, mas nenhum modelo de bloqueio prevê com perfeição quem responderá. Diagnóstico, distribuição da dor, técnica, limitação funcional, risco e expectativa também entram na decisão. A radiofrequência age sobre a transmissão sensitiva; força, manejo de carga e a avaliação de uma articulação com indicação cirúrgica continuam necessários.[5]
Tratamento combinado
A janela analgésica pode ser usada para recuperar uma tarefa. Se caminhar ficou menos doloroso, o plano pode aumentar gradualmente distância e qualidade do apoio. Se levantar da cadeira melhorou, exercício de força pode começar em uma faixa tolerável e progredir por repetições, carga e controle. A dor nas horas seguintes e a recuperação no dia posterior orientam o ajuste. Fazer tudo de uma vez porque o anestésico “escondeu” o sintoma aumenta carga sem que músculo e articulação tenham se adaptado.[2]
A escolha dos medicamentos segue em paralelo, pesando benefício e risco de cada um. Anti-inflamatório tópico expõe menos o organismo do que o oral, mas ainda precisa de uso correto. Anti-inflamatório oral pode ser inadequado em doença renal, sangramento digestivo, risco cardiovascular ou interação com outros remédios. Paracetamol, duloxetina e outras opções têm indicações e limites próprios. O bloqueio pode ser considerado quando essas escolhas foram insuficientes ou arriscadas, mas ele não é necessariamente mais seguro nem sempre permite retirar a medicação.[2]

Quando dor, deformidade e perda funcional permanecem graves, a artroplastia continua em discussão. Um bloqueio pode ajudar quem não pode operar naquele momento, quem deseja uma etapa paliativa informada ou quem precisa de analgesia para reabilitar. Repetir procedimentos com benefício cada vez menor enquanto caminhar, sono e autonomia se deterioram é um sinal para rever a estratégia e, quando apropriado, obter avaliação cirúrgica.[1]
- Diagnóstico e meta funcional
- Exercício, carga e medicamentos selecionados
- Bloqueio com finalidade declarada
- Reabilitação durante a janela útil
- Reavaliar radiofrequência ou cirurgia quando pertinentes
Riscos e preparo
Dor no local da punção, sensibilidade e pequena equimose (mancha roxa) são efeitos possíveis e costumam ser limitados. Sangramento, infecção, reação ao medicamento, injeção fora do alvo e lesão nervosa são menos comuns, mas precisam entrar no consentimento. A proximidade de vasos e de nervos maiores torna a imagem e a técnica relevantes. O bloqueio é feito sem internação na maioria dos casos porque seleção, assepsia, monitoramento e uma rota clara para comunicar problemas permitem isso.[6]
Infecção ativa, ferida sobre o local e mudança importante de saúde podem levar ao adiamento. Anticoagulantes e antiagregantes exigem plano individual; a interrupção inadequada pode provocar trombose, e a manutenção sem avaliação pode aumentar sangramento. Informe alergias, possibilidade de gravidez e todos os medicamentos, inclusive suplementos. Se houver sedação, combine jejum, transporte e companhia em casa conforme a orientação do serviço. Essas decisões são fechadas antes do dia do bloqueio.[7]
Quando o corticoide faz parte do injetável, pode alterar glicemia e produzir outros efeitos sistêmicos, o que muda o preparo de quem tem diabetes e a decisão de repetir injeções. Produto, dose, indicação e monitoramento pertencem ao plano individual e à regulação local.[3]
Reavaliação
A revisão compara a linha de base com a resposta. Registre a dor na tarefa-alvo, distância ou repetições, uso de apoio, qualidade do movimento, necessidade de remédio de resgate e efeitos adversos. Para um bloqueio terapêutico, acompanhe também duração do ganho e o que foi recuperado nesse período. Esses registros mostram se houve mudança suficiente e segura para alterar o plano. Uma nota baixa em repouso, sem melhora para caminhar ou levantar, pode não representar o benefício que o paciente procurava.[1]
Se não houve resposta útil, o passo seguinte é rever se a dor estava presente e foi provocada de modo comparável, se o alvo e a técnica foram adequados e se outro mecanismo domina o quadro. Dor do quadril ou da coluna, sensibilização persistente, neuropatia, instabilidade e inflamação ativa podem exigir outra investigação. Falha do teste não invalida a dor do paciente; ela reduz a confiança naquele alvo e deve economizar uma ablação mal indicada.[1]
Uma resposta breve, forte e funcional durante o anestésico pode sustentar a discussão de radiofrequência. Uma resposta parcial pode ser suficiente para mostrar componente sensitivo, mas insuficiente para justificar ablação sem entender o que permaneceu. Alívio mais longo após corticoide favorece uma leitura terapêutica e pesa pouco como teste para radiofrequência. A decisão seguinte considera também reabilitação, risco, preferência, tratamento anterior e possibilidade cirúrgica.[5]
Quando buscar ajuda
Procure orientação urgente se aparecer febre, vermelhidão ou inchaço que aumentam, secreção, sangramento persistente, reação alérgica, dor muito diferente da habitual, pé caído ou fraqueza nova que não melhora após a janela esperada do anestésico. Falta de ar, desmaio, déficit progressivo ou reação sistêmica importante justificam serviço de emergência. Sensibilidade pequena no ponto da agulha pode ocorrer, mas piora rápida, déficit neurológico e sinais de infecção não devem aguardar a consulta de rotina.[6]
Referências
- American Society of Pain and Neuroscience. Consensus Guidelines on Interventional Therapies for Knee Pain (STEP Guidelines) (abre em nova aba). 2022.
- American College of Rheumatology e Arthritis Foundation. Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee (abre em nova aba). 2020.
- Shanahan EM et al. Genicular Nerve Block for Pain Management in Patients With Knee Osteoarthritis: A Randomized Placebo-Controlled Trial (abre em nova aba). 2023.
- Fonkoue L et al. Genicular Nerve Block for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Clinical Trials (abre em nova aba). 2024.
- Barreto RB et al. Efficacy and safety of genicular nerve ablation techniques for knee osteoarthritis (abre em nova aba). 2026.
Ver todas as 7 referências
- Cleveland Clinic. Genicular Nerve Block (abre em nova aba). Atualizado em 2023.
- Wrightington, Wigan and Leigh Teaching Hospitals NHS Foundation Trust. Genicular nerve block with or without radiofrequency ablation (abre em nova aba). 2026.
