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Bico de papagaio na coluna: o que são osteófitos e quando causam sintomas

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Mãos do médico manipulando um modelo anatômico de vértebras lombares sobre a mesa do consultório
Neste artigo

O que é um osteófito

Bico de papagaio é o nome popular do osteófito, uma saliência de tecido ósseo que cresce na borda de uma vértebra ou de uma articulação. O termo descreve a anatomia e, sozinho, não fecha um diagnóstico: o achado não mostra se existe dor nem se há contato com raiz nervosa ou medula. Quando alguém me traz essa frase do laudo, eu começo pela localização, pelos sintomas e pelo exame, porque são eles que dão peso ao achado.12

O osteófito costuma se formar dentro do processo de artrose. Quando uma articulação acumula dano, estresse e atrito, o osso participa da reparação e do remodelamento local e acrescenta tecido nas margens. Esse mecanismo explica por que o bico aparece; se ele dói ou não depende do lugar onde cresceu e das estruturas vizinhas.12

Na coluna cervical, o osteófito geralmente faz parte de uma alteração mais ampla do segmento. O disco pode perder altura, as pequenas articulações entre as vértebras podem desenvolver artrose e as bordas das vértebras podem aumentar. Conforme a direção do crescimento e as demais estruturas envolvidas, esse conjunto pode reduzir o forame, a abertura por onde sai a raiz nervosa, ou o canal, onde passa a medula.3

Um osteófito sem contato com nervo pode não causar sintoma algum. Quando participa do estreitamento ao redor de uma raiz ou do canal vertebral, pode contribuir para dor irradiada, dormência ou fraqueza. O que define o peso do achado é a síndrome da região, somada ao exame e à imagem.2

Sintomas por região

Na radiculopatia cervical, uma raiz nervosa do pescoço fica irritada ou comprimida. A dor pode sair do pescoço ou da escápula e seguir para ombro, braço, antebraço, mão ou dedos, com dormência, formigamento, perda de reflexo ou fraqueza. O trajeto varia e não precisa desenhar um mapa perfeito; o padrão ganha peso quando coincide com alteração de força, sensibilidade ou reflexo no exame.5

Raiz lombar e claudicação

Na estenose lombar, o padrão mais característico é a claudicação neurogênica: peso, dor, cansaço ou fraqueza em nádegas ou pernas durante o tempo em pé ou a caminhada, com alívio ao sentar ou inclinar o tronco. Esse comportamento aponta para falta de espaço para os nervos durante a carga. Mesmo assim, só atribuo o sintoma aos osteófitos depois do exame e da imagem.4

Ciática é a dor que desce para a perna por irritação de uma raiz lombar. Dormência, alteração de sensibilidade, perda de reflexo ou fraqueza podem acompanhar, sem obrigação de formar um trajeto perfeito. Para confirmar, eu reúno a distribuição da dor, a força, a sensibilidade, os reflexos e os testes que colocam a raiz sob tensão. É um quadro diferente da claudicação, em que a pessoa caminha, precisa parar e melhora sentada.17

Medula cervical

A mielopatia cervical é o sofrimento da medula no pescoço. Ela pode tirar a destreza para abotoar a roupa, escrever ou manipular objetos, alterar a marcha e o equilíbrio e deixar as pernas rígidas ou fracas. O diagnóstico exige sintomas e sinais de medula somados a uma compressão cervical na imagem. Um laudo que descreve osteófito ou estenose sem esse quadro clínico não basta para chamar de mielopatia.6

Dor restrita ao pescoço, sem sintomas no braço e sem perda neurológica, é dor cervical local. Dor no braço me obriga a examinar também o ombro, o plexo braquial e os nervos periféricos. Alterações ao mesmo tempo em mãos, marcha e pernas deslocam a investigação para a medula. Distribuição, força, sensibilidade, reflexos e destreza separam esses três caminhos.56

Diagnóstico

Na estenose lombar, o grau de estreitamento medido na ressonância se relaciona pouco com a intensidade da dor e com a incapacidade. Por isso, na avaliação, eu começo pelo comportamento dos sintomas: distância que a pessoa caminha, tempo que aguenta em pé, região atingida e posição que alivia. O exame acrescenta força, sensibilidade, reflexos e marcha. A imagem entra para confirmar se existe estreitamento no nível e no lado capazes de explicar esse conjunto.9

Na radiculopatia cervical, a história reúne dor no braço ou na região da escápula, dormência, formigamento e perda de função. No exame, procuro fraqueza em grupos musculares específicos, alteração de sensibilidade e reflexos diminuídos. Em parte dos pacientes, a distribuição da dor, sozinha, localiza mal a raiz. Antes de qualquer cirurgia para descomprimir a raiz, os achados clínicos precisam corresponder ao nível comprimido na imagem.5

Na suspeita de mielopatia, o exame muda de foco. Destreza manual, marcha, equilíbrio, tônus, reflexos e respostas patológicas mostram como a medula está funcionando. A ressonância procura compressão cervical e alterações dentro da própria medula. O diagnóstico só se fecha quando os dois lados se encontram: disfunção medular no paciente e compressão correspondente na imagem.6

Outras causas

Dor no braço pode vir de outras estruturas além da raiz. Dor e limitação ao elevar ou girar o braço direcionam a avaliação para o ombro. Dormência restrita ao território de um nervo da mão pode indicar túnel do carpo ou compressão do nervo ulnar. A distribuição, os movimentos que provocam a dor, a força de cada segmento, a sensibilidade e os reflexos separam essas hipóteses antes de escolher onde tratar.5

Termos do laudo como estenose foraminal ou central, uncoartrose, artrose facetária e complexo disco-osteofitário dizem onde está a alteração; sozinhos, não dizem qual síndrome a pessoa tem. No canal lombar, o grau de estreitamento se relaciona pouco com a dor e a incapacidade. Na cervical, a compressão vista na imagem só entra no diagnóstico de mielopatia quando há sinais e sintomas de medula. Por isso a conduta segue a concordância entre exame e imagem.96

Exames de imagem

A radiografia cervical mostra alinhamento, contorno ósseo e sinais de artrose, mas define pouco a raiz nervosa, o disco e a medula. Na dor cervical crônica localizada, sem radiculopatia, trauma ou sinal de alerta, ela pode ser o exame inicial.10

Na dor cervical crônica com radiculopatia, sem trauma ou sinais de alerta, a ressonância sem contraste costuma ser o exame inicial adequado. Ela mostra raiz, disco, forame, canal e medula. A tomografia sem contraste fica para situações escolhidas, sobretudo quando a dúvida principal é óssea ou quando a ressonância não pode ser feita. A tomografia usa radiação e não responde a todas as perguntas que a ressonância responde.10

Coluna lombar

Na lombalgia com ou sem ciática, a imagem não é rotina no primeiro atendimento quando não há sinais de alerta. Em avaliação especializada, peço o exame quando o resultado tem chance de mudar a conduta: esclarecer uma compressão compatível com os sintomas, planejar um procedimento ou investigar uma hipótese específica. Um exame que apenas repete a descrição de desgaste não traz decisão nova.12

Dr. Marcus Yu Bin Pai palpa e marca com caneta o ombro de uma pessoa em pé, com um modelo de coluna vertebral ao fundo
Palpação e marcação do ombro, com um modelo de coluna ao fundo.

Quando a história e o exame são compatíveis com estenose lombar, a ressonância é o exame não invasivo preferido para confirmar estreitamento do canal ou compressão de raiz. A indicação parte do padrão de claudicação ou do déficit.9

Na dor cervical e na radiculopatia cervical estáveis, a imagem serve para a definição inicial; não existe calendário de exames para acompanhar o tamanho do osteófito.10 Na lombar, um novo exame é pedido quando pode mudar alguma decisão. Mudança de padrão, déficit novo ou planejamento de um procedimento criam outra pergunta clínica e podem justificar uma imagem atualizada.12

Imagem cervical e lombar
Quadro Exame Decisão respondida
Lombalgia local sem alerta Avaliação clínica primeiro Imagem somente se alterar o plano
Claudicação lombar Ressonância lombar Canal e raízes comprometidos
Dor cervical crônica local Radiografia pode ser escolhida Osso e alinhamento
Radiculopatia cervical crônica Ressonância sem contraste Compressão correspondente

Correlação com os sintomas

Alterações degenerativas da coluna são frequentes em pessoas sem dor e aumentam com a idade. Um osteófito encontrado por acaso pode continuar sendo apenas um detalhe anatômico. Ele passa a importar quando o local do achado coincide com a queixa, o exame mostra alteração compatível e existe perda de função ligada à mesma estrutura.11

A dor cervical ou lombar localizada pode acompanhar um segmento com artrose, e ainda assim o exame precisa separar articulação, disco, músculo, quadril e ombro. Na radiculopatia, o nível e o lado da compressão precisam corresponder ao braço ou à perna com sintomas. Na claudicação, o canal lombar e a tolerância à caminhada precisam concordar. Na mielopatia, sinais de medula e compressão cervical precisam aparecer juntos.11

Um laudo pode mostrar vários níveis alterados. O nível mais chamativo pode não ser o que produz o sintoma principal, e mais de uma estrutura pode contribuir. Eu decido com base na atividade que ficou limitada, na distribuição da dor, no exame neurológico e na imagem correspondente. Sem essa concordância, um tratamento dirigido ao osteófito tem pouca chance de acertar o alvo.11

Fisioterapia e exercício

O exercício não faz o osteófito desaparecer. A reabilitação busca mais tolerância a movimento e carga, menos dor irradiada e mais distância de caminhada, com ganho que aparece em atividades concretas. O ponto de partida e o ritmo de progressão dependem de qual síndrome foi confirmada no exame.

Dor lombar localizada

Na dor lombar localizada, sem radiculopatia, claudicação ou déficit, o primeiro plano é ativo e proporcional à limitação. Escolho o exercício pelas capacidades atuais e pela tarefa que ficou difícil, como permanecer sentado, levantar, caminhar ou carregar peso. O objetivo é ampliar a tolerância a movimento e carga. Terapia manual pode fazer parte do plano quando acompanha o exercício.12

Começo por uma tarefa tolerável, feita com técnica que não espalhe a dor para a perna, e aumento a carga conforme a função melhora. O prazo de revisão é combinado conforme a irritabilidade da dor e a frequência do tratamento. Se a função não avança, reavalio o diagnóstico, a dose do exercício e a possibilidade de outro mecanismo de dor.12

Síndrome radicular lombar

Na dor que desce pela perna, sem cauda equina e sem déficit que piora rápido, o início respeita a irritabilidade da raiz: manter a atividade e escolher exercícios que não aumentem de forma persistente a dor na perna. A caminhada e as tarefas crescem à medida que a dor distal diminui e a função melhora. Quando há resposta, o retorno gradual ao nível anterior acontece em seis a doze semanas. Depois de seis a oito semanas sem ganho suficiente de dor ou função, está indicada nova avaliação médica, e piora de força antecipa essa revisão.17

Dor cervical localizada

Na dor cervical crônica localizada, o plano combina o que o exame mostrou estar em falta: mobilidade da coluna cervical e torácica, coordenação do pescoço com as escápulas, força e resistência. Mobilização ou manipulação pode entrar depois do exame neurológico e da avaliação de risco, dentro de um plano com vários componentes, e não é obrigatória. A prioridade é recuperar movimento e capacidade para as tarefas que provocam a limitação.13

Girar a cabeça para dirigir, ficar ao computador e trabalhar com os braços acima da linha dos ombros servem como medidas de progresso. O tratamento avança quando essas tarefas melhoram sem que a dor se estenda para o braço. Piora persistente de dormência, fraqueza ou destreza pede novo exame, porque muda a hipótese de dor local para compressão de raiz ou de medula e muda também as técnicas escolhidas.13

Dor cervical e lombar localizada

LombarEscolher uma tarefa limitadaTreinar movimento e carga toleráveisComparar sentar, levantar, caminhar ou carregar
CervicalMedir mobilidade e controle das escápulasCombinar coordenação, força e resistênciaComparar rotação, tela e trabalho com braços elevados

Mudar o plano Sintoma crescente no braço ou na perna, déficit novo ou função parada após tentativa adequada.

Radiculopatia cervical

Na radiculopatia cervical sem sinal de medula, o ponto de partida acompanha a gravidade e a irritabilidade. Na fase aguda, o plano pode incluir mobilização, estabilização e mobilização neural, movimentos guiados que fazem o nervo deslizar entre os tecidos, desde que não aumentem a dor no braço ou na mão.

Na fase crônica, a tração cervical intermitente, que aplica e alivia força no pescoço de forma alternada, pode se somar a mobilização, alongamento e fortalecimento. Força e tarefas progridem quando a dor distal diminui e a função da mão melhora; piora persistente no braço, fraqueza ou perda de destreza mudam a direção e antecipam o encaminhamento.13

Claudicação lombar

Na estenose lombar com claudicação, o ponto de partida é um programa estruturado de seis semanas que combina exercício e terapia manual, com ou sem orientação educativa. A caminhada começa no tempo ou na distância que a pessoa tolera, e o nível seguinte só aumenta quando a etapa atual não deixa piora persistente nas pernas. Ao fim das seis semanas, ganho mensurável de caminhada e função sustenta nova progressão; sem ganho relevante, reavalio o diagnóstico, a anatomia e as opções seguintes.4

Mielopatia leve

Na mielopatia cervical leve, há duas opções: cirurgia ou uma tentativa supervisionada de reabilitação estruturada. A opção sem cirurgia exige diagnóstico definido e acompanhamento neurológico de mãos, marcha, força e controle da bexiga e do intestino. O programa é diferente do cuidado habitual da dor cervical. Deterioração neurológica objetiva encerra a tentativa e antecipa a avaliação cirúrgica.15

Medicamentos

Na artrose dolorosa sem síndrome neurológica, o remédio é coadjuvante: serve para reduzir a dor o bastante para a pessoa voltar a se movimentar e cumprir o plano ativo. Ele não reduz o osteófito. Quando escolho uma classe, defino antes o objetivo clínico, a menor exposição que funcione e a data de revisão. Alívio sem ganho de função, ou necessidade de aumentar a dose continuamente, me leva a rever a estratégia.14

Anti-inflamatório

O anti-inflamatório não esteroidal por via oral pode ser considerado na lombalgia, depois de revisar idade, pressão arterial, risco para o estômago e o intestino, rins, fígado, coração, uso de anticoagulantes e interações com outros remédios. O benefício é sintomático e de curta duração, com a menor dose eficaz pelo menor período. Os limites são a toxicidade digestiva, hepática, cardiovascular e renal, e o monitoramento clínico ou laboratorial segue o risco de cada pessoa. Se dor e função não melhoram, o teste termina, sem exposição prolongada.1412

Remédios na ciática

Na ciática, os gabapentinoides (como gabapentina e pregabalina), outros anticonvulsivantes, o corticoide por via oral e os benzodiazepínicos (calmantes como o diazepam) não trazem benefício suficiente para uso de rotina, e os danos pesam mais que o ganho. Opioides não são indicados para ciática crônica. Para quem já usa opioide, gabapentinoide ou benzodiazepínico, dependência e abstinência entram na revisão do tratamento. Quando a redução é indicada, ela segue um plano seguro, porque a suspensão abrupta pode provocar abstinência ou piora clínica.12

Raiz cervical e estenose lombar

Na radiculopatia cervical por desgaste, nenhum esquema de remédios mostrou vantagem sobre a evolução natural do quadro. Um analgésico ou anti-inflamatório, quando escolhido, funciona como teste sintomático, com alvo, risco e prazo de revisão definidos. Se a fraqueza progride, a mão perde função ou a dor fica incapacitante, o próximo passo é nova avaliação.5

Na estenose lombar, nenhum remédio específico tem apoio suficiente para ser recomendado. Quando uso algum, o objetivo é reduzir a dor; o espaço do canal continua o mesmo. Por isso a resposta se mede pela função: tempo em pé, distância de caminhada e atividades recuperadas. Sem ganho nessas medidas, o teste falhou e o plano completo precisa ser revisto.9

Procedimentos e cirurgia

Injeção na lombalgia localizada

Injeção genérica na coluna não trata lombalgia localizada sem causa definida, nem um osteófito encontrado por acaso. Antes da infiltração, defino um alvo clínico e anatômico, como uma raiz nervosa, uma articulação facetária ou o canal. Sem esse alvo, a injeção não esclarece a causa da dor e não abre uma sequência lógica de tratamento.12

Epidural lombar

A epidural com anestésico local e corticoide pode ser considerada na ciática aguda e intensa, depois de confirmar o padrão radicular e afastar urgência. O medicamento é depositado no espaço epidural, perto da raiz suspeita.12 O alvo é a raiz irritada. Em média, a redução da dor na perna e da incapacidade é pequena e vale para o curto prazo, de pouco mais de duas semanas até três meses.16

Na decisão entram intensidade, duração, déficit, uso de anticoagulantes, infecção, alergias e alternativas. Os efeitos adversos descritos incluem aumento transitório da dor, dor de cabeça e punção dural, a perfuração acidental da membrana que envolve os nervos; os estudos registraram esses efeitos de forma incompleta. Na revisão, comparo dor na perna, sono interrompido pelo sintoma e função; se não houve benefício, a aplicação não é repetida automaticamente.16

Na claudicação por estenose central lombar, a situação é outra: acrescentar corticoide à epidural feita só com anestésico (lidocaína) não trouxe melhora clinicamente importante, nem a curto nem a longo prazo. Nesse quadro, o plano volta à reabilitação estruturada, à medida da caminhada e à avaliação de descompressão quando os sintomas continuam moderados ou graves.4

Infiltração transforaminal cervical

Na radiculopatia cervical confirmada, a infiltração epidural transforaminal, feita pela abertura de saída da raiz e guiada por fluoroscopia (raios X em tempo real) ou por tomografia, pode ser considerada por um especialista. O benefício é incerto: em estudos pequenos, o alívio, quando ocorreu, durou até seis meses. Entre as complicações raras descritas estão lesão da medula e morte. Antes do procedimento, a indicação, a via, o material injetado e a alternativa cirúrgica precisam ser discutidos com o paciente.5

Cirurgia descompressiva lombar

A cirurgia descompressiva é considerada quando a estenose lombar produz sintomas moderados ou graves, limita a marcha e as atividades e continua relevante depois do tratamento sem cirurgia. A imagem precisa mostrar estreitamento compatível com o quadro. A operação amplia o espaço do canal e das raízes removendo o que for necessário da compressão; a extensão depende dos níveis envolvidos e da estabilidade da coluna.9

Pacientes bem selecionados podem manter a melhora de dor e função por anos, embora sintomas residuais sejam comuns. Lesão da dura-máter, a membrana que envolve os nervos, e necessidade de nova operação estão entre os riscos relevantes. No acompanhamento, comparo marcha, dor nas pernas, função e déficit. Se os sintomas persistem ou voltam, reviso o nível descomprimido, a possibilidade de outro estreitamento, instabilidade e causas fora da coluna.9

Cirurgia na radiculopatia cervical

Radiculopatia cervical estável há seis semanas ou mais não exige encaminhamento de rotina quando a dor está controlada, a função é aceitável e não há sinal de medula. Dor não controlada, incapacidade ou déficit relevante antecipam a avaliação especializada. Diante de fraqueza progressiva, alteração da marcha ou perda de destreza, não se espera o prazo de seis semanas.8

Quando raiz, nível e déficit concordam, a cirurgia cervical pode aliviar os sintomas mais depressa que o tratamento sem cirurgia; em um estudo pequeno, os resultados dos dois caminhos se aproximaram em um ano. A técnica libera a raiz pela frente ou por trás do pescoço e pode incluir artrodese, a fusão de vértebras para estabilizar o segmento, conforme a anatomia. Infecção e nova operação estão entre os riscos, que variam com a via e o número de níveis tratados.5

Cirurgia na mielopatia cervical

Na mielopatia cervical moderada ou grave, a recomendação é cirurgia. O alvo é a compressão da medula. A técnica depende do número de níveis, do alinhamento, da direção da compressão e da necessidade de estabilização. A prioridade aumenta quando há deterioração neurológica, porque déficit prolongado ou grave reduz a chance de recuperação completa.15

Depois da descompressão, função neurológica, incapacidade e dor são acompanhadas ao longo de meses. Os estudos mediram resultados de seis meses a três anos ou mais. Os riscos conhecidos incluem disfagia (dificuldade para engolir), paralisia da raiz C5, uma raiz nervosa do pescoço (fraqueza nova, sobretudo para elevar o braço), infecção, fístula liquórica (vazamento do líquido que envolve o cérebro e a medula), piora neurológica e nova operação.15

Procedimentos conforme o quadro

Síndrome Alvo Opção Próxima decisão
Dor lombar local Nenhum alvo neural definido Sem injeção genérica Rever diagnóstico e plano ativo
Ciática aguda intensa Raiz lombar Epidural em casos escolhidos Medir ganho de curto prazo na perna e na função
Claudicação central Canal lombar Reabilitação ou descompressão Comparar marcha e limitação
Radiculopatia cervical Raiz cervical Infiltração de benefício incerto ou cirurgia Rever força, braço e mão
Mielopatia moderada ou grave Medula cervical Descompressão cirúrgica Acompanhar função neurológica

Reavaliação

Na artrose dolorosa localizada, o retorno leva em conta a intensidade dos sintomas, a limitação funcional e se algum tratamento exige monitoramento. As medidas podem ser simples e repetíveis: girar o pescoço, ficar sentado, levantar, carregar peso e quantas vezes o remédio de resgate foi necessário. Melhora sustenta a progressão do plano. Função parada ou efeitos adversos levam a ajustar a carga, rever os remédios ou buscar outra hipótese diagnóstica.14

Na estenose lombar com claudicação, o seguimento registra distância ou tempo de caminhada, dor nas pernas, função física, qualidade de vida e a percepção de melhora do próprio paciente. A imagem não substitui essas medidas. Perda progressiva de marcha, incapacidade persistente ou déficit mudam a conversa entre continuar a reabilitação e avaliar a descompressão.4

Raiz e medula cervical

Na radiculopatia cervical, a revisão compara dor no braço, força, sensibilidade, reflexos e função da mão. Dor não controlada, incapacidade ou fraqueza nova antecipam o encaminhamento. Se aparecem mãos ou pernas desajeitadas, alteração da marcha, reflexos exaltados ou mudança no controle da bexiga ou do intestino, o seguimento deixa de ser eletivo e vale a rota do quadro de urgência neurológica acima.8

Hall da clínica com a escada, as portas dos consultórios e cadeiras de madeira
Hall e escada da clínica.

Compressão da medula vista na ressonância, sem mielopatia e sem radiculopatia, não indica cirurgia preventiva de rotina. Essa pessoa segue em acompanhamento clínico e aprende a reconhecer alterações de mãos, marcha, força e controle da bexiga e do intestino. O intervalo entre as consultas depende do risco e do acesso. Uma disfunção neurológica nova muda o quadro e pede avaliação antecipada, sem esperar a próxima imagem programada.15

Na mielopatia cervical leve tratada inicialmente sem cirurgia, deterioração neurológica objetiva muda a conduta para avaliação cirúrgica. Deterioração aqui é uma nova perda neurológica observável no exame, e a oscilação da dor sozinha não entra nessa conta. Dor sem mudança neurológica pode seguir o plano já combinado; deterioração exige avaliação especializada no prazo que a gravidade determinar.15

Referências

  1. NHS. Osteophyte (bone spur) (abre em nova aba). Revisado em 23 de junho de 2026.
  2. Cleveland Clinic. Bone Spur (Osteophyte): Causes, Symptoms and Treatment (abre em nova aba). Revisado em 14 de outubro de 2024.
  3. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Cervical spondylosis (abre em nova aba). Revisado em 4 de junho de 2025.
  4. Ammendolia C, et al. Non-operative treatment for lumbar spinal stenosis with neurogenic claudication (abre em nova aba). BMJ Open. 2022.
  5. North American Spine Society. Diagnosis and Treatment of Cervical Radiculopathy from Degenerative Disorders (abre em nova aba).
Ver todas as 17 referências
  1. Fehlings MG, et al. AO Spine and CSRS guideline scope for degenerative cervical myelopathy (abre em nova aba). Global Spine Journal. 2017.
  2. Milligan J, et al. Degenerative cervical myelopathy: diagnosis and management in primary care (abre em nova aba). Canadian Family Physician. 2019.
  3. NICE. Suspected neurological conditions: recognition and referral (abre em nova aba). NG127. Atualizado em 2023.
  4. North American Spine Society. Diagnosis and Treatment of Degenerative Lumbar Spinal Stenosis (abre em nova aba).
  5. American College of Radiology. Appropriateness Criteria: Cervical Pain or Cervical Radiculopathy (abre em nova aba). Revisado em 2024.
  6. Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations (abre em nova aba). AJNR. 2015.
  7. NICE. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (abre em nova aba). NG59. Atualizado em 2020.
  8. Blanpied PR, et al. Neck Pain: Revision 2017 Clinical Practice Guidelines (abre em nova aba). Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy. 2017.
  9. NICE. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management (abre em nova aba). NG226.
  10. Fehlings MG, et al. Clinical Practice Guideline for Degenerative Cervical Myelopathy (abre em nova aba). Global Spine Journal. 2017.
  11. Oliveira CB, et al. Epidural corticosteroid injections for lumbosacral radicular pain (abre em nova aba). Cochrane Database of Systematic Reviews. 2020.
  12. Royal Dutch Society for Physical Therapy. KNGF Guideline on Low Back Pain and Lumbosacral Radicular Syndrome (abre em nova aba). 2021.

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