A dor no calcanhar é uma das queixas mais comuns nos consultórios de ortopedia e fisioterapia, sendo a fascite plantar a causa predominante. Esta condição, que pode ser debilitante, afeta a qualidade de vida, limitando atividades diárias e a prática de exercícios. Embora a maioria dos casos responda bem a tratamentos conservadores, como repouso, gelo e alongamentos, uma parcela significativa dos pacientes desenvolve a forma crônica da doença, onde a dor persiste por meses a fio.
O que é Fascite Plantar?
A fascite plantar é uma condição de dor e degeneração na fáscia plantar, uma espessa faixa de tecido conjuntivo (ligamento) que corre ao longo da sola do pé. Ela conecta o osso do calcanhar (calcâneo) aos dedos, formando o arco plantar.
A função primária da fáscia plantar é dar suporte ao arco do pé e atuar como um amortecedor, absorvendo o impacto e distribuindo as forças que ocorrem durante o caminhar, a corrida ou ao ficar em pé.
É Inflamação (Fascite) ou Degeneração (Fasciose)?
Historicamente, a condição era chamada de “fascite”, sugerindo que a inflamação (o sufixo “-ite”) era a principal causa. No entanto, estudos mais recentes em pacientes crônicos demonstraram que a inflamação aguda é rara. O que ocorre, na verdade, é um processo de fasciose plantar: uma degeneração do tecido.
Isso envolve micro-rupturas, desorganização das fibras de colágeno e um espessamento da fáscia, resultado de estresse repetitivo e falha no processo de cicatrização. Compreender isso é crucial, pois explica por que tratamentos focados apenas em reduzir a inflamação (como anti-inflamatórios) podem falhar a longo prazo.
Sintomas Clássicos
O sintoma característico da fascite plantar é uma dor aguda, tipo “pontada” ou “queimação”, na base do calcanhar, mais comumente na parte interna. A dor é classicamente pior:
- Ao dar os primeiros passos pela manhã, ao sair da cama.
- Após longos períodos de inatividade ou repouso (levantar-se após ficar sentado).
- Após, e às vezes durante, longos períodos em pé ou atividade física intensa.
A dor pode diminuir após alguns minutos de caminhada, à medida que o tecido “aquece”, mas tende a retornar ao final do dia ou após esforço.
Causas e Fatores de Risco
A fascite plantar é geralmente o resultado de sobrecarga ou tensão repetitiva na fáscia, levando à degeneração. Nenhum fator isolado é o culpado; geralmente é uma combinação de influências:
- Fatores Biomecânicos: Pés chatos (planos) ou pés cavos (arcos muito altos) podem alterar a distribuição de peso e aumentar a tensão na fáscia. A pronação excessiva (o “virar” do pé para dentro ao andar) é um grande contribuinte.
- Excesso de Peso e Obesidade: Aumenta diretamente a carga mecânica sobre a fáscia plantar a cada passo.
- Ocupações: Trabalhos que exigem ficar em pé ou andar por longos períodos em superfícies duras (ex: professores, operários, profissionais de saúde).
- Atividades Físicas: Aumento súbito na intensidade, duração ou frequência de atividades de impacto, como corrida ou dança.
- Calçados Inadequados: Sapatos sem suporte de arco adequado, com solas muito macias ou gastas.
- Encurtamento Muscular: Tensão nos músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) pode aumentar a tensão no tendão de Aquiles e, por consequência, na fáscia plantar.
- Idade: É mais comum em adultos ativos entre 40 e 60 anos.
Diagnóstico da Fascite Plantar
O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história dos sintomas e no exame físico.
- História Clínica: O profissional de saúde perguntará sobre o padrão da dor (pior pela manhã), atividades e fatores de risco.
- Exame Físico: O médico ou fisioterapeuta irá palpar a sola do pé para encontrar o ponto exato de dor, geralmente na inserção da fáscia no calcâneo. Manobras de dorsiflexão (puxar os dedos para cima) podem exacerbar a dor.
Exames de Imagem
Exames de imagem não são rotineiramente necessários para diagnosticar a fascite plantar, mas são úteis para descartar outras causas de dor no calcanhar (como fraturas por estresse, compressão de nervos ou problemas na coluna) ou para confirmar o diagnóstico em casos atípicos.
- Ultrassonografia (Ecografia): É o método de escolha. Pode medir a espessura da fáscia (acima de 4-5 mm é considerado espessado), mostrar a desorganização das fibras (fasciose) e a presença de líquido (edema).
- Raio-X: Pode revelar um esporão do calcâneo. É importante notar que o esporão em si raramente é a causa da dor; ele é uma consequência da tração crônica da fáscia no osso. Muitas pessoas têm esporões e não sentem dor, e muitas com fascite não têm esporão.
- Ressonância Magnética (RM): Reservada para casos complexos, suspeita de ruptura da fáscia ou para descartar outras patologias mais sérias.
Tratamentos Conservadores Iniciais (Primeira Linha)
Antes de considerar terapias avançadas como as ondas de choque, as diretrizes clínicas recomendam um período de tratamento conservador (geralmente de 3 a 6 meses). Mais de 90% dos pacientes melhoram com estas medidas:
- Alongamento: O pilar do tratamento. Alongar especificamente a fáscia plantar e, crucialmente, os músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo).
- Modificação de Atividade: Reduzir atividades de impacto (correr, saltar) e substituí-las por atividades de baixo impacto (nadar, pedalar).
- Gelo: Aplicar gelo no calcanhar por 15-20 minutos após atividade ou no final do dia para aliviar a dor.
- Calçados e Órteses: Usar sapatos com bom suporte de arco e amortecimento. Palmilhas (pré-fabricadas ou sob medida) podem corrigir problemas biomecânicos e aliviar a pressão.
- Talas Noturnas (Night Splints): Dispositivos usados para dormir que mantêm o pé em uma posição de leve dorsiflexão, alongando a fáscia e a panturrilha durante a noite. Isso ajuda a reduzir a dor matinal.
- Fisioterapia: Um fisioterapeuta pode orientar exercícios de alongamento e fortalecimento, além de aplicar técnicas como a bandagem (taping) para aliviar a tensão.
- Medicação: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno ou naproxeno, podem aliviar a dor em curto prazo, mas não tratam a causa degenerativa subjacente.
| Tipo de Tratamento | Exemplos | Objetivo Principal | Quando é Usado |
|---|---|---|---|
| Primeira Linha (Conservador) | Alongamentos, palmilhas, talas noturnas, fisioterapia, gelo, AINEs. | Reduzir a dor, aliviar a tensão na fáscia, corrigir biomecânica. | Primeiros 3-6 meses de sintomas. |
| Segunda Linha (Intermediário) | Infiltração de corticosteroides, Terapia por Ondas de Choque. | Resolver a dor crônica que falhou ao tratamento conservador. | Após falha das medidas de primeira linha. |
| Terceira Linha (Invasivo) | Cirurgia (fasciotomia plantar). | Liberar a tensão na fáscia (cortando-a parcialmente). | Raramente indicado; apenas em casos refratários graves após 6-12 meses. |
Foco Clínico: O Papel da Panturrilha
Muitas vezes, o foco do paciente está apenas no pé, mas o verdadeiro culpado pode estar mais acima.
Dica do Especialista: Não Ignore a Panturrilha
“Eu diria que 80% dos meus casos de fascite plantar crônica têm um encurtamento significativo dos músculos da panturrilha (gastrocnêmio). A tensão no tendão de Aquiles transfere diretamente a tração para a fáscia plantar. Alongar a panturrilha de forma consistente é, muitas vezes, mais importante do que qualquer outra intervenção.”
— Dr. Marcus Pai
Portanto, seu programa de reabilitação deve focar intensamente em exercícios de alongamento para a parte de trás da perna.
Identificando a Severidade dos Sintomas
A fascite plantar pode variar de um leve incômodo a uma dor debilitante.
| Nível | Sintomas Típicos |
|---|---|
| Leve |
25%
Dor leve apenas nos primeiros passos da manhã. |
| Moderada |
50%
Dor matinal e dor que retorna após ficar muito tempo em pé ou após exercícios. |
| Severa |
75%
Dor constante ao andar. Dificuldade para realizar atividades diárias. |
| Crônica |
100%
Dor severa que persiste por mais de 3-6 meses, mesmo com tratamento conservador. |

O que é a Terapia por Ondas de Choque (TOCE)?
A Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea (TOCE) é um tratamento não cirúrgico que usa ondas acústicas de alta energia para tratar condições musculoesqueléticas crônicas, incluindo a fascite plantar.
É importante diferenciar: não é um choque elétrico. O equipamento gera ondas sonoras (acústicas) de alta pressão que são direcionadas para o tecido afetado através de uma sonda portátil aplicada na pele com um gel de contato.
Como a TOCE Funciona na Fascite Plantar?
A ondas de choque não “quebra” o esporão ou a fáscia. Em vez disso, ela age em um nível celular para “reiniciar” um processo de cura que falhou. A condição crônica (fasciose) é um estado de cicatrização “preso” ou incompleto. As ondas de choque criam um microtrauma controlado no local, desencadeando uma cascata de respostas biológicas:
- Estímulo à Neovascularização: Promove a formação de novos vasos sanguíneos, aumentando o suprimento de sangue e oxigênio para a área, o que é essencial para a cura.
- Liberação de Fatores de Crescimento: Estimula a liberação de substâncias que sinalizam a reparação tecidual, como a proliferação de fibroblastos (células que produzem colágeno).
- Efeito Analgésico: As ondas podem “esgotar” os neurotransmissores de dor (como a Substância P) nos terminais nervosos locais, proporcionando alívio da dor.
- Modulação da Inflamação Crônica: Converte a inflamação crônica degenerativa em uma resposta inflamatória aguda e controlada, que é a primeira e necessária etapa para a cura.
Tipos de Ondas de Choque
Existem dois tipos principais de dispositivos de ondas de choque, e a distinção é importante:
- Ondas de Choque Radial (ou Ondas de Pressão): As ondas são geradas pneumaticamente e se espalham (radialmente) ao entrar no tecido. São menos focadas e mais superficiais. São muito usadas na fisioterapia, com bons resultados.
- Ondas de Choque Focal (Focada): As ondas são geradas (eletro-hidráulica, piezoelétrica ou eletromagnética) e convergem para um ponto específico e mais profundo. Geralmente são de maior energia.
Ambos os tipos demonstraram eficácia no tratamento da fascite plantar crônica, embora os protocolos e a intensidade possam variar.
Benefícios e Evidências da Ondas de Choque para Fascite Plantar
A Terapia por Ondas de Choque é especificamente indicada para fascite plantar crônica, definida como a dor que persiste por mais de 3 a 6 meses apesar da adesão a tratamentos conservadores (alongamentos, palmilhas, etc.).
O que Dizem as Diretrizes e Estudos
Numerosos estudos clínicos e revisões sistemáticas (o nível mais alto de evidência) confirmaram a eficácia da TOCE. Diretrizes de organizações internacionais, como o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido, apoiam o uso das ondas de choque para fascite plantar refratária.
As taxas de sucesso variam, mas muitos estudos relatam que 60% a 80% dos pacientes com a forma crônica experimentam uma redução significativa da dor e melhora na função após o tratamento. Estudos de acompanhamento mostram que os resultados positivos são frequentemente mantidos a longo prazo.
Em exames de ultrassom de acompanhamento, os estudos documentam uma redução na espessura da fáscia plantar e uma melhor organização do colágeno após o tratamento com ondas de choque, indicando cura tecidual real.
Principais Benefícios
- Tratamento Não Invasivo: Não requer cirurgia, cortes ou agulhas (no caso da TOCE, comparada a infiltrações).
- Sem Anestesia: O procedimento é realizado no consultório sem necessidade de anestesia geral ou local.
- Rápida Recuperação: O paciente sai andando e pode retomar a maioria das atividades diárias imediatamente.
- Alta Taxa de Segurança: Os efeitos colaterais são mínimos e transitórios (ver abaixo).
- Alternativa à Cirurgia: Oferece uma opção eficaz para pacientes que, de outra forma, poderiam estar considerando um procedimento cirúrgico, que carrega mais riscos.
- Evita Infiltrações: Embora a infiltração de corticosteroides possa ser eficaz para a dor, ela carrega um pequeno, mas real, risco de ruptura da fáscia plantar ou atrofia da gordura do calcanhar, o que a TOCE não faz.
| Sintoma Comum | Sinal de Alerta (Menos Comum) | Ação Recomendada |
|---|---|---|
| Dor aguda no calcanhar nos primeiros passos da manhã. | Dor noturna intensa que acorda você (sem estar em pé). | Procurar avaliação médica para descartar outras causas (ex: compressão nervosa, tumor). |
| Dor que melhora com o início da caminhada e piora no fim do dia. | Inchaço (edema) significativo ou vermelhidão no calcanhar. | Pode indicar uma fratura por estresse, gota ou infecção. Procurar avaliação. |
| Dor na sola do pé. | Formigamento, queimação ou dormência que irradia para os dedos. | Pode indicar envolvimento de um nervo (ex: Síndrome do Túnel do Tarso). Requer avaliação neurológica. |
| A dor persiste por algumas semanas. | A dor não melhora NADA após 6-8 semanas de tratamento conservador (alongamentos, gelo). | Retornar ao profissional de saúde para reavaliar o diagnóstico e discutir opções de segunda linha (como a TOCE). |
O Procedimento: O que Esperar
Uma sessão de terapia por ondas de choque é um procedimento rápido e simples realizado em ambiente de consultório.
Antes da Sessão
O profissional (médico, fisioterapeuta ou podólogo qualificado) irá primeiro localizar a área exata da dor máxima, seja pela palpação ou, idealmente, com o auxílio de um ultrassom para identificar o ponto de maior espessamento da fáscia.
Durante a Sessão
- Um gel de contato (semelhante ao de ultrassom) é aplicado na pele do calcanhar.
- A sonda (aplicador) do dispositivo de ondas de choque é pressionada firmemente contra a pele sobre a área-alvo.
- O profissional ativa a máquina. O paciente ouvirá um som de “clique” repetitivo e sentirá as ondas de pressão ou “batidas” na área.
- O profissional pode mover ligeiramente a sonda para cobrir toda a área afetada.
- A sessão em si dura tipicamente de 5 a 10 minutos, durante os quais um número definido de pulsos (geralmente entre 1.500 e 3.000) é aplicado.
A Terapia por Ondas de Choque Dói?
A percepção da dor varia. A maioria dos pacientes descreve o tratamento como desconfortável ou ligeiramente doloroso, mas não excruciante. A sensação é frequentemente descrita como uma pressão intensa ou “batidas” no ponto sensível.
A boa notícia é que a sessão é muito curta. Além disso, o profissional pode ajustar a intensidade da energia. Geralmente, começa-se com uma intensidade baixa, que é aumentada gradualmente à medida que o paciente tolera. Muitos pacientes relatam um alívio quase imediato da dor logo após a sessão, embora isso possa ser um efeito analgésico temporário.
Protocolo de Tratamento e Recuperação
Quantas Sessões São Necessárias?
A Terapia por Ondas de Choque não é um tratamento de sessão única; seu efeito é cumulativo. O protocolo padrão para fascite plantar crônica geralmente envolve:
- De 3 a 6 sessões (sendo 3 o mínimo mais comum).
- As sessões são espaçadas com intervalos de 1 semana.
A severidade e cronicidade da condição podem influenciar o número total de sessões necessárias.
Recuperação e Resultados
O mais importante a entender é que a TOCE estimula a regeneração biológica, e isso leva tempo. Embora algum alívio da dor possa ser sentido imediatamente, a cura tecidual do colágeno pode levar de 6 a 12 semanas (ou mais) após a última sessão.
O que Fazer e Não Fazer Após a TOCE
Após a sessão, o paciente pode ir para casa andando. Pode haver alguma dor leve ou vermelhidão no local, que geralmente desaparece em 1-2 dias.
Crucial: A TOCE funciona iniciando uma resposta pró-inflamatória (de cura). Portanto, os pacientes são geralmente aconselhados a EVITAR o uso de gelo ou medicamentos anti-inflamatórios (AINEs) por alguns dias (ou até semanas) após o tratamento, pois isso pode interferir no processo de cura que o tratamento acabou de iniciar.
O tratamento com ondas de choque não é uma “solução mágica” isolada. Ele deve ser parte de um plano de reabilitação abrangente. Os pacientes devem continuar com os exercícios de alongamento da panturrilha e da fáscia, usar calçados adequados e corrigir os fatores de risco (como peso ou biomecânica) para garantir o sucesso a longo prazo.
| Fase | O que Esperar / Fazer | Justificativa |
|---|---|---|
| Durante a Sessão (5-10 min) | Sentirá pressão e “batidas” desconfortáveis, mas toleráveis. Comunique-se com o profissional sobre a intensidade. | A energia precisa ser suficiente para estimular o tecido, mas ajustada à tolerância do paciente. |
| Imediatamente Após (Dia 0-2) | Pode ter dor leve, vermelhidão ou pequeno hematoma. Pode caminhar. Evitar AINEs e gelo. | Permitir que a resposta inflamatória de cura, induzida pela TOCE, ocorra sem interferência. |
| Entre as Sessões (Semanas 1-5) | Continuar atividades diárias normais. Manter o programa de alongamento. Evitar atividades de alto impacto (corrida, saltos). | O tecido está em processo de reparo. O alongamento é vital para que o novo colágeno se alinhe corretamente. |
| Após a Última Sessão (Meses 2-4) | A melhora continua. A cura biológica completa leva tempo. Retorno gradual às atividades de impacto. | A regeneração do colágeno é um processo lento. A paciência é fundamental; o resultado final é visto meses depois. |
Riscos e Contraindicações
A TOCE é considerada extremamente segura, especialmente quando comparada à cirurgia ou infiltrações de corticoides. Os efeitos colaterais são geralmente leves e autolimitados:
- Dor ou sensibilidade temporária durante e após a sessão.
- Vermelhidão (eritema) ou pequenos hematomas (petéquias) na pele.
- Inchaço leve.
Não há riscos significativos de longo prazo documentados quando o procedimento é realizado por um profissional treinado e com o equipamento adequado.
Contraindicações Absolutas
Existem situações em que a TOCE não deve ser aplicada:
- Gravidez (na área do abdômen/pelve, mas geralmente evitado em qualquer lugar por precaução).
- Sobre tumores malignos (câncer) na área de tratamento.
- Distúrbios de coagulação sanguínea (coagulopatias) ou uso de anticoagulantes em altas doses.
- Infecção ativa no local de tratamento.
- Aplicação sobre placas de crescimento abertas (em crianças ou adolescentes).
- Aplicação sobre estruturas vitais (grandes vasos sanguíneos ou nervos próximos à pele, pulmões).
Conclusão
A fascite plantar é uma condição dolorosa e frustrante, especialmente quando se torna crônica. Enquanto os tratamentos conservadores de primeira linha, como alongamentos e órteses, são a base do tratamento, eles nem sempre são suficientes. Para pacientes que sofrem de dor persistente por mais de 3 a 6 meses, a Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea (TOCE) oferece uma solução segura, não invasiva e com forte respaldo científico.
Ao estimular o próprio processo de cura do corpo em nível celular, a TOCE aborda a natureza degenerativa da fasciose crônica, oferecendo alívio da dor e melhora funcional para a maioria dos pacientes, permitindo-lhes retomar suas atividades sem a necessidade de procedimentos invasivos.
A Jornada da Recuperação: Uma Linha do Tempo
A cura da fasciose crônica leva tempo. Aqui está uma linha do tempo típica do que esperar APÓS iniciar a Terapia por Ondas de Choque (TOCE):
(Semanas 0-5)
(Semanas 6-12)
(Meses 3-6)
Descrição: Realização das sessões de Ondas de Choque. Alguma dor pode persistir. Evitar anti-inflamatórios.
Descrição: Esta é a fase importante. O corpo está ativamente criando novos vasos sanguíneos e colágeno. A melhora da dor se torna mais perceptível.
Descrição: O novo colágeno amadurece e se fortalece. A melhora máxima é tipicamente sentida aqui. Retorno gradual e seguro ao esporte.
O que Fazer e o que Evitar Durante o Tratamento
Para otimizar sua recuperação, siga estas recomendações:
O que FAZER
- Continuar os alongamentos da panturrilha e da fáscia diariamente.
- Usar calçados de suporte mesmo dentro de casa.
- Manter atividades de baixo impacto como natação ou ciclismo.
- Ter paciência, pois a cura biológica leva tempo.
O que EVITAR
- Evitar AINEs e gelo após as sessões de TOCE, pois podem inibir a cura.
- Não andar descalço em superfícies duras.
- Evitar atividades de alto impacto (correr, saltar) durante o período de tratamento.
- Não ignorar a dor e “forçar” o pé achando que vai melhorar mais rápido.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é exatamente a fascite plantar?
A fascite plantar é a degeneração (fasciose) de um ligamento espesso na sola do pé chamado fáscia plantar, que conecta o calcanhar aos dedos. Isso causa dor no calcanhar, classicamente pior nos primeiros passos pela manhã, devido à sobrecarga crônica e micro-rupturas no tecido.
2. A terapia por ondas de choque dói?
A maioria dos pacientes relata um desconforto ou uma leve dor durante a aplicação, que dura apenas 5-10 minutos. A intensidade é ajustável à tolerância do paciente e a sensação geralmente diminui logo após o término da sessão. Não é necessária anestesia.
3. Quantas sessões de ondas de choque são necessárias?
O protocolo mais comum para fascite plantar crônica envolve de 3 a 6 sessões. Essas sessões são geralmente realizadas com um intervalo de uma semana entre elas. O efeito é cumulativo, e o número exato dependerá da gravidade e da resposta do paciente.
4. Ondas de choque funcionam para esporão do calcâneo?
Sim, mas é importante entender que o objetivo não é “quebrar” ou “dissolver” o esporão. A terapia por ondas de choque trata o tecido inflamado e degenerado da fáscia plantar *ao redor* do esporão, que é a verdadeira fonte da dor. O esporão em si raramente é o problema, e a dor pode desaparecer mesmo com o esporão permanecendo no local.
5. O plano de saúde cobre a terapia por ondas de choque?
Isso varia muito dependendo do país, da operadora e do tipo de plano de saúde. No Brasil, alguns planos podem cobrir, especialmente se for indicada por um médico ortopedista para casos crônicos que falharam em outros tratamentos. É essencial verificar diretamente com sua operadora de saúde a cobertura específica.
6. Quais são os riscos da terapia por ondas de choque?
Os riscos são mínimos e geralmente limitados ao local da aplicação. Podem incluir vermelhidão temporária, leve inchaço, pequenos hematomas ou um aumento transitório da dor por um ou dois dias. É um procedimento muito seguro e não invasivo.
7. Quanto tempo leva para a fascite plantar curar com ondas de choque?
A cura biológica leva tempo. Embora algum alívio da dor possa ocorrer rapidamente, a regeneração completa do tecido e o benefício máximo são geralmente sentidos de 6 a 12 semanas *após* a conclusão da última sessão. Paciência é fundamental durante este período de cicatrização.
8. O que NÃO devo fazer após a sessão de ondas de choque?
O mais importante é evitar gelo e medicamentos anti-inflamatórios (como ibuprofeno) por pelo menos 48 horas (ou conforme orientação do seu médico). A TOCE funciona iniciando uma resposta inflamatória de cura, e esses medicamentos podem bloqueá-la. Também é recomendado evitar atividades de alto impacto por alguns dias.
9. Ondas de choque são o mesmo que ultrassom terapêutico?
Não. Embora ambos usem ondas sonoras, eles são muito diferentes. O ultrassom terapêutico usa ondas de frequência muito alta e baixa energia para aquecimento profundo. As ondas de choque usam ondas de pressão de energia muito alta e baixa frequência para criar um efeito mecânico e biológico (microtrauma) no tecido.
10. Quem pode aplicar a terapia por ondas de choque?
A terapia por ondas de choque deve ser administrada por profissionais de saúde treinados e certificados no uso do equipamento. Isso geralmente inclui médicos ortopedistas, médicos do esporte e fisioterapeutas. A qualificação pode variar de acordo com a regulamentação local.
11. A fascite plantar pode voltar após o tratamento?
A ondas de choque tem uma alta taxa de sucesso a longo prazo, mas a fascite plantar pode retornar se os fatores de risco subjacentes não forem corrigidos. É crucial continuar os alongamentos, manter um peso saudável, usar calçados adequados e corrigir problemas biomecânicos (com palmilhas, se necessário). O tratamento não torna o paciente imune a uma nova lesão por sobrecarga.
12. Preciso de repouso após a terapia por ondas de choque?
Não é necessário repouso absoluto; o paciente sai andando do consultório. No entanto, é aconselhável “repouso relativo”, o que significa evitar atividades de alto impacto (correr, pular) por alguns dias após cada sessão e durante o período de tratamento. Atividades de baixo impacto, como caminhar ou nadar, geralmente são permitidas.
13. Quais são as alternativas às ondas de choque para casos crônicos?
Se a ondas de choque não for uma opção, outras alternativas para fascite crônica incluem infiltrações de corticosteroides (com cautela pelo risco de ruptura) ou terapias biológicas como o Plasma Rico em Plaquetas (PRP). A última opção, reservada para falha de todas as outras, é a cirurgia (fasciotomia plantar).
14. Por que a dor da fascite plantar é pior de manhã?
Durante o sono, o pé fica relaxado e a fáscia plantar “encurta” e cicatriza em uma posição contraída. Ao dar os primeiros passos, você estica abruptamente esse tecido encurtado e rígido, causando micro-rupturas e dor intensa. O uso de talas noturnas ajuda a prevenir esse encurtamento noturno.
15. A terapia por ondas de choque é indicada para mim?
A ondas de choque é indicada especificamente para fascite plantar *crônica*, ou seja, dor que persiste por mais de 3 a 6 meses apesar de ter tentado seriamente os tratamentos conservadores (alongamentos, gelo, palmilhas, fisioterapia). Não é um tratamento de primeira linha para dor no calcanhar recém-diagnosticada. Consulte um profissional de saúde para um diagnóstico correto e para saber se você é um bom candidato.