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Neuralgia do trigêmeo: diagnóstico e tratamento

A neuralgia do trigêmeo causa choques breves e intensos em um lado do rosto, disparados por toque ou mastigação. O padrão do ataque orienta o diagnóstico.

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36 min
Sala de reabilitação da clínica com barras paralelas diante de uma parede de seixos e de uma janela redonda
Neste artigo

Neuralgia do trigêmeo

Neuralgia do trigêmeo é uma dor facial em ataques muito breves, intensos e geralmente de um lado só. A pessoa costuma descrever um choque elétrico, um disparo ou uma pontada cortante em uma área da testa, da bochecha ou da mandíbula. Falar, mastigar, escovar os dentes, lavar o rosto ou um toque leve podem iniciar o ataque. O diagnóstico se orienta por esse padrão de ataque.1

A confusão com dor de dente é frequente, porque os ramos maxilar e mandibular do nervo levam a sensibilidade dos dentes, da gengiva, do lábio e da mandíbula. Por isso, o primeiro passo é procurar uma causa odontológica que realmente explique a queixa e confirmar que os ataques ficam no território do trigêmeo.

O remédio de primeira linha pode começar, com acompanhamento médico, enquanto o exame neurológico, a ressonância magnética e o encaminhamento avançam em paralelo. A escolha de um procedimento vem depois: exige o padrão confirmado, a classificação da neuralgia como clássica, idiopática ou secundária, a revisão da imagem, a resposta e a tolerância ao remédio e a avaliação das condições para cirurgia.2

A urgência depende do que a história e o exame mostram: dormência verdadeira, fraqueza para mastigar, dor dos dois lados e os outros sinais reunidos mais abaixo, na seção Sinais que mudam a prioridade. Na avaliação eu reconstruo com a pessoa a sequência de um ataque real, comparo a sensibilidade dos três ramos do nervo dos dois lados e reviso a ressonância com a pergunta clínica em mente.2

Ramos e classificação

O trigêmeo é o quinto nervo craniano. Seus três ramos sensitivos são chamados V1 (oftálmico), V2 (maxilar) e V3 (mandibular) e servem para descrever onde a dor começa e até onde se estende. O V3 também leva fibras motoras aos músculos da mastigação; por isso, força reduzida ao apertar os dentes tem significado diferente de evitar mastigar por medo do choque. O mapa ajuda a comparar os dois lados e a procurar perda de sensibilidade, mas sozinho não mostra a causa.3

Mapa clínico

Territórios do trigêmeo

V1
Oftálmico couro cabeludo anterior, fronte, pálpebra superior, córnea e dorso nasal
V2
Maxilar pálpebra inferior, maçã do rosto, lateral do nariz, lábio e dentes superiores
V3
Mandibular mandíbula, lábio e dentes inferiores, parte anterior da língua e músculos da mastigação
Olho Alteração de V1 pode exigir atenção à sensibilidade da córnea.
Boca Gatilho em dente ou gengiva não prova doença dentária.
Exame Dormência objetiva ou fraqueza mastigatória muda a prioridade da investigação.

Na forma clássica, uma artéria ou veia comprime a raiz do trigêmeo perto do tronco encefálico e deforma essa raiz, com deslocamento ou atrofia, do mesmo lado dos ataques. Um vaso apenas encostado no nervo não basta, porque esse contato também aparece em pessoas sem neuralgia.4

A neuralgia é chamada idiopática quando o padrão clínico está presente, mas uma investigação adequada não encontra compressão com deformação da raiz nem outra doença que explique os ataques. É secundária quando está ligada a uma condição demonstrável, como esclerose múltipla, tumor ou outra lesão no trajeto do nervo. Essa classificação define o que precisa ser tratado além da dor e quais procedimentos têm justificativa anatômica.4

O ataque típico

Cada ataque, também chamado paroxismo, dura de uma fração de segundo a dois minutos, atinge intensidade grave e tem qualidade de choque, disparo, punhalada ou corte, sempre dentro de um ou mais ramos do trigêmeo. Alguns episódios parecem espontâneos, mas a história precisa incluir ataques provocados por estímulos banais, como toque ou movimento do rosto. Uma minoria relata episódios mais longos ao longo da doença. Por isso, o diagnóstico sai do conjunto da história e do exame; a duração ou um gatilho isolado não bastam.1

Depois de um choque costuma haver uma pausa curta em que o mesmo toque não dispara outro ataque: é o período refratário. Esse detalhe ajuda a separar a neuralgia de algumas cefaleias trigêmino-autonômicas (dores de cabeça com ataques curtos, sobretudo ao redor do olho, e alterações intensas no olho ou no nariz), em que um novo ataque pode surgir sem essa pausa. Ele não aparece igual em todas as crises, e ninguém precisa repetir de propósito um estímulo doloroso para testá-lo; o que vale é o que a pessoa lembra ao reconstruir uma sequência real.1

Algumas pessoas mantêm, entre os choques, uma dor contínua ou quase contínua no mesmo território, que pode ser ardente, dolorida ou menos intensa que os ataques. Esse subtipo se chama neuralgia do trigêmeo com dor contínua concomitante e exige que os ataques típicos continuem presentes e que a dor de fundo ocupe a mesma área. Uma dor facial constante sem os choques não recebe esse nome, e a dor de fundo sozinha não prevê a resposta a remédio ou cirurgia.1

Como anotar um ataque

Um ataque em quatro momentos

01 AntesLocalize o início
anote o estímulo e o primeiro ponto da face atingido
02 DuranteMarque começo e fim
registre a duração espontânea sem tentar reproduzir a dor
03 Logo depoisObserve a resposta
um contato casual repetido pode deixar de disparar novo choque
04 Entre crisesSepare os intervalos
registre ausência de dor ou dor de fundo no mesmo território

O que pode parecer neuralgia

Um gatilho dentro da boca não prova origem dentária. Alterações antigas em radiografias são comuns, e um bloqueio anestésico pode silenciar por algum tempo vias dolorosas vizinhas. Por isso, canal, extração ou ajuste da mordida não servem como teste diagnóstico. Se os choques continuam depois de um tratamento dentário bem feito, seguir para os dentes vizinhos confunde a cronologia e acrescenta dano sem esclarecer a origem.3

A disfunção temporomandibular pode coexistir com a neuralgia. Nesse caso, tratar a mandíbula pode melhorar a dor de base, a limitação ou a fadiga sem mudar a frequência dos choques. Peço que a pessoa anote separadamente as crises elétricas e os sintomas da mandíbula, para que uma melhora parcial não leve a abandonar um tratamento ainda necessário.3

Uma ressonância normal não define, por si, dor facial idiopática persistente, porque a neuralgia idiopática também pode não mostrar causa estrutural. A diferença está na história. Dor contínua pode acompanhar choques trigeminais verdadeiros, mas quando a queixa sempre foi contínua e nunca teve os ataques característicos, chamá-la de neuralgia esconde justamente o dado que orienta a avaliação.1

Lacrimejar, chorar ou esfregar o nariz durante uma dor extrema é uma reação inespecífica. Ajuda separar o que começou junto com o ataque do que veio depois, pela dor ou pela manipulação do rosto. Um sinal autonômico isolado não decide o diagnóstico; quando os dados não convergem, mantenho mais de uma hipótese aberta.3

Mãos do médico aplicando o martelo de reflexos no joelho de uma pessoa deitada na maca
Teste do reflexo patelar.

A dor referida pode fazer o ouvido ou a mandíbula parecerem o ponto de origem, embora a primeira sensação tenha começado em outro território. Reconstruir a ordem do episódio mostra onde a dor começou. Quando a dor parece vir do ouvido ou da garganta, vale separar a neuralgia do glossofaríngeo, em que a dor fica na garganta, na amígdala, na base da língua ou no fundo do ouvido e é disparada por engolir, tossir, falar ou bocejar.1

Dor provocada por toque leve não é exclusiva da neuralgia do trigêmeo. Na neuralgia pós-herpética uma erupção anterior precedeu a dor, e a hipersensibilidade pode ficar ao lado de uma área dormente, com pontadas sobrepostas a um desconforto contínuo. Um gatilho parecido não apaga essa lesão sensitiva anterior, e a aparência atual da pele não mostra se o nervo se recuperou; a evolução é julgada pela dor e pela função.3

Esclerose múltipla, tumor, malformação vascular e outras lesões do trajeto do nervo podem produzir um quadro semelhante, e idade ou lado da dor não excluem essas causas. Como a história, mesmo muito típica, não permite descartá-las com segurança, o exame e a ressonância são necessários. Quando uma causa secundária aparece, o tratamento dos ataques continua, coordenado com o da doença de base.4

Comparação clínica

Sinais que sugerem outra causa da dor facial

Hipótese Padrão dominante Sinal que muda a rota Próxima checagem
Dente persistência ligada a frio, calor, mordida ou carga estrutura e teste dentário concordam com a queixa exame odontológico antes de ato irreversível
Articulação e músculos dor mecânica durante uso da mandíbula movimento, carga ou palpação reproduzem a dor habitual exame mecânico da mandíbula
Dor facial persistente diária, mais de 2 horas por dia há mais de 3 meses, mal localizada não segue nervo periférico e o exame neurológico é normal excluir causa dentária e reconhecer o padrão próprio
Cefaleia trigêmino-autonômica ataques curtos, sobretudo ao redor do olho olho ou nariz alteram de modo intenso e consistente; falta a pausa refratária neurologista com experiência em cefaleias
Nervo glossofaríngeo garganta, amígdala, base da língua ou fundo do ouvido engolir, tossir, falar ou bocejar dispara a dor avaliação neurológica desse território
Neuralgia pós-herpética queimação ou alteração sensitiva persistente na área da antiga erupção erupção anterior precedeu a dor pele, mapa sensitivo e olho se o ramo V1 foi atingido

O exame neurológico

No exame, comparo o toque leve e o estímulo com ponta nos três ramos, dos dois lados, observo a contração dos músculos ao cerrar a mandíbula e, quando indicado, testo o reflexo de proteção da córnea. Movimentos dos olhos, audição e outros nervos cranianos completam a comparação. O objetivo é documentar território, sensibilidade, força e qualquer déficit que mude a prioridade, sem tentar provocar o choque.2

A pessoa pode relatar dormência porque evita tocar a região, porque o remédio causa uma sensação estranha ou porque há perda sensitiva verdadeira, e o exame comparativo separa essas situações. Também confirma se a fraqueza ao mastigar é real. Um déficit objetivo não exclui neuralgia do trigêmeo, mas torna menos seguro chamá-la de primária antes da imagem e pode apontar para uma neuropatia do trigêmeo ou uma lesão secundária.2

A avaliação odontológica muda o caminho quando há um dente específico com alteração clínica, dor persistente ligada a temperatura ou mordida, doença da gengiva ou outra explicação oral plausível, confirmada por exame e testes apropriados. Se o dentista não encontra causa concordante, a investigação volta para a neurologia ou para a dor orofacial.2

Ressonância magnética

A ressonância magnética examina o cérebro e o trajeto do quinto nervo, procura esclerose múltipla, tumor ou outra lesão e mostra a relação entre os vasos e a raiz do trigêmeo. Pode ser feita da cabeça ou das órbitas, da face e do pescoço, com e sem contraste, conforme o trecho do nervo e a hipótese que precisam ser esclarecidos.5

Na suspeita típica, o exame usa cortes finos da região onde a raiz do nervo sai do tronco encefálico: um tipo de imagem que mostra bem o líquido ao redor do nervo desenha a raiz e as estruturas próximas, e uma angiografia por ressonância define melhor o vaso. O restante do cérebro precisa de imagens capazes de mostrar desmielinização, a lesão da capa dos nervos que ocorre na esclerose múltipla. O contraste entra em alguns protocolos; em outros, o exame sem contraste é considerado suficiente para a maioria. O médico e o neurorradiologista ajustam o protocolo à dúvida clínica.2

O laudo pode falar em contato, compressão, deslocamento ou atrofia, e essas palavras não são equivalentes. Contato isolado não prova que o vaso cause os ataques. Deformação da raiz do lado dos sintomas torna a forma clássica mais provável e abre a conversa sobre descompressão microvascular. Uma ressonância sem conflito vascular também não descarta a neuralgia: depois de investigação adequada, pode levar à classificação idiopática e muda a preferência entre procedimentos.4

Quando a ressonância é contraindicada, testes neurofisiológicos dos reflexos do trigêmeo, se disponíveis, ajudam a separar doença primária de secundária. Se nenhum dos dois pode ser feito, a tomografia é a alternativa, com menos detalhe sobre a raiz e sobre a desmielinização.2

Alimentação e higiene oral

Enquanto o remédio é ajustado, pequenas adaptações preservam funções básicas. Alimentos macios ou em temperatura neutra podem reduzir disparos numa fase intensa; canudo só ajuda se não for gatilho; escova de cabeça pequena e movimentos pelo lado menos sensível podem permitir a higiene oral. O objetivo é manter líquidos, nutrição e cuidado dos dentes. Vale anotar quais ajustes de fato ajudam, para que a restrição não se torne permanente sem necessidade.2

Exercício e fisioterapia podem tratar uma disfunção da mandíbula ou do pescoço associada, quando o exame a confirma; os ataques da neuralgia continuam sendo tratados com os remédios que agem sobre os canais de sódio do nervo. O apoio psicológico pode reduzir o peso da antecipação e do isolamento que os ataques provocam; a dor em si não é psicológica.4

Medicamentos

Carbamazepina e oxcarbazepina

Carbamazepina e oxcarbazepina são as primeiras escolhas para reduzir os ataques. Elas diminuem as descargas repetitivas do nervo e funcionam com uso regular, com a dose ajustada aos poucos pelo médico.4 Em quatro estudos controlados pequenos e curtos, que incluíam também outras dores neuropáticas, 56 de 92 participantes (61%) melhoraram com carbamazepina, contra 9 de 96 (9%) com placebo; esses estudos não preveem o controle ao longo dos anos.6

Acompanho a resposta pela frequência dos choques e pela capacidade de comer, conversar e escovar os dentes; na mesma conta entram sonolência, tontura e desequilíbrio, que podem limitar a rotina mesmo quando a dor cede. Exames de sangue e a revisão dos outros remédios ajudam a escolher e acompanhar o tratamento.7

Uma melhora rápida não diminui a importância de um sinal novo de toxicidade, e exames iniciais normais não garantem tolerância futura. Os riscos principais da carbamazepina são erupção grave na pele, lesão das mucosas, alteração das células do sangue, lesão do fígado e interações com outros remédios. Se controle e segurança não convivem, o remédio é trocado; diante de uma reação grave, ele é interrompido e a pessoa é avaliada.7

Escada do átrio da clínica entre a parede de tijolos vazados e as ripas de madeira, com luminárias de papel e luz natural
Escada do átrio da clínica.

A oxcarbazepina também é primeira escolha e costuma ser preferida quando as interações da carbamazepina pesam. Um estudo pequeno mostrou redução semelhante dos ataques, e ainda não se sabe qual das duas mantém melhor controle ao longo dos anos.4 O risco próprio dela é a queda do sódio no sangue (hiponatremia), que acompanho conforme o risco e os sintomas, além de reações graves de pele e de alergia. Os dados de segurança da oxcarbazepina vêm principalmente da epilepsia e orientam a vigilância em quem trata dor facial.8

As duas podem causar reação grave de pele, com risco maior em quem carrega certas variantes genéticas dos antígenos leucocitários humanos (HLA), presentes com mais frequência em algumas ancestralidades. Conforme a origem familiar, a exposição anterior ao remédio e a disponibilidade do exame, posso pedir essa tipagem antes de iniciar.7 Quando o resultado desse exame genético, para as variantes HLA-B*15:02 ou HLA-A*31:01, já é conhecido, ele orienta o uso de cada um dos dois remédios.9

Durante a tentativa, peço o registro dos períodos de ataque, da capacidade de comer e escovar os dentes, do trabalho, da sonolência, do equilíbrio e de efeitos novos. A impressão de “um pouco melhor” vira informação útil quando se sabe o que mudou e por quanto tempo. Como remissões espontâneas podem coincidir com um ajuste, pesa mais o benefício sustentado com boa tolerância do que um único dia sem choque. Com bom controle e efeitos aceitáveis, não há obrigação de partir para um procedimento.4

Remédios lado a lado

Medicamentos usados para controlar as crises

CarbamazepinaPrimeira linha · resposta frequente 4, 6, 7, 9
CandidatoAtaques confirmados e necessidade de primeira tentativa regular sob prescrição.
Por que adiar ou evitarInterações importantes, reação grave prévia, doença relevante do sangue ou do fígado, ou resultado genético conhecido que pese contra o início.
Início e horizonteA resposta é julgada durante o ajuste supervisionado da dose; os estudos foram curtos e não preveem o controle a longo prazo.
Danos importantesErupção cutânea grave, lesão de mucosa, alterações das células do sangue, lesão hepática e interações medicamentosas.
MonitorarAtaques e função, hemograma, fígado, lista de medicamentos e, conforme a origem familiar, exame genético antes do início.
Manter ou mudarManter com redução funcionalmente útil e tolerabilidade; interromper e avaliar reação grave, ou trocar se controle e segurança não convivem.
OxcarbazepinaPrimeira linha · menos interações, poucos estudos diretos 4, 8, 9
CandidatoAtaques confirmados e necessidade de primeira linha, sobretudo quando as interações da carbamazepina pesam na escolha.
Por que adiar ou evitarSódio já baixo ou vulnerável, alergia prévia relacionada ou resultado genético conhecido que pese contra iniciar.
Início e horizonteUm estudo pequeno observou redução semelhante de ataques em quatro a seis semanas; faltam comparações de longa duração.
Danos importantesQueda do sódio no sangue, erupção grave na pele, reação de mucosa, inchaço de face ou garganta e alergia cruzada.
MonitorarAtaques e função, sintomas neurológicos, sódio conforme risco ou sintomas, pele, outros medicamentos e exame genético quando indicado.
Manter ou mudarManter com benefício e sódio estável; interromper e avaliar reação grave, ou trocar diante de queda relevante do sódio ou controle insuficiente.
LamotriginaOpção posterior · poucos dados diretos 2, 12, 13
CandidatoFalha ou intolerância à primeira linha; início por especialista, isolada ou associada.
Por que adiar ou evitarCrise que exige resposta imediata, dificuldade para aumento gradual, interação relevante ou reação cutânea prévia grave.
Início e horizonteO efeito pleno pode levar vários dias; o estudo direto observou períodos de duas semanas e não define a manutenção.
Danos importantesErupção grave na pele, sobretudo nas primeiras duas a oito semanas, e interações que alteram a velocidade do aumento.
MonitorarPele, ataques, função e medicamentos que alteram a velocidade do aumento.
Manter ou mudarManter apenas com ganho definido após a tentativa planejada; erupção nova exige avaliação imediata e ausência de benefício leva à troca.
GabapentinaOpção posterior · sem estimativa confiável para os ataques 2, 16
CandidatoFalha ou intolerância à primeira linha; escolha especializada isolada ou associada quando o perfil clínico favorece a tentativa.
Por que adiar ou evitarNecessidade de uma opção com efeito melhor demonstrado, função renal reduzida, risco respiratório ou combinação sedativa difícil de aceitar.
Início e horizonteO efeito pleno pode levar vários dias; não há horizonte de resposta específico e confiável para neuralgia do trigêmeo.
Danos importantesSonolência, tontura, falta de coordenação e depressão respiratória com outros depressores ou doença respiratória.
MonitorarFunção renal, alerta, equilíbrio, coordenação, respiração, ataques e efeito funcional.
Manter ou mudarManter só com benefício observável; reduzir gradualmente ao trocar e reavaliar cedo se sedação ou risco respiratório predominam.
PregabalinaOpção posterior · pouca evidência 2, 14, 15
CandidatoFalha ou intolerância à primeira linha; tentativa especializada isolada ou associada, com baixa certeza.
Por que adiar ou evitarNecessidade de resposta melhor comprovada, função renal reduzida, edema relevante, risco respiratório ou sedação incompatível com a rotina.
Início e horizonteO efeito pleno pode levar vários dias; o estudo direto testou a associação por seis semanas e reavaliou aos seis meses.
Danos importantesTontura, sonolência, edema e depressão respiratória com outros depressores ou comprometimento respiratório.
MonitorarFunção renal, edema, alerta, equilíbrio, respiração, ataques e mudança funcional.
Manter ou mudarManter com benefício claro e tolerabilidade; reduzir gradualmente ao trocar e reavaliar se edema, sedação ou controle insuficiente persistem.
BaclofenoOpção posterior · o efeito pode se perder com o tempo 2, 17, 18
CandidatoAssociação especializada após primeira linha; interesse particular quando a pessoa com esclerose múltipla já o usa para espasticidade.
Por que adiar ou evitarInício de efeito incerto, função renal reduzida, fraqueza ou sedação que comprometa segurança.
Início e horizonteNão há início confiável definido; no acompanhamento de um a cinco anos, parte das pessoas voltou a perder a resposta após um a 18 meses.
Danos importantesSonolência, tontura, fraqueza e alucinações ou convulsões após retirada abrupta.
MonitorarFunção renal, alerta, força, equilíbrio, ataques, espasticidade quando presente e perda do benefício.
Manter ou mudarManter enquanto os ataques e, quando houver, a espasticidade melhoram; reduzir gradualmente se houver troca e reavaliar quando os ataques voltam.
Toxina botulínica AComplemento especializado · efeito medido até oito semanas 2, 19
CandidatoAdulto com neuralgia clássica e tratamento sistêmico estável, após falha recente, como possível complemento especializado.
Por que adiar ou evitarPrimeira linha ainda não tentada, necessidade de resgate imediato ou expectativa de uma técnica padronizada; não há consenso de dose ou método.
Início e horizonteO benefício apareceu na primeira semana e foi medido até a oitava; não se sabe quanto dura depois disso.
Danos importantesAssimetria e inchaço do rosto, transitórios no ensaio disponível.
MonitorarAtaques, função facial, assimetria, inchaço, tratamento oral mantido e duração do benefício.
Manter ou mudarReavaliar ao fim do período estudado; sem redução funcionalmente útil ou com dano local relevante, não repetir automaticamente.

Lamotrigina

A lamotrigina é uma opção posterior, para quem não respondeu ou não tolerou a primeira linha, iniciada por especialista, sozinha ou associada.2 A dose precisa subir devagar e o efeito pleno pode levar vários dias, por isso ela não resolve uma crise que exige resposta imediata. O risco que pede atenção é a erupção grave na pele, sobretudo nas primeiras duas a oito semanas; uma erupção nova exige avaliação imediata.13

Os dados diretos em neuralgia vêm de um estudo pequeno e curto: 14 pessoas sem controle suficiente mantiveram carbamazepina ou fenitoína e, entre as 13 que puderam ser avaliadas, 11 tiveram resultado melhor na fase com lamotrigina. Como o estudo foi curto, ela só é mantida quando há ganho claro depois da tentativa planejada.12

Gabapentina e pregabalina

Gabapentina e pregabalina também são opções posteriores, escolhidas por especialista, sozinhas ou associadas, quando a primeira linha falhou ou não foi tolerada.2 Para a gabapentina, não há estimativa confiável de resposta nos ataques, e não se pode supor que os resultados em outras formas de dor neuropática valham para a neuralgia. A pregabalina foi comparada com a lamotrigina em um estudo aberto cruzado com apenas 22 pessoas que não tinham respondido bem à carbamazepina: as duas foram somadas ao tratamento de base e não houve diferença significativa entre elas.

Por isso, a tentativa é individual e não há ordem definida entre as duas.14 Com a gabapentina, acompanho a função dos rins, a sonolência, a tontura, o equilíbrio e o risco de depressão respiratória quando ela é combinada a outros sedativos ou há doença respiratória; na troca, a retirada é gradual.16 A pregabalina pede os mesmos cuidados e também pode causar inchaço.15

Baclofeno

O baclofeno entra como associação depois da primeira linha e interessa sobretudo a quem tem esclerose múltipla e já o usa para espasticidade.2 O efeito pode se perder com o tempo. Nos estudos antigos, 7 de 10 pessoas reduziram os ataques na fase cruzada e 37 de 50 relataram alívio numa fase aberta; no acompanhamento, 18 de 60 continuavam sem dor usando o remédio, e 13 voltaram a perder a resposta entre um e 18 meses depois.17 Ele causa sonolência, tontura e fraqueza, pede atenção à função dos rins e não deve ser interrompido de repente, porque a retirada brusca pode provocar alucinações ou convulsões.18

Toxina botulínica

A toxina botulínica tipo A pode ser um complemento especializado para adultos com neuralgia clássica cujo controle com remédios continua insuficiente, mantendo o tratamento oral estável. A aplicação é local e busca reduzir os ataques sem aumentar a exposição a remédios que agem no corpo todo. Não existe técnica ou dose padronizada, e a evidência ainda é fraca.2 No ensaio disponível, com 84 adultos, responderam 70% e 86% das pessoas nos dois grupos de dose, contra 32% com placebo.

O benefício apareceu na primeira semana e foi medido até a oitava, sem dados sobre quanto dura depois disso; a assimetria e o inchaço do rosto foram transitórios.19 Antes da aplicação, registro a área dolorosa e o número de crises; depois, acompanho alimentação, fala e qualquer assimetria ou fraqueza facial. Ela não é usada como resgate em uma crise que impede beber, e a repetição depende de uma redução útil dos ataques.2

Quando o remédio não basta

Ataques que continuam impedindo comer ou escovar os dentes, perda de um efeito antes obtido, reação adversa relevante ou combinações que prejudicam o alerta e o equilíbrio pedem revisão da estratégia. Nessa situação, a conversa com o neurocirurgião permite comparar alternativas antes de somar novas associações de remédios. Essa consulta não obriga a operar; ela organiza imagem, resposta, tolerância e condições clínicas para uma decisão posterior.2

Crise intensa

Uma crise intensa pode agrupar tantos ataques que a pessoa não consegue beber, comer ou engolir o remédio; o caminho nessa situação está na seção Sinais que mudam a prioridade. No hospital, a equipe pode usar anestésicos locais ou remédios pela veia, como lidocaína, fenitoína ou fosfenitoína; os estudos medem sobretudo o alívio nas primeiras 24 horas e são limitados. A escolha depende de contraindicações, monitorização do coração e experiência da equipe, e lidocaína ou fosfenitoína pela veia não viram prescrição para casa.10

Não há evidência de que opioides tratem o mecanismo dos ataques, e eles podem somar sedação, náusea e risco de uso problemático enquanto atrasam a correção do tratamento específico. Uma crise grave leva à revisão do diagnóstico, da ingestão de líquidos e alimentos, do esquema regular de remédios e da necessidade de intervenção especializada.2

O resgate serve para atravessar a crise com segurança enquanto a equipe restabelece um remédio oral tolerável ou antecipa a avaliação neurocirúrgica. Na alta, devem ficar registrados o que foi administrado, a resposta, os efeitos adversos e o plano se a via oral voltar a falhar.10

Procedimentos para controlar os ataques

Quando discutir uma intervenção

Uma intervenção entra na conversa quando os ataques continuam limitando alimentação, higiene ou trabalho, ou quando os efeitos adversos impedem uma dose útil dos remédios. A decisão reúne o padrão dos ataques, a ressonância, a resposta às tentativas anteriores e as condições para anestesia. As opções seguem caminhos diferentes. A descompressão microvascular afasta o vaso da raiz na forma clássica e preserva o nervo; é um tratamento dirigido à causa anatômica.

As técnicas de neuroablação alteram de propósito fibras do trigêmeo para reduzir a transmissão dos ataques; tratam o sintoma por meio de uma lesão controlada do nervo, e nelas a possibilidade de dormência facial pesa mais na escolha. A radiocirurgia segue outra via: também age sobre a raiz do nervo, mas com radiação focal, e o efeito aparece ao longo do tempo.2

Descompressão microvascular

É uma cirurgia da fossa posterior, sob anestesia geral, que afasta o vaso da raiz sem lesão planejada do trigêmeo. Serve para quem tem neuralgia clássica confirmada, compressão concordante com o lado e o território dos ataques e condições para a cirurgia. A imagem estima se vaso, alteração da raiz, lado e história formam uma explicação coerente; a operação mostra a anatomia diretamente. Divergências entre o laudo, a revisão especializada e o território dos ataques precisam ser resolvidas antes do consentimento, porque uma palavra isolada no laudo não indica nem exclui a cirurgia.

Os riscos incluem acidente vascular cerebral, vazamento de líquido cefalorraquidiano e perda auditiva do mesmo lado. Anatomia, idade, outras doenças, uso de anticoagulante, audição de base e experiência da equipe mudam o peso desses riscos, e o ideal é conhecer os resultados do serviço que vai operar. Antes da anestesia, também precisa estar combinado o que fazer se a compressão esperada não for confirmada ou não puder ser corrigida: parar, modificar a descompressão ou intervir na raiz são decisões diferentes, e a última traz outro tipo de risco sensitivo.

Os resultados publicados da descompressão vêm de centros que selecionaram anatomias e riscos diferentes, definiram controle a seu modo e acompanharam as pessoas por períodos desiguais. Nunca obter alívio, voltar a ter choques depois de anos e continuar bem usando remédio também são resultados diferentes, e por isso a média publicada não vira previsão pessoal.2

Radiocirurgia

A radiocirurgia estereotáxica aplica radiação focal na raiz do trigêmeo, em sessão ambulatorial, sem corte e sem anestesia geral. Serve para neuralgia primária confirmada quando a pessoa prefere evitar cirurgia aberta e consegue manter o controle com remédios enquanto o efeito demora, porque o alívio costuma começar em um a três meses.

Por isso, não é a escolha para quem precisa de alívio imediato. O controle com remédios continua durante essa espera, e a primeira revisão é feita em cerca de seis semanas. Os efeitos a vigiar são redução da sensibilidade, piscar diminuído, olho seco e, raramente, dor na área dormente. Uma nova aplicação exige planejamento com dose menor, para limitar outra perda sensitiva.2

Radiofrequência, compressão por balão e glicerol

Nas três técnicas percutâneas, uma agulha ou um cateter atravessa a face, guiado por imagem e sob anestesia geral, até o gânglio do trigêmeo, onde calor (radiofrequência), compressão mecânica (balão) ou uma substância química (glicerol) lesam fibras do nervo. Isso não equivale a retirar o nervo. Servem para neuralgia primária confirmada que continua incapacitante apesar dos remédios, quando não há compressão adequada para a descompressão ou quando a cirurgia aberta não é indicada ou aceita.

O alívio vem mais rápido que na radiocirurgia. O custo é a alteração da sensibilidade: redução do tato, sensações desagradáveis como ardor e perda da proteção da córnea; depois da radiofrequência e do balão, também fraqueza da mastigação. Quando o ramo V1 está envolvido ou a proteção da córnea já é frágil, esses riscos pesam contra.2

Dormência e proteção do olho

Hipoestesia é a redução da sensibilidade; disestesia é uma sensação alterada e desagradável, como ardor ou toque incômodo. As duas podem atrapalhar o olho, a boca e a qualidade de vida. Uma complicação rara é a anestesia dolorosa, uma dor neuropática persistente dentro da área que ficou dormente, estimada em cerca de 6 casos por 1.000 após radiofrequência.

Esse número vale para a radiofrequência e não se aplica ao balão, ao glicerol, à radiocirurgia nem a todos os serviços. O ramo V1 exige atenção especial, porque sem a sensibilidade da córnea o olho fica vulnerável sem que a pessoa perceba o contato. Depois da radiofrequência, do balão ou do glicerol, a face e a córnea precisam ser mapeadas, e a mastigação também após a radiofrequência e o balão; se a proteção do olho se perder, ele deve ser revisado todos os dias.2

Procedimentos lado a lado

Comparação dos procedimentos para o trigêmeo

Descompressão microvascularSepara o vaso · preserva o nervo · cirurgia aberta 2
CandidatoNeuralgia clássica confirmada, compressão neurovascular concordante, disposição e aptidão para cirurgia.
Alvo, via e anestesiaCirurgia da fossa posterior sob anestesia geral; afasta o vaso da raiz sem lesão planejada do trigêmeo.
Razão para não escolherSem compressão concordante ou com risco craniano e anestésico que supere a vantagem anatômica.
Início, benefício e duraçãoResposta avaliada após a operação; nas séries publicadas, 62% a 89% das pessoas estavam sem dor após 3 a 10,9 anos.
Danos importantesAcidente vascular cerebral, vazamento de líquido cefalorraquidiano, perda auditiva do mesmo lado em menos de 5% e mortalidade de 0,1% nas séries.
SeguimentoVazamento de líquido cefalorraquidiano e audição; conforme o serviço, internação média de cerca de quatro dias, redução lenta dos remédios, revisão precoce de complicações e retorno ao neurocirurgião em cerca de seis semanas.
Se falhar ou voltarRever padrão, imagem e achado operatório antes de repetir a descompressão ou escolher radiocirurgia ou neuroablação.
Radiocirurgia estereotáxicaRadiação focal · sem cirurgia aberta · efeito tardio 2, 11
CandidatoNeuralgia primária confirmada, opção sem cirurgia aberta e possibilidade de manter controle enquanto o efeito demora.
Alvo, via e anestesiaRadiação focal na raiz trigeminal em sessão ambulatorial; sem sedação ou anestesia geral.
Razão para não escolherNecessidade de alívio imediato ou expectativa de resolver uma crise atual.
Início, benefício e recorrênciaAlívio costuma começar em 1 a 3 meses; 30% a 66% sem dor após 3,1 a 5,6 anos; a dor voltou em 42,2% entre 12 meses e 5 anos.
Danos importantesRedução da sensibilidade em 18,8%, além de piscar diminuído, olho seco e, raramente, dor na área dormente.
SeguimentoManter controle medicamentoso durante a latência; observar sensibilidade, piscar e olho; revisão em cerca de seis semanas e conforme a evolução.
Se falhar ou voltarRever dose prévia, alvo e dormência; repetição exige planejamento com dose menor para limitar nova perda sensitiva.
RadiofrequênciaNeuroablação térmica · efeito rápido · alteração sensitiva 2, 11
CandidatoQuadro primário confirmado e ainda incapacitante após tratamento medicamentoso, sem compressão adequada para descompressão, ou quando cirurgia aberta não é aceita ou indicada.
Alvo, via e anestesiaLesão térmica percutânea dirigida ao gânglio trigeminal, guiada por imagem e sob anestesia geral.
Razão para não escolherAnestesia geral inadequada, ramo V1 ou proteção da córnea vulnerável, ou alteração sensitiva inaceitável.
Início, benefício e recorrênciaAlívio mais rápido que a radiocirurgia; 26% a 82% sem dor após 3 a 9,3 anos; a dor voltou em 28,8% entre 12 meses e 5 anos.
Danos importantesRedução da sensibilidade, sensação alterada desagradável, fraqueza da mastigação, perda da proteção da córnea e anestesia dolorosa.
SeguimentoMapear face, mastigação e córnea; revisar o olho diariamente se a proteção se perder; retorno ao neurocirurgião em cerca de seis semanas.
Se falhar ou voltarMedir duração e dano sensitivo antes de repetir a lesão ou escolher balão, glicerol, radiocirurgia ou descompressão quando cabível.
Compressão por balãoNeuroablação mecânica · efeito rápido · mastigação e sensibilidade 2, 11
CandidatoQuadro primário confirmado e ainda incapacitante após tratamento medicamentoso, sem compressão adequada para descompressão, ou quando cirurgia aberta não é aceita ou indicada.
Alvo, via e anestesiaCompressão mecânica percutânea do gânglio trigeminal, guiada por imagem e sob anestesia geral.
Razão para não escolherAnestesia geral inadequada, ramo V1 ou proteção da córnea vulnerável, ou custo sensitivo inaceitável.
Início, benefício e recorrênciaAlívio mais rápido que a radiocirurgia; 55% a 80% sem dor após 4,2 a 10,7 anos; a dor voltou em 12,9% entre 12 meses e 5 anos.
Danos importantesRedução da sensibilidade, sensação alterada desagradável, fraqueza dos músculos da mastigação e perda da proteção da córnea.
SeguimentoMapear face, mastigação e córnea; revisar o olho diariamente se a proteção se perder; retorno ao neurocirurgião em cerca de seis semanas.
Se falhar ou voltarComparar tempo de alívio e dano sensitivo antes de nova compressão ou de outra modalidade.
Rizólise por glicerolNeuroablação química · efeito rápido · alteração sensitiva 2, 11
CandidatoQuadro primário confirmado e ainda incapacitante após tratamento medicamentoso, sem compressão adequada para descompressão, ou quando cirurgia aberta não é aceita ou indicada.
Alvo, via e anestesiaLesão química percutânea por glicerol no gânglio trigeminal, guiada por imagem e sob anestesia geral.
Razão para não escolherAnestesia geral inadequada, ramo V1 ou proteção da córnea vulnerável, ou custo sensitivo inaceitável.
Início, benefício e recorrênciaAlívio mais rápido que a radiocirurgia; 19% a 68% sem dor após 4,5 a 8 anos; a dor voltou em 30% entre 12 meses e 5 anos.
Danos importantesRedução da sensibilidade, sensação alterada desagradável e perda da proteção da córnea; o grau de lesão varia.
SeguimentoMapear face e córnea; revisar o olho diariamente se a proteção se perder; retorno ao neurocirurgião em cerca de seis semanas.
Se falhar ou voltarComparar tempo de alívio e dano sensitivo antes de repetir glicerol ou escolher outra modalidade.
Entre 12 meses e 5 anos, a dor voltou com mais frequência após a radiocirurgia (42,2%) que após as técnicas percutâneas somadas (22,5%), e a dormência foi mais frequente após as percutâneas (50,5% contra 18,8%). Como os grupos estudados eram diferentes nas pessoas, nas técnicas e nos tratamentos anteriores, esses números não permitem dizer qual técnica é melhor. Os dados vêm de neuralgia primária que não respondeu aos remédios. 11

Quando os ataques voltam

Ataques que persistem logo depois do procedimento, retorno após um período de alívio e uma dor nova com alteração sensitiva são situações diferentes. A primeira sugere ausência de resposta; a segunda fala da duração do efeito; a terceira pode ser dano do tratamento. Essa distinção precisa ser registrada antes de repetir ou trocar a técnica, porque uma nova intervenção sobre um território já alterado muda o equilíbrio entre benefício e perda de sensibilidade.2

Causas secundárias

Na esclerose múltipla, placas no trajeto do trigêmeo podem participar dos ataques, e a doença de base precisa de acompanhamento neurológico próprio. Tumor ou outra lesão também exige um plano coordenado para a causa e para a dor. Nos dois casos, os remédios continuam sendo a primeira linha para os ataques.4

A radiocirurgia pode ser feita na esclerose múltipla ou em tumor da base do crânio, mas tende a ter resultado menos favorável que na forma clássica.2 Os números de controle e de dormência das técnicas percutâneas e da radiocirurgia vêm da forma primária e não valem automaticamente para a secundária; essa incerteza entra na conversa.11

Acompanhamento

A neuralgia pode alternar períodos intensos e remissões. Ficar semanas ou meses sem ataque não prova cura, e uma recorrência não anula o benefício anterior. Quando a dor desaparece de modo sustentado, a redução do remédio pode ser discutida e feita devagar com a equipe; parar de repente ou retomar sozinho o esquema antigo acrescenta risco. Depois de uma cirurgia, o retorno dos choques precisa ser descrito de novo, porque o padrão, a sensibilidade do rosto e a imagem podem ter mudado.2

Em cada reavaliação, comparo o que muda a vida diária: períodos de ataque, escovar os dentes e mastigar, peso e hidratação, dor contínua, fala e trabalho, sonolência, equilíbrio e exames de sangue. Um remédio pode reduzir os choques e ainda assim ser inadequado pela toxicidade, e um procedimento pode aliviar a dor e deixar uma alteração sensitiva inaceitável.

Quando o quadro muda, volto ao começo: confirmo se os ataques ainda seguem o padrão do trigêmeo, repito o exame diante de alteração sensitiva, avalio a necessidade de nova imagem e só então escolho troca de remédio ou nova intervenção. Essa sequência evita tratar um dente ou uma articulação que não explicam os choques e evita levar para cirurgia uma dor facial que já não corresponde à neuralgia do trigêmeo.4

Referências

  1. Headache Classification Committee of the International Headache Society. International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. Seções 13.1.1 Trigeminal neuralgia; 13.1.1.1.2 Classical trigeminal neuralgia with concomitant continuous pain; 13.2 Glossopharyngeal neuralgia; e 13.12 Persistent idiopathic facial pain.
  2. McMillan R, Zakrzewska J, Bahra A, et al. Guidelines for the management of trigeminal neuralgia. Faculty of Dental Surgery, Royal College of Surgeons of England. August 2021. p. 6, linhas 155-158 e 181-188; pp. 8-12; Table 1.
  3. Lambru G, Zakrzewska J, Matharu M. Trigeminal neuralgia: a practical guide. Pract Neurol. 2021;21(5):392-402. Figure 1, Tables 1-3 e seções de diagnóstico diferencial. doi:10.1136/practneurol-2020-002782. PMCID PMC8461413.
  4. Bendtsen L, Zakrzewska JM, Abbott J, et al. European Academy of Neurology guideline on trigeminal neuralgia. Eur J Neurol. 2019;26(6):831-849. doi:10.1111/ene.13950.
  5. Rath TJ, Policeni B, Juliano AF, et al. ACR Appropriateness Criteria Cranial Neuropathy: 2022 Update. J Am Coll Radiol. 2022;19(11S):S266-S303. doi:10.1016/j.jacr.2022.09.021.
Ver todas as 19 referências
  1. Wiffen PJ, Derry S, Moore RA, Kalso EA. Carbamazepine for chronic neuropathic pain and fibromyalgia in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2014 Apr 10;2014(4):CD005451. doi:10.1002/14651858.CD005451.pub3. PMID 24719027; PMCID PMC6491112.
  2. Preferred Pharmaceuticals Inc. Carbamazepine Tablets USP prescribing information. DailyMed set 867a5f4d-8ae6-4339-bbb4-0bf62fb082e5. 2026.
  3. Oxcarbazepine film-coated tablets prescribing information. DailyMed set 3f15c889-4386-850b-e063-6294a90a8dbf. Updated October 2025.
  4. Phillips EJ, Sukasem C, Whirl-Carrillo M, et al. CPIC Guideline for HLA Genotype and Use of Carbamazepine and Oxcarbazepine: 2017 Update. Clin Pharmacol Ther. 2018;103(4):574-581. doi:10.1002/cpt.1004.
  5. Moore D, Chong MS, Shetty A, Zakrzewska JM. A systematic review of rescue analgesic strategies in acute exacerbations of primary trigeminal neuralgia. Br J Anaesth. 2019;123(2):e385-e396. doi:10.1016/j.bja.2019.05.026.
  6. Akkara Y, Singh JM, Thorne L, Hill CS. Stereotactic Radiosurgery versus Neuroablative Techniques for Medically Refractory Trigeminal Neuralgia: A Systematic Review and Meta-Analysis of Outcomes. Stereotact Funct Neurosurg. 2025;103(3):154-165. doi:10.1159/000543859.
  7. Zakrzewska JM, Chaudhry Z, Nurmikko TJ, Patton DW, Mullens EL. Lamotrigine (Lamictal) in refractory trigeminal neuralgia: results from a double-blind placebo controlled crossover trial. Pain. 1997;73(2):223-230. doi:10.1016/S0304-3959(97)00104-8. PMID 9415509.
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  10. Eskayef Pharmaceuticals Limited. Pregabalin capsules prescribing information. DailyMed set 65d9e751-61c2-4741-85c0-2526cfdc765c. Revised October 2025; updated December 31, 2025.
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  12. Fromm GH, Terrence CF, Chattha AS. Baclofen in the treatment of trigeminal neuralgia: double-blind study and long-term follow-up. Ann Neurol. 1984;15(3):240-244. doi:10.1002/ana.410150306. PMID 6372646.
  13. Par Health USA, LLC. Baclofen tablets prescribing information. DailyMed set c17527be-661d-42f5-b6f6-56a681ba7870. Revised November 2024; updated May 6, 2026.
  14. Zhang H, Lian Y, Ma Y, et al. Two doses of botulinum toxin type A for the treatment of trigeminal neuralgia: observation of therapeutic effect from a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. J Headache Pain. 2014;15:65. doi:10.1186/1129-2377-15-65. PMID 25263254; PMCID PMC4194456.

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