O Que a Fisiatria Trata: Médico Fisiatra Especialista em Dor São Paulo

A Fisiatria, ou Medicina Física e Reabilitação, é a especialidade médica dedicada ao diagnóstico, tratamento e prevenção de incapacidades físicas, com um foco central no controle da dor crônica e aguda. Diferente de especialidades que focam na “cura” cirúrgica de uma patologia específica, o médico fisiatra concentra-se na restauração da funcionalidade e na qualidade de vida do paciente.

O objetivo principal é tratar a pessoa como um todo, não apenas o sintoma isolado. Para pacientes que sofrem de dores na coluna, lesões articulares ou dores miofasciais, o fisiatra atua como o “arquiteto” do tratamento, desenhando estratégias não cirúrgicas que combinam farmacologia, procedimentos minimamente invasivos e tecnologias avançadas de regeneração tecidual.

Diagnóstico Preciso

Avaliação clínica detalhada e uso de ultrassonografia no consultório.

Tratamento Conservador

Foco total em evitar cirurgias através de terapias médicas avançadas.

Funcionalidade

Restaurar a capacidade de movimento e autonomia do paciente.

Condições Clínicas Tratadas pela Fisiatria

O escopo de atuação do fisiatra é vasto, abrangendo desde lesões esportivas agudas até síndromes dolorosas complexas que persistem por anos. A abordagem é fundamentalmente clínica e intervencionista, utilizando procedimentos médicos para alívio rápido dos sintomas enquanto se trata a causa base.

Dores na Coluna Vertebral

A dor nas costas é uma das principais queixas nos consultórios. O fisiatra trata condições como hérnias de disco, estenose do canal vertebral, espondilose (artrose da coluna) e ciatalgia. O diferencial está na identificação exata da estrutura geradora de dor — seja ela o disco, a faceta articular ou a musculatura paravertebral — permitindo um tratamento alvo-específico.

Dores Articulares e Tendinites

Patologias como osteoartrite (artrose) de joelho e quadril, tendinopatias do ombro (manguito rotador), epicondilites e bursites são tratadas visando a preservação da articulação. O foco é reduzir a inflamação e estimular a reparação do tecido, postergando ou eliminando a necessidade de próteses.

Síndrome Dolorosa Miofascial e Fibromialgia

A dor muscular crônica, caracterizada por “nós” musculares ou pontos-gatilho (trigger points), é uma especialidade do fisiatra. Diferente da fibromialgia, que é uma condição de dor generalizada e sensibilização central, a síndrome miofascial é localizada. O fisiatra possui ferramentas para “desativar” esses pontos de dor.

Espectro de Tratamento da Dor

Lombalgia Crônica
Cervicalgia
Artrose de Joelho
Tendinite de Aquiles
Fasciíte Plantar
Síndrome do Túnel do Carpo
Espasticidade
Dores de Cabeça Tensionais

Arsenal Terapêutico: Como o Fisiatra Trata

A Fisiatria moderna dispõe de um amplo arsenal de procedimentos não cirúrgicos. O tratamento é multimodal, ou seja, combina diferentes técnicas para atacar a dor por vários ângulos: inflamação, tensão muscular e sensibilização nervosa.

1. Infiltrações e Bloqueios Anestésicos

As infiltrações são procedimentos médicos onde substâncias terapêuticas são injetadas diretamente no local da lesão. Isso permite uma ação potente com mínimos efeitos colaterais sistêmicos.

  • Bloqueios de Nervos Periféricos: Utiliza-se anestésico local (como lidocaína ou ropivacaína) guiado por ultrassom para “desligar” temporariamente a transmissão da dor em um nervo específico, proporcionando alívio imediato e permitindo a reabilitação.
  • Infiltração de Pontos-Gatilho (Agulhamento): Injeção precisa em nódulos musculares dolorosos para relaxar a fibra muscular contraída e restaurar a circulação local.
  • Viscossuplementação: Injeção de ácido hialurônico intra-articular. O ácido hialurônico atua como um lubrificante e amortecedor natural, melhorando a mobilidade em casos de artrose leve a moderada.

2. Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea

A Terapia por Ondas de Choque (TOC) é uma modalidade de tratamento regenerativo não invasivo. Diferente do “choquinho” elétrico superficial, a TOC utiliza ondas acústicas de alta energia que penetram nos tecidos lesionados.

Este impacto mecânico estimula a angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos) e a produção de colágeno. É padrão-ouro para o tratamento de condições crônicas e calcificações, como esporão de calcâneo, tendinite calcária do ombro e epicondilites refratárias.

3. Toxina Botulínica Terapêutica

Embora famosa na estética, a toxina botulínica é uma ferramenta poderosa na Fisiatria. Ela é utilizada para relaxar músculos excessivamente contraídos em casos de espasticidade (após AVC ou lesões medulares), distonias e também para tratamento profilático da enxaqueca crônica e dor miofascial cervical severa.

Tabela 1: Procedimentos Injetáveis Comuns na Fisiatria
Procedimento Substância Principal Indicação Principal
Viscossuplementação Ácido Hialurônico Artrose (Joelho, Quadril, Ombro)
Bloqueio Neuromuscular Toxina Botulínica Espasticidade, Enxaqueca, Bruxismo
Agulhamento Seco/Úmido Lidocaína ou sem fármaco Síndrome Miofascial (Trigger Points)
Proloterapia Dextrose Hipertônica Instabilidade ligamentar, Tendinopatias

4. Manejo Farmacológico da Dor

O fisiatra é especialista em prescrever e ajustar medicamentos para dor, evitando o uso excessivo de anti-inflamatórios e opioides. O foco recai sobre fármacos que modulam o sistema nervoso, como gabapentinoides (para dor neuropática) e antidepressivos duais, que em doses analgésicas ajudam a controlar a percepção da dor crônica pelo cérebro.

A Jornada Terapêutica

1. Avaliação Médica

Anamnese, exame físico detalhado e avaliação funcional. Uso de ultrassom no consultório para diagnóstico dinâmico.

2. Controle Agudo da Dor

Intervenção química (bloqueios) ou física (ondas de choque) para “apagar o incêndio” e permitir movimento.

3. Reabilitação Ativa

Prescrição de exercícios específicos para correção biomecânica e fortalecimento, prevenindo recidivas.

4. Manutenção

Acompanhamento periódico e ajustes de estilo de vida para manter a funcionalidade a longo prazo.

Fisiatra, Ortopedista ou Reumatologista?

Muitos pacientes têm dúvidas sobre qual especialista procurar. Embora haja sobreposição, as abordagens são distintas. O ortopedista é tradicionalmente um cirurgião, focado na correção estrutural (ossos e articulações). O reumatologista foca em doenças autoimunes e inflamatórias sistêmicas (como Artrite Reumatoide e Lúpus).

O Fisiatra transita entre essas áreas com um olhar funcional: se você tem uma dor que não requer cirurgia imediata, mas que limita sua vida diária, o fisiatra é o especialista indicado para gerenciar o tratamento conservador.

Tabela 2: Diferenças de Enfoque Clínico
Especialidade Foco Principal Principal Ferramenta
Ortopedista Estrutura Anatômica Cirurgia e reparo ósseo/articular
Fisiatra Função e Qualidade de Vida Procedimentos não cirúrgicos e reabilitação
Reumatologista Doenças Inflamatórias/Autoimunes Imunomoduladores e biológicos

Importante: Dor não é normal

Sentir dor por mais de 3 meses caracteriza dor crônica. Neste estágio, a dor deixa de ser apenas um sintoma e torna-se a própria doença, alterando o sistema nervoso. O tratamento precoce com um fisiatra evita que a dor se torne incapacitante.

Checklist: Devo consultar um Fisiatra?


  • Tenho uma dor nas costas ou articulações que dura mais de 3 meses.

  • Já fiz cirurgia, mas a dor persiste ou retornou.

  • Tenho mobilidade reduzida devido a um AVC, lesão medular ou doença neurológica.

  • Fui diagnosticado com hérnia de disco, mas quero tentar evitar a cirurgia.

  • Sinto dores musculares difusas e cansaço constante.

Perguntas Frequentes sobre Fisiatria

O fisiatra faz cirurgias?

Não. O fisiatra é um médico clínico especializado em tratamentos não cirúrgicos. Ele realiza procedimentos minimamente invasivos, como infiltrações e bloqueios, mas não realiza cirurgias abertas como um ortopedista.

Preciso de encaminhamento para ir ao fisiatra?

Geralmente não. Você pode procurar um fisiatra diretamente se estiver sentindo dores musculoesqueléticas, limitação de movimento ou se quiser um programa de reabilitação. Alguns planos de saúde podem exigir encaminhamento burocrático, mas clinicamente o acesso direto é encorajado.

O fisiatra trata fibromialgia?

Sim, a fibromialgia é uma das condições mais comuns tratadas pelo fisiatra. O tratamento envolve ajuste medicamentoso, educação sobre a dor, prescrição de exercícios específicos e terapias para pontos de dor localizados.

Qual a diferença entre fisiatra e fisioterapeuta?

O fisiatra é um médico que diagnostica, prescreve medicamentos e realiza procedimentos invasivos. O fisioterapeuta é o profissional que executa as terapias físicas e exercícios de reabilitação prescritos ou indicados. Eles trabalham em conjunto.

O que é infiltração?

A infiltração é a injeção de medicamentos (como corticoides, anestésicos ou ácido hialurônico) diretamente na área afetada (articulação, tendão ou músculo). O objetivo é reduzir a inflamação local e a dor de forma mais potente e rápida que medicamentos orais.

As ondas de choque doem?

Pode haver algum desconforto durante a aplicação, pois as ondas acústicas atuam em tecidos inflamados. No entanto, a intensidade é ajustada pelo médico conforme a tolerância do paciente, e o alívio da dor costuma ocorrer logo após as sessões.

O fisiatra trata idosos?

Sim, a população idosa se beneficia muito da Fisiatria. O foco é na preservação da autonomia, prevenção de quedas, tratamento de artrose e manutenção da massa muscular (combate à sarcopenia) para um envelhecimento saudável.

Quanto tempo dura o tratamento com fisiatra?

Depende da condição. Lesões agudas podem ser resolvidas em poucas semanas. Condições crônicas exigem acompanhamento a longo prazo, com visitas de manutenção para garantir que a funcionalidade e o controle da dor sejam preservados.

Fisiatria trata dor de cabeça?

Sim, especialmente cefaleias tensionais e enxaquecas crônicas. O fisiatra avalia a tensão muscular cervical e pode usar toxina botulínica ou bloqueios de nervos occipitais como parte do tratamento.

O fisiatra prescreve exercícios?

Sim. O fisiatra encara o exercício como remédio. Ele prescreve a “dose” (intensidade, frequência e tipo) correta de atividade física, considerando as limitações clínicas do paciente para evitar lesões durante a prática.

 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Deixe o seu comentário