ARTIGO

Bico de Papagaio (Osteófitos) na Coluna – Devo me preocupar?

Bico de Papagaio na Coluna: Entenda as Protuberâncias Ósseas e Tratamentos Eficazes

O termo “bico de papagaio” refere-se à formação de osteófitos (bicos ósseos) nas bordas dos corpos vertebrais, visualizados em exames radiográficos com formato característico que lembra o bico da ave. Anatomicamente, representam a hipertrofia dos processos uncinados na coluna cervical ou espículas osteofíticas nas regiões torácica e lombar, resultantes da degeneração discal e reação osteoblástica do organismo à instabilidade segmentar.

Esta condição afeta mais de 60% da população acima de 50 anos, sendo considerada um marcador radiológico de espondilose (artrose da coluna). Embora frequentemente assintomática, quando localizados em regiões específicas podem causar estenose dos forames intervertebrais, compressão radicular e, em casos severos, mielopatia cervical. O manejo terapêutico moderno prioriza a preservação da função e alívio sintomático através de protocolos não cirúrgicos altamente eficazes.

60%
Prevalência após 50 anos
C5-C6
Localização mais comum
85%
Melhora sem cirurgia
0
Reversão espontânea (estável)

Formação Patológica: Por Que Surgem os Osteófitos?

Os osteófitos vertebrais desenvolvem-se como resposta biológica à degeneração do disco intervertebral e instabilidade segmentar. Com o desgaste do disco e perda de altura, o ligamento longitudinal anterior e posterior sofrem tração excessiva, estimulando a formação óssea na tentativa do organismo de estabilizar a articulação comprometida. Nos processos uncinados cervicais, a hipertrofia ocorre especificamente devido à movimentação anormal das articulações uncovertebrais (de Luschka).

A coluna cervical é particularmente vulnerável devido à alta mobilidade e carga de sustentação da cabeça. Os processos uncinados normais projetam-se superomedialmente; quando hipertrofiados formam o “bico de papagaio” que pode projetar-se posteriormente, invadindo o forame intervertebral e comprometendo as raízes nervosas (C5, C6 ou C7 dependendo do nível afetado).

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Fase Degenerativa

Desidratação do disco, perda de altura, instabilidade microscópica

🛡️

Resposta Óssea

Formação de osteófitos para aumentar área de sustentação e limitar movimentos excessivos

Mecanismo de compensação biológica, não uma “doença” que cresce indefinidamente

Manifestações Clínicas e Padrões de Compressão

A grande maioria dos osteófitos é radiologicamente evidente mas clinicamente silenciosa. Sintomas surgem quando a protuberência óssea estreita significativamente o forame neural (estenose foraminal) ou, raramente, comprime a medula espinhal (mielopatia). Na cervicalgia, a dor pode irradiar para o ombro, braço e mãos seguindo o dermátomo da raiz nervosa comprimida.

Padrões típicos incluem C5 (dor no ombro, fraqueza do deltoide), C6 (dor no braço e polegar, fraqueza extensora do punho), C7 (dor no tríceps e dedo médio, fraqueza extensora do cotovelo). A compressão bilateral múltipla em idosos pode resultar em mielopatia cervical espondilótica, caracterizada por disfunção de marcha, espasticidade e alterações de função miccional.

Tabela 1: Nível de Compressão, Sintomas e Condutas
Nível Cervical Sintomas de Irradiação Déficits Neurológicos Conduta Inicial
C4-C5 (C5) Ombro lateral, região deltoide Fraqueza abdução ombro, dor no trapézio Fisioterapia, infiltração selectiva
C5-C6 (C6) Braço anterolateral, polegar e indicador Fraqueza extensão punho, parestesia radial Reabilitação, acupuntura, manejo da dor
C6-C7 (C7) Braço posterior, terceiro dedo Fraqueza extensão cotovelo, tríceps Tratamento conservador intensivo
Múltiplos níveis Difusos, bilaterais Mielopatia: marcha espástica, hiperreflexia Avaliação neurocirúrgica

Diagnóstico por Imagem e Interpretação

A radiografia simples em perfil evidencia os osteófitos como projeções ósseas triangulares nas bordas dos corpos vertebrais. A tomografia computadorizada (TC) com reconstrução 3D oferece detalhamento ósseo superior, útil para planejamento cirúrgico quando necessário. A ressonância magnética (RM) é essencial para avaliar o conteúdo foraminal, grau de compressão neural e estado dos discos adjacentes.

É fundamental correlacionar os achados de imagem com a clínica. Estudos demonstram que 30% dos assintomáticos apresentam estenose foraminal moderada a grave em exames. Somente quando há correspondência entre o nível anatômico e o padrão de dor/deficit neurológico confirma-se a causalidade.

Tabela 2: Opções Terapêuticas por Gravidade e Evidência
Modalidade Mecanismo Indicação
Fisioterapia Cervical Mobilização neural, tração, fortalecimento estabilizadores profundos Cervicalgia e radiculopatia leve a moderada
Acupuntura Médica Modulação da dor radicular, relaxamento paravertebral Dor neuropática cervical crônica
Infiltrações Foraminais Corticóide + anestésico no forame afetado Radiculopatia aguda incapacitante
Ondas de Choque Inibição da dor no ponto gatilho miofascial associado Dor miofascial secundária às vértebras
Cirurgia (Artrodese/Foraminotomia) Descompressão direta e estabilização Mielopatia progressiva ou falha conservador após 12 semanas

Tratamento Conservador: Protocolos Não Cirúrgicos

O manejo não operatório é eficaz em 85-90% dos pacientes com radiculopatia cervical por osteófitos. A abordagem multifatorial inclui controle inflamatório, reabilitação postural e técnicas de modulação da dor. A tração cervical mecânica, quando realizada por profissionais treinados, aumenta o diâmetro foraminal temporariamente, aliviando a compressão radicular.

A acupuntura médica demonstra eficácia na cervicalgia crônica através da estimulação de pontos distais (ponto grande do valgo para C5-C6) e locais para-espinhais. O fortalecimento dos músculos flexores profundos do pescoço (longo do colo e reto anterior) reduz a carga sobre os processos uncinados, diminuindo a irritação articular.

Infiltrações selectivas dos nervos cervicais ou epidurais cervicais transforaminais oferecem “janela terapêutica” para início da reabilitação em casos de dor intensa. São procedimentos image-guideds (raio-X ou TC) realizados por médicos especialistas, com taxas de sucesso de 60-70% para alívio de curto a médio prazo.

MD

Recomendação Especializada

Evite manipulações cervicais de alta velocidade (quiropaxia agressiva) quando há osteófitos significativos. A artroplastia uncovertebral rigidez naturalmente a mobilidade segmentar; forçar movimentos além do limite anatômico pode causar lesão arterial vertebral ou distensão radicular. Prefira mobilizações articulares suaves e técnicas de tração controlada.

Tabela 3: Conservador versus Cirúrgico – Resultados Comparativos
Desfecho Tratamento Conservador Cirurgia (Foraminotomia/Fusão)
Alívio da dor radicular (1 ano) 75-85% satisfatório 85-95% excelente
Recuperação funcional Gradual (8-12 semanas) Imediato (dor) / 3-6 meses (fusão)
Mobilidade cervical preservada Total Limitada nos níveis fusionados
Síndrome da articulação adjacente Não aplicável Risco de 25% em 10 anos
Custo e morbidade Baixo Alto (cirurgia, implantes, reabilitação)

Indicações Cirúrgicas: Quando a Cirurgia é Necessária?

A descompressão cirúrgica é reservada para casos de mielopatia cervical (comprometimento da medula) com sinais de comprometimento neurológico progressivo, ou radiculopatias severas refratárias ao tratamento conservador adequado por 8-12 semanas. O objetivo é aliviar a compressão neural e estabilizar segmentos instáveis.

Técnicas minimamente invasivas como a foraminotomia posterior endoscópica ou microscópica removem o osteófito compressivo sem necessidade de fusão, preservando a mobilidade. Em casos de instabilidade associada ou colapso discal severo, a artrodese (fusão) com cages e placas pode ser necessária, embora carregue o risco de sobrecarga dos níveis adjacentes no longo prazo.

Evolução Natural e Prevenção

Os osteófitos são irreversíveis radiologicamente – uma vez formados, não reabsorvem espontaneamente. Entretanto, sua progressão pode ser retardada e os sintomas controlados efetivamente. Estudos de longo prazo demonstram que pacientes que aderem à reabilitação postural e exercícios regulares mantêm funcionalidade preservada por décadas, mesmo com presença radiológica de bicos de papagaio extensos.

A prevenção secundária inclui ergonomia computacional (monitor à altura dos olhos, suporte para antebraços), evitar tabagismo (fator de aceleração degenerativa), controle de peso, e exercícios regulares de fortalecimento cervical e escapular. A mobilidade articular mantida reduz a formação de osteófitos compensatórios.

Cronograma de Tratamento e Expectativa

Fase Aguda (Semanas 1-4)

Colar cervical macio (curto prazo), analgesia, evitar movimentos que comprimem o forame (extensão e rotação).

Recuperação Ativa (Semanas 4-12)

Fisioterapia intensiva, tração cervical, fortalecimento de flexores profundos, correção postural.

Manutenção (Contínua)

Exercícios domiciliares, ergonomia ocupacional, retorno gradual às atividades esportivas sem impacto cervical.

Conclusão

O “bico de papagaio” na coluna representa uma resposta adaptativa do organismo à degeneração discal e instabilidade segmentar, sendo um achado comum na população adulta. Embora irreversível anatomicamente, raramente requer intervenção cirúrgica. O manejo moderno prioriza a reabilitação funcional, correção postural e técnicas minimamente invasivas para controle da dor.

A compreensão de que estes osteófitos são “estabilizadores biológicos” e não necessariamente agentes patológicos ajuda a reduzir a ansiedade do paciente e evita cirurgias desnecessárias. Com acompanhamento multidisciplinar adequado, a grande maioria dos pacientes mantém qualidade de vida e função cervical preservadas ao longo dos anos.

Clínica Dr. Hong Jin Pai

Alameda Jaú, 687 – Jardim Paulista, São Paulo – SP

Equipe especializada em Dor do Grupo de Dor da Neurologia e Ortopedia – Hospital das Clínicas FMUSP

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Tratamentos não cirúrgicos: Acupuntura Médica, RPG Cervical, Infiltrações Guiadas por Imagem, Fisioterapia Motora, Laser Terapêutico

Perguntas Frequentes sobre Bico de Papagaio na Coluna

O bico de papagaio some com tratamento?
Não. Os osteófitos são formações ósseas permanentes que não regridem com medicamentos ou fisioterapia. O tratamento visa controlar a dor e melhorar a função, não remover o bico radiologicamente. A cirurgia é a única forma de remoção anatômica, mas raramente é indicada apenas por presença do osteófito sem compressão neural severa.
Posso fazer quiropraxia se tenho bico de papagaio?
Manipulações cervicais de alta velocidade e amplitude devem ser evitadas quando há osteófitos significativos, especialmente se associados à estenose foraminal. A rigidez articular decorrente dos osteófitos protege a articulação; forçar movimentos pode lesionar raízes nervosas ou artérias vertebrais. Técnicas de mobilização suave, tração e exercícios são mais seguras e eficazes.
O bico de papagaio pode crescer e perfurar alguma coisa?
Não. Os osteófitos crescem lentamente ao longo de anos, estabilizando-se quando a instabilidade segmentar é compensada. Não são “pontas afiadas” que perfuram estruturas, mas sim crescimentos ósseos contínuos com a superfície vertebral. Quando causam sintomas, é por compressão gradual de estruturas adjacentes (nervos), não perfuração.
Qual a diferença entre bico de papagaio e hérnia de disco?
O bico de papagaio é osso (calcificado), formado nas bordas vertebrais ao longo de anos. A hérnia de disco é tecido mole (cartilagem/núcleo pulposo) que migra para fora do espaço discal, geralmente de forma mais aguda. Ambas podem comprimir nervos, mas osteófitos causam estenose foraminal crônica enquanto hernias causam compressão aguda. Os tratamentos são similares, embora hernias possam reabsorver e osteófitos não.
Posso trabalhar normalmente com bico de papagaio?
Sim. A maioria dos pacientes mantém atividades laborais normais, desde que adaptem a ergonomia. Evite prolongar a cervical em flexão (olhar para baixo em tablets/celulares) ou extrema extensão. Trabalhos braçais acima da cabeça (pintores, eletricistas) podem necessitar de adaptações. O repouso absoluto não é recomendado e pode piorar a rigidez.
A infiltração dissolve o bico de papagaio?
Não. Infiltrações com corticoides não dissolvem o tecido ósseo do osteófito. Elas reduzem a inflamação ao redor do nervo comprimido e a edema perineural, aliviando a dor radicular. O efeito é temporário (semanas a meses), permitindo a janela para reabilitação, mas não modificam a anatomia óssea. Infiltrações não guiadas por imagem (ultrassom/raio-X) têm risco de lesão neural ou vascular.
O uso de colar cervical cura o problema?
Não cura, mas pode aliviar sintomas agudos. O uso prolongado (mais de 2-3 semanas) é desencorajado pois causa atrofia dos músculos estabilizadores do pescoço, piorando a instabilidade a longo prazo. Deve ser usado apenas em crises agudas dolorosas, por períodos curtos (algumas horas ao dia), e sempre associado à reabilitação muscular ativa.
Posso fazer Pilates ou yoga com bico de papagaio?
Sim, com modificações. Evite posições de yoga que forcem extensão cervical máxima (ponte, cobra profunda) ou rotações forçadas. No Pilates, priorize exercícios de estabilização cervical e escapular, evitando flexão crânica contra resistência. Informe sempre o instrutor sobre sua condição para adaptações das posições.
O bico de papagaio pode causar tontura ou vertigem?
Osteófitos extensos no nível C1-C2 (raro) ou artrose atlantoaxoidea podem comprometer a circulação vertebrobasilar causando tontura, mas é incomum. A maioria das tonturas cervicais é de origem proprioceptiva (distúrbio dos receptores musculares) e não diretamente compressão vascular. Síndrome vertiginosa por compressão arterial requer investigação diferencial cuidadosa com angiorressonância.
Exercícios de fortalecimento não aumentam o desgaste?
Não. O fortalecimento adequado dos músculos paravertebrais e escapulares melhora a biomecânica e distribui melhor as cargas, reduzindo o estresse sobre as articulações degeneradas. A musculatura funciona como “músculo hidráulico” estabilizador, protegendo as estruturas ósseas. A imobilidade completa é que acelera a degeneração.
Como dormir com bico de papagaio cervical?
Prefira posição supina (de costas) com travesseiro de altura média que mantenha a cervical neutra (não muito flexionada nem estendida). Se dormir de lado, o travesseiro deve preencher o espaço entre ombro e cabeça mantendo alinhamento. Evite posição de bruços que força rotação cervical. Travesseiros de espuma com memória ou água podem ajudar a manter o alinhamento.
A cirurgia para remover o bico de papagaio é arriscada?
A foraminotomia (remoção do osteófito) é procedimento seguro em mãos experientes, mas como toda cirurgia cervical carrega riscos: infecção, lesão nervosa (1-2%), hematoma, instabilidade subsequente. A abordagem anterior (via frontal do pescoço) passa próximo à estruturas vasculares e laríngeas. Por isso é reservada para casos onde o benefício supera os riscos (mielopatia ou dor incapacitante refratária).
O bico de papagaio pode voltar depois da cirurgia?
Sim, a recidiva de osteófitos pode ocorrer, especialmente se a instabilidade segmentar persistir ou se houver degeneração acelerada dos níveis adjacentes (síndrome da articulação adjacente). Por isso, mesmo operados, pacientes devem manter programa de exercícios de fortalecimento cervical vitalício e ergonomia adequada para minimizar recorrência.
A acupuntura realmente ajuda no bico de papagaio?
Sim. Estudos demonstram eficácia da acupuntura na cervicalgia crônica e radiculopatia cervical, modulando a dor através de opioides endógenos e melhorando a irrigação local. Pontos distais (como IG4 para C5-C6) e locais para-espinhais são utilizados. Não reverte o osteófito, mas reduz a dor e espasmo muscular associados, melhorando a funcionalidade.

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Fase Leve – Prevenção

Dor ocasional, sem irradiação

  • Retração cervical: 10 repetições, 3x ao dia (corrigir postura crânio anterior)
  • Rotação suave: Giro lento da cabeça lado a lado, amplitude confortável
  • Escápulas: Aproximar omoplatas, segurar 5 segundos, 15 repetições
  • Alongamento trapézio: Inclinar cabeça lateralmente, segurar 30 segundos

Objetivo: Manter mobilidade e prevenir progressão.

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Orientação geral. Consulte Clínica Dr. Hong Jin Pai para avaliação individualizada.

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